Só a corrupção vai ganhar medalha de ouro!” – vendedor de biscoito no sinal sobre a olimpíada hoje de manhã.

Independente do resultado se vamos ou não ter Olimpíada no Rio, do ponto de vista da inserção da cidade no novo mundo colaborativo, já perdemos!

Aliás, apesar da prefeitura da cidade se posar de moderninha, a ideia de participação ainda é fumaça.

Em função da candidatura, impediu uma ONG de colocar um placar na praia de Copacabana dos mortos diários com a violência.

Vejam os dados:

A ONG Rio de Paz montou na Praia de Copacabana um painel com os números oficiais da violência no Rio de Janeiro, nos últimos 2 anos e 5 meses – o governo Sergio Cabral.

Foram 18.137 mortes violentas segundo o Instituto de Segurança Pública, órgão encarregado de produzir estatísticas de criminalidade do Estado.

Foram assassinadas 14.609 pessoas; 2.921 morreram em autos de resistência; 530 foram mortas em assaltos e 77 policiais assassinados. Além disso, 181.062 foram feridas e 11.990 estão desaparecidas.

A Prefeitura do Rio ameaça retirar o painel, enquanto o diretor-executivo da ONG, Antonio Carlos Costa, diz que “em uma democracia a transparência é a regra, o segredo é a exceção. O povo tem o direito de receber a informação” (Mais.)

O placar foi proibido!!!

Em matéria de mortos, feridos e desaparecidos, já ganhamos medalha de diamante!!! :(

Hoje, na Lagoa Rodrigo de Freitas, o vendedor de biscoito do sinal e o vendedor do quiosque de coco, votaram na minha personal enquete, ouvi esta afirmação de um deles:

“Só a corrupção vai ganhar medalha de ouro!”

E lembrava um lanche no Pan para a equipe de apoio, que andou pela área por causa do remo, custava R$ 30,00 para a Prefeitura. Um pão com mortadela e um refresco.

“Com R$ 30,00 muita gente almoçava e jantava – e bem!”

Ou seja, o problema não é o falso dilema: Olimpíada, sim ou não?

Mas, em caso de sim, quais são as garantias, a transparência, a novidade que a cidade apresenta para evitar que a corrupção campeie, como temem também vários cidadãos de outras cidades candidatas?

Quais são os planos do Paes, Cabral e Lula para isso?

Alguém já leu, ouviu ou viu?

Aliás, o comitê organizador das Olimpíadas não colocar a transparência como requisito básico é algo, no mínimo, estranho e incompatível com o mundo 2.0, que estamos entrando.

É preciso demonstrar por A + B que não terá corrupção.

E identificar cada item do que ficará para depois na cidade.

Lembro que todos os carros novos da polícia do Rio sumiram depois do Pan.

O carro que sumiu pós-Pan!

O carro que sumiu pós-Pan!

E a cidade ficou sem a manutenção devida, pois Cesar Maia disse que não tinha recursos.

As árvores aqui na Lagoa cresceram e não tiveram poda, por exemplo.

Vejam o que disse o Jornal The Times sobre o evento, marcas em vermelho:

O jornal britânico The Times traz uma reportagem, neste sábado, dizendo que a organização dos Jogos Pan-Americanos revelou problemas endêmicos ao Brasil, “principalmente a burocracia corrupta e ineficiente” do país.

Segundo o correspondente do jornal no Brasil, Tom Hennigan, o país investiu tempo e dinheiro para sediar o evento esportivo numa tentativa de convencer o mundo de que tem condições de organizar a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, mas “o orçamento para o Pan-Americano saiu de controle devido a má administração e corrupção, tornando o preço final para o contribuinte cerca de oito vezes mais caro que as estimativas iniciais”.

(…)
De acordo com o jornal, a chegada de 6 mil atletas, funcionários e jornalistas acontece ao mesmo tempo em que as autoridades lutam contra gangues nas favelas da cidade numa tentativa de “retomar o controle de áreas dominadas pelos traficantes há décadas”. (Mais.)

O que resta perguntar:

  • Por que não houve uma enquete na cidade para saber o que o cidadão achava sobre o evento?
  • Por que não foi criada uma rede social para ajudar/discutir a cidade pré e pós-Olimpíada?
  • Por que não houve reuniões nos bairros, campanha mesmo, para colher sugestões para um controle dos gastos?
  • Por que não houve um projeto, bairro a bairro, para demonstrar as melhorias?
  • Vai ser melhor? Não sei. Quem sabe?

Ou seja, para quem quer construir participação, qualquer situação é maravilhosa, para promovê-la.

Não foi o nosso caso.

Em termos de colaboração, não chegamos nem a ser classificados para disputar a semifinal.

Como ouvimos todo dia na rua, antes de sermos assaltados:

“Perdeu, Playboy, perdeu!”

Que dizes?