Morreu no sábado à noite aqui no Rio de Janeiro a professora de computação da PUC-RJ, Cássia Baruque.

Ela entra na galeria das vítimas da área de tecnologia assassinadas nesta cidade nos últimso anos.
Além de nerd, era poeta e música.
Entre elas eu ainda lembro do Jaime Teixeira Filho, estudioso das comunidades virtuais, com livro escrito.
Uma cabeça importante para nos ajudar a entender a Internet.
Virou pó.
Morto vítima de assalto em Niterói.
Fernando Villela, Fervil, editor de vários jornais on-line, que conheci pessoalmente, uma pessoa inquieta, empreendedor, gente fina.
Virou pó.
Morto quando saía do trabalho, dentro do carro, no Santo Cristo.
Todos assassinados.
A Guerra Civil fazendo vítimas em todas as áreas, de todas as cores, de todos os gêneros, de todas as classes sociais!
A família da Cássia publica a seguinte carta no Globo de hoje:

A família afirma que estamos vivendo um grande vídeo-game e não há mocinhos no jogo, só bandidos.
Estamos alienados, passivos, tontos dentro de um joguinho, cercado de fantasias de todos os lados, incluindo a ilusão de que a Internet vai nos salvar de tudo isso.
Não vai!
Ela é meio e não fim.
A bala que entrou no peito de Cássia era off-line!
Não era de mentirinha.
A vida dela acabou, assim, como um passarinho que para de cantar, saindo de uma festa, depois de um bom papo com os amigos.
No mesmo dia, no mesmo jornal, a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, principal candidata à presidente do país-matrix, mente na rede social do Currículo Lattes, na qual os pesquisadores brasileiros colocam por eles mesmos suas informações, de forma ética.
Mentir ali é trair o conceito básico da Internet.
Ainda mais vindo da segunda autoridade hoje do país.
Ela não faz doutorado e nem tem o mestrado que afirma ter.

No jornal afimam, não se sabe quem atualizou o currículo da ministra.
A senha e login são instraferíveis e de responsabilidade do pesquisador!
O que faz o Ministério Público, o CNPq, a Capes, a SBPC, as associações dos docentes, a Universidade na qual a Ministra mentiu descaradamente?
(Não, isso não é papo de gente do PSDB, é papo de gente que tem assistido pessoas – conhecidas ou anônimas – morrerem na rua todos os dias e abrir o jornal e só receber notícias de falta de ética e moral vindas de Brasília!)
Aparentemente, um fato não tem nada a ver com o outro.
Mas se a Ministra que vende a imagem de durona, inflexível, que estoura contra tudo e contra todos, a favor do país e contra a corrupção, inicia sua candidatura desse jeito, estaremos bem arranjados.
O exemplo aqui vem de onde?
Como diz escultor ecológico Frans Krajcberg que vi num curta no Cinema Estação, ao falar sobre a destruição da Amazônia, ele diz:

A passividade do brasileiro é chocante!
Não, não vou propor sairmos todos de branco pedindo não à violência na praia, depois irmos tomar um chope e fechar o dia com uma partidinha no pay-per-view do Flamengo.
A Cássia não morreu por causa da Dilma, mas por causa de nós que somos passivos.

A Dilma não mentiu no Lattes por não ter ética, mas por achar que se fosse descoberta não daria em nada, pois ela sabe que nós somos passivos.
O movimento de mudança é individual, desculpem.
Repito: a luta contra a passividade é pessoal e intransferível.
Começa a cada dia, na batalha de cada um para ser.
Na sua profissão, na relação com seus filhos, na maneira que você trata os outros na rua.
E isso vai crescendo de dentro para fora.
Não adianta se mexer depois de uma morte.
Temos que nos mexer todos os dias de manhã para sermos melhores e multiplicar esse movimento.
Aí temos mudança para valer.
Enquanto estivermos entregues às nossas pequenas compulsões individuais, deixando tudo de lado para continuarmos nesse grande víde-game, não esquentando a cabeça e reclamando DELES, tudo fica igualzinho.
Mais Dilmas mentirão impunes e mais Cássias morrerão no vídeo-game nos quais as balas são achadas.
Nós todos somos tão culpados quanto ELES pelos dois fatos descritos neste post!
Desculpe Cássia!
É muito bonitinho ficar lembrando os Twitteiros de Teerã, aquele país distante.
Mas o que fará a comunidade blogueira e twitteira brasileira para protestar pela morte de mais uma pessoa da tecnologia, entre tantas que já morreram de todas as áreas?
Nada?
O que faz a comunidade Twitteira e blogueira nacional contra a mudança da Dilma no currículo Lattes, atacando o principal nas redes sociais, a confiança.
Nada?

O pessoal aqui está preocupado em “construir a rede”.
Que rede?
A de dormir?
Galera, desculpem:
Teerã é aqui e agora!
Local: No colégio Santo Inácio - Botafogo.




Temas que estou relendo e reeditando no blog:
Prosumidor 2.0 - (









É preciso entender como conseguir a atenção das autoridades ditas competentes sobre essas questões tão próximas a nós e não a eles. Entendam. Eles não têm filhos em escolas públicas, logo não têm interesse pela conservação das escolas e bibliotecas; Eles não têm que andar de carro ou de ônibus nos centros urbanos sem escolta ou segurança, logo não é interesse deles proteger as ruas que não trafegam. Não temos representantes; temos parasitas. O interesse maior dos nossos representantes a meu ver é o poder, o Erário e os impostos que o engordam. Se conseguirmos curar o povo dessa passividade sedentária e promover uma legítima mobilização; com ações sólidas e disciplinadas em todo o país, aí sim vamos conseguir a atenção deles.
Leo,
passar da democracia representativa para a participativa, aliás, a proposta inicial do PT e abandonada quando assumiu o poder.
Mas a pergunta que todo brasileiro deve fazer não é o que eles, ou os outros podem fazer, mas o que eu posso mudar todos os dias na minha vida para colaborar.
E como me juntar com os que estão com o mesmo espírito.
Nesse movimento eu acredito.
De cada um…
Esse, a meu ver, é o primeiro passo.
Me diga.
Nepô.
Como diria Gandhi, “temos que ser a mudança que queremos promover”.
Isso, Marcelo, na mosca!