Quanto mais rápida é a alteração técnica, mas nos parece vir do exterior - Pierre Lévy, da minha coleção de frases.

(Dando continuidade às reflexões depois de um intenso debate esta semana  com gestores  do Santo Inácio e vários colégios Jesuítas do Brasil, para o qual, iniciei minhas reflexões aqui, dou continuidade.)

Não damos valor às nossas mães.

Aliás, a minha, que infelizmente já faleceu, sempre me dizia isso.

O que me deixava sempre tenso:

“Você só vai me dar valor quando eu morrer”.

E, de fato, foi verdade, pois há no amor de mãe algo especial, que não nos damos conta, a não ser quando não se tem mais.

O que ela queria dizer, de fato?

Não damos valor às coisas cotidianas. Elas fazem parte. Estão ali e colocamos na conta daquilo que já é.

Que não nos preocupamos, tal como o amor materno e tantas outras.

(O que nos levaria a uma discussão de sabedoria de vida, que não entra aqui na roda, neste momento.)

Assim, a comunicação é uma mãe, sob esse ponto de vista.

Só damos valor a ela, quando não temos mais. ;)

Celular sem sinal, Internet sem conexão, telefone mudo ou quando estamos afônicos. Nesse momento, vemos o quanto dependemos dela para viver.

E por isso é tão difícil, como tem sido nas minhas palestras, as pessoas levarem em conta e aceitarem o peso real de uma mudança do porte da Internet – como um fator fundamental para marcar a história humana.

A história que estudamos na escola passa longe das mudanças de comunicação para explicar o mundo.

Teve Cabral, Colombo…Não teve Gutemberg… :)

Essa teoria é recente, que veio basicamente com Lévy, um gênio, que saca que a Internet é uma ruptura igual à chegada da fala e da escrita, criando uma nova Ecologia Informacional, uma nova era, ou quem sabe, como estamos em uma civilização globalizada, uma nova era civilizacional.

Pierre Lévy - leiam Cibercultura

Lévy ali refaz o estudo histórico, introduzindo um ponto de vista fundamental como fator de compreensão de determinados fenômenos.

Sem Lévy e suas ideias, seguidas por Castells e outros, não conseguimos entender o mundo atual.

Ponto.

(Falo mais sobre a nova visão histórica, a partir da Internet, no próximo post.)

Assim, mudanças de comunicação não fazem parte dos conceitos fundamentais dos estudiosos da história e da sociedade.

A comunicação é como nossa mãe: sub-valorizada, pelo cotidiano.

Mas é justamente esse o poder dela: sua invisibilidade, sua entrada em cada um dos cantos de todo o planeta.

Muda-se a forma, o DNA  e plact-plink-zum, muda-se a forma que nos relacionamos em sociedade. ;)

Desde a forma que trocamos figurinha do álbum da copa pelo Twitter, à organização das cidades americanas, via rede colaborativa, na Era Obama.

Cappice?

Alguns autores (Peter Burk é um deles)  sugerem que os comunicadores estudem histórias e os historiadores vice-versa.

Sim, bom, bom, bom.

Essa é a necessidade premente da nossa sociedade, pois o mundo está mudando demais por algo que não damos bola, tal como a nossa mãe, ou melhor, nosso banal, cotidiano e trivial ambiente de comunicação, que sem ele não somos nada.

Ou como dizia o Evandro Mesquita: nada, nada, nada.

Quando a forma de se comunicar muda, ou se enfraquece, tudo se abala.

E só então cai a ficha, mas aí Inês (ou a mãe) é morta.

Não é fato?

Diário de blog:

Aprofundamento de quanto é relevante essa nova visão histórica para compreensão do fenômeno Internet. E qual é, assim, a dificuldade que temos de dar a chegada dela e a relevância que merece.

Acho um grande avanço da argumentação como força de convencimento.

No post seguinte, falo da ideia de macro e micro história. A ver.