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Não acredito que a literatura revela a realidade, acho que inventa a realidade – Ferreira Gullar da coleção;

Um dos grandes problemas cognitivos com o qual me deparo é a crença enraizada e generalizada de que a realidade existe.

Falo isso por experiência de aulas, palestras,  tanto que passei a introduzir como tema inicial a discussão “O que é a realidade?”.

(Será só no Brasil? / Talvez, isso se dê em função do fim das aula de filosofia nas escolas (???) / Tudo tem um preço!)

A filosofia estuda como pensamos.

E coloca entre a dita “realidade” e nós, algo no meio, um fosso.

Assim, não olhamos a realidade com nossos olhos, mas através de “óculos culturais”. Quanto mais invisível for este óculos, mais você é enganado pela “dita realidade”.

Alguém colocou o óculos na sua cara e você não se deu conta!!!

Nesse fosso filosóficos estuda-se nossas maneiras de pensar.

Cada um escolhe uma, ou mais normalmente, é escolhido por elas, pela família, escola, meios de comunicação de massa, grupo fechados de amigos.

(Precisamos de aceitação e cedemos sem sentir.)

Quanto mais você escolhe sua filosofia, mais você é.

Quanto menos, menos és.

Vão duas frases boas sobre isso:

  • Aos poucos fui tentando transformar não mais as coisas, mas a mim mesmo – Herman Hesse;

e

  • Pensar pela própria cabeça implica o enfrentamento dos dogmas –Gustavo Bernardo;

Pois ser é ter o direito a escolher, entre tantos, ao longo do tempo, o seu jeito de ser e pensar e ir mudando e se adaptando, a partir da interação com o mundo e os outros.

Ser é viabilizar nosso novo jeito de pensar o mundo!

Ou seja, somos seres filosóficos, conscientes ou inconscientes.

Ao adotarmos determinadas “verdades”, na qual a realidade se cristaliza, se embrutece, se consolida, levamos ao mundo dogmas fechados.

E nos dogmas, ideologias, crenças, fés não se mexe.

Já que:

“Estou no caminho “certo”!!!”

(Eu e todos os meus amigos e minha tribo, seja lá qual seja ela.)

Porém, se alguém está no certo, outro está no errado.

Deve-se trazer o outro para o certo.

E/ou criticar o outro, discriminá-lo, em alguns casos, até apredrejá-los.

Quando alguém diz que é XXXX, pertence a raça YYYYY ou tem o sangue WWWW.

Já está no Dogma.

Os defensores do caminho certo versus o errado acreditam que a sua vida, por consequência, é um exemplo para a humanidade, tanto de ética como de moral.

Ou seja, há um caminho certo: o meu!

É uma filosofia dogmática da ética e da moral.

Pois, para eles, o ser  ético precisa se enquadrar dentro de uma caixa.

Porém, pode-se ser ético, sem ser imoral, ou abusivo.

E sem ter caixa, mas aberto para a relação com os outros.

O que chamaria de sabedoria.

Veja alguns aos quais me guio e note que neles não há uma norma atribuída por terceiros, mas sempre por quem a segue:

Coerência de Gandhi:

“Tens que ser a mudança que queres para o mundo”.

Respeito ao outro, Jesus:

“Não faça ao outro, o que não queres que faça contigo”.

E agente de mudança, com serendidade – dos AAs e similares:

“Que eu tenha serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu posso,
e sabedoria para que eu saiba a diferença”.

Note que nos três casos há um dado relacional, nestes princípios nem Gandhi, nem Jesus nem o AA definem como será a sua conduta no mundo.

Simplesmente, sugerem que use-se (auto-conhecimento + sabedoria) para se ter como referencial, aberto, sem líderes, no livre arbítrio, para que não leve ao outro aquilo que não queres para você, seja coerente e use a sabedoria para saber o caminho do que pode mudar ou não no planeta, sem ser passivo ou maluco.

E aí entra a questão da viabilidade existencial, que dá um outro bom ponto de referência. É preciso tudo isso e ainda ser sustentável.

Ninguém vai para a praia de smoking no verão de sol de 40 graus, pois é inviável, não é uma questão de certo ou errado.

O mesmo no trabalho, é preciso criar condições para que nossa maneira ética de estar no mundo se consolide.

E isso implica em economizar (não cair na lábia do consumismo), ter recursos, para escolher, optar e poder dizer não quando os limites dos princípios definidos por cada um estão sendo transpostos.

O viável depende de cada pessoa, de cada situação.

E essa ética relacional, não dogmática, que estamos precisando, ainda mais em um mundo de constante interação e inovação, como este que estamos entrando…

Tudo isso sempre sabendo que a realidade é inventada e depende de nós torná-la mais humana na medida das nossas forças.

Que dizes?

Pessoal, vale a pena ler com calma a entrevista do Valor sobre redes sociais.

É a principal dica que fica do Encontro IV.

Vejam o caderno aqui.

  • Você tem que ser a mudança que você quer para o mundo – Gandhi – da coleção;

As atitudes dos grandes portais colaborativos 2.0 já demonstram uma verdade dolorida para os tecno-otimistas de plantão.

Os caras tem carro 2.0, terno 2.0, óculos 2.0, mas não atitudes 2.0.

Há, como já se disse, tecnologias 2.0 e filosofias 2.0, que são coisas bem distintas.

As primeiras chovem torrencialmente.

As outras pingam a conta-gotas!

O mundo 2.0 tem por baixo uma filosofia, ou várias, do compartilhamento humano, da comunicação horizontal, do questionamento dos direitos autorais no modelo da Idade Mídia.

Da valorização e do afinamento entre o que se diz e faz.

É uma herança do mundo hippie/socialista/igualitário/meritocrático/empreendedor (Leiam Castells “Sociedade em Rede”), que deu na indústria do computador, na rede e nos projetos inovadores, como o Google, o Facebook e o Twitter.

Os caras entraram no mercado, mas deveriam manter uma atitude coerente com a filosofia que propagam em seus projetos.

Mas não.

Isso é papo de folder!

O Facebook resolveu processar um site de professores, que trocam material de sala de aula,  por ter usado o nome Book.

Também forçou o PlaceBook site de viagens para alterar seu nome para TripTrace início deste mês.

Não satisfeito, quer ser o dono da palavra Face na Internet para projetos de rede social.

Pera aí!

Os professores processados se perguntam: “Por que nós? Com que direito? Um gigante de 500 milhões de usuários preocupado com o nome Book? Isso é justo?”

Teacher e book tem tudo a ver, há muito mais tempo, do que o Facebook dar a primeira mamada na mamadeira 2.0.

Na próxima vez que o dono do Facebook vier ao Brasil seria bom perguntar para ele, com aquela cara de inovador e gênio da raça se existe coerência nessa atitude.

As contradições não param por aí.

O Goggle vai na China e aceita censurar as páginas.

O Twitter cancela contas (aconteceu com uma das minhas alunas) manda um e-mail enigmático por motivos técnicos de muitos RTs (!!!???).

Pensa-se que terão um perfil no Twitter para atender possíveis enganos?

Há, há, há… (risos sonoros)

Os caras devem beber na sexta-feira rindo desse pessoal que acredita no Twitter e nas ferramentas 2.0.

No atendimento pelas redes sociais. (Quá, quá, quá.)

Lá fora, tudo bem, mas aqui é capitalismo 1.0, meu!

OK, Brô?

E a coisa não pára.

O pai do termo Web 2.0 (Tim O´Reilly – foto abaixo) quis patenteá-lo e chegou a tentar processar uma garotada que ia fazer um encontro usando a expressão, depois da grita, recuou.

O Chris Anderson escreve o livro “Free” (para os outros), mas é vendido, sem alternativa na Web, pois tem o leitinho das crianças !!!!

Ué, se é assim, deveria ser.

“O Free é bom, desde que nos livros dos outros”

A Nokia que fala que é uma empresa moderna desenvolve sistemas de controle de ceulares para o Governo do Irã contra os manifestantes.

(Será que tem gente que pode ser apedrejada por causa disso?)

E o Wikipédia cria uma panela de especialistas, que ficam lá atrapalhando a criação coletiva.

Ou seja, o mito que a tecnologia colaborativa faz da pessoa um ser especial, ou que seus projetos vão nos levar ao Nirvana na terra.

Sei não!

Falta filosofia e coerência.

Assim, vou de Gandhi na entrada:

“Tens que ser a mudança que queres para o mundo”.

E de Jesus (mesmo que ele não tenha existido) (sem ser religioso ou dogmático) no prato principal:

“Não faça ao outro, o que não queres que faça contigo”.

Por fim, a centralização dos projetos de redes sociais na mão de poucas pessoas é algo que vai mais adiante ser incompatível com o mundo 2.0 colaborativo.

Começam, aqui e ali,  projetos para fazer redes sociais sem centro.

A garantia da democracia humana vai passar por essa descentralização, pois estamos dando muito poder para pouca gente, que pode, a seu critério, criar critérios, já que tudo é de graça.

Assina-se ao entrar, algo que não lemos e não temos alternativa!

Já disse em palestra e repito aqui:

O Orkut é apenas um servidor num lugar qualquer, uma máquina ligada (ou várias), sobre a qual o Google tem o poder de desligar a qualquer momento.

Pling!

Espere o dia que o pessoal de lá achar que já não é mais legal brincar no Brasil.

Ou resolver estabelecer regras heterodoxas.

Isso pode, aquilo, não.

Podem ou não podem fazer isso? Paranóia?

O caso do Twitter me diz o contrário.

(Se acaba, o que vai ter de gente tremendo por aí com crise de abstinência, vai ser uma festa.) :)

Anote: isso não é #fake é #fato!

Concordas?

O valor é um sabonete difícil de segurar – Nepô;

Coloquei a polêmica no ar, ao defender o fim do livro impresso.

(Comentários entusiasmados aqui e aqui.)

Provocar é bom.

Um blog é um espaço de provocação para tirar as pessoas do conforto e extrair o que pensam sobre determinado assunto.

Ajudamo-nos todos a pensar juntos e ir avançando sobre o que pensamos, já que a realidade não existe, apenas nos aproximamos dela.

E quanto mais nos aproximamos, mais ampla fica.

Defendi que a cada livro publicado deve ter um exemplar de graça na Internet.

E acho que isso, ao contrário, do que se pensa vai gerar muito mais dinheiro do que não colocá-lo, pois tende a aumentar a base de interessados, leitores, que serão consumidores de outros produtos, que gerem valor.

Os mais reticentes vêem nesse movimento do DE GRAÇA mais um gesto oportunista do brasileiro que não quer pagar nada, da pirataria, de não respeitar o trabalho alheio.

Têm motivos, pois há muito disso, porém, não é o caso por aqui.

Sugiro mentes abertas para separar o mouse do teclado. :)

Então, como vai sobreviver a indústrias (e seus trabalhadores)  que produzem hoje os livros impressos?

O problema é que o dar de graça para gerar valor, não é algo que surgiu com a Internet.

Veja que o modelo do rádio, da televisão foram baseados justamente nessa lógica: de graça, para vender anúncio.

Na época, muito capitalista achou que era um modelo fadado ao fracasso.

Como já nasceu assim, ninguém estranha.

E se montou uma mega-indústria em torno dessa lógica aparentemente ilógica de se ganhar dinheiro.

E quem diria tempos depois que haveria uma tevê paga, como a do cabo? E todos pagaríamos por ela!!!

(De volta, o sabonete do valor, que escorrega na “banheira” social…)

Não seria um absurdo imaginar que se pagaria para ver tevê?

(Se fosse algo estatal diria-se que se caiu a qualidade para justamente vender depois algo que era de graça. :) )

O valor, entre outras coisas,  é dado por alguém que quer comprar e outro vender.

E quando se têm novas tecnologias cognitivas pela frente, o que gerava valor informacional ontem pode não gerar mais amanhã.

Vide a indústria do som, incluindo a da música, que empacotava e distribuía, com seu monopólio –  e hoje não faz mais sentido algo assim.

O valor migrou, não a vontade de ouvir música.

O Google é o exemplo disso.

É tudo de graça e é uma das marcas mais valiosas do mundo.

Vendem anúncios personalizados, que será um dos caminhos das editoras.

Se o de graça fosse loucura, teríamos que repensar o modelo da TV Globo. E ninguém pode dizer que a Tv Globo é um hacker do mal, ou que está falindo por que adotou aquele modelo.

Ou seja, hoje vivemos com a cabeça que um livro custa para ser feito e deve ser pago para ser consumido.

Mas se for para a rede direto, o custo da produção será muito menor do que é hoje, certo?

Há um custo, mas o grosso do investimento –  que era imprimir e distribuir – acaba.

Vira-se para a outra opção, o livro de mercadoria final, passa a chamariz, para vender o que estava lá dentro: conteúdo, de outra maneira, podendo na versão de graça na rede, ter anúncios personalizados.

Livro sobre jardinagem?

Mecânica? Aeromodelismo?

Imaginem só!

Pessoas vivem dessa lógica atual de geração de valor e associam que acabar com ela é colocar gente desempregada, por causa de um “malandros que não querem pagar!“.

Pior que se acha que são as editoras que resistem, mas são os próprios leitores que se sentem violentados na sua relação amorosa com o suporte que muda.

É um paradigma cognitivo que envolve quem faz e quem consome!

Porém, já se viu que há momentos em que o de graça/chamariz gera negócio, dá emprego e pode sustentar muita gente.

Ou não?

O que se deve passar agora é tentar compreender aonde está o valor dessa indústria baseada na venda de textos?

(Pois não acredite no mito de que uma editora vende livros, pois isso é falso. Ninguém compra papel, mas conteúdo, ideias, informação.)

O futuro das editoras não será muito diferente do que o Google apresenta, a Tevê apresentou antes ou o rádio.

Veja o caso da TV Globo.

Ela contrata atores, que ganham para serem do “cast” da emissora.

Podem até não fazer nada, mas ganham para estar lá, uma novela aqui, um programa acolá.

Eles valem pela sua imagem.

Não é assim?

Os escritores devem seguir a mesma lógica dos atores globais.

Os escritores de best seller  já tem algo parecido – só que para produzir livro.

Isso vai mudar, como já está, principalmente, os que pensam sobre o mundo dos negócios, da ciência, da vida, etc?

(O caso dos romances, poemas, de arte, etc são casos particulares, que vão se perpetuar por mais um tempo, até que estes primeiros – os mais técnicos e didáticos – consolidem o novo modelo.)

Quem vai financiar estes contratos dos escritores do cast das editoras?

Todos nós.

As editoras estão baseadas hoje no empacotamento destes escritores em livros, que ainda vão render dividendos, mas cada vez menos.

Cada vez mais as pessoas vão querer ter contato com estes pensadores, seja em uma palestra, em um seminário, em um DVD com um tema específico.

Por vários motivos:

1) a cabeça dessas pessoas vai mudar muito mais rápido (interação, mais inputs, reflexões, etc), os livros estarão desatualizados muito mais cedo, portanto, vão perder o valor muito mais rápido. Vai se querer o pensamento da hora e não do semestre passado!;

2) o livro não permite a interação direta, como o que está pensando agora, ou o que ainda não pensou sobre um tema específico. Um pensador pode dar boas ideias em vários campos e será estimulado a pensar sobre eles, por demanda;

3) o livro pode ser copiado, perde o valor, pois pode circular nos bastidores, o autor será sempre algo sem possibilidade de cópia, ainda mais se estiver num processo de cognição constante e questionado sobre novas questões diante de uma nova platéia.

Tudo que rolar depois dos encontros é sub-produto e pode ser vendido como valor agregado.

  • DVDs para uma empresa circular para quem não foi;
  • Livros personalizados;
  • Audio-books para serem ouvidos no MP3, celulares, etc.

Quando estes “escritores” do “cast” das editoras produzirem de forma personalizada todos vão ganhar dinheiro, pois serão encontros de todo tipo dos grandes ao pequenos.

(Veja modelo embrionário nessa direção aqui da O´Reilly, promovendo seminários sobre o mundo 2.0. Já fui em um e tinha milhares de pessoas!!.)

Quem quiser consumi-lo ao vivo vai pagar.

Na rede será de graça  para que possa ser cada vez mais conhecido e ir ganhando status na bolsa dos palestrantes da editora de pensadores.

Se houver demanda para livros impressos, ótimo!

A pessoa encomenda e recebe em casa, em dois dias.

E se for algo muito procurado, manda-se uma quantidade boa para as livrarias, que vão se tornar cada vez mais encontros entre pessoas e espaços para palestras, uma tendência, aliás.

Sim, acredito que vai ter espaço para aqueles que não abrem mão do papel ( será que vão ser xingados nas ruas como anti-ecológicos?) :)

Os salários dos palestrantes será definido pelo número de seguidores, de valor de sua área de atuação e do quanto seus textos de graça na rede são baixados.

A rede será a ferramenta de pesquisa – de graça – para as editoras separar o joio do trigo.

E tomar decisões estratégicas em quem investir.

Entra a meritocracia.

Se a editora quiser apostar em valores novos, que não têm Ibope, continuarão no seu papel de “perceber potenciais”.

O livro impresso passa a ser um sub-produto de tudo isso.

E não o carro-chefe como é hoje.

O que era o único canal, agora vai passar a ser o menos valioso.

O pessoal que está preocupado com as mudanças no livro impresso, deveria, ao contrário, se preocupar com a não-inovação, pois editoras falidas não interessa a ninguém que gosta de ideias circulando!

O que pode nos levar a ver o leitinho das crianças  derramado!

Que dizes?

Partido 2.0

  • A essência do 2.0 é dar poder a quem tem que ter o poder. Todo o resto é acessório, dando suporte a esse processo – André Cardoso;

Bom, eleição definida e como ficamos?

A proposta vencedora, Dilma/Lula, é anti-histórica.

Ou melhor, é o retorno da história com outras cores e barba.

Um governante que cuida do povo e não governa.

(”Na verdade a gente não governa. Deve ter sido um intelectual que criou essa palavra governar. O que nós fazemos é cuidar do nosso povo. A palavra correta é cuidar do nosso povo”.  Ver aqui)

Alguém que ama e sabe o que o povo quer.

O povo fica lá paradão admirando seu líder.

Isso é Neo_Pai_Getúlio_Forever.

Isso vai contra o mundo 2.0 da participação em rede.

Parece que está todo mundo indo para a praia e nós para a montanha.

Ok, o Lula não está errado, pois havia esse brecha e ele entrou.

Podia ter sido um estadista, mas preferiu ter 70% de aprovação.

Os grandes estadistas só são entendidos depois (assim como os artistas geniais).

Geralmente propõem mudanças, conseguem, saem questionados, mas a história os redime.

Quem dá o povo o que ele quer, não o coloca um passo adiante!

Para quem veio para mudar, 70% de aprovação é bola fora.

Foi o Governo do Zeca Pagodinho, deixa a vida me levar.

(Desculpem-me os dogmáticos.)

Muito bem.

E o Serra?

O Serra também é a-histórico.

A social-democracia no terceiro mundo passa por inclusão social radical e não periférica ou de maquiagem.

A que está aí – modelo PT ou PSDB beneficente da feira da providência – está colocando gente no super-mercado, mas não no mercado.

Não está independendo as pessoas, pelo contrário, cria a dependência para a perpetuação do pai e da mãe no poder.

Do Estado pai agora Estado mãe.

O PT FOI  o primeiro partido brasileiro que falou em “empoderamento das bases”, criou núcleos descentralizados de debates e ainda o orçamento participativo.

O PT foi  2.0  e não sabia.

Capotou na curva do poder pequeno.

Um partido social-democrata tropical deve tentar algo inclusivo/competitivo.

Não se pode falar em mercado, competição, estrada, aeroporto, correio, celular, privatização, se as pessoas nem sabem o que isso significa, pois nunca viram um avião, só pela tevê em preto e branco.

Nem mesmo política externa a favor das liberdades no Irã, em Cuba, quando muita gente no Brasil vive em Estados ditadores, sob o jugo violento, criminoso e repressivo do tráfico de droga, que é tão radical quanto um Fidel ou um Armadinejad.

É preciso, antes de tudo, fazer com que os excluídos sejam incluídos na dinâmica do mercado e isso se faz com empreededorismo, associativismo, cooperativismo, capitalismo 2.0, na veia.

No qual as pessoas passam a lidar com o mercado de forma pró-ativa e depender deles, querer um bom correio para mandar encomendas, precisam das estradas, começam a andar de avião, querer banda larga.

Além de não achar que saúde e educação é um favor de quem cuida dele, mas ter consciência que o Estado é um serviço público, de servidores públicos.

De quem deveria servir, por obrigação, e não cuidar, por amor ao povo.

Ou seja, querer eficiência e não bolsa-qualquer-merreca.

O celular é o exemplo mais típico.

Todos dependem dele para trabalhar.

Imagina se não tivessem hoje nas mãos da iniciativa privada?

O problema é que a parcela interessada em Brasil competitivo nem sempre quer incluir essa massa da população.

São elitistas.

A maioria que ganha dinheiro no país é assim, de costas para a massa.

Gente como essa está pagando um alto preço na Venezuela.

Ou muda, ou afunda!

No voto, na democracia, na pós-ditadura, a população escolhe quem olha por ela, seja populista, autoritária, de direita, de esquerda, do céu ou do inferno.

Estão na dela.

Não é o povo que escolhe?

Assim, é preciso incluir de forma pró-ativa no mercado, de forma a criar interdependência e não dependência.

Convencer com fortes argumentos que é esse o caminho possível.

Ter uma proposta honesta para as pessoas e dizer isso sem medo em todos os lugares, durante muito tempo, com um projeto de país e não de poder.

A Marina toca um pouco nestes pontos, quando propõe uma aliança nacional contra a corrupção unindo setores comprometidos com a inclusão e a democracia.

Por isso, voto nela, mas não a vejo AINDA com essa visão geral da passagem de um ambiente 1.0 para outro 2.0, que vai envolver todos os países, mais dia menos dia.

Tomara que ela funde uma oposição decente e não se alie aos vencedores, o que representaria uma grande derrota do futuro.

É preciso, além disso, aliar a inclusão com a percepção da mudança que a revolução informacional traz, revendo absolutamente tudo, da escola, governo, parlamento, empresa.

Esse novo partido dever ser um partido 2.0, que dá cidadania, participação e inclusão e usa a rede digital para unir as pessoas e decidir seus destinos, tanto no social, político e econômico.

É a refundação do empoderamento das bases, mas não para acabar com o capitalismo, mas para revitalizá-lo em direção ao futuro mais colaborativo e ecológico.

Com 7 bilhões de pessoas (Brasil com quase 200 milhões), precisamos cada vez mais de inovação e produção acelerada e não de centralização.

Que dizes?

Matéria instrutiva sobre o tema:

“Chávez viu sua popularidade cair recentemente, em meio à recessão, a uma inflação que passa de 30% e ao aumento da criminalidade. Em 2008, a aprovação do presidente estava acima de 70%, segundo a maioria dos institutos de pesquisa do país.”
http://br.noticias.yahoo.com/s/27082010/87/economia-chavez-corre-risco-perder-controle.html

O uso de dois pesos e duas medidas também costuma ser chamado de hipocrisiaRodrigo Constantino – da coleção;

Segundo Houaiss, Hipocrisia é o ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade.

A hipocrisia é a cortina social entre o que falamos para todos e o que fazemos, no particular ou até no público, mas não queremos que joguem luz.

Gandhi propunha menos hipocrisia na ação do mundo ao defender que:

Você tem que ser a mudança que você quer para o mundo”

Nesse buraco está a diferença entre a intenção e, de fato, o que se pretende.

A hipocrisia da sociedade é maior ou menor, conforme o controle dos filtros de informação.

Quanto mais controlada for a informação, mais hipocrisia, por tendência, teremos, pois se dirão coisas que não se poderá comprovar, na prática, se estão coerentes com o discurso.

Todo regime autoritário nos leva a fechar a mídia para esconder os fatos.

Já vi gente defender a volta da ditadura, pois adoram hipocrisia.

É melhor não saber, ou pensar, vamos fingir que não existe.

A Internet é uma revolução da informação que vai refazer a nossa civilização justamente rever a hipocrisia 1.0 e criando a hipocrisia 2.0. ;)

A 1.0 era baseada na escassez.

A 2.0 no excesso!

Vamos construir uma nova sociedade, com novos valores, sendo que a hipocrisia atual ficará velha e criaremos uma nova, verdinha, que aos poucos vai amadurecer, pois os hipócritas são espertos.

Antes escondia-se atrás de pouca e agora de muita informação.

“Deixa falar, ninguém vai ler”.

A diferença é que pode bombar, e aí.

É mais avançada, sem dúvida.

A informação está lá, mas há que se ter um esforço para ser difundida, pois a vida em sociedade é essa eterna luta para reduzir (mas nunca acabar, pois é impossível) o espaço contra os abusadores do bem comum.

Uma sociedade saudável é aquela que recicla sua hipocrisia em menos tempo e vice versa.

Sobre esse assunto a Ombudsman da Folha, Suzana Singer, reclamou domingo passado da cobertura do seu jornal nas eleições. Concordo com ela, não só a Folha como os demais estão acomodados. É bem mais barato cobrir tudo pela Web e não correr atrás de fatos…

Diz ela:

“Até agora, a cobertura eleitoral tem se concentrado na campanha, no diz-que-diz de cada candidato, no que se vê na TV (…) A “missão impossível” é romper os limites impostos pelos candidatos e enveredar por terrenos ainda inexplorados (…) como financiamento de campanha (…) É preciso ainda avaliar profundamente as políticas adotadas pelos principais candidatos e discutir programa de governo, se os partidos se dignarem a produzir algo que mereça esse nome”.

O problema é que nossa imprensa é viciada no release.

O jornalismo de hoje é o da cadeira e do computador.

E não da apuração.

É o salto que precisa ser dado!

Um dos impasses da mídia é que ela quer continuar a ser aquilo que a sociedade não precisa mais.

(Assim como as editoras de livros.)

Questionar qualquer autoridade baseada em discursos, análises, etc, qualquer blogueiro até faz e, talvez, melhor.

Só um jornalista pode  ter tempo, já que é pago para isso , de posse de uma carteira de imprensa, que lhe dá o direito de ter acesso a lugares e documentos que o cidadão comum não tem.

E perguntar o que deve ser perguntado para as autoridades.

É isso que precisa ser incentivado, é a sombra que está ainda sem luz, mesmo com a Internet.

Aquilo que não vem para a rede deve ser forçado que venha.

E jogada luz para se destacar no palheiro.

Estamos no início da batalha de saber usar melhor as verdades na rede escondidas no excesso, tanto do que já está on-line, como o que vai estar e ainda nos aproveitarmos das denúncias do cidadão comum.

Esse é o novo cenário da luta contra a já nascente hipocrisia 2.0.

Reduzimos, assim, o  espaço das  mentiras  sociais, construindo uma sociedade menos hipócrita, do que a passada, porém mais hipócrita que a futura, num eterno jogo.
Que dizes?
Que dizes?


Midiocridade

O que fazer com jovens talentos? É literalmente sair da frente deles e deixá-los livres para criar – Oscar Motomura - da coleção;

Por mais que o discurso pareça velho, é atual.

As mídias de massa nos midiocrizaram.

Qualquer sociedade precisa reconhecer seus talentos expoentes para sobreviver.

Quem se destaca com visões originais, precisa exercer influência para nos ajudar a resolver nossos impasses.

Sempre foi assim.

Quem sufoca talentos, não vai durar muito,  pois os problemas sem solução se agravarão e levarão àquela sociedade a um impasse.

E, por isso, precisamos dos filtros das “celebridades talentosas”.

Quanto mais rápido saírem do anonimato para a “fama”, melhor!

São aqueles que pelo seu talentos diferenciados e originais (em todos os campos) trazem luz à escuridão.

Uma sociedade é mais ou menos conservadora pelo tempo que as novas “celebridades” passam a exercer influência.

  • As mais radicais e consevadoras, matam ou prendem os inovadores;
  • As menos radicais, não deixam que eles apareçam, destacando os medíocres (O Brasil está cada vez mais aqui.);
  • As inovadoras, os incentivam, ao máximo o novo, inclusive investindo neles.

O Brasil atual – com sua mídia centralizadora e fechada em pequenos e poderosos grupos –  sufoca novos talentos.

  • Precisamos de mais mídia, mais liberdade, nenhum controle.
  • E não menos mídia, menos liberdade e mais controle, como se quer, de ambos os lados, por aí.

A mídia de massa pode (como ocorre agora no Brasil) se tornar um canal perverso, pois coloca os poucos holofotes para os velhos e (já não mais tão inovadores)  talentos, sem espaço para os novos.

São precisos muito mais holofotes para os novos !

(Que jornais incentivam hoje a difusão de ideias de blogs interessantes, por exemplo?)

E em torno dessa mídia se cria um círculo vicioso de quem aparece é parente ou amigo (do círculo) daqueles que já apareceram.

Confete para cá, confete para lá.

(”Você está ótimo”; “Não, é você que está…”)

Geralmente,  não se chama o pessoal de fora da panela!

É a meritocracia do talento, que faz à sociedade avançar.

Quanto mais tempo a sociedade levar para revelar seus novos talentos, mais parada ficará no tempo e mais tempo levará para vencer suas impossibilidades.

Isso se reflete na mídia e se espalha em todos os campos, principalmente dentro das empresas.

A Internet se propõe a rever esse conceito, trazer meritocracia, novos canais, novas vozes.

Porém, blogueiros, pessoal que está no Youtube, que é muito seguido no Twitter não têm acesso garantido no canal oficial da mídia de massa.

Há, hoje, um abismo entre a mídia de massa e a mídia de missa!

Há o preconceito, o medo, o receio, a barreira.

Blogueiro é brega. ;(

Um blogueiro que diz coisas interessantes não vai estar nas bocas, pois prefere-se quem tem proximidade com o canal maior em nome da mediocridade automática.

E se chegar ao canal maior tem que refutar sua condição de blogueiro.

Ou um, ou outro!

E tem muito blogueiro que o fim, seu propósito máximo, passa a ser aparecer na mídia maior, perdendo justamente o objetivo que o levou a fazer o blog.

O que me leva à frase:

  • “O talento que visa só à fama; quando consegue, perde”.
  • Deixando de ser aquilo que precisamos: trazer luz à sombra.

    É completamente perverso.

    (Artistas independentes que ganha fama, geralmente passam por isso também, caindo no conto de que são especiais, pois agora são e estão “na mídia”.)

    É a nossa cabeça televisiva preconceituosa, que dá valor, cutuca, vira a cabeça para celebridades midiáticas, muitas delas, destituídas de talento e de luz para nossos impasses.

    Pessoas muitas vezes destituídas de méritos.

    Obviamente, com várias exceções à regra, que por exceção, a justifica.

    Cuidado, assim, para não incentivarmos, sem querer, o confete no Carnaval midiático, enquanto muitos estão lá atrás contando seu vil metal e fazendo tudo como nossos pais, como cantava Belchior, (um exemplo de um artista que não soube lidar com a fama.)

    Temos que rever, cada um, nossa cabeça de telenovela, pois não são “eles” que se sentem menores diante de um deus da Tevê.

    Somos nós, que telefonamos na hora para o amigo.

    Sabe quem está aqui…pertinho”

    E o que fazemos para reverter isso?

    Se o país é medíocre (e é) temos uma boa dose de responsabilidade nesse processo, já que a sociedade como um todo aceita a  mídiocracia e não a meritocracia, criando a midíocridade ao engolir  celebridades, não pelo que dizem, mas por quanto pesam (no Ibope).

    E o fundo do poço fica cada vez mais fundo!

    E sem baldinho que o alcance!

    Fica a última frase:

    “O futuro de um país pode ser medido pela falta de talento de suas celebridades”

    Concordas?

    (Eu) reador

    • Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida – Sandra Carey – da coleção;

    “Não quero esquentar a cabeça”.

    Esta é a frase que define a maneira de pensar do brasileiro.

    Passiva, reativa, conservadora e, pior de tudo, cancerígena.

    Só que, na prática, isso não acontece, vivemos de explosões.

    Há uma clara impossibilidade, um abuso e, estouramos.

    A raiva repentina é um sintoma de que não há equilíbrio e que, geralmente, a reação não vai dar em nada, pois é geralmente intempestiva e sem desdobramento.

    A raiva é a anti-sabedoria.

    Faz parte do sistema, quanto mais te enerva, menos energia tens para mudar.

    Quando alguém resolve fugir desse “modus operandi” vai para o oposto, questionar tudo, contra a passividade geral.

    Saímos da impotência para a onipotência.

    Ou é tudo, ou nada.

    E a raiva volta.

    A pessoa coloca a camiseta do “enfezadinh@”.

    A lição de quem trabalha com mudanças humanas radicais que funcionam, os grupos de mútuo-ajuda, tipo AA, NA etc nos traz algo bastante útil.

    (Estes grupos não religiosos e pouco estudados,  são canal interessante para diversas mudanças necessárias da humanidade. Já falei mais deles aqui)

    A base da mudança, contida na filosofia dos anônimos para tirar pessoas do fundo do poço gira em torno da “oração da serenidade“, que não é uma “oração”, porém uma maneira de se posicionar no mundo.

    É pró-ativa, voltada para o livre-arbítrio e defensora da potência, o caminho do meio, entre o tudo e o nada, destacando o papel da sabedoria, que seria a fusão e o equilíbrio entre cognição e afeto leiam:

    “Que eu tenha serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa,
    e sabedoria para que eu saiba a diferença”.

    Dentro dessa ótica, resolvi assumir que sou um Eureador.

    Um vereador, sem mandato formal, mas com mandato informal, a partir da minha sabedoria, não raivosa.

    Sou um cidadão presente, independente de qualquer coisa!

    E quando vejo que posso, ajo!

    Mobilizo-me naquilo que posso atuar.

    Nessa linha, já consegui acionando apenas os canais estabelecidos para reclamação, levando poucos minutos:

    - uma rampa para atravessar a rua perto do meu prédio, junto à Prefeitura do Rio;

    - que o bar do Santos Dumont abrisse mais cedo (5:30 da manhã) para quem pega a ponte-aérea, através da ouvidoria da ANAC;

    - que fossem tirados cones de uma rua para “moradores vips” perto do clube que frequento, via Disque Ordem, 153;

    - que fossem trocadas todas as espriguiçadeiras do clube, via reclamação na secretaria.

    - resolver um bug no sistema da Gol, no checkin, via ouvidoria.

    Entre tantas outras micro-questões desse vasto mundo.

    Pode ser pouco, mas, confesso que me sinto muito mais brasileiro e cidadão depois dessas “besteirinhas” conquistadas.

    Quando encaro minhas “micro-conquistas” me agiganto, consciente da minha pequenez, diante do planeta!

    Sou ativo, porém não onipotente!

    Ou seja, o Brasil não está melhor como poderia, pois nossa cultura é a de nos preocuparmos com aquilo que não podemos mudar e não tomamos atitude com aquilo que podemos.

    Simples assim!

    Não queremos esquentar a cabeça.

    Um país que não assume a sua potência de cada um no seu espaço.

    Precisamos sair desse fosso entre a (im) e a (oni) potência.

    (Já falei mais sobre isso aqui.)

    É nesse espaço que um Lula e uma Dilma se arvoram no direito de ser nossos papais e mamães.

    E darem na boquinha tudo que precisamos.

    Fiquem aí que mamãe já vem!

    No fundo, eles têm, uma certa razão, pois conseguem ter a esperteza (oportunista?) de perceber que, sim, que queremos continuar filhinhos, desde que fiquemos na aba deles.

    E para sair desse impasse, só com sabedoria!

    Concordas?

    Aquele que não conhece história, está condenado a repeti-la – George Santaiana - da coleção;

    Comecei aqui uma nova jornada de estudos, através da Filosofia da Tecnologia.

    A nova área  visa não mais acompanhar como anda a tecnologia (algo praticamente impossível e sem nexo) para como pensamos sobre tecnologia (algo factível e com nexo), já que se soubermos como pensamos sobre teremos mais facilidade de saber como vamos usá-la.

    Parece óbvio, mas não é prática.

    Nessa linha, é importante conhecermos a  fonte que bebemos, antes de analisar o teor de “cloro” da água e os seus resultados após ser degustada.

    Temos três grupos de tecno-pensadores:

    • Os alternativos (blogueiros, que não estão na grande mídia e exercem influência menor);
    • Os midiáticos (blogueiros, ou não, que publicam livros, geralmente sem colocá-los na rede para leitura, com forte poder de influência);
    • Os acadêmicos (geralmente não blogueiros, que publicam artigos científicos, com influência também menor).

    E misturas entre tudo isso, alternativos acadêmicos,  acadêmicos midiáticos ou midiáticos acadêmicos.

    Como a vida não é simples, nem preto e branca, sigamos.

    Podemos dizer, assim, que quem faz a cabeça do mundo sobre tecnologia, principalmente as cognitivas (Internet no meio) são os midiáticos, apesar de sofrerem influência e pressão dos alternativos e acadêmicos.

    Normalmente, os midiáticos são americanos (Shirky, Anderson, Keen, Tapscott, O´Reilly, entre outros).

    Portanto, a maior parte dos conceitos e estratégias que temos sobre Internet são produzidas, concebidas, consumidas e digeridas, a partir de tecno-pensadores midiáticos americanos, que têm, entre eles, algumas características em comum:

    - geralmente, não baseiam seus argumentos na história, seus livros começam no hoje e falam do futuro, como se não houvesse passado. Isso é, provavelmente, a influência da cultura do aqui e agora, do a-historicismo cultural, que temos uma descrição no bom livro do Guy Debord (francês):  Sociedade do Espetáculo;

    (Nele, ele diz: Um Estado em cuja gestão se instala por muito tempo um grande déficit de conhecimentos históricos já não pode ser conduzido estrategicamente – Guy Debord;)

    - ideias sem origem, prendem mais o leitor a seu dono, o que cria uma dependência cognitiva, forçando a ler o próximo livro;

    - geralmente, são leitores de textos em inglês, com pouco espaço para estudos de autores de outros idiomas. Nós lemos eles, mas eles não nos lêem. (Engraçado, pois nossos gurus estão em desvantagem, pois têm menos opiniões sobre o mesmo assunto, comparado aos demais que lêem bem em inglês, o brasileiro lê espanhol e vice-versa)

    Ou seja, os  que menos interagem no planeta interconectado, são os que têm mais palco!

    - e geralmente são muito pragmáticos, pouco teóricos e, muitas vezes, avessos a tudo que pode se chamado de teoria, mesmo aquelas consistentes.

    Consumimos e defendemos ideias desses pensadores.

    Temos que, claro, ressaltar seus méritos, pois existem.

    Mas saber das limitações, para complementá-las, o que normalmente não é feito.

    Engolimos anzol, chumbada e – às vezes – até o molinete!

    E a nossa prática se espelha nesse conjunto de premissas, digamos, limitada, apesar de acharmos que temos “a verdade”, sem saber que tal “verdade” é construída por alguém.

    (Assemelha-se ao filme Origem, quando vamos ao ponto em que estão fazendo a nossa cabeça. Ver mais sobre isso aqui.)

    Fazemos, por que pensamos, a partir do que consideram bacaninha.

    O que explica nossa grande dificuldade de superar alguns conceitos sobre Internet e compreender a marginalização de algumas ideias importantes.

    Reflete, por exemplo, na não difusão em maior escala nas ações relevantes de grandes empresas e governos dos conceitos, tais como os de Lévy e Castells, que vão procurar estudar a história para entender o que estamos passando.

    E justifica o estranhamento quando esse tipo de visão é passada, como se fosse algo do outro mundo.

    Sim, é de outro mundo: não-americano!

    (Ressalvo que não há  pré-conceito contra o que vem dos EUA, pois tudo que é bom, seja de onde vier, vale a pena, não se pode é ser apenas de um lugar só.)

    Na minha tese de doutorado, quem se destaca e aparece com força é Pierre Lévy, que é Tunisiano, que fez o contra-ponto a essa visão a-histórica.

    (Parece que não lêem Lévy nos EUA!)

    Seus livros partem da compreensão da rede, através de um estudo da história da cognição humana, o que nos dá um sentido amplo para entender o fenômeno.

    Outros que seguem na mesma linha é Castells (Espanhol) e Burke (Inglês).

    Todos fundamentais para compreensão do fenômeno.

    Todos menos midiáticos e um pouco mais acadêmicos, porém de comunicação fácil.

    Lévy, que parece ser casado com brasileira, vem muito ao Brasil.

    Castells nem tanto e Burke, idem.

    Se vieram, foi sem grande fumaça.

    Ficando com influência menor na nossa maneira de pensar.

    Notem que a influência na maneira de pensar negócios no Brasil é muito forte e tem se passado para a visão que temos da Internet.

    Temos um “espírito de índios esperando as caravanas chegarem na praia“.

    Vide o espaço que damos ao importado, by EUA e como pouco valorizamos o que é produzido aqui ou em outras praças.

    Isso nos remete a uma discussão ainda maior sobre modelos dos eventos no Brasil sobre tecnologia, futuro, internet, etc..

    São na maioria uni-direcionais, um palestrante por vez, sem debate entre pensadores, sem interação forte com a platéia.

    Não se paga ao palestrante brasileiro, só aos que vem de fora e geralmente os caras que nem sempre vão agregar, geralmente, para falar coisas até mais básicas, do que os nossos índios. ;)

    Quando Stallone diz lá fora que ele explodiria tudo aqui e ainda ganharia um macaco, dói de ouvir, mas, na sua sinceridade de Rambo, há uma certa verdade dura de escutar.

    Concordas?

    O professor é incentivado a tornar-se um animador de inteligência coletiva de seus grupos de alunos em vez de um fornecedor direto de conhecimentosPierre Lévy – da coleção;

    Legal, gosto desta ideia do Lévy.

    Tento ser esse animador de inteligência coletiva, um professor 2.0, numa sala 2.0.

    E caio para a filosofia.

    Um animador de IC é um arqueólogo de ideias de quem está ali reunido.

    O que é preciso?

    1) revelar qual são os sensos comuns quem estão estacionados nos participantes sobre o tema abordado para poder começar a tirá-los da poeira e iniciar o trabalho de polimento;

    2) tentar que estes sensos comuns sejam discutidos entre eles para que avancem no máximo que puderem (tem várias técnicas para isso);

    3) colocar esses sensos comuns coletivo, depois de esgotada a possibilidade de todos num lugar visível para que todos possam ver o que avançou, qual é o máximo que o grupo conseguiu superar na discussão conjunta;

    4)  agregando, só então, o tempo de discussão do animador, frente ao que o pessoal colocou para identificar pontos e mostrar pensadores que conseguiram superar alguns dos impasses que aparecem.

    O objetivo é não perder tempo com discussões que não brotam do grupo, falsos problemas e se concentrar nos verdadeiros problemas.

    Essa metodologia (com variantes, claro)  é a forma mais rápida para:

    a) conseguir ver o que a turma pensa sobre o tema, ao máximo;

    b) identificar maneiras de pensar do coletivo;

    c) e colocar as questões chaves para que as pessoas saiam de “a” para “b”, a partir do que tem sido discutido além do que a turma conseguiu sozinha.

    Não, o p0nto “b” não é o do coordenador, mas aquele que todos conseguiram ir, com o esforço coletivo, todos mudar, inclusive quem tem mais tempo de discussão.

    Basicamente, a tarefa é a de ser inteligente coletivamente e ganhar tempo de todos para fazer um encontro gostoso, agradável e profícuo

    Deve-se evitar polêmicas falsas, aprofundando-se no que é de fato polêmico e o que não é não entra, pois está superado.

    Isso incentiva ao animador a lidar com novidades e mudanças ao longo do caminho, mas sempre tentando mostrar que há um “senso comum”, que há “sensos incomuns”, a partir da discussão do tema.

    E levar todos para crescer no tempo de discussão, em um processo rico e motivador para todos.

    Assim, trata-se de encurtar o temo e ganhar vozes de todos os lados, capturando não só o que se pensa, mas também as novidades, as novas maneiras de olhar o problema.

    Que dizes?

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