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Segue abaixo algumas “leis”, a partir da Antropologia Cognitiva:

futuro

Relação de causa e efeito:

  • Quanto maior for a Complexidade Demográfica, mais sofisticada tecnologicamente terá que ser a Governança da Espécie25/04/2014;
  • Mudanças radicais nas Tecnologias Cognitivas significam mudanças radicais na Governança da Espécie – 25/04/2014;
  • Se taxa de inovação é baixa, tenderemos ao ensino de assuntos; E se for alta, tenderemos ao ensino de problemas – 28/04/14;
  • Independente do sistema econômico/político que estejamos, toda vez que tivermos um forte controle da circulação de ideias, a taxa de ganância da sociedade tende a aumentar- 28/04/14;
  • Quando  menos canais de expressão tivermos, menor será nossa capacidade de reflexão – 05/05/14;
  • Quanto mais houver controle de ideias, mais as organizações determinam o que querem da sociedade e vice-versa – 05/05/14;

 

Constatações:

  • Os outros animais apostaram evoluir através do tecnologias biológicas de baixa transformação, a espécie humana resolveu apostar nas tecnologias artificiais de alta transformação – 25/04/2014; 
  • Uma Revolução Cognitiva aumenta a taxa de diversidade da espécie –  28/04/2014; 
  • A Alta Taxa de Concentração de Poder pede necessariamente uma baixa Taxa de Subjetividade social! – 06/05/14;

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Veja detalhes do curso aqui:
https://drive.google.com/file/d/0Bwv7qg2mm8UNU0p1SGF5djRTdUE/view?usp=sharing


Opções de Curso



Abre-se o Estadão no celular e lá vem a propaganda de Rolex.

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A crise da mídia tradicional é justamente esta. É uma mídia de massa com anúncios de massa. O futuro aponta para uma mídia de missa para anúncios de missa.

Eu quero consumir agora algo de fotos para pássaros, como coloquei na pesquisa do Google ontem e não Rolex.

Obviamente, que o anunciante de Rolex não vai ficar satisfeito com o resultado do Estadão, pois ele está pagando um anúncio, que é exibido para alguém como eu que NUNCA vou comprar um Rolex.

Estão juntando pessoas que não querem fazer negócio.

O novo mundo é o mundo que consegue juntar desconhecidos, que antes não podiam, mas agora querem e vão fazer negócio!

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O grande salto que teremos no futuro é justamente a junção das demandas com ofertas personalizadas entre desconhecidos e isso só pode ser feito, pela ordem numa Plataforma Digital Participativa que:

  • – armazene num banco de dados mais e mais os meus interesses sempre mutantes;
  • – que tenha um conjunto de ofertas cada vez mais diversificada e apontada pelos interesses mutantes;
  • – um algoritmo que consiga aproximar oferta e demanda de conteúdo e de anúncios;
  • – e um sistema de avaliação que permita que haja uma confiança para que um desconhecido possa fazer negócio com outro.

A crise da mídia tradicional é justamente a incapacidade de deixar de se basear num modelo vertical, de massa, com editores para um novo modelo horizontal, de missa, com curadores.

Sai o gestor de conteúdo e entra o curador de relações entre oferta e demanda.

Compreendo que há ainda dinheiro sendo gerado no modelo antigo e que haja uma insistência no mesmo, deve haver, pois ninguém joga reais pela janela.

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O que não compreendo é não ter um projeto piloto de inovação disruptiva para colocar algo no lugar no futuro.

Não, não quero Rolex.

Vamos ao português?

Tecnologia-da-informação

  • Manipular, mexer algo com as mãos.
  • Informar colocar algo em determinado formato.

Há uma ação humana que vai da sensação, para a emoção e desta para a reflexão em cima das outras duas.

Há códigos que precisam ser usados para haver a expressão de alguém para os demais.

Ninguém expressa emoção pura, mas algo que foi filtrado por algum tipo de código, que passou por algum tipo de reflexão. Um soco na cara por um pisão no pé é um código corporal de baixa reflexão.

Informar é o ato de manipulação de códigos de expressão para que alguém possa traduzir as suas sensações e emoções diante de algo.

Há o papel do agente da informação, que manipula os códigos para expressar a sua sensação.

O conceito de uma informação neutra, sem manipulação, é impossível, pois há uma necessidade de tradução de códigos.

informe-se

Mesmo que inventemos uma máquina de telepatia, as ondas cerebrais serão traduzidas por essa máquina e retraduzidas por outra que recebe.Quem desenvolver a máquina de telepatia estará formatando os códigos.

Leio essa matéria que reforça isso, tirei daqui:

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Isso vale para a fotografia e para todo o resto.

O que podemos classificar em termos de manipulação da informação é o seguinte.

Existe a informação factual, aquela em que vai se tentar ser o menos opinativo possível. E a opinativa, na qual haverá argumentos e possíveis uso de dados para sustentá-los, o que pode implicar em algum tipo de manipulação mais ou menos ética.

Em ambas há o uso de dados e fatos. E, conforme são usados, se encaixam em algumas classificações, como podemos sugerir abaixo:

  • manipulação ingênua – aquela em que o indivíduo não tem um tempo maior de reflexão sobre as emoções e os seus códigos passam uma emoção pouco trabalhada, mas não há dogmas e nem interesses;
  • manipulação dogmática – aquela em que o indivíduo defende um determinado dogma e altera os dados, em função deles;
  • manipulação oportunista – aquela em que o indivíduo de forma consciente e deliberada altera os códigos em uma dada direção, a partir de interesses individuais dele ou de um determinado grupo;
  • manipulação ética – aquela em que o indivíduo procura, ao máximo, conhecendo as suas tendências, evitar que as emoções desvirtuem os dados, em um um esforço de reflexão sobre as emoções. Aberto à críticas e a alterações, quando promove algo indevido.

Ou seja, afirmar que há manipulação da informação é chover no molhado, é preciso detalhar que tipo de manipulação ocorreu, o que pede um adjetivo complementar.

É isso, que dizes?
“”

O medo da morte é o temor principal da espécie.

Somos a única do planeta que sabe que vai morrer.

O boi no pasto talvez seja mais meditativo e zen por causa disso.

Se o ser humano se tornasse imortal, por hipótese, haveria uma radical mudança no consumo de religiões.

As organizações religiosas perderiam importantes verbas de financiamento.

Teriam que ser mais filosóficas e menos emocionais.

Como diz Nietzsche, o ser humano inventa de tudo por uma certa covardia de encarar os abismos da existência.

Assim, se existe uma cultura básica, primeira, emergencial, é a cultura religiosa.

Se pudéssemos comparar com o computador, seria a linguagem de máquina que coordena a placa-mãe, o resto é sistema operacional e aplicativos.

É algo entranhado emocionalmente no ego, com baixo capacidade de se atingida pela reflexão.

O Brasil tem, de forma hegemônica, uma cultura católica, de uma organização religiosa centralizada, com um monarca (papa), bem no estilo messiânico.

Ele, com todos os luxos e contradições, nos protege.

No país, mesmo as organizações evangélicas, são culturalmente católicas.

Ou seja, os pastores são muito mais messias do que em igrejas protestantes de outras partes do mundo.

É um protestantismo católico.

A crise que passamos agora no país a na América Latina é justamente da nossa incapacidade dessa cultura centralista lidar com a explosão da complexidade demográfica.

O Brasil saltou de 30 para 200 milhões em apenas 100 anos!

Um centro redentor e salvador, na sua forma e conteúdo, é cada vez mais obsoleto para tanta complexidade.

Somos um país  radicalmente centralista num mundo que pede descentralismo radical.

Esperamos que Messias religiosos, de carne e osso nos salvem, quando a saída para este mundo complexo são algoritmos científicos.

Precisamos de ética filosófica reflexiva e não de dogmas emocionais.

A crise é o reflexo do código de máquina da placa-mãe.

Profunda.

Conhecimento é gerado por um duelo individual entre a intuição e a codificação.

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A intuição é a emoção já parcialmente refletida, mas ainda pré-codificada.

Ver mais aqui:

A intuição é algo que não consegue ser refletido, mas está quase lá.

  • Não existe reflexão sem códigos;
  • A reflexão se exprime em códigos.

Quando a reflexão se expressa em códigos, muitos chamam de razão, mas eu prefiro chamar de emoção refletida.

Emoção refletida é um conjunto de códigos, que permite que alguém tenha mais chance de se comunicar com os demais.

Os códigos da arte, por exemplo, são mais imprecisos, pois visam, entre outras coisas, ampliar os próprios códigos da comunicação.

Os códigos da arte são uma tentativa de expressar sensações e emoções de formas menos precisas, mas que se transmita a emoção com menos reflexão.

O que não quer dizer que não houve reflexão para produzir os códigos, mas é uma reflexão com códigos específicos, menos rígidos, mais abertos.

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A arte é, antes de tudo, uma quebra dos limites dos códigos e não tem compromisso com problemas.

Os códigos da ciência são mais precisos, pois visam, entre outras coisas, ampliar  a visão e agir sobre os problemas.

A ciência é, antes de tudo, uma quebra dos limites dos problemas.

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  • A reflexão é um ambiente interno criado para ordenar perceções.
  • E reflexão é um processamento do que foi percebido.
  • A reflexão é fluxo.
  • É a capacidade de processar percepções.
  • Reflexão não é razão.
  • É tempo sobre percepções expressa em códigos.

Uma reflexão depois que foi codificada e é revista é uma reflexão sobre a reflexão. A codificação é a possibilidade de transmissão de reflexões.

  • Reflexão sobre sensações;
  • Reflexão sobre emoções;
  • Reflexão para criar os primeiros códigos;
  • Reflexão sobre os próprios códigos criados.

 

O caráter é líquido.
Não é sólido.

O caráter é um espaço interior lapidado pelas escolhas éticas diante das opções morais existentes.

O caráter não é formado pelas escolha do que é legal. O legal é uma moral redigida.

O caráter é mais moral quando rejeita a opção mesmo sendo legal, mas considerada anti-ética.

O caráter é mais moral quando rejeita o que vir a ser prazeroso, mas considerado anti-ética.

O caráter ético quando se distancia do que é apenas moral.

O caráter é mais ético, quando é mais original e único.
 
O caráter é o encontro do ser humano com as suas particulares impossibilidades e possibilidades morais.

Não há teoria que não seja voltada para revolver um problema.

O estudo de algo que não está focado em problema ou é ciência das curiosidades ou atividade artística.

Ou hobbie.

Toda teoria tem embutida uma filosofia específica.

A filosofia de uma teoria é uma filosofia do problema. Ou uma filosofia de nicho ou sub-filosofia.

A filosofia do problema se relaciona e se baseia numa filosofia geral.

A filosofia geral abrange os limites humanos (limitismo), sua natureza (existencialismo) e a melhor ética a ser praticada (eticismo) .

A filosofia do problema é uma sub-filosofia específica, que tem camadas.

A filosofia do problema estuda a natureza das forças envolvidas no dado problema, adaptando o limitismo, o existencialismo e o eticismo ao problema específico.

A teoria se encarrega da definição das forças em movimento e da relação entre elas.

A metodologia reúne as receitas para atuar no problema, através de prognósticos, estratégias, métodos, tecnologias e perfis necessários.

Por fim, a metodologia define e altera hábitos operacionais cotidianos, que reduzem, mantém ou minimizam o problema.

Quando alguém se diz de direita, na verdade, está aceitando e validando quem se diz de esquerda. Aceita um jogo de cartas marcadas.

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Assim, concorda que há uma luta de classes em que os dois pólos são definidos por Marx, tendo como referência o marxismo e dando status de cultura ao que é apenas uma ideologia, que nunca conseguiu ser cultura em lugar nenhum.

(Uma ideologia para virar cultural precisa: ser viável culturalmente durante um longo período, sem o uso da força ou da violência.)

Abandonei esse conceito, porém, acredito que há uma dualidade na história, que não é a luta de classes, mas movimentos cíclicos de centralização e descentralização de poder, não por uma questão moral, mas por movimentos demográficos-cognitivos.

Assim, o que tivemos, temos e teremos são movimentos que defendem as pontas versus o centro, o poder a capacidade de autonomia (de percepção e ética dos indivíduos), a personalização. E do outro lado a massificação, a moral coletiva do centro contra as pontas, representado pelo capitalismo de estado, comunismo, nazismo, fascismo, bolivarianismo, etc.

Uma filosofia que coloca em lados opostos centralizadores e descentralizadores.

Por isso, quando me perguntam se eu, por estar contra o marxismo, o bolivarianismo e o lulo-petismo, se sou de direita, digo que não é assim que me defino, isso não representa meu ponto de vista.

Eu não sou contra o que chamam de esquerda, mas a favor de algo que os ditos de esquerda querem impor eu eu não aceito. Ou seja, eu tenho um projeto de descentralização de poder, que vai contra o projeto de centralização marxista.

Sou um descentralizador e que agora, como as mudanças digitais, sou um descentralizador 3.0, que quer o fortalecimento das pontas contra o poder massificador do centro.

Um descentralizador não defende nem o trabalhador e nem o empresário (que ambos acabam por criar um conluio corporativista), defendo o consumidor que sempre estará contra as organizações sem mérito.

Hoje, vivemos uma dupla crise no Brasil e na América Latina.

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A crise conjuntural de um modelo bolivariano de visão política pós-ditadura totalitário, que fecha um ciclo de uma luta de centralizadores do século passado.

Os centralizadores ditos de direita contra os centralizadores ditos de esquerda, ambos sob a égide do final de um ciclo cognitivo, que tem como referência principal uma Revolução Demográfica que nos tirou de 1 para 7 bilhões de habitantes.

O momento é da descentralização que combaterá os centralizadores. Os conceitos de direita e esquerda ficaram em 1999.

A outra crise é estrutural. É a chegada da Internet, que permite a reintermediação da publicação e da articulação sem a necessidades dos antigos intermediadores.

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Antes do século XXI, não havia a possibilidade de um movimento de massa sem pensar nos antigos intermediadores políticos.

Os movimentos de 2013 foram manifestações de forma, antes de qualquer coisa e deixaram frutos metodológicos para os de 2015 contra o PT.

Pessoas foram para as ruas em ambos os movimentos e disseram não principalmente para os antigos intermediadores, de forma espontânea.

Muitos reclamaram que não havia, em 2013, uma pauta unificadora, mas foi justamente a ausência de uma pauta unificadora, que é a característica do século XXI.

São micro-pautas unidas em torno de um sentimento geral, que devem (e ainda não são) reguladas por plataformas digitais participativas, que ainda não existem, que vão permitir um novo diálogo de massa para o fazer político.

Hoje, a comunicação cidadão-política é feita, de forma vertical, esporádica, através de representantes, que não conseguem mais processar a demanda de um cidadão empoderado de mídia.

A política 3.0  já está começando e será feita de forma horizontal, o tempo todo, através de plataformas digitais participativas.

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Estamos saindo da gestão da política para a curadoria política.

Serão os algoritmos que nos permitirão aumentar a participação das pessoas nas decisões coletivas, através de um longo processo de aprendizado da melhor forma de programá-los.

Por fim, muitos reclamam no Brasil da passividade da nossa oposição diante dos descalabros do atual governo, mas vivemos justamente um momento de passagem.

O que estamos questionando, pela ordem é:

– O PT;
– O PSDB e os outros partidos de oposição;
– E também e principalmente o atual fazer político.

Não temos nada ainda para colocar no lugar, mas os movimentos MBL, Vem para Rua e Revoltados on-line apontam o início de um novo modelo.

O próximo passo é o desenvolvimento de Plataformas Digitais Participativas, que possam, por exemplo, via algoritmos:

  • – apontar as principais demandas;
  • – escolher dias e maneiras de se fazer manifestações.

Estes movimentos, que podemos chamar de Uber da política passam de gestores da massa a curadores da massa.

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O papel dos novos agentes políticos não é mais dialogar com a massa diretamente, mas criara plataformas para que o diálogo ocorra lá dentro, mediados por algoritmos.

Aprender ao longo do tempo como programar estes algoritmos para que eles possam ter a menor taxa possível de vandalismo e fraude e a maior possível de relevância, diante do que as pessoas querem a cada momento.

  • Sim, da mesma maneira que os taxistas estão contra o Uber.
  • A classe política não quer que os movimentos 3.0 da política cresçam.

Estão com receio legítimo de perder o lugar.

Mas vão, resta saber o sofrimento que teremos até que consigamos colocar algo mais eficaz no lugar.

É isso, que dizes?

Picos demográficos provocam centralização de mídia e sua consequência mais imediata é uma redução gradual da capacidade de reflexão dos indivíduos.

É preciso para massificar a produção, reduzir a diversidade de consumo.

Os indivíduos passam a ficar mais dependentes de terceiros para julgar se algo que está sendo dito faz mais ou menos sentido.

Há um aumento da percepção do mundo, através de uma emoção de baixa reflexão.

A criação de sentido passa a ser feita por organizações estruturadas para este fim.
E fora delas há uma desconfiança.

Há uma massificação de sentido mais coletiva do que individual.

Os egos passam a se ligar mais aos fatos diretamente e se reduz o espaço de reflexão individual. Há um aumento do moralismo coletivo irrefletido e uma redução da criação de uma ética mais individual.

A nova mídia quebra este impasse, descentralizando o controle.

Como coloquei aqui a filosofia tem três ramos.

A ciência é feita a partir da capacidade de validação de suas hipóteses.

Só há duas formas de testar hipóteses, através de intenso diálogo:

–  Antes do teste prático-para “caçar” contradições;

–  Depois do teste prático, a partir dos fatos.

(Hipóteses que não podem ser testadas não são científicas.)

A ciência é feita dentro de conjunturas tecno-cognitivas, que alteram a forma de como se valida hipóteses.

Quanto mais gente houver no planeta, mais sofisticado terá que ser o método científico.

E a sofisticação sempre caminha na direção da descentralização, permitindo que mais gente participe das escolhas dos problemas, das hipóteses e da avaliação dos resultados.

Novas tecnologias cognitivas viabilizam esta participação sem prejuízo do resultado.

Do meu ponto de vista, não existe esquerda e direita, mas apenas centralizadores e descentralizadores.
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O século passado foi o século da centralização, pois tivemos dois fenômenos combinados e sinergéticos:
 
– pico demográfico radical:
– e radical concentração de mídia.
 
Os dois fatores nos levaram a ter opções apenas centralizadoras no cardápio:
 
– o totalitarismo centralizador (comunismo, fascismo e nazismo);
– o centralismo capitalista que tem nome: neomercantilismo (e não neoliberalismo).
 
A Internet é uma solução sistêmica para a crise demográfica, que aponta um novo ciclo de inovação cultural, que estamos iniciando.
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A crise da política no Brasil e no mundo reflete uma incapacidade de um modelo de representação lidar com o radical aumento de complexidade. Os problemas cresceram geometricamente e a representação aritmeticamente, para ser generoso.
 
É o momento dos descentralizadores entrarem em ação, que precisam resgatar os méritos do capitalismo (um sistema eminentemente descentralizador) para lutar fortemente contra os monopólios estatais e privados, que foram criados no século passado para dar conta da crise demográfica.
 
No Brasil, temos uma dicotomia política que reflete justamente essa visão.
  • O PT é o nosso centralismo totalitário;
  • E PSDB o centralismo não totalitário, mas mantém os monopólios estatais e privados.
 
O impasse justamente é esse.
 
Os dois modelos não atendem ao que a população precisa que é um descentralismo mais radical, que mostre que não só é preciso mudar o estado, mas a própria forma da política. Não é uma reforma política, sem Internet, mas inovar usando a Internet para re-empoderar o cidadão para que possa interferir mais nas decisões coletivas.
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Os movimentos que vão bombar, aqui no Brasil e no mundo, serão os que conseguirem apostar na forma e no conteúdo nessa nova descentralização, abraçando o consumidor, aquele que acabou por ser abandonado pelas atuais correntes políticas. (Um lado defende o trabalhador corporativista e outro as organizações corporativistas.)
 A guinada agora é a política voltada para a descentralização e o empoderamento do consumidor, contra todo o tipo de corporativismo, venha de onde vier.
 
Este é o movimento do Descentralismo 3.0, que precisa de adeptos.
 
Quem tá dentro?

Muita gente agora quer, no futuro, só políticos honestos no Brasil.

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Independente do que a pessoa pensa, o que se quer é votar em quem é “de confiança”.

O problema é que existe duas coisas ai.

  • Uma é a forma que cada pessoa vê a sociedade e o modelo de transparência e participação social. Que seria o projeto político.
  • A outra é como a pessoa vai se inserir nesse projeto político.

O que estou a defender é de que o sistema corrompe o cidadão.

  • E quanto mais o sistema for fechado, centralizado e pouco transparente, mais a taxa da desonestidade vai subir.
  • E quanto mais o sistema for aberto, descentralizado e transparente, menor será a taxa da desonestidade.

Assim, votar em uma pessoa que aparentemente tem boa vontade e é, digamos, uma pessoa que mostra uma alta taxa de honestidade de sua vida, tem que vir acompanhado do projeto político dessa pessoa.

Aponta para a centralização ou a descentralização?

O Brasil é um país primitivo em pensamento político e isso atinge a todos os segmentos sociais. Éramos ingênuos e todos achávamos que havia pessoas do bem que iam resolver os nossos problemas.

Estamos vendo agora o que deu esse tipo de pensamento.

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Pessoas que defendiam uma proposta de sistema fechado e centralizador, como são os bolivarianos, acabam por deixar que tudo aconteça no reino da corrupção.

O salto de qualidade que temos que dar pós-PT é justamente deixarmos de acreditar apenas em pessoas, mas começarmos a procurar conceitos.

A política não foi inventada na semana passada e existem correntes que defendem, há séculos, a transparência e a descentralização.

O que está faltando no quadro atual é uma revisão dessa transparência e descentralização para que possamos usar os novos recursos digitais.

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Isso é o que aponta o descentralismo 3.0, ou o pós-liberalismo.

Sugiro conhecer mais para evitarmos chegar daqui a 20 anos no mesmo ponto que estamos agora.

A forma como consideramos que a sociedade humana avança está intoxicada.

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As ciências sociais não deram peso devido às chegadas e mudanças provocadas pela massificação das tecnologias cognitivas (que expandem o nosso cérebro) e o incentivo que estas têm em picos demográficos.

Temos que recomeçar a visão da história humana em uma nova encruzilhada, na qual uma parte dos pensadores continuará intoxicada sem o conceito de Complexidade Progressiva, batendo cabeça e outros adotarão esse caminho, seguindo os estudos da Escola Canadense de Comunicação e de sua humilde filial (e informal) matriz brasileira.

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Há alguns fatos novos que ocorreram nos últimos séculos na Macro-história que fazem que consigamos ver esse fenômeno de forma mais evidente:

·       – as navegações marítimas, em torno de 1500, que integraram o mundo e nos transformaram em uma espécie planetária;

·       – a percepção de que a sociedade moderna foi filha da Revolução Cognitiva do papel impresso, a partir de 1450;

·       – e de que foram os méritos de um ambiente mais sofisticado (com a chegada da república e do capitalismo) que nos levaram ao salto demográfico de 1 para 7 bilhões nos últimos 200 anos.

É preciso reescrever a história da humanidade, a partir destes fatos, pois é necessário diagnosticar que a espécie humana vive sob o signo permanente da Complexidade Progressiva.

Somos a única espécie do planeta que não pede licença para crescer demograficamente.

  •   Os outros animais foram condenados a uma espécie de prisão perpetua genética.
  •    Nós fomos condenados a penas longas de prisões tecno-culturais, das quais nos livramos de tempos em tempos até entrar em outras.

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Criamos uma tecno-cultura que nos permite conviver por um período limitado de tempo, com mudanças incrementais, até que tenhamos um tamanho da população específica, que nos obrigue a dar um “F5” civilizacional (tela do computador que dá um “refresh” numa determinada página) em mudanças disruptivas.

Vivemos Eras Tecno-cognitivas que nos permitem aumentar a demografia e, para que continuemos a escalada, é preciso recomeçar o processo, na seguinte sequência:

  • ·       1 – Revolução Demográfica, geradora de latências biológicas, que se revertem em demandas por produtos e serviços para mais gente e com cada vez mais diversidade;
  • ·       2 – Revolução Cognitiva, chegada e massificação de novos tecno-códigos, via novas mídias;
  • ·       3 – Revolução Cultural Rejeitadora, que inicia um processo de questionamento dos modelos passados, principalmente na forma, tal como a Renascença pós-idade média;
  • ·       4 – Revolução Cultural Propositiva, que aponta os caminhos e mudanças de conteúdo das regras, a partir das revisões filosóficas, teóricas, metodológicas, tecnológicas, comportamentais de uma nova tecno-cultura, tais como o iluminismo, pós Renascença;
  • ·       5 – Revolução Organizacional, implantação dessa nova tecno-cultura com mudanças nas leis, tal como as revoluções liberais de 1800 e a revolução industrial.

Isso aconteceu sempre na história?

Não, em termos mundiais, pois não erámos uma espécie planetária.

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Antes das navegações marítimas, os povos viviam ciclos similares (e isso é um campo de pesquisa muito rico), mas acabavam vivendo colapsos isolados, com o fim de civilizações antigas  em função de crises demográficas particulares, que não conseguiam inventar novas tecno-culturas.

O fenômeno da Complexidade Progressiva não é, portanto, contemporâneo, mas agora se torna mais evidente, pois vivemos pela primeira vez, a nova fase humana de Espécie Planetária.

Neste início de século, no qual as fases  da Complexidade Progressiva se misturam devido à nova velocidade, poderíamos dizer que  estamos mais próximos da fase 2 (massificação da nova mídia) e 3 (e início de rejeição da cultura anterior), com experiências incipientes das novas organizações, tais como o modelo Uber e similares, que tendem a se tornar hegemônicos.

O modelo Uber (uma organização 3.0 incipiente) muda o DNA das organizações, acabando com a hierarquia (diretores, gerentes e chefes), com a relação patrão-empregado e estabelece um novo ambiente de comunicação, baseado em cliques, códigos de navegação, avaliação por ícones, no armazenamento, busca e compartilhamento dos rastros digitais e na criação da curadoria das relações, via algoritmos, que permitem que possamos tomar decisões cada vez mais complexas em menos tempo.

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A Complexidade Progressiva é o conceito central do novo campo da Antropologia Cognitiva (estudo das mudanças de mídia), um novo ramo da Macro-história e tem sido desenvolvida aqui no Brasil de forma aberta.

Estamos, na verdade, desenvolvendo um novo método científico, que podemos chamar de 3.0, através de um debate online com discussão com ímpares (pessoas que sofrem o problema fora dos muros acadêmicos), a partir do problemas das organizações, do qual sou um dos curadores.

Obviamente, que nada disso está no radar das atuais ambientes de pesquisa, pois estão completamente intoxicadas em uma espécie de corporativismo tóxico, uma das consequências do final de uma Era Cognitiva, na qual as organizações, em crise, são o rabo querendo balançar o cachorro .

Estamos precisando de adeptos que queiram se desintoxicar!

 

 

A grande mudança do século XXI é o fim da relação patrão-empregado. A morte dos gerentes. Não estamos, portanto, assistindo a chegada de novos modelos com a cultura Uber, mas novos modelos de organização!

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Como isso é possível, perguntarão?

E isso só pode ser compreendido se olharmos a nossa espécie como uma tecno-espécie, que sofre uma doença crônica chamada: Complexidade Progressiva.

Nós somos a única espécie do planeta que não tem limites demográficos.

Isso não era evidente no passado, por que éramos uma espécie de nicho e não planetária. Os colapsos demográficos eram vividos de forma isolada e não percebíamos a nossa Complexidade Progressiva.

Os povos cresciam e desapareciam. Ou migravam e isso não era evidente.

Depois de 1500, passamos a uma espécie planetária, nos globalizamos, em função do aumento demográfico, presos na bola, sem chance de pular para outro lugar. E isso torna a nossa doença crônica evidente e, agora, passível de diagnóstico.

Navegacoes - EDUCADOR

A Complexidade Progressiva, portanto, nos faz ser uma espécie mutante. Ou seja:

  • Sapiens 1.0 – gestos;
  • Sapiens 2.0 – oralidade e escrita;
  • Sapiens 3.0 – rastros.

Quanto mais vamos aumentando a complexidade, mais vamos em direção ao modelo de governança de espécies mais numerosas, saímos das matilhas para as pequenas manadas e destas para as grandes e agora estamos dando um salto disruptivo para as grandes colônias dos insetos, em particular das formigas.

  • Inseto não se entende pelo som, mas pelos rastros químicos;
  • Inseto não tem líder-alfa e nem gerente, pois não tem condições de alguém ficar por ali gerenciando as trocas de tanta gente.

O modelo dos insetos modifica a base das organizações atuais, que estavam estruturadas pelo som (oral e escrito) e pela supervisão dos líderes-alfas, que vinham da cultura das alcateias e manadas.

Já fomos escravos, vassalos, empregados e agora seremos macro e micro curadores.

Qual é a grande mudança?

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Há na espécie uma relação permanente e necessária entre fornecimento e consumo de produtos e serviços. Isso é algo fundamental para a espécie e, por causa disso, criamos organizações para resolver estes problemas por nós, conforme fomos aumentando a demografia.

O modelo das atuais organizações criou, em função da Complexidade Progressiva graus de hierarquia entre a demanda do consumidor e a oferta, que se espelha da seguinte maneira.

O consumidor não está satisfeito, pede para falar com o gerente, ou o supervisor, que é o responsável pela gestão dos colaboradores.

Há, assim, nas organizações atuais uma intermediação entre o consumo e o fornecimento. O gerente toca o tambor para garantir prioridades, quem entra e quem sai, quem será promovido e quem não será.

Isso se mostrou viável até um determinado ponto e duas mudanças ocorreram para tornar esse modelo obsoleto nos últimos 200 anos:

  • – o aumento demográfico (de 1 para 7 bilhões em 200 anos), que gerou mais complexidade, mas nenhuma alternativa disruptiva de solução até a chegada da Internet;
  • – os novos modelos que aparecem já no final do século passado, em função da chegada de novos tecno-códigos que empoderam os novos empreendedores de novas alternativas.

Assim, inicia-se um novo ciclo humano e também organizacional, no qual o consumidor e o fornecedor começam a se relacionar diretamente, através dos rastros, da avaliação, da performance registrados em bancos de dados e mediadas por algoritmos.

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O modelo de gestão consumidor-gerente-fornecedor – fornecedor-gerente-consumidor dá lugar a uma curadoria macro-curador -micro-curador, sendo o algoritmo um fiscalizador das relações e não mais das pessoas.

A mudança, portanto, a nova forma de gerar valor, está na criação de organizações tradicionais, filhas do Sapiens 2.0:  que saem da gestão e passam à curadoria, matando o antigo modelo das gerências.

E isso não pode ser feito de dentro para dentro das organizações, pois são dois modelos de organizações incompatíveis entre si.

Vivemos uma quebra disruptiva no epicentro das organizações: as relações trabalhistas.

(Isso só pode ser compreendido e encarado como algo relevante para a gestão se houver a compreensão da ideia de Espécie Mutante, que sofre da Complexidade Progressiva –  uma estratégia de médio e longo prazo, que sai da micro e passa a agir na macro-história.)

Quem não acordar, não é que vai fechar semana que vem, mas verá que o modelo atual da organização perderá valor para um que é muito mais sofisticado, pois permite uma relação custo-benefício muito melhor para o consumidor.

O desafio é grande?

Bem vindo ao século XXI!

 

Há uma necessidade de mudança radical na maneira que pensamos o ser humano com a chegada da Internet. Se não passarmos por essa revisão filosófica-teórica teremos muita dificuldade de pensar e agir para acompanhar as mudanças que já ocorrem e ocorrerão cada vez mais.

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Quando no século passado Marshall McLuhan –  pesquisador canadense –  defendeu que o “meio é a mensagem” ele estava abrindo uma nova e importante encruzilhada filosófica para o ser humano.  Estava, na verdade, questionando uma “cláusula pétrea” da filosofia humana para a velha e sempre atual pergunta: “Quem somos?”.

McLuhan defendia, assim, não com estas palavras, de que o papel da tecnologia na nossa cultura precisava ser revisto. Que somos mais do que uma espécie bio-cultural, mas uma espécie tecno-bio-cultural, com forte influência das tecnologias em geral, mas, em particular, com forte influência das tecnologias cognitivas, aquelas que empoderam nosso cérebro, tal como as palavras orais e escritas, o rádio, a televisão, o computador, o celular.

Nossa cultura, assim, seria uma tecno-cultura, em que a tecnologia exerce um papel não periférico, mas central na nossa história. E que em alguns momentos elas impõem determinadas mudanças culturais pela sua massificação.

Ou seja, mesmo que possamos imaginar que a cultura seja produtora de todas as tecnologias, ela ao ser criada traz uma quebra de antigos limites culturais. Nossa espécie, então, viveria em tecno-ecologias e que esse ambiente macro sofreria alterações acima da possibilidade de intervenção humana, como é a massificação da Internet, como foi a da prensa, em 1450, com efeitos no que hoje chamamos de sociedade moderna.

Muitos dirão, e é bem comum receber essa crítica, que isso seria um determinismo tecnológico. E que estaríamos fazendo da tecnologia algo muito maior do que ela, quase colocando-a com vida própria. Não é assim que penso. As tecnologias criam barreiras culturais, em que mesmo os mais inovadores não conseguem ir adiante. O que defendo é que quando temos novas tecnologias elas servem de trampolim para uma latência de inovação FEITA POR HUMANOS.

Elas não têm vida própria, mas elas criam a margem do rio, por onde as mudanças que antes não eram possíveis, passem a ser feitas, alterando a conjuntura tecno-cultural-biológica da sociedade.

O melhor é um exemplo prático.

Imaginemos duas cidades separadas por um rio caudaloso que só pode ser atravessado mais adiante, quando fica mais raso e calmo. O tempo para se chegar à outra cidade, via terrestre de carro, é de duas horas e meia, uma hora de estrada de cada lado e mais meia hora de balsa.

Se for construída uma ponte entre as duas cidades, reduzindo este tempo para 10 minutos, com certeza, a história das duas cidades será marcada pela chegada da ponte – uma tecnologia, que quebra uma barreira  primeiro ecológica e outra cultural.

Um conjunto enorme de mudanças culturais ocorrerá a partir da quebra dessa barreira ecológica-cultural nas duas cidades. A tecnologia não exerce papel ativo nas mudanças, mas um papel passivo, de viabilização de novo marco nas trocas entre aqueles habitantes.

Se alguém olhasse de fora, com o olhar tecno-cultural poderia dizer que aquelas duas cidades iriam passar por grandes modificações por causa da ponte. Não pela ponte em si, mas pelo que ela quebra de limites do passado e do que ela propicia para o futuro.

Não é a ponte que muda a cultura, são as pessoas, mas sem a ponte as pessoas que queriam determinadas mudança não poderiam fazê-lo. A ponte é uma viabilizadora de mudança cultural desejada. É uma  “quebradora” de limites culturais.

E esse é o papel das tecnologias na sociedade: uma “empoderadora” humana para a sofisticação da cultura.

A ponte, não mudou a cultura sozinha, mas abriu às portas para que uma nova cultura pudesse surgir. Deu vazão a um conjunto de ações, vontades, pensamentos, desejos, criando mais outras tantas em espiral.

A nossa espécie, assim, tem que ser compreendida dentro desse “aquário” tecno-bio-cultural que têm tecno-bio-culturais limitações históricas que vão sendo quebradas ao longo do tempo, quando criamos novas tecnologias que nos libertam de amarras do passado e criam novas.

Essa característica de mobilidade bio-tecno-cultural nos dá desdobramentos ainda mais amplos em termos de perspectiva de futuro e de compreensão das mudanças, pois começamos a analisar que, por causa da nossa tecno-característica somos a única espécie do planeta, que cresce sem pedir licença à natureza.

Os outros animais são genético-culturais: a complexidade de seus hábitos tem que ser viável dentro de seus nichos ecológicos, pois eles não podem reinventar a sua própria cultura, que é transmitida pela genética.

A cultura dos outros animais é, na verdade, uma bio- genética-cultura, nós somos uma tecno-cultura-biológica, inventada e transmitida pela própria tecno-cultura, através de tecnologias cognitivas: gestos, palavras orais, escritas e agora digitais.

Nós somos uma tecno-cultura-biológica que se reinventa e, por causa disso, somos a única espécie que sofre de um sintoma que estamos começando a diagnosticar: a Complexidade Progressiva.

Somos os únicos macro seres vivos do planeta que não têm limites demográficos, pois a cada crise reformamos de forma mais ou menos radical a nossa macro-tecno-cultura-biológica.

Foram as nossas inovações que nos permitiram saltar de 1 para 7 bilhões. Veja o quadro:

Para compreender o futuro, e a religião dentro dele, temos que entender que a chegada da Internet se assemelha ao que foi a chegada da prensa, em 1450, que podemos chamar de Revoluções Cognitivas, onde há a descentralização das tecnologias de publicação e validação de conhecimento e a criação de novas alternativas.

Fechamos, assim, com a chegada da Internet um longo ciclo da espécie em que podemos dizer que estamos saindo da imitação das grandes manadas de mamíferos, que se comunicam basicamente pelos sons (palavras orais e escritas) dependentes, por causa disso, de líderes-alfas.

E agora iniciamos um novo macro ciclo cultural, em função da nova complexidade progressiva, trazida por 7 bilhões de pessoas, em direção à colônia dos insetos.

Tais mudanças macro-culturais trazem novos cenários para todas as organizações, incluindo as religiosas. Podemos no caso específico da Igreja Católica lembrar que o próprio monoteísmo se massifica a partir da difusão entre a nobreza da escrita manuscrita (os dez mandamentos são escritos na pedra) e a chegada dos questionamentos feitos pela Reforma de Lutero (1500)  só foi possível, através da chegada da prensa.

As religiões são manifestações culturais, que, a meu ver, cumprem um papel organizador na sociedade, a despeito de toda crença e fé. Haverá, se analisarmos o passado, uma macro-tendência também na religião pela descentralização, que é uma característica das Revoluções Cognitivas.

Combate-se complexidade sempre com descentralização e empoderamento cultural dos cidadãos. Haverá, se essas teorias se mostrarem consistentes, um questionamento muito forte, como já está havendo, das antigas estruturas hierárquicas e um possível resgate do lado filosófico das religiões menos por doutrinas e ritos.

Mais racionalismo e menos superstição e milagres. Isso acontecerá dos países mais empoderados de tecnologia para os menos empoderados, com resistências naturais e o surgimento de resistências fundamentalistas, como estamos já vendo.

Haverá mais e mais divisões das Igrejas cristãs, com uma forte tendência politeísta, não no sentido de adoração de muitos deuses, mas de tribos eletrônicas que serão guiadas pela procura  de sentido. Revoluções Cognitivas passam as religiões a limpo, aumentando o espaço do racionalismo em oposição a fé supersticiosa.

É um tempo de descentralização, em que novas possibilidades culturais se abrem, saindo de antigos impasses. Não resta dúvida, a história mostra isso, que sempre haverá espaço para a religião (vista como algo mais amplo) como acalentadora de sofrimentos humanos, tanto para um sentido ético, como um aplacamento da angústia da morte.

Mas haverá fortes questionamentos em todo tipo de organização, seja religiosa ou não, que vá contra a macro-tendência da descentralização, de um neorracionalismo, que aponte para um resgate dos conceitos éticos e filosóficos estruturantes, que deram origem ao caminhar das religiões.

 

Carlos Nepomuceno é doutor em Ciência da Informação, jornalista, pesquisador, professor e consultor macro estratégico.

Inovação Participativa – o que é e como ajudar as organizações tradicionais a se manter competitivas no ambiente digital?

Link para a versão mais atual da apresentação que farei na Gartner no dia 22 de outubro de 2015 – 14:30 – 15:00http://goo.gl/waiuuT

Este texto já saiu nos seguintes locais:

Telequest – Ethevaldo Siqueira

complexidade (5)

V. 3.0.0 – 30/09/15

Entrevista para Barbara Hartz (Jornalista)

A crise atual das organizações tradicionais se resume a termos uma demografia de formigas (7 bilhões), mas com um modelo de governança de zebras.”

Bárbara – Nepô, como se sentiu sendo um dos poucos brasileiros a participar do evento Internacional da Gartner?

Nepô – Bom, o convite para a Gartner sela um longo esforço de 20 anos de aulas, consultoria estratégica e pesquisa (com um mestrado e doutorado no meio) sobre o mundo digital. Depois de dois livros publicados, com mais de dois mil alunos, vários clientes atendidos, entre eles Petrobras, BNDES, Vale, Natura, ANTT, Prefeitura do Rio. Sinto-me honrado ao ver a nossa pesquisa periférica ao mainstream (que chamo brincando de Teoria Uber) ser discutida num evento internacional relevante.

A nossa análise sobre a Revolução Digital foi feita, de forma participativa, sem as pressões (ou mesmo intoxicações) que um ambiente acadêmico tradicional ou que uma grande empresa de consultoria sofrem.

E exatamente por causa disso chegou a conclusões bem diferentes das que estão por aí no mercado.

Bárbara –  O que seria uma  Teoria Uber?

Nepô – Tudo que já pensei e produzi  sobre Internet foi publicado diretamente online, via blog, canal do Youtube, Slideshare, Twitter, Facebook , tudo construído com meus alunos, seguidores e clientes. Foi feito com e dentro das organizações e não nos muros altos e pouco receptivos para os problemas da sociedade por parte da academia, que ainda está no modelo de validação pelos pares e não por aqueles que sofrem os problemas.

Todas as palestras e aulas foram gravadas e colocadas gratuitamente na rede. Isso fez com que houvesse divulgação em nichos relevantes, muito debate e pudéssemos desenvolver o que chamo de “certezas provisórias”, que apresento para as turmas dos meus clientes.

São hipóteses em aberto, a partir de um problema concreto, que defino assim:

“Quais são as prováveis causas e consequências da Revolução Digital e como as organizações podem se aproveitar das oportunidades e minimizar os problemas?”

Criamos, assim, um ambiente de diálogo aberto e eficaz em que todos participam para ajudar a aprimorar os conceitos, filtrando o que é produto do ego e das particularidades de cada um para algo que faz sentido para mais gente.

Chamo tal abordagem de processo de coo-vencimento (que ninguém vence ninguém) e todos lutam contra a nossa ignorância coletiva diante de um fenômeno tão diferente e esquisito que é a chegada da Internet na sociedade.

Abrimos, assim, os conceitos  para que passem por um verdadeiro “corredor polonês” no qual as hipóteses são duramente questionadas por perfis de todos os tipos. E isso, ao contrário do que se imagina, fortalece muito os argumentos, tanto do melhor diagnóstico como do melhor tratamento.

Isso fez com que ao longo destes anos os conceitos fossem ganhando consistência e diversidade, o que nos ajudou a melhorar não só a teoria como também e a metodologia, pois o objetivo não é produzir conhecimento pelo conhecimento (um erro estratégico grave da atual academia), mas ajudar as organizações tradicionais a sair da atual sinuca de bico trazida pela Revolução Digital.

Foram centenas de horas de debate com pessoas que estão sofrendo o impacto do mundo digital, que foram depurando as fantasias e viagens e hoje temos algo bem consistente. É algo baseado em uma lógica e não na emoção.

Temos uma teoria (da complexidade progressiva) e uma metodologia (inovação participativa) construídas por brasileiros. E acredito que não deixa nada a dever ao que tenho visto lá fora, pelo contrário.

Bárbara –  Qual foi o seu papel nesse processo?

Nepô – Meu papel foi e está sendo de ser um dos curadores desse intenso debate. Isso se desdobrou em uma metodologia, que chamamos de Inovação Participativa, que estou testando há três anos na IplanRio, empresa de tecnologia da Prefeitura do Rio, com um laboratório de inovação participativo, com mais de 100 alunos formados.

O laboratório procura, via tecnologias digitais, responder a perguntas do tipo: como usar a cultura digital para fiscalizar transporte público com 9 mil ônibus e apenas 40 fiscais?

Já avançamos bastante em termos conceituais em soluções baratas e eficazes para esse tipo de dilema, mas ainda estamos na fase de protótipos com algumas experiências pontuais já em andamento no Rio.

  “A Internet inaugura um novo ciclo da história humana, na passagem do Homo Sapiens 2.0 (da governança sonora que imita o modelo dos mamíferos, das grandes manadas, com líderes-alfas bem definidos) para o 3.0 ( uma governança dos rastros que se aproxima das colmeias dos insetos, através do uso intenso de algoritmos, na qual os gestores mudam radicalmente de posição).”

Bárbara –  Quais conclusões relevantes da pesquisa para as organizações que estarão na Gartner?

Nepô – Bom, em resumo, seria:

1)    A Internet inaugura um novo ciclo da história humana, na passagem do Homo Sapiens 2.0 (da governança sonora que imita o modelo dos mamíferos, das grandes manadas, com líderes-alfas bem definidos) para o 3.0 ( uma governança dos rastros que se aproxima das colmeias dos insetos, através do uso intenso de algoritmos), na qual os gestores mudam radicalmente de posição.

2) Saímos das relações trabalhistas patrão-empregado para um novo modelo fornecedor-consumidor, se relacionando diretamente, em grandes plataformas, mediadas por algoritmos;

3)  Por causa de um novo modelo de organização com uma relação trabalhista mais dinâmica, as organizações tradicionais vão perder valor gradativamente por ter uma governança que ficará cada vez mais obsoleta;

4) As organizações tradicionais procuram dar há décadas respostas que continuam a ser capengas para a atual complexidade de 7 bilhões de habitantes. Tudo estava funcionando meio barro, meio tijolo, até que passaram a surgir alternativas mais eficazes. O que era uma crise insolúvel, passou a ter alternativa, está aí a perda de valor.

5) As novas Organizações 3.0, já com novo modelo de relação trabalhista, têm respostas mais adequadas para a complexidade atual;

6) Acredito, assim, que muitas Organizações 2.0, irão fechar, serão vendidas a baixo preço e outras ficarão na periferia do mercado. Estão, com certeza, deixando de ser locomotiva e passando a vagão;

7)    A saída mais barata para continuarem competitivas é manter o negócio atual com atualizações incrementais sem grandes alterações e criar área separada (laboratórios de inovação participativa/ou de migração do atual modelo para o novo), no qual se fará o monitoramento, a prototipação e o desenvolvimento de novos produtos e serviços, já com a governança nova, com novo modelo de relação trabalhista, na passagem do conceito de organização da gestão para a organização de curadoria.

Bárbara Isso não seria meio radical? Como é possível que organizações possam ficar obsoletas por causa da chegada de novas tecnologias?

Nepô –  Não é a nossa análise que é radical, mas a mudança em curso que é fortemente radical e temos que entender por que isso ocorre, sem receio de parecermos malucos.

Confesso  que, ao longo do tempo, eu mesmo me assustei com as conclusões da pesquisa, mas acho que só se consegue sair da caixa, olhando para a caixa e indo para uma caixa mais lógica que nos permita ter uma visão mais sofisticada e eficaz para pensar e agir.

A nossa espécie, diferente do que pensávamos no século passado (de que somos apenas uma espécie bio-cultural) dá lugar a percepção de que somos uma tecno espécie (tecno-bio-cultural), que não tem limites de crescimento demográfico.

Isso nos leva a ao que chamamos de Complexidade Progressiva.

Somos a única espécie do planeta que tem essa característica de crescer sem pedir licença para a natureza.

Não temos, como as outras espécies um tipo de escravidão genética. Porém, para crescer em termos demográficos, temos que, de tempos em tempos, superar crises macro-culturais, pois o que era bom para 1 bilhão não é mais adequado para 7 bilhões.

Simples e complexo assim.

Saltamos nos últimos 200 anos de 1 para 7 bilhões de habitantes e isso não se dá impunemente: gera uma nova complexidade quantitativa, tal como, por exemplo, a produção diária de 21 bilhões de pratos de comida (três refeições ao dia), bem como, de qualidade, pois cada novo habitante tem uma subjetividade e demandas particulares, do tamanho do pé diferentes a gosto culinários distintos.

Vejam o gráfico (dados ONU):

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A sociedade moderna foi concebida e aceitou as receitas dos movimentos liberais clássicos, turbinados pelo papel impresso, que consolidou o capitalismo e a república há 200 anos, quando o nosso mundo tinha apenas 1 bilhão de pessoas.

E agora temos que repensá-lo para 7 bilhões de habitantes, turbinados por mais um ciclo macro-cultural-cognitivo.

Isso significa mudanças culturais profundas, que só se tornam viáveis a partir da chegada de novos tecno-códigos, que nos potencializam ainda mais. Estamos adotando os rastros dos insetos, em particular das formigas, simulados via algorítimos, que nos permitem lidar melhor com essa complexidade, que o pessoal chama, de forma equivocada de Big Data, pois não se trata de um problema técnico, mas  macro-cultural.

Ou seja, a porteira se abriu para um Homo Sapiens 3.0, já em processo de mutação nas novas gerações. O que este novo Sapiens 3.0 quer agora é sair do armário e mudar a espécie e isso é uma oportunidade gigantesca para os negócios.

“Realmente, ao longo do tempo eu mesmo me assustei com as conclusões da pesquisa, mas é isso mesmo. A nossa espécie, diferente do que pensamos, é uma tecno espécie, que não tem limites de crescimento demográfico.  Chamo a isso de Complexidade Progressiva.”

 Bárbara –  Já temos por aí no mercado esse novo modelo de “governança das formigas”?

Nepô –  Sim, é o que temos mais por aí no novo mundo digital, mas não nos damos conta. As formigas, diferente dos mamíferos, em função da quantidade de membros, não usam sons para resolver seus problemas, apenas rastros (feromônios), que são químicas deixadas no chão que permitem que haja um modelo de comunicação adequado para grupo de milhões de indivíduos em interação rápida.

No formigueiro temos tantas formigas circulando que se torna impossível que um gerente-formiga fique na porta ou do alto tentando organizar o movimento. Isso funciona num bando de lobos, de leões, ou de zebras, que são, no máximo, milhares, mas não milhões.

Um líder-alfa num formigueiro não tem função.

É justamente esse tipo de modelo de auto-gestão pelos rastros que estamos criando e simulando em vários projetos na Internet, tal como Mercado Livre, Estante Virtual, os aplicativos de táxi, o Google, o Youtube, o AirBnb.

Não há sons nesses projetos, apenas comunicação, via rastros, que permite que desconhecidos façam negócio com desconhecidos, através de um novo modelo de confiança 3.0 dentro da Plataformas Digitais Participativas, na qual o gestor trata apenas de criar o melhor algoritmo possível para a interação não desandar.

As estrelas, curtir, ou não curtir, o GPS, a Internet das coisas, tudo vai nessa direção, pois permitem a troca entre desconhecidos, a participação de massa, na base dos rastros e não mais apenas dos sons, eliminando, por incrível que pareça, a necessidade de um gestor central. Saímos da gestão central para um modelo de auto-gestão, via rastros.

Isso muda completamente tudo na maneira de se pensar as organizações do futuro.

O Waze, por exemplo, vou mostrar isso na palestra, é uma imitação radical da comunicação e da governança das formigas, deveria até pagar royalties para elas (rindo).

Bárbara –  O que muda basicamente?

Nepô –  Bom, os negócios humanos para serem feitos precisam de uma taxa de confiança entre as pessoas. Quando aumentamos a população ao longo da história, criamos naturalmente uma dificuldade de desconhecidos se comunicarem e fazerem negócio entre si.

Há uma redução da taxa de trocas horizontais e um aumento radical das trocas verticais, que é justamente a origem das crises macro-culturais que passamos. Não confiávamos na compra de uma bateria de celular de uma pessoa do outro lado do planeta, mas agora, por causa dos rastros, isso se torna possível.

E isso abre um novo cenário para que os negócios ocorram.

Há, assim, uma tendência de redução dos monopólios, da diminuição dos centros de poder  intoxicados pelos seus próprios interesses e um resgate dos interesses dos clientes/cidadãos, que estão cada vez mais empoderados

A principal mudança atual é um consumidor/cidadão muito mais ativo e que adere e passa a ser um defensor desses novos projetos dos rastros, pois é atendido melhor em termos de custo benefício e isso se vê claramente na briga entre o modelo do táxi e o do Uber.

As organizações, portanto, foram se tornando cada vez mais corporativistas e, ao invés de servir a sociedade, passaram a se servir dela em um movimento do rabo balançar o cachorro e não o contrário. Isso criou um fortalecimento dos intermediadores, reduzindo as trocas horizontais, barrando a inovação e gerando crises macro-culturais.

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A crise atual, na verdade,  é a incapacidade dos antigos intermediadores estatais e privados, que ficaram caros, corporativistas e lentos.

Isso não se deu por maldade, mas por incapacidade de se fazer algo diferente. A complexidade aumentou a a nossa macro-cultura ficou obsoleta. Não foi, não é e não será jamais um problema moral, mas sistêmico.

O que os novos modelos 3.0 fazem é criar uma relação de custo/benefício melhor, usando os novos tecno-códigos, superando as limitações tecno-culturais anteriores. É isso que está gerando valor, pois está, de uma forma inteligente, pois está resolvendo crises antes impossíveis de serem solucionadas.

Todos os novos negócios digitais, se você reparar, promovem uma reintermediação entre desconhecidos, fortalecendo as trocas horizontais, reduzindo custos e viabilizando, modelos de participação de massa, via rastros digitais, através de algoritmos.

É isso que gera valor e é para lá que as organizações que querem sobreviver devem caminhar: passando das zebras às formigas.

Ou seja, sem o modelo de confiança 3.0, não há negócio entre desconhecidos – a viabilização de negócios e trocas horizontais, o surgimento de novos talentos, vindos diretamente da garagem para a luz, sem filtros.

É disso que a nossa espécie precisa: oxigenação fora do circuito dos antigos intermediadores da informação e dos negócios, trazendo um macro ciclo de inovação similar ao que ocorreu depois de 1500 com a chegada da prensa, que deu a estrutura para a atual sociedade moderna.

Tivemos naquela época, como agora, um movimento macro cultural que passou (e vai passar de novo não necessariamente da mesma maneira e não de forma tão demorada e não na mesma ordem) por uma Renascença, por um Iluminismo, por uma Revolução Industrial e Organizacional, desembocando num pós-capitalismo e numa pós-república.

Foram estes elementos que viabilizaram a Revolução Demográfica em curso (o pico de 1 para 7 bilhões), que tem agora cobrado seu alto preço.

Bárbara –  Estas mudanças são regulares na história, é isso?

Nepô – Sim, é o que estamos aprendendo na Antropologia Cognitiva. Veja que o Homo Sapiens 1.0 vivia em comunidades nômades pequenas de não mais de 100 membros e se entendia pelos gestos. Quando resolvermos aumentar o tamanho da espécie, por uma demanda de sexo, família, estabilidade, tivemos que abandonar os gestos, virar sedentários e criar a palavra oral e depois a escrita, que foi a base das trocas do que podemos chamar de Sapiens 2.0, um ciclo que durou 70 mil anos (até a chegada da Internet).

Toda a base da governança das organizações atuais é sonora, baseada na trocas de palavras ou via oral ou escrita.

Uma Governança 2.0 que foi ficando obsoleta, conforme a demografia foi aumentando. A crise atual das organizações se resume a termos um tamanho da espécie de formigas (7 bilhões), mas com um modelo de governança das zebras.

A macro-história demonstra que isso gera crises macro-culturais, que são resolvidas na primeira fase com a chegada de novas tecnologias cognitivas, que abrem as portas para mudanças culturais profundas nos negócios, na sociedade, na economia, na política, na religião, na educação, nas artes.

Isso é feito, através de uma Revolução Cultural e depois numa Revolução Organizacional, alterando completamente o ambiente social.

  “As organizações tradicionais lembram muito a orquestra do Titanic. Todo mundo sabe ou intui que o navio está afundando, mas estão meio que paralisados e sem ação tocando a marcha fúnebre para um iceberg 3.0 desconhecido.”

Bárbara –  Então estamos evoluindo? Podemos ser otimistas?

Nepô –  Não progredimos e nem evoluímos, apenas precisamos ter uma sociedade compatível com a complexidade de plantão. Estamos, assim, saindo de um ciclo de 70 mil anos, nos despedindo do Sapiens 2.0, que ficou obsoleto e entrando em um processo de mutação para o Sapiens 3.0, que tem um modelo de governança mais compatível com 7 bilhões de habitantes, nada além disso.

As novas gerações já estão provavelmente vindo com uma plástica cerebral diferente (e isso tem que ser ainda provado por testes) e talvez até uma anatomia cerebral mais compatível com esse novo mundo mais horizontal, todo movido a aparelhos digitais.

O Sapiens 3.0 precisa ser mais criativo e menos dependente da memória, que dá lugar a grandes banco de dados, via Tio Google. O que se espera das pessoas agora é a sua capacidade de interagir, de se comunicar com conhecidos e desconhecidos e ter uma capacidade cognitiva que permita juntar nacos de informação para tomar decisões mais consistentes.

Isso obviamente exige uma mudança radical no modelo de escola.

Bárbara –  Então podemos ser otimistas?

Nepô – O século XXI, para desespero dos pessimistas, será inovador,  de descentralização, de empoderamento dos indivíduos rumo à nossa sina histórica: resolver de forma cada vez mais sofisticada a complexidade progressiva, uma característica estruturante da espécie.

Obviamente, que isso não vai ocorrer sem idas e vindas, sem grandes movimentos dos melancólicos tóxicos que querem voltar ao mundo dos caçadores coletores. Mas, se analisarmos a história, o mundo caminha para a descentralização e de um indivíduo com mais liberdade, pois só se combate complexidade, a história mostra isso, com o empoderamento das pontas para desesperos dos centralizadores de plantão.

Entraremos num movimento em que estamos iniciando a construção do pós-capitalismo, da pós-república e resolveremos as crises que tanto nos assustam, tal como a ecológica.

Tiraremos água do mar de forma barata e começaremos a nos espalhar ainda mais no planeta, começando a imaginar saltar para 20 bilhões de habitantes, doidos, como sempre fomos, por novas macro-crises culturais.

Nossa espécie é muito abusada e esquisita que está aprendendo, com muito sofrimento, sua tecno-faceta.

Bárbara –  E por que as organizações não conseguem responder a esse desafio?

Nepô –  Toda a estratégia das organizações foi e continua sendo feita baseada em estratégias incrementais, na micro história e resultados de curto prazo, até pelo corporativismo tóxico na qual vivem. O recurso que usam para pensar e planejar o futuro é através das ferramentas do sentimento e da intuição e não da razão e dos conceitos.

Revoluções Cognitivas são fenômenos raros, pouco estudados, mas que quando chegam mudam a sociedade completamente e profundamente, sem retorno. Isso exige uma maturidade teórica muito mais sofisticada.

E as organizações acham que teoria é algo pouco prático, não conhecem aquela frase famosa de que “não existe nada mais prático do que uma boa teoria”.

“Estamos com nossa taxa de percepção na garagem, quando precisávamos estar cem ela na cobertura de um arranha céu.”

Bárbara –  Como superar isso?

Nepô – Sugiro a Estratégia Disruptiva, que trabalha com conceitos e a macro-história e, dentro desta, o estudo da Antropologia Cognitiva, que analisa as mudanças de mídia, que é justamente o que está alterando a sociedade hoje.

Como metodologia, trabalhar em áreas separadas da organização, pois não se pode misturar formiga com tamanduás.

É bom que fique claro. Vivemos agora algo muito mais profundo do que a chegada da prensa, em 1450:  uma Revolução Cognitiva Disruptiva, em que não só descentralizamos a mídia, como fizemos com a prensa, mas estamos introduzimos novos tecno-códigos, os rastros, que nos faz ter um upgrade da espécie.

Na prensa, passamos de um Homo Sapiens 2.1 para um Homo Sapiens 2.2. Agora, não. Estamos mudando de versão, passando de 2.0 para 3,0, com novos tecno-códigos e baseando o epicentro da sociedade não mais no modelo dos mamíferos, mas agora das formigas.

Algo assim, só tem paralelo a 70 mil anos, quando começamos a falar em que começamos a jornada do Sapiens 2.0.

Bárbara –  Temos então uma visão de curto prazo?

Nepô – Certo. Diria que estamos vivendo mudanças que irão impactar no longo prazo, mas a nossa cabeça foi educada a pensar só no curto. A crise é basicamente de percepção. Estamos com nossa taxa de percepção na garagem, quando precisávamos estar cem ela na cobertura de um arranha céu.

Em nome de lucrar mais no curto prazo e não conseguir sair para uma estratégica mais disruptiva, muitas organizações irão fechar as portas. Não conseguem compreender a dimensão da mudança e se agarram a sensações e não a uma teoria que possa realmente juntar as peças do quebra-cabeça de forma mais coerente, com causas mais sólidas e saídas menos emocionais.

As organizações tradicionais, no fundo, lembram muito a orquestra do Titanic. Todo mundo sabe ou intui que o navio está afundando, mas estão meio que paralisados, tocando a marcha fúnebre para um iceberg 3.0 ainda desconhecido.

Quem é?

Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense/IBICT Instituto Brasileiro em Ciência e Tecnologia com a tese “Macro-crises da Informação”. Jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo Digital, desde 1995 com foco no apoio à sociedade a lidar melhor com essa passagem cultural, reduzindo riscos e ampliando oportunidades.

Atualmente, se dedica à implantação de projetos de Inovação Participativa em organizações públicas e privadas, incluindo Escolas. Atualmente, tem ajudado neste campo a IplanRio, empresa de tecnologia da Prefeitura do Rio de Janeiro e a Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro e a ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestre, entre outros. Professor nos seguintes cursos do Rio:  MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE/Coppe/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais nos cursos de Pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso (IGEC) e Mídias Digitais Interativas no Senac/RJ, bem como,  em diferentes curso de pós, MBA da Universidade Veiga de Almeida, além disso, professor do IBP – Instituto Brasileiro do Petróleo.

Palestrante do AgendaPolis (Brasília), onde já promoveu oito encontros sobre o tema “Governo 2.0” para organizações dos Governos Federal, Estadual e Municipal. Autor do livro “Gestão 3.0 e a crise das organizações tradicionais”, publicado pela Editora Campus/Elsevier, em agosto de 2013.

Escolhido como um dos 50 Campeões brasileiros de inovação, pela Revista Info, em 2007.  É também co-autor junto com Marcos Cavalcanti do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede, da Editora Campus/Elsevier, utilizado em vários concursos públicos, incluindo o do BNDES.

– See more at: http://nepo.com.br/perfil/#sthash.e59vkMqq.dpuf

Vejam alguns fichamentos com comentários:

Quem me segue no blog deve estar pensando que eu morri.

Não, estou experimentando escrever direito no slideshare e fazendo muitos vídeos no Youtube.

Vejam aqui:
http://pt.slideshare.net/cnepomuceno

E aqui:
https://www.youtube.com/user/cnepomuceno

Ufa, finalmente.

Imagem1

Playlist com todos os vídeos que fiz lendo o livro.
https://goo.gl/xOQejU

 

 

Links para os meus trabalhos de fichamento do livro:

PPT/slides:
https://goo.gl/ls3N9D

Imagens:
http://migre.me/q9CJT

Vídeo dos slides:
http://youtu.be/e-DSlaRiRU4

Diria que uma ideologia é uma proposta de cultura social, que pode vingar, ou não.

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Uma cultura social é uma ideologia que se mostrou eficaz do ponto de vista filosófico, teórico, metodológico e social-institucional.

E uma ideologia que não é eficaz é aquela que não.

Uma cultura social eficaz é aquela que dura mais tempo, as pessoas aderem voluntariamente e se torna hegemônica na maioria dos países de um determinado tempo.

Sob esse ponto de vista, o liberalismo não é mais uma ideologia, mas uma cultura social que se mostrou eficaz, parida e gestada desde o final da Idade Média, graças ao poder difusor da mídia impressa.

O liberalismo é uma cultura que vem se sobrepor a outra que podemos chamar de messianismo.

  • Liberalismo é capitalismo e república.
  • E messianismo é feudalismo e monarquia.

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  • O messianismo acredita no poder de um centro forte, iluminado, que tem uma meta para humanidade, um poder moral.
  • O liberalismo acredita no poder de um centro fraco, não iluminado, que não  tem uma meta para humanidade e que é a interação das pontas que nos garante qualidade de vida.

Não há uma redenção social.

O messianismo se desdobrou pós-monarquia em comunismo, fascismo, nazismo, populismo, fundamentalismo religioso e mesmo em neoliberalismo, que seria um falso liberalismo monopolista.

Assim, o liberalismo 2.0 é, antes de tudo, hoje uma cultura social que tem um ciclo de seu início, podemos dizer com Martinho Lutero, a partir de 1500 até os dias de hoje.

E o 1.0 é o grego, movido a Alfabeto Grego.

A cultura social liberal, entretanto, motivada pela chegada da prensa, em 1450, vive um momento de crise.

Crise podemos dizer pelos seus méritos e não deméritos, como vemos no gráfico abaixo:

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 A cultura liberal permitiu um crescimento atípico populacional e isso fez com que o modelo fosse mais e mais se concentrando para atender uma demanda galopante.

Há, assim, uma relação entre ideologia, cultura social, demografia e ambientes cognitivos (de mídias).

Quanto mais a população aumenta, mais descentralizada, sofisticada e complexa terá que ser a cultura social.

O que aconteceu até o século passado é que a demanda cresceu, mas a cultura social não se reciclou.

Diria eu que não se reciclou por uma impossibilidade tecno-cognitiva, pois não havia mídia que permitisse um novo ciclo liberal descentralizador para o mundo.

O liberalismo é filho, como foi na Grécia, de mídias descentralizadoras, como o Alfabeto grego.

Assim, o liberalismo, se analisarmos como uma cultura antimessiânica, tem ciclos:

  • surgimento – junto com a nova mídia;
  • expansão – que se reflete na demografia;
  • exaustão – que esgarça as instituições até o seu limite e o surgimento de uma nova mídia, que reabre o ciclo.

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Assim, o liberalismo sofre nesse momento uma fase de transmutação, que é preservar o seu DNA original, do ponto de vista filosófico e teórico, mas uma revisão metodológica e de suas tecnologias sociais, para se readaptar à Internet e suas novas possibilidades.

O liberalismo é uma cultura e está em fase de transmutação do analógico para o digital!

Talvez via uma fase de neo-ideologia, na qual vai tentar revigorar alguns de seus princípios para se tornar cultura hegemônica mais adiante, permitindo um novo ciclo demográfico, que aponta algo em torno de 9 bilhões de habitantes em 2050.

É isso, que dizes?

 

O conhecimento pode ser uma arma de humilhação e dominação

Para que conhecemos?

Para resolver problemas.

Assim, não existiria um conhecimento absoluto, ou um conhecimento superior de um diante do outro, mas o conhecimento que temos para lidar com a complexidade.

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O conhecimento, no fundo, seria algo relativo à complexidade que temos.

Ou seja, cada um tem o conhecimento mais ou menos eficaz diante dos problemas que têm pela frente.

O conhecimento relativo, assim, não tem referência num “centro conhecedor” em que todos teriam que conhecer da mesma maneira que o centro.

Que é o modelo atual da escola, das universidades e da sociedade em geral.

Esse modelo do conhecimento do centro conhecedor de um conhecimento absoluto molda o final de uma Era Cognitiva com forte concentração de mídia.

Quando nos deparamos com determinados discursos, podem reparar no de Olavo de Carvalho, por exemplo, ele defende sempre um conhecimento baseado nos seus próprios parâmetros.

É um conhecimento conservador do centro, que, por conhecer “o certo” ou “mais” passa a dominar todos os demais.

Um conhecimento relativo não é julgado por alguém de fora, mas pela própria pessoa, que tem como parâmetro a forma que resolve os problemas à sua volta.

Diria que o conhecimento relativo é a base do pensamento liberal, e do renascimento do pensamento liberal 3.0.

Não há uma forma só de resolver problemas, o que faz com o que o conhecimento relativo não seja autoritário e fechado, pois pode aprender com outras formas de resolução de problemas similares.

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Além disso, problemas mudam de contextos e isso faz com que sempre tenhamos que aprender novamente a solução do problema em um novo contexto.

O conhecimento relativo, assim, estabelece uma autonomia das pontas diante do centro, pois cada conhecedor tem como parâmetro a resolução de um dado problema e a avaliação de como está fazendo isso lhe dá a medida do seu aprendizado.

O que nos levaria para uma outra discussão do que podemos chamar de “solução eficaz” de um dado problema.

Aí entraria um conceito que seria o custo e a redução do sofrimento ou do desconforto dos atingidos pelo problema que queremos resolver.

A solução de um problema eficaz é aquela que reduz com o menor custo possível o desconforto ou o sofrimento de uma dada pessoa, ou de um grupo de pessoas.

Um problema que não gera desconforto a ninguém ou sofrimento é geralmente um problema de baixa relevância.

Um conhecimento relativo em torno de problemas tira a validação do centro e permite que as partes da sociedade possam se relacionar livremente, na produção de conhecimentos, mais adequados para cada situação.

A escola do século XXI, assim, deve procurar sair do conhecimento absoluto baseado em assuntos e não em problemas, em que um centro validador é a referência para um outro modelo.

O do conhecimento relativo, na qual cada pessoa tem a autonomia para julgar sua evolução, já que o foco passa a ser problemas, redução de sofrimento e de desconforto.

Quanto mais ele reduzir o desconforto e o sofrimento com o menor esforço, mais o conhecimento está indo na direção eficaz.

É isso,que dizem?

A missão das teorias sociais

Uma teoria visa identificar forças em movimento e suas prováveis reações em diferentes contextos.

Teorias sociais são criadas para dois objetivos práticos:

– prever possíveis cenários;

– ajudar na tomada de decisão, a partir de metodologias.

Uma teoria social é mais eficaz quando cumpre melhor este papel.

E menos eficaz quando não cumpre.

Teorias que não cumprem este papel não são teorias, mas digressões artísticas sobre a vida em formato de texto.

Teorias, assim, são ferramentas práticas para estrategistas e para metodológos.

Teorias sociais precisam iniciar seus preceitos, a partir de fatos humanos mais regulares, menos mutantes.

E caminhar lentamente destes para os mais mutantes.

Teorias sociais não procuram exatidão como teorias físicas, mas taxas de probabilidade maior ou menor.

Uma teoria eficaz aponta cenários mais e menos prováveis.

Teorias são baseadas em premissas filosóficas.

A filosofia é o estudo dos limites humanos e de suas ações na vida.

Uma teoria que está sempre equivocada provavelmente parte de um limite humano equivocado.

Ou para baixo, subdimensiona o humano. Ou para cima, superdimensiona.

Uma teoria eficaz se baseia em teorias que dimensionam com mais eficácia os limites humanos.

Metodologias servem para testar teorias.

Uma metodologia vai procurar saber se os parâmetros teóricos eram eficazes ao agir num dado contexto.

Previsões e metodologias equivocadas forçam a teoria social a rever suas bases.

Quando temos grandes equívocos é preciso rever os paradigmas filosóficos.

É isso.

PPT.

Esta é uma entrevista que concedi para alguns alunos, mas acabou não sendo utilizada por problemas operacionais do jornal da escola e reproduzo aqui.

O que vai acontecer no mundo pós-Internet?

O grande movimento é em direção ao empoderamento do cidadão. Vamos refazer todas as organizações.

Por quê?

Dois motivos. O pico demográfico dos últimos 200 anos de 1 para 7 bilhões tornou o modelo da Governança da Espécie obsoleto. A Internet vem para criar um novo modelo de Governança mais sofisticado.

Qual seria esse modelo?

Iremos reintemediar a tomada de decisões. Os gestores, aos poucos, passarão as decisões que hoje eles tomam para códigos dos algoritmos de grandes plataformas colaborativas.

Os algoritmos permitirão, através da participação de massa, que o consumidor/cidadão possa decidir de forma mais direta, tornando as organizações mais próximas de seus desejos.

Isso é inevitável?

Sim, apesar das resistências, pois a história demonstra que quando surge um modelo mais eficaz de resolver problemas a espécie migra para ele, mais dia, menos dia.

Isso afetará a política?

Sim, todas as organizações da sociedade estão dentro da atual Governança da Espécie, que foi concebida e praticada para um tamanho de população.

O modelo é analógico e piramidal. Não é pior do que será construído, mas foi o que conseguimos criar com a conjuntura tecnológica existente.

Novas tecnologias, novas fronteiras, nova conjuntura, nova sociedade.

Como seria a política 3.0?

Bom, uma participação mais direta do cidadão nas decisões de todos os tipos, das menores, a decidir de um balanço a uma gangorra, as leis e uma concepção nova do político.

Muitas das funções atuais passarão para as plataformas e só aquilo que realmente não puder ser feito por elas, sobrará para os políticos do futuro.

E as organizações de negócio?

O modelo me parece será similar ao Mercado Livre.

Grandes plataformas de micro empreendedores, que são avaliados diretamente pelo consumidor. A ideia de empregados, próximos do modelo escravagista, tenderá a ficar obsoleta.

Cada um será responsável pela sua reputação online e se valorizará mais o mérito. Isso é uma exigência da complexidade que vivemos, pois não há mais espaço para baixa qualidade de atendimento.

E a ciência?

Mesma coisa. Grandes plataformas de produção científica, em que artigos serão avaliados pela sociedade e o usuário decidirá qual o critério de avaliação quer ver: só aprovado por doutores, mestres, graduados, público em geral.

Se publicará diretamente, os artigos sofrerão ajustes com o tempo e será um grande mercado de ideias muito mais dinâmico do que o modelo atual, que está completamente intoxicado e engessado.

O mundo será então bem melhor?

Viveremos, como na Europa pós-Idade Média um período de renascença e iluminismo, que ainda está apenas começando.

Estamos no final do fundo do poço e iniciando o processo de guinada em direção a esse movimento.

O mundo não será melhor, mas mais adequado ao novo tamanho da população que ainda continua a crescer, com previsão de 9 bilhões, em 2050.

Não haverá retrocessos?

Sim, o que vemos na América Latina com o socialismo do século XXI, que é uma tentativa de retorno a um modelo da monarquia.

Ou o fundamentalismo religioso no Oriente Médio, que é uma tentativa de retorno a um movimento medieval são resistências a esse mundo novo.

Não está claro ainda para muita gente que o capitalismo e a república têm valores que conseguiram superar a crise demográfica com méritos.

O problema é que quando temos picos demográficos, temos um aumento de complexidade, que nos leva à concentração de renda e poder.

A concentração atual, a maior parte das crises, incluindo ecológicas não são culpa do capitalismo ou da república, mas do novo patamar demográfico mal administrado.

O que precisamos agora é resgatar os valores originais e adaptá-los para o mundo digital.

Há um erro brutal de diagnóstico.

O projeto do PT, por exemplo, vai em direção oposta para onde o mundo está precisando ir. Eles querem fortalecer o centro, quando a espécie precisa desesperadamente fortalecer as pontas.

Quais são os desafios na educação?

Recriar o ambiente de ensino.

Preparar jovens para viver num mundo muito mais descentralizado, isso significa, mais autonomia de pensamento, mais liberdade para criar, menos controle, menos centralização, aprendizado em torno de problemas e não de assuntos.

A escola atual, como todas as outras organizações, não vão sobreviver a Internet no longo prazo.

Internet é como cupim no armário, quando se abre não tem mais armário

Vimos aqui que toda crise é a chegada de um limite de uma percepção, que gera uma ação, motivada por um dado interesse.

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Quem é o gestor do processo é o gerador da crise.

E a crise do processo cria uma dada narrativa.

A narrativa é criada para justificar ações, pensamentos e interesses. Promete-se que tais ações vão resolver um dado problema.

Ou que não há outra forma melhor.

Assim, uma crise questiona uma dada narrativa.

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Quanto mais antigo for os processo e quanto mais fechado for o ambiente para críticas e outras opções, mais a narrativa estará desgastada.

Uma narrativa desgastada só consegue se manter em ambientes fechados à novas ideias e iniciativas.

Uma narrativa desgastada precisa de conceitos frágeis, que possam ser utilizados de diferentes maneiras em diferentes contextos.

No fundo, vai se retirando a lógica dos processos e aumentando o aspecto emocional.

Convence-se mais pela emoção do que pela razão.

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Há um reforço de autoridades diante de lideranças.

A liderança que tem autoridade trabalha com narrativas lógicas.

As autoridades que não tem liderança trabalha com a emoção.

O processo que leva à crise é o melhor processo pelo poder da autoridade e não pela liderança.

É isso, que dizes?

Toda crise é provocada por um problema de visão, que gera uma ação ineficaz.

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Uma crise, de qualquer natureza, denota:

  • – que alguém insistiu em um dado pensamento e ação;
  • – que alguém mudou de forma inadequada um dado pensamento e ação;
  • – que alguém não previu e não se preparou para mudanças, em função de um dado pensamento e ação.

Todo pensamento e ação tem por trás, por sermos humanos, algum tipo de interesse.  Agimos para sobreviver com cada vez mais qualidade e isso implica que estamos sempre procurando manter ou melhorar processo, conforme os interesses em jogo.

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Uma crise, portanto, além de um problema de ação e pensamento tem por trás um conjunto de interesses que pode não ser compatível com a realidade.

Assim, uma crise denota que determinadas imposições de ações, em função de algum interesse, se tornou inviável e provocou uma crise.

Uma crise, portanto, é a dificuldade de que um determinado pensamento, ação e interesse se mantenha, diante de fatos da vida.

A vida está apontando que há algo que é incompatível.

É isso, que dizes?

 

Desconfie daquele que se diz só progressista. Ou daquele que se diz só conservador.

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A sociedade humana vive processos constantes de ajustes.

Hábitos, regras normas precisam ser mantidas e outras alteradas.

Já vi liberais se definindo como conservadores.

Sim, propriedade privada, livre iniciativa, direitos individuais, entre outras, são bandeiras que sempre estarão no mastro do barco liberal.

Porém, há mudanças que precisam ser propostas, pois o liberalismo não é um projeto acabado, mas um projeto em eterna construção, justamente por não ter um centro definidor de rumos. As pontas são inquietas.

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O que falta, a meu ver, ao movimento liberal no Brasil, talvez no mundo, é o encontro entre as duas escolas que tiveram na periferia do século passado: a Escola austríaca de Economia e a Canadense de Comunicação.

  • A Austríaca renovou o liberalismo e apontou caminhos para a retomada liberal do novo século, que, a meu ver, é inevitável.
  • A Canadense estudou as rupturas de mídia no passado e nos dá bases fundamentais para compreender quem somos, como mudamos e qual foi e é o papel dos liberais nos movimentos pendulares cognitivos da história.

A Escola Canadense nos legou um novo campo de estudos a Antropologia Cognitiva que nos dá uma macro visão da história com análise de séculos, entre diferentes Revoluções Cognitivas (fenômenos que ocorrem com a massificação de mídias descentralizadoras).

Sob esse olhar renovado, podemos dizer que há um movimento da humanidade, movido a aumento da complexidade demográfica e as novas possibilidades descentralizadoras da nova mídia, que influenciam e influenciarão fortemente o movimento liberal do novo século.

Quando temos descentralização de mídia, a espécie inicia um processo de criação de um novo modelo de Governança da Espécie mais sofisticado, como ocorreu com a massificação da escrita, via papel impresso, a partir de 1450.

Precisamos de uma sociedade mais sofisticada, com um novo modelo de empoderamento de cada indivíduo para lidar com a nova complexidade de 7 bilhões de habitantes.

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O aumento da complexidade obriga uma sofisticação da Governança da Espécie, que se inicia com a massificação da mídia.

O que quero dizer é que antes dos liberais clássicos imaginarem a república e o capitalismo, o movimento da espécie já havia começado, em 1450. É um movimento maior da tecno-ecologia, que está acima das instituições, pois ele vem de fora para dentro e de baixo para cima, a partir dos efeitos descontrolados da massificação da mídia. Mídias se descentralizam a despeito dos centros de poder.

Assim, o movimento liberal clássico foi muito mais uma interpretação de um macro-movimento da espécie, que demandava que um novo modelo de organização social fosse implantado.

Não foram os liberais clássicos que criaram as condições materiais para a mudança, eles apenas perceberam a brecha que existia e a latência por um novo modelo.

Vou mais longe.

A plástica cerebral dos leitores de papel impresso pós-idade média sofreu uma modificação e estava incompatível com uma sociedade centralizada pela monarquia e clero.

Esse novo homo sapiens 2.0 (escrito impresso) exigia uma governança mais sofisticada, que os liberais clássicos conseguiram interpretar e criar códigos sociais, políticos e econômicos, que desse vazão a essa demanda.

A mudança social, assim, começa com a demografia, pressiona a produção, demanda inovação, que  nos lega novos modelos de comunicação, que nos permite criar novos estilo de Governança da Espécie mais compatíveis com a nova complexidade demográfica.

O ser humano é a única espécie animal que não tem limites de tamanho da espécie, pois é uma tecno-espécie que muda suas tecnologias, bem como, o modelo de comunicação e de governança.

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Assim, há dois movimentos liberais (ou tecno-liberais) na histórica:

  • o movimento liberal conjuntural – que é a defesa dos conceitos liberais entre Revoluções Cognitivas, que podemos dizer que foram de 1800 a 2000, com a república e o capitalismo disseminados;
  • o movimento liberal estrutural – que é a defesa dos conceitos liberais, porém o início de criação de novos códigos sociais, políticos e econômicos, que nos permitam criar um modelo de sociedade mais sofisticado, com a ponta mais empoderada, que nos permita viver com mais qualidade com o novo tamanho da população, com folga para receber ainda mais gente, que foi de 1450 a 1800, como começamos agora de 2000 em diante.

(Os liberais clássicos foram beber na fonte dos gregos, que também viveram a sua Revolução Cognitiva do alfabeto Grego, ler mais sobre isso aqui.)

A nova Governança Digital é o lado progressista que o movimento liberal tem que abraçar, pois não existe nada mais liberal do que um projeto como o novo modelo de trocas do Mercado Livre.

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No qual, milhares de desconhecidos negociam com desconhecidos, regulados por um algoritmo que permite que o consumidor saiba em quem pode confiar com menos risco em cada transação, sem a necessidade de um centro regulador: isso é Governança Digital.

Esse modelo do Mercado Livre (eita nome mega liberal esse) é a base da nova Governança da Espécie, que nos permite qualificar, a partir dele, tudo na sociedade, desde políticos, leis, decisões de massa, fornecedores, artigos científicos, etc.

Tal aplicação é variada e passa por mudanças na escola, nas universidades, nas organizações, na política, na justiça.

Detalhei aqui na palestra, em 18/05/15, para o Partido Novo, aqui no Rio, esse macro cenário, procurando as pontes possíveis entre Austríacos e Canadenses.

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Há muito que conservar, de fato, pois vivemos hoje na América Latina e no Brasil um retrocesso quase próximo à monarquia, em que se quer voltar para um modelo pré-república, ainda pior do que temos hoje.

Há, porém,  uma nova geração ávida por mudanças, que precisa compreender o liberalismo como um movimento que vai dar voz a essa demanda.

Os  liberais, talvez só eles, têm cultura e tradição para promover esse movimento rumo à Governança Digital com a segurança e dinamismo necessários. É preciso, urgente, que se conscientizem do seu novo papel histórico, pois a tensão entre centralizadores e nós, descentralizadores, só tende a aumentar.

É isso, que dizes?

 

 

Desenvolvi mais o tema aqui.

estranhos

Esta frase diz muito, do livro “O que é liberalismo”, de Donald Stewart Jr, que fiz o resumo aqui.

O problema é que estranhos não confiam um no outro.

E aí temos a ponte entre a Economia e a Antropologia Cognitiva.

Um sistema econômico é estruturado dentro de barreiras tecnológicas, que definem até onde estranhos ou desconhecidos podem se relacionar.

Houve um importante desenvolvimento do comércio entre desconhecidos, com a chegada da escrita e ainda mais do papel impresso.

Contratos puderam ser feitos, o que antes era de boca.

Toda vez que surge uma nova Tecnologia Cognitiva Descentralizadora, cria-se a possibilidade de ampliação de trocas de pessoas a distância.

  • Uma barreira ecológica é quebrada por uma barreira tecnológica.
  • Barreiras ecológicas definem hábitos e costumes.
  • Hábitos e costumes consolidam a cultura.

Assim, quando barreiras ecológicas são rompidas novos hábitos e costumes passam a acontecer e há uma mudança de cultura de maneira geral na sociedade, em várias áreas, pois a comunicação é o epicentro da espécie.

Nos limites ecológicos de comunicação, temos as barreiras de trocas.

Ninguém faz negócio com quem ele não tem como se comunicar, antes de tudo.

E depois de se comunicar, confiar.

Assim, diante dessa barreira ecológica, criamos reintermediadores, que fazem a ponte entre os estranhos.

Vivemos uma crise de larga proporção afetiva-cognitiva.

Longos períodos de concentração de mídia retiram dos indivíduos, aos poucos, a capacidade de autonomia de pensamento.

O ego de cola com a realidade com baixa capacidade de separação, via percepção.

O ego é a nossa identidade no mundo, que deveria ser revista, a partir das experiências.

Para que isso seja possível, é preciso uma separação entre o ego e os fatos da vida, que são interpretados pela percepção.

A relação entre três instâncias Ego-percepção-fatos cria espaços mais equilibrados para aprender a alterar nossa identidade.

Ao alargar a percepção, deixamos uma identidade sólida e fechada para uma mais líquida e aberta.

Para que isso seja possível, é preciso um exercício constante, ampliando e alargando a percepção.

Tal movimento aumenta e viabiliza a descentralização de poder, pois empodera o indivíduo para poder agir no irresistível novo ambiente mais sofisticado da nova governança digital.

Vamos aos argumentos.

Vejamos.

  • O ser humano é uma tecno-espécie, por isso não tem limite demográfico;
  • Quanto mais crescemos, mais tecnologias criamos, mas isso tem impactos no nosso modelo hegemônico de governança;
  • Se analisarmos outras espécies, bandos menores têm, de maneira geral, líderes mais marcados e sólidos, pois têm a capacidade de ajudar o bando a resolver seus problemas de sobrevivência;
  • Espécie mais numerosas vão criando centros menos poderosos e vão dando mais liberdades para as pontas;
  • O extremo dessa liberdade são os insetos, em particular, as formigas, que estabelecem um modelo de governança-comunicação, a partir dos rastros.

Cada membro do formigueiro é responsável por avisar o restante por descobertas relevantes.

O centro é incapaz de lidar com essa complexidade.

Nossa tecno-espécie vem transitando do modelo mais centralizador para o mais descentralizador, pois reinventamos as tecnologias de comunicação, o que nos faz mudar o modelo de governança para modelos cada vez mais autônomos, se analisarmos macro ciclos.

(O século passado, por exemplo, é um refluxo da descentralização em função do aumento demográfico e dos limites das mídias, que nos levaram à centralização.)

Quanto mais gente no planeta, mais as pontas têm que ganhar autonomia, pois o centro fica incapaz de resolver os problemas cada vez mais complexos.

Assim, surge movimento sociais, na área política, nestas passagens que vão defender o poder da ponta diante do centro, que é uma tradução social-política de um macro-movimento da espécie.

Sim, já disse aqui que os movimentos liberais não são criados, mas intuídos.

Tivemos três passagens e três ciclo macro-liberais.

  • – A nossa fase oral – que nos legou a Governança 1.0, com centros fortes e aldeias pequenas, quando tivemos os movimentos Gregos, republicanos, movidos pelo alfabeto, que nos abriu as portas para um novo ciclo liberal;
  • – a nossa fase oral-escrita – que nos legou a Governança 20, com centro menos fortes, que nos permitiu criar cidades maiores e com isso tivemos a chegada da república e do capitalismo;
  • – a nossa emergente fase oral-escrita-digital – que vai nos legar a Governança 3.0, com centros ainda menores, que nos permitirá viver com mais qualidade em megalópolis, na criação da pós-república e do pós-capitalismo.

A cada uma destas fases o movimento de fortalecimento dos indivíduos aparece, que podemos chamar de movimentos liberais, que defendem social-politica-economicamente esse empoderamento do indivíduo, uma metodologia fundamental para a adequação da sociedade humana ao seu novo tamanho.

Acredito que o liberalismo pode ser expresso por movimentos de descentralização de poder, de empoderamento do indivíduo, que surgem na sequência de mudanças de mídia e de picos demográficos. E, por isso, conseguem ser mais permanentes e eficazes, pois permitem criar ambientes decisórios (em todos os campos) mais sofisticados do que os modelos anteriores. Nem pior ou melhor, mas mais adequados ao novo tamanho da espécie.

Nosso novo ciclo de descentralização, o Liberalismo 3.0, será uma migração do modelo oral-escrito, que nos legou a República e o Capitalismo para um novo ciclo, no qual o indivíduo, através de rastros poderá ter muito mais autonomia e poder.

Vamos para lideranças muito mais líquidas, que terão mais autonomia para poder lidar melhor com a nova complexidade demográfica.

Assim, o Liberalismo 3.0 é a percepção e a defesa desse novo Homo Sapiens 3.0 que surge, embalado pelas Redes Digitais, que permitirá um ambiente social mais compatível e preparado para nos levar de 7 bilhões e ir adiante.

Essa mudança não é apenas cultural, ou social, política, ou econômica, mas tecno-biológica, pois iremos nos adaptar a esse novo ambiente social, alterando a plástica cerebral.

(Não há ainda comprovações científicas, mas dedutivamente parece o mais lógico.)

Cabe aos liberais contemporâneos, ou pós liberais, ou liberais 3.0, ou todos que defendem um mundo mais digitalmente descentralizado, abrir as barreiras culturais e legais,  que hoje impedem a evolução desse movimento irreversível.

Quanto mais tempo durar a passagem, mas sofrimento será gerado para a espécie, que viverá os limites da atual governança que é incompatível com a atual complexidade.

É isso, que dizes?

 

Podemos avançar melhor para entender a passagem da Governança Analógica para a Digital.

O ser humano, diferente de outras espécies, transita entre modelos de governança, conforme aumenta a demografia.

Uma espécie com menos membros é mais auditiva e visual, pois consegue processar sons.

Quanto mais membros têm uma espécie, menos auditiva-visual ela será pois terá uma incapacidade de gerenciar sons e imagens. Por isso, os insetos que vivem com milhares de membros abandonam os ruídos e imagens passam a usar também os rastros como modelo de comunicação.

As espécies com número de indivíduos menores, que podem se governar com sons e imagens, pois precisam ser processado e o quantidade menor de membros assim o permite.

Se caracteriza também pela proximidade e uma ocupação menor do território. São espécies que tendem a uma liderança mais sólida, com um centro mais consolidado.

Haverá um centro, um ou mais líderes-alfas que conduzirão as decisões de todo o grupo, a partir da emissão de algum som.

Há espécies com número de indivíduos maiores, que só podem se governar com rastros.

O som-imaem não pode mais ser processado, pois não seria possível, devido à quantidade de membros.  O centro não é mais capaz de direcionar as decisões da espécie, pois vai ficando obsoleto.

Espécies que adotam a comunicação por rastros podem ocupar um território maior, pois dão mais liberdade para os indivíduos da colônia, que passam a poder direcionar os outros membros, quando têm algo relevante.

A tomada de decisões não é feita por um centro, mas pela interação entre cada membro, que descobre algo que julga relevante para o todo.

São espécies que tendem a uma liderança mais líquida, com o empoderamento maior de cada membro, pois a complexidade é muito maior e não há um centro que possa agir nos múltiplos lugares.

Nossa tecno-espécie com o pico demográfico e a chegada da Internet e seus rastros tem incorporado ao seu repertório a inclusão de um modelo de comunicação muito similar das formigas.

Ou seja, nossa tecno-espécie tem incorporado ao seu repertório a inclusão de um modelo de comunicação por rastros.

Tornou-se impraticável com megalópoles nos comunicamos apenas por sons e imagens.

Tal governança é emergente e tende a se tornar hegemônica na solução de problemas demograficamente complexos.

Haverá um empoderamento das pontas com um novo modelo de tecno-governança.

É isso que dizes?

Aperfeiçoando a metodologia.

A partir da experiência de quase 3 anos com um Laboratório, detalhemos.

Há uma divisão cultura, que é a capacidade dos gestores principais da organização terem contato e adotarem a visão da crise de Governança, a partir da Revolução Cognitiva.

E, em um segundo momento, incluir ações estratégias no Planejamento.

Podemos dizer, assim, que existem duas possibilidades.

Classificação cultural

Operacionais:

São vistos pela organização como atividades incrementais, que não mudam substancialmente o rumo da organização.

Falta por parte dos principais gestores cultura digital e percepção clara da ruptura da governança.

O laboratório nestes casos não promove a migração para nova governança. Projetos são feitos na organização tradicional.

Estratégicos – são vistos pela organização como atividades disruptivas, que mudam substancialmente o rumo da organização.

Já há pelos gestores principais cultura digital e percepção clara da ruptura da governança.

O laboratório nestes casos é um projeto estratégico relevante e promove a migração para nova governança.

Novos projetos são feitos na nova organização.

Classificação econômica e atividade possível (independe se é operacional ou estratégico)

Silver – baixo orçamento, com dedicação parcial de tempo permite ações culturais e pré-protótipos;

Gold – maior orçamento, com dedicação maior, alguém dedicado, o que já permite ações culturais e protótipos;

Diamond –  orçamento mais robusto com dedicação integral de tempo, o que já permite ações culturais e sistemas.

É isso, que dizes?

Podemos avançar melhor para entender a passagem da Governança Analógica para a Digital.

O ser humano, diferente de outras espécies, transita entre modelos de governança, conforme aumenta a demografia.

Uma espécie com menos membros é mais auditiva, pois consegue processar sons.

Quanto mais membros têm uma espécie, menos auditiva ela será pois terá uma incapacidade de gerenciar sons. Por isso, os insetos que vivem com milhares de membros abandonam os ruídos e passam a usar os rastros como modelo de comunicação. 

Há espécies com número de indivíduos menores, que podem se governar com sons.

O som precisa ser processado.

E se caracteriza pela proximidade . e uma ocupação menor do território.

São espécies que tendem a uma liderança mais sólida.

Há espécies com número de indivíduos maiores, que só podem se governar com rastros.

O som não pode mais ser processado, pois não seria possível.

E se caracteriza pela distância e uma ocupação maior território.

São espécies que tendem a uma liderança mais líquida.

Nossa tecno-espécie tem incorporado ao seu repertório a inclusão de um modelo de comunicação por rastros.

Tornou-se impraticável com megalópoles nos comunicamos apenas por sons.

Tal governança é emergente e tende a se tornar hegemônica na solução de problemas demograficamente complexos.

Não me batam.

Uma coisa é a venda, outra o produto.

Gramsci acertou em algumas coisas:

– há em toda sociedade uma briga pela hegemonia de cosmovisões;

– quem quer a hegemonia ou se manter hegemônico precisa trabalhar na cultura;

– e é preciso ter uma rede de agentes culturais, que trabalham nessa direção.

A crise dos descentralizadores do século passado, fez com que a sociedade vivesse um movimento centralizador.

E dentro dele uma difusão do centralismo marxista.

Há vários movimentos centralizadores além do marxista:

– os fundamentalistas religiosos;
– os estatistas, falsos liberais.

Se o movimento dos liberais, que querem a descentralização, quiserem crescer e perdurar teremos que aprender com Gramsci.

É preciso uma contra campanha.

Teorias são feitas, a partir de esforços para entender um dado fenômeno, através de uma lógica argumentativa.

Uma teoria cria, assim, uma lógica para ser questionada.

Ela é feita, segundo Popper, para ser massacrada. O quer chegar vivo do outro lado é o que é mais consistente.

Impressões sobre um fenômeno não criam uma lógica. Assim, não podem ser questionadas.

Impressões são vendidas pelo marketing que se cria e teorias pela lógica.

Teorias eficazes ajudam a criar cenários para ação, que se desdobram, no caso de teorias sociais, na construção de estratégias e metodologias.

E na área de negócios em ações empresariais.

Assim, organizações lucram mais quando têm teorias mais eficazes, pois a qualidade das decisões estratégicas é maior.

Num mercado incremental de concorrentes conhecidos e estabilidade de modelo de consumo, pode-se trabalhar com impressões, pois trata-se de monitoramento do que pode ser visto. Esta é a base das estratégias indutivas e incrementais.

Num mercado de concorrentes desonhecidos e instabilidade de modelo de consumo, tem vantagem quem trabalha com teorias, pois trata-se de criar previsões do que nem sempre pode ser visto. Esta é a base das estratégias dedutivas e disruptiva.

Impressionistas não trabalham necessariamente com lógica e método.

Teóricos, sim.

O mundo de hoje vive uma crise disruptiva e as decisões estratégicas são quase sempre tomadas pela visão dos impressionistas.

Os possíveis teóricos de plantão geralmente desenvolvem teorias distantes de algo útil que possa servir de base para estratégias e metodologias eficazes.

É tempo de teóricos eficazes, de estratégias dedutivas, que possam ajudar a superar a crise disruptiva que campeia.

Uma sociedade liberal visa a criação de uma plataforma aberta de regras e leis para que a se possa criar livremente formas de sobreviver e viver.

Um projeto liberal não define, portanto, para onde a sociedade ou os indivíduos vão ou devem ir.

É um código aberto definido pela livre iniciativa em todas as áreas que permite que uma inteligência coletiva lide, cada vez melhor, com problemas complexos.

Isso é feito no espaço aberto de  interação, que oferece múltiplos indicadores para que cada indivíduo possa, da ponta para o centro, ir recriando coletivamente a sociedade.

A tentativa do centro interferir na liberdade de interação tira a qualidade da inteligência coletiva e vai, aos poucos, reduzindo a chance do coletivo tomar decisões cada vez mais eficazes.

Não, não se baseie no século passado, que foi extremamente pouco liberal.

Vivemos hoje algo parecido com o fim da Idade Média, quanto todos que iam contra a Igreja Católica eram considerados hereges, que eram moralmente incapazes de ter presença ou voz no mundo, conforme a fogueira.

O final de uma Era Cognitiva marcada por forte concentração de poder.

O que ocorreu no século passado foi resultado de um ciclo liberal anterior. Alguns conceitos liberais, mas adaptados de forma grosseira para a nova conjuntura.

O século passado foi tudo menos de empoderamento do indivíduo. Diria que foi um século de resistência dos indivíduos, da forma que deu.

Portanto, hoje um liberal é oposição aos modelos sociais, políticas e econômicos que estão aí no mundo, naquilo que sobrou deles, mas não nos seus princípios.

É preciso reformular os conceitos no novo cenário para retomar a estrada.

O neoliberalismo (como foi chamado o liberalismo do século passado) não foi propriamente liberal, pois vários monopólios estatais e privados passaram a ser o centro de poder, oprimindo indivíduos e sociedade.

O rabo balançando o cachorro. Foi um liberalismo meia boca, ou um liberalismo oportunista. Por isso, hoje o termo liberal está por baixo, mas é preciso separar o que é a sua força e contribuição do que foi a sua deturpação.

Melhor, muito melhor do que o nazismo e o comunismo, mas ainda totalmente longe do que se imagina que podemos chegar  agora nas asas da Internet, que abre um novo ciclo liberal,  pois quando o centro se fortalece o indivíduo perde força e vice-versa.

O liberalismo é um conceito forte e reúne que expressa o retorno da força do indivíduo.

Muita gente me diz que é uma marca que perdeu força.

Eu imagino muitas outras “marcas” que sofrem preconceito, desde homossexual ou judeu. Pela mesmo lógica deveriam ser evitadas?

Não é o preconceito que deveria guiar se alguém se define na sociedade, pois, como prega o liberalismo, a verdade de cada um vem de cada um, de dentro para fora e não de fora para dentro. Não é o centro preconceituoso que me define, mas eu que me defino e imponho a minha consciência, como milhões de outros, ao centro. Esta é a ideia.

Se houvesse outro nome que definisse o liberalismo ou o liberal, como até usam libertário para ficar mais simpático, mas, no fundo, o que se está falando é devolver a força ao indivíduo frente a um centro de poder e isso une um conjunto de pessoas.

E isso é a base do liberalismo e é algo que une as pessoas com propostas sociais, políticas e econômicas.

Ninguém, a meu ver, começa nada se envergonhando de pensar como pensa.

Muitos dizem que os liberais são de direita ou que defendem os poderosos.

Se fosse assim não teriam sido perseguidos em vários momentos, assassinados, com livros queimados.

Se um liberal defende empresas, não é liberal, pois o liberal defende a livre concorrência para que o cidadão/consumidor possa ter o melhor produto e serviço. As empresas que querem impedir a livre concorrência são anti-liberais. Simples assim.

Já escrevi aqui que o conceito esquerda-direita é vago e é oportunisticamente usado por quem conseguiu passar a ideia da esquerda boa e direita má.

Já conheci marxistas republicanos, por exemplo, que se dizem de esquerda.

A luta de classes não admite a república, ou seja, ou se é marxista ou se é republicano.

Se você tira o epicentro do marxismo que é a luta de classes, você é um marxiano (que estuda Marx), mas rejeita a metodologia marxista.

  • Assim, tem esquerdista que é liberal, mas não assume.
  • E tem quem se diz liberal que acaba centralizando poder e sendo estatista e até se unindo a ideias marxistas, tudo na confusão de conceitos vazios.

O problema é que as pessoas têm amigos e ninguém quer brigar com amigos e a pessoa se diz de esquerda para continuar tomando chope com uma galera. E o pessoal que é liberal tem vergonha de ser chamado de direita.

É tempo de acabar com as fogueiras!

Assim, ao não ser marxista e ser liberal não me considero de direita.

Sou um descentralizador de poder e não existe nada que me dê mais orgulho do que dizer isso, como sempre disse, e até achei que era isso que o PT propunha ao país, mas vi como estava equivocado no meu marxismo  ingênuo e tacanho. Sou um ex-marxista e um pós-liberal 3.0.

Vivemos, assim, é o que descobri com meus estudos, que vivemos um movimento de descentralização de poder, devido à mídia, que é a mãe de todo o renascimento da força dos indivíduos e, com ele, surgem movimentos pós-liberais, ou novos ciclos liberais, como na Grécia com o alfabeto grego, depois da idade média com a escrita impressa e agora com o digital.

Assim, ser liberal no século XXI é refazer  o liberalismo, resgatando os conceitos principais e adaptando-os ao novo mundo.

Assim, se resgata – e deveria ser feito com orgulho – uma longa escola de pensadores que construíram (pela sua capacidade de perceber o mais eficaz) a sociedade moderna, com a república e um sistema econômico dinâmico e inovador.

Se dizer liberal é aceitar um conjunto de ideias de longa data que nos levam a pensar uma sociedade a partir das pontas (em aberto) e não do centro (fechada e muitas vezes totalitária).

É, no fundo, o que pedem todos os jovens que fazem inovação digital.

Aqueles jovens que criaram um site de vizinho empresa dinheiro para vizinho, que ideia liberal, que foi impedido de funcionar pelas regras do Banco Central, que nada mais é também do que um agente defensor da não concorrência do setor financeiro, avesso à inovação que vem de fora.

Nada mais liberal do que os jovens que individualmente colocaram seus cartazes nas ruas em 2013. A frase “não me representa” é 200% liberal, pois exprime o final de uma era e o início de outra. Procurar o que representa a nova sociedade é o desafio para os intelectuais liberais!

Este conjunto de pessoas, pode não saber ou assumir, mas quando questionam o centro são liberais e não sabem.

Não aceitariam nunca um novo centro impositivo.

O problema do liberalismo é que ele vive profundas crises quando a população cresce e a mídia se concentra, pois há um esgarçamento da sociedade liberal, que sai do individualismo e tende ao estatismo, com variações distintas, tais como nazismo, fascismo, comunismo/socialismo e mesmo o capitalismo de estado de baixa concorrência de monopólios públicos e privados, como agora.

Sim, um liberal pode dizer que o século passado não foi bom para o movimento liberal.

Foi um século em que o liberalismo mostrou a força de resistência.

Criou um sistema econômico e político, que, a despeito do aumento demográfico, da concentração de mídia, que nos levou a concentração econômica, social e política ainda assim permite que possa ressurgir novas mudanças sem violência.

E mais.

Que mesmo assim, na maior parte do mundo, sem coerção, ou impedimento de que se saia dos países, se goza hoje, com toda a concentração que precisa ser combatida, uma melhor qualidade de vida e liberdade, se compararmos com nosso antepassados.

É preciso agora resgatar bandeiras, onde se inclui a defesa do meio ambiente, com propostas e inovações liberais.

Há muito que aprimorar e é justamente agora a missão dos pós-liberais ou dos Liberais 3.0, que têm como missão reinventar o liberalismo para um mundo, a partir de 7 bilhões de pessoas, com uma mídia como a Internet.

  • Há muito o que fazer no futuro.
  • E muito que se orgulhar do passado.

Bora?

 

Volta e meia chega alguém, como se fosse um consumidor revoltado, definindo o que você deveria ou não deveria colocar na sua linha do tempo.

  • Viemos um mundo de personal mídias.
  • E tem gente que ainda está girando na mídia de massa.
  • Hoje vivemos a mídia de missa e cada um tem a sua “paróquia”.
  • O bom é que existem bilhões de paróquias digitais, cada um tem um faz o seu sermão e vai a “missa” quem quer.
  • Ou seja, “Deus Facebook” deu a todos ferramentas para bloquear, ignorar, desfazer amizades.
  • Ou seja, você assiste o sermão que quiser, quando quiser, onde quiser e de quem quiser.

Portanto, não faz muito sentido alguém que se arroga ao direito de achar que a sua linha do tempo é pública, não é.

A sua linha do tempo é privada e você faz dela o que achar melhor.

É a concessão de um privilégio daqueles que podem ter acesso a ela e assim tem que ser entendido por todos.

Assim, quando personal mídias se encontram é uma combinação respeitosa de liberdades individuais, não sujeitas a imposições de linha.

Isso não impede, é claro, que amigos comente até privadamente que você exagerou nisso e naquilo. Ou mesmo abertamente.

Mas sugestões são sempre bem vinda e imposições devem ser rejeitas, pois é uma clara imposição de um modelo de mídia que já passou.

Proteja o que é seu com vigor.

É isso, que dizes?

O monoteísmo é filho da escrita. Sem a escrita, não haveria a Torá, a Bíblia e o Alcorão.

O monoteísmo foi a base filosófica-religiosa da Governança da Espécie, que inicio a Era Cognitiva Escrita-Oral, que termina agora com o digital. Todo o modelo organizacional de hoje é filho da Escrita e dos modelos hierárquicos religiosos e depois militares, que permitiram a espécie aumentar a demografia, saindo das aldeias e criando cidades cada vez maiores.

Entramos no digital em outro ciclo de Governança e também cognitivo religioso ou cognitivo espiritual.

Saímos do ambiente dos líderes-alfas, um Deus único e no céu, para algo mais distribuído, provavelmente um politeísmo mais anárquico, com múltiplas micro seitas de todos os tipos.

E aí vamos ter dois movimentos.

  • As neo-religiões ou neo-espiritualidades – que apontarão para um modelo sagrado mais distribuído e muito menos presente na vida, talvez um politeísmo-digital;
  • E a resistência a isso – com movimentos neo-conservadores, que fincarão o pé no modelo monoteísta-escrito-oral, como vemos nos movimentos fundamentalistas de todos os tipos.

A religião, que é a base filosófica mais profunda do ser humano, indica, complementa ou reproduz claramente os movimentos sociais, políticas e econômicos que virão a seguir.

Me diga o modelo de religião hegemônico e verás a governança hegemônica.

O que estou defendendo, portanto, é:

  • – nossa visão de Deus é fortemente influenciada pela mídia de plantão;
  • – Deus estrutura, como primeira base, os modelos de Governança (ou pelo menos o fazia no passado);
  • – E estamos saindo de um modelo monoteísta-oral escrito para um politeísmo-digital.

É isso, que dizes?

Coletivismo é uma galáxia de cosmovisões humanas que têm em comum a crença de que há um bem maior.

São coletivistas os comunistas/socialistas, os nazistas, os fascistas e, em certa medida, os estatistas.

São coletivistas as religiões que desejam criar estados.

Este bem maior, que varia de uma cosmovisão a outra, deveria guiar as sociedades humanas.

Assim, a sociedade humana tem um objetivo fechado, que é atingir este bem maior, que varia conforme as cosmovisões.

O centro é definidor das pontas.

Os coletivistas acreditam num humano bom, que numa sociedade purificada terá mais chance de exercer sua pureza.

Como este bem maior tem um propósito, há um centro estimulador e incentivador da visão “adequada”.

O centro determina o que as pontas, indivíduos, devem seguir.

É um projeto ordenador, centralizador, que visa reduzir a diversidade humana em direção a um propósito similar.

O coletivismo terá mais adesão social nas crises de todos os tipos, que conjunturalmente pedem ordem rápida.

E será rejeitado quando as crises forem superadas, pois passarão a abafar os indivíduos e gerarão crises econômicas, pela incapacidade do centro de resolver demandas.

O coletivismo, de maneira geral, terá características totalitárias, pois tentará definir a vida social em torno do que acha que é o bem comum.

No coletivismo, o centro, que serve de guia, será rapidamente e cada vez mais fortalecido, gerando cada vez mais violência.

Por quê?

O centro será cada vez mais autônomo, sem controle, radical, purificador, com tendências ao abuso de poder, onde se inclui benesses e corrupção.

O centro terá cada vez mais poder absoluto e se revestirá de uma cada vez maior pureza moral, defensor das bases que fundaram a cosmovisão.

Naturalmente, haverá um processo de “purificação” social da periferia, começando pelos inimigos naturais anti-coletivistas.

E depois, a seguir, dos moderados da própria cosmovisão.

Qualquer sociedade com bases em ideias coletivistas não se perpetuará no tempo, pois são regimes de exceção, violentos, que provocarão fortes reações internas e externas.

Além de provocar crises econômicas internas pela incapacidade de lidar com a complexidade, o que enfraquecerá o projeto de poder.

O individualismo é a galáxia de cosmovisões que se opõe ao coletivismo.

O liberalismo, os libertários e um ramo de anarquistas não coletivistas são os individualistas.

Tem como características:

– visão não pré-determinada do humano e sociedade, aberta e não fechada, indefinida;

– definição, assim, da ponta para o centro.

Visões individualistas da sociedade são mais resilientes, pois ganham um dinamismo maior diante da complexidade.

E evitam, ao longo do tempo, a radicalização de um centro purificador.

Os individualistas acreditam num humano potencialmente perverso, que numa sociedade fiscalizada pelas pontas terá menos chance de exercer sua perversidade.

As pontas têm mais autonomia e servem de balanço para reduzir a violência do centro.

Revoluções Cognitivas incentivam movimentos individualistas.

E concentrações cognitivas, momentos entre eras cognitivas, são mais precisas a sociedades coletivistas, como vimos no século passado.

É isso, que dizes?

A base da defesa da livre concorrência pela Escola Austríaca de Economia (EAE) é simples.

  • Preços são indicadores de decisão;
  • Sem a liberdade das trocas, os indicadores são falhos;
  • Sem preços confiáveis, os agentes produtivos passam a erra na mão.
  • Consequência: mais custo e menos benefício para a sociedade.

Insetos

Não se defende a liberdade econômica por motivos abstratos, mas pela necessidade de produzir mais e melhor, com resultados melhores para o consumidor/cidadão.

A saber:

  • O interessante é que a defesa da proposta dos economistas austríacos é informacional;
  • Preços são informações;
  • Informações que só são obtidos na realidade das trocas livres entre pessoas no mercado.

O consumidor ao eleger produtos, define o que lhe agrada, no preço que está disposto a pagar.

E vice-versa.

Rejeita produtos quando não estão a seu feitio.

O problema que precisa sofrer um upgrade da Escola Austríaca, a meu ver, que o ambiente de informação não é apenas social. É tecno-social.

Ou seja, vivemos em um tecno-mercado, promovemos tecno-trocas, de tecno-produtos e tecno-serviços.

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A cultura humana é completamente tecno, pois se não fosse tecno não seria humana. Quem vive na natureza são os outros animais, nós vivemos em uma tecno-ecologia.

Isso é a peça do quebra cabeças que falta ao movimento liberal para incorporar nas teorias dos austríacos o fenômeno de uma Revolução Cognitiva.

Note que todas as nossas tecno-trocas eram feitas usando as ferramentas disponíveis de coleta de informação, tanto os preços, como pesquisas para tentar predizer para onde o mercado está indo.

O que podemos chamar de preços futuros. Ou demandas futuras.

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Uma editora de livros não sabia bem o que publicar, pois o desejo do leitor era muito mais obscuro do que agora. A chegada dos equipamentos digitais e agora em rede foram criando um rastro de dados, que foi reduzindo a imprevisibilidade.

Há, assim, uma redução da taxa de imprevisibilidade ao se lançar um livro se a editora passa a usar todo o volume de dados disponível.

É o que chamo de rastros involuntários, que é onde o Google trabalha e gera MUITO valor.

O Google consegue, via algoritmos, conhecer as demandas ocultas da grande massa de usuários para poder não só (como isca) realizar a busca, que dá de graça, mas principalmente poder predizer tendências (um mercado emergente) e anunciar de forma mais personalizada para cada usuário.

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  • Assim, o mercado de trocas era feito no ar, antes do digital.
  • Hoje esse mercado passou a ser feito mais e mais no digital, desde os cartões de crédito, até as compras on-line, no que é involuntário. Bem como, na indicação voluntária da satisfação de compra, através de estrelas, curtições, etc.

Tudo isso é gerador de informações, que vão além do simples preço.

O preço é passado, a predição é futura.

Ambos, melhora a capacidade produtiva de fazer mais com menos, podendo melhorar a qualidade de consumo, se há livre iniciativa, pois com monopólio público ou privado nada disso é relevante.

  • O preço antes era um grande e importante medidor de desejos e continua.
  • Mas agora, além do preço, temos um conjunto de dados digitais, que são feitos na troca, que dão base ao que o pessoal tem chamado de Big Data.
  • Eu diria que o Big Data começa com o digital.
  • O Big Data 3.0 começa com a Colaboração de Massa, que coloca uma nova camada humana ao digital, antes inexistente, por limites tecnológicos.

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Antes, no Big Data 2.0 (se quisermos trabalhar assim) o consumidor informava o que queria comprar com meu cartão de crédito. Hoje, além do cartão, eu clico, permaneço tempos em páginas, baixo, compartilho, curto, imprimo, comento.

Somos geradores involuntários e voluntários de uma massa gigantesca de dados, que vão formando a sociedade do século XXI, que pode agora resolver o grande impasse do século passado: podemos saber melhor o que o consumidor quer, aumentando a possibilidade de aumentar a sua diversidade, sem perder eficiência na produção.

Aumenta-se, assim, a relação custo/benefício, o que nos leva a uma possível e viável descentralização de poder social, político e econômico.

Mudou a conjuntura tecno-econômica, pois hoje a informação que vem do consumidor é muito maior, o que reduz o custo das organizações, pois se produz com menos margem de erro.

A descentralização do poder é possível, pois há ferramentas para promover a descentralização econômica, já que se quer ouvir mais e mais o usuário, precisando para isso ajustar as organizações em modelos completamente novos, via Governança 3.0, com Plataformas Digitais Participativas (exemplo: Mercado Livre, AirBnb, Estante Virtual, entre outros.)

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Hayek e Mises ficariam malucos com o potencial das Plataformas Digitais Colaborativas em empoderar o consumidor e aumentar, em muito, o espaço da livre concorrência. O surto liberal não será criado, mas oferecerá caminhos políticos para que isso se expanda, fortemente puxado pelas neo-organizações digitais.

É isso, que dizes?

Lendo “Os Caminhos da Servidão” de Hayek, achei esta frase:

“Fomos os primeiros a afirmar que quanto mais complexa se
torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade
do indivíduo” – Benito Mussolini.

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Penso justamente o contrário, mas tem lógica o que ele diz.

  • Quando se aumenta a população, se aumenta a complexidade;
  • Quando se aumenta a complexidade, exige-se mais produção;
  • Mais produção, nos leva à massificação;
  • E desta à concentração.

Ou seja, perguntaria você: o mundo vai virar uma ditadura com 7 bilhões?

E Mussolini está certo?

Não, a nossa salvação é sempre tecnológica.

Criamos novas tecnologias para superar barreiras ecológicas.

  • Assim, o século XX foi marcado pela explosão demográfica e a concentração de mídia.
  • O século XXI será marcado pela continuidade da explosão demográfica, mas a descentralização de mídia.

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  • Quando temos aumento da demografia e concentração de mídia, o movimento de defesa das pontas, o individualismo, onde se situa o liberalismo, tenderá a perder espaço na sociedade. Nestes momento, teremos o aumento do coletivismo.

E vice-versa.

  • Quando temos aumento da demografia e descentralização de mídia, o movimento de defesa das pontas, o individualismo, onde se situa o liberalismo, tenderá a ganhar espaço na sociedade.

O problema, nos dois casos, é produtivo.

O setor produtivo com o aumento radical da demanda vai tirar poder da sociedade, diversidade, pela incapacidade completa de poder lidar com ela. Isso nos leva à concentração econômica e política.

Porém, isso vai gerando uma latência, pois a baixa competitividade e os monopólios que serão criados nos leva a crises sistemáticas de insatisfação, pois há uma vertiginosa queda da qualidade de consumo: os custos sobem e os benefícios caem.

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Essa latência gera uma demanda pela inovação, para superar as barreiras impostas.

A inovação que altera completamente a macro-conjutura se dá nas Tecnologias Cognitivas que nos leva a saída do impasse.

Passamos a poder, com novas mídias descentralizadoras, a ter mais poder na ponta, com novos meios de consulta (sejam voluntários ou involuntários) o que permite desafogar o sistema, criando um novo ciclo descentralizador.

Portanto, liberal e voltado para o indivíduo.

Já disse e vou repetir.

Os movimentos liberais ganham mais ou menos adesão na sociedade, em termos macros (não em situações específicas de um país ou região) quando há descentralização de mídia.

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Nestes momentos o ciclo liberal se torna ou se tornará emergente e passará a hegemônico nos países com o setor produtivo mais sofisticado. O liberalismo não cria o movimento de descentralização, isso é feito pela relação da espécie com as novas ferramentas cognitivas disponíveis, ele o interpreta e o torna possível.

Falarei mais disso adiante.

É isso, que dizes?

 

 

As manifestações anti-Dilma tem convocações digitais, mas decisões do que fazer analógicas. 

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As recentes manifestações de massa foram convocadas pelas redes sociais.

E logo apareceram grupos que passaram a comandar a massa.

É o nosso modelo de representação híbrido.

Há muita gente que quer ir para as ruas e conseguimos ir além dos modelos tradicionais, através de partidos e sindicatos.

Houve uma reintermediação.

Mas é preciso perceber que essa reintermediação é da mesma Governança.

Ou seja, os novos movimentos Brasil Livre, Vem para a Rua são os novos partidos e sindicatos e já começam a querer falar pela massa sem que tenham sido eleitos ou escolhidos para isso.

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Há uma oxigenação?

Sem dúvida, mas é importante notar que a Governança é a mesma.

Não é um problema das pessoas que lideram esse movimento, que são bem legais, inclusive. O problema é tecnológico.

Faltam ferramentas para a colaboração de massa.

Exemplo?

A manifestação do Rio, no último dia 12/04, tinha uma divergência de hora e local. E também de eixos.

O problema é que os movimentos não têm ferramentas para consulta de massa.

Um grupo marcou para as 11 e outro para as 14 horas.

Faltou uma enquete digital para decidir.

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Já conseguimos ir juntos, mesmo com estes pequenos problemas, para o mesmo lugar, mas não estamos conseguindo decidir juntos o que queremos fazer depois. Isso exige Plataformas Digitais Participativas, que consigam, através de algoritmos construir um debate com milhões de pessoas.

Como funcionaria?

Na questão de datas e o que fazer depois?

Um período será aberto para sugestões, que viram opções de voto.

Debates ocorrem para defesa das ideias, comentários mais interessantes sobem, pessoas que dizem algo, sobem, para facilitar as decisões.

Marca-se o dia e se decide.

Há aferições, por exemplo, de compromisso com a causa, por exemplo, com logins via Facebook ou Twitter, que alguém suspeito pode ser checados se está vandalizando o debate.

Isso vai sendo amadurecido e vai se chegando a conclusões massivas sobre o que fazer, como, de que forma.

Com isso, sairíamos da Governança Analógica para uma Digital, em que algoritmos iriam mediar os debates massivos e teríamos, então, decisões mais coletivas do que temos agora.

Evitando ter novos representantes, com velhos modelos.

Assim, o nosso problema atual é tecnológico.

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É isso, que dizes?

Muita gente acha que diálogo nasce em árvore.

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É algo natural no ser humano.

Falso.

O ser humano, acredito eu, quer impor aos outros a sua cosmovisão.

  • Não quer ouvir, quer falar.
  • Não quer aprender, mas ensinar.
  • Não quer debater, mas convencer.

Um diálogo precisa ser construído. Ele raramente nasce de forma espontânea. Precisa de condições, de metodologias, pois é contra-intuitivo na espécie, apesar do senso comum achar o contrário.

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Muita gente diz que bate papo é igual a diálogo.

Falso.

Sim, bate papo é algo que trocamos amenidades sobre coisa banais. Um diálogo visa basicamente uma troca de ideias em torno de um dado problema.

Sim, vou fechar dessa maneira.

Só há a possibilidade de haver diálogo se todos que estão presente naquele ambiente quiserem resolver um dado problema.

E mais.

As pessoas devem estar abertas, sinceramente abertas, para as respostas coletivas que vão surgir. Quem entra com a solução para o dado problema não quer debater, mas apenas convencer.

Não ouvirá as pessoas.

Assim, não há diálogo quando:

  • – não há um problema;
  • – alguém ou “alguéns”  não estão dispostos a resolvê-lo;
  • – todos não estão abertos para procurar a melhor solução para o mesmo, a partir do amadurecimento coletivo de uma dada lógica.

Assim, o espaço do diálogo é tarefa de um “especialista de diálogo” que vai promover a criação do espaço e vai tentar procurar que ele ocorra, a partir de uma dada regra.

Sim, pode haver vários especialistas, ser algo descentralizado, mas as pessoas precisam criar este espaço, que considero um espaço “sagrado”.

Há algo de divino, não religioso, mas um espaço que vai ser além de cada um, num propósito maior que cada indivíduo.

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Num espaço de diálogo é preciso esforço para a compreensão da lógica de cada um.

O que se fará é:

  • – sair de uma lógica “a”, que leva a solução do problema “b”;
  • – para amadurecer uma lógica “c”, que leva a solução do problema “d”.

É importante, portanto, ouvir a lógica de cada um e de todos e procurar:

  • – falta de clareza na exposição;
  • – falta de coerência entre as partes;
  • – falta de argumentação.Além disso, é preciso rejeitar fortemente:
  • – qualquer coisa que fuja da análise da mensagem e passe a qualquer mensageiro (tal como o uso de adjetivos: antiquado, reacionário, obtuso, etc);
  • – ou qualquer figura de linguagem que leva na mesma direção, como ironia ou sarcasmo, que é uma fuga do debate lógico do problema.

Muitas vezes, principalmente, no campo político e econômico, há cosmovisões bem demarcadas.

E aí podemos ter diálogos entre cosmovisões similares, que podem aprimorar visões e saídas para problemas.

Conversas com cosmovisões opostas, não são diálogos, caem na linha do debate ou do embate.

Diálogos visam que pessoas atuem na mesma direção, ou mesmo produzam visões distintas e grupos que vão caminha de forma diferente, detalhando possíveis divergências.

Um diálogo, assim, não necessariamente visa o consenso, mas o esclarecimento melhor do que é é dissenso.

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Um debate ou embate não levará as pessoas que agirem conjuntamente, pode servir para amadurecer posições e conhecer a da cosmovisão distinta, mas servirá de espaço para quem assiste amadurecer posições.

Dialogar, portanto, dá trabalho e exige dedicação.

Por isso, que espaços como bar, Facebook, rodas de amigos, etc são para o fundamental e importante bate papo. E espaços de diálogos são construídos, formalmente, para resolver problemas e precisam de metodologias para que ocorram.

É isso, que dizes?

Vamos aos fatos.

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No livro, “Mídias sociais na Organização”, da M.Books, Anthony Bradley e Mark McDonald apresentam uma pesquisa que diz o seguinte:

Das 400 empresas entrevistadas nos Estados Unidos, que tiveram algum tipo de projeto com vistas à colaboração de massa pelos seus empregados, 10% obtiveram sucesso (teríamos que ver o que chamam sucesso), 70% é um fracasso absoluto e 20% há participação, mas não oferece valor real à organização (pg 45).

Os autores acreditam que é um problema metodológico.

Eu concordo, mas acredito que é TAMBÉM metodológico, mas, antes de tudo, é um problema filosófico, teórico, que exige uma nova metodologia.

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  • Vivemos, com a Revolução Cognitiva, algo inusitado.
  • O que podemos chamar de um movimento de Governança Disruptiva.
  • O que seria isso?

Eras Cognitivas definem modelos de Governança da Espécie.

Tivemos, grosso modo, três Governanças até aqui, relacionadas com o tamanho populacional.

  • Governança 1.0 – Até 1 bilhão de habitantes – Governança Oral;
  • Governança 2.0 – Depois de 1 bilhão até 7 bilhões – Governança Oral-Escrita;
  • Governança 3.0 – Depois de 7 bilhões – Governança Digital.

Por que isso?

O ser humano é a única Tecno-espécie do planeta, que vive em uma tecno-cultura, dentro de uma tecno-ecologia, diferente dos outros animais que vivem na ecologia.

Os outros animais são escravos de seu modelo de comunicação e governança e, por isso, não conseguem expandir a quantidade de indivíduos das suas sociedades.

Há uma relação, assim, entre demografia-comunicação-governança.

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O ser humano, entretanto, é a única Tecno-espécie e, por isso, pode aumentar seu número de membros, pois tem uma Tecno-comunicação e uma Tecno-Governança.

Quando crescemos demograficamente, temos necessariamente que criar modelos mais sofisticados da Tecno-governança e da Tecno-comunicação.

Revoluções Cognitivas, assim, são provocadas pelo aumento demográfico, que nos faz começar a experimentar um novo modelo de Governança da Espécie, mais sofisticado, que significa redução de custo e aumento de benefício na solução de problemas.

Podemos ainda dizer que há modelos de comunicação-governança para cada tamanho de espécie e o ser humano, de certa forma, se modela com estes.

  • Sonoras – espécies de baixa demografia – usam mais sons e pouco cheiro;
  • Sonoras e olfativas – espécie de média ou alta demografia – usam cheiros e sons, conforme cada grupo;
  • Olfativas – espécies de altíssima demografia – usam quase só cheiros.

Nossa caminhada nos levou a passar pelos três ambientes e hoje estamos começando a experimentar, devido ao tamanho da espécie, um modelo das espécies olfativas.

Ao simular grandes Plataformas Digitais Colaborativas estamos criando rastros, que não podem ser “cheirados”, mas podem servir de guia para a tomada de decisões, muito similar às formigas.

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Todos os novos negócios que estão gerando valor, de alguma forma, passam justamente pela passagem do mundo Oral-Escrito (sonoro) para o mundo Olfativo (dos rastros). Mercado Livre, Google, Facebook, Twitter, Estante Virtual, Taxibeat, AirBnb têm em comum essa mudança da forma de se resolver problemas.

Há uma reintemediação.

  • Uma espécie sonora tem um papel de líder para guiar a espécie.
  • Uma espécie olfativa tem outra.

As decisões serão tomadas de outra maneira.

  • As organizações hoje são estruturadas na antiga Governança que é tecno-culturalmente diferente da nova.
  • Não é pior e nem melhor, apenas foi estruturada para uma espécie que tinha um determinado tamanho.
  • O crescimento nos obriga, por sermos uma Tecno-espécie, a sofisticar.

Como proceder a passagem?

1) ter consciência do cenário;
2) colocar a migração para a Governança Digital como o principal projeto estratégico;
3) criar zonas de migração, com recursos e poder para experimentar a nova tecno-cultura, deixando, aos poucos, o antigo modelo para trás.

O problema é que estamos tão intoxicados do atual modelo, com tanta gente acostumada com ele, já que têm no alguns século, que ficamos tentando ver como ele continua vivo.

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O resultado não é que as organizações vão acabar do dia para noite, isso é algo mais raro, mas elas vão perdendo valor gradativamente para concorrentes inusitados e quando se derem conta serão compradas a preço de banana por quem conseguiu intuir e liderar a implantação da nova Governança na sociedade.

Simples assim, complexo assim.

Que dizes?

 

 

Não estamos construindo uma sociedade melhor ou pior, mas, de forma natural, estamos indo em direção a um mundo mais compatível com a demografia que criamos.

Defendi aqui a ideia de que novas tecnologias alteram a nossa tecno-cultura.

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Dito isso, vou defender a ideia de que não existe nada mais radical para a nossa tecno-cultura do que a chegada de novas Tecnologias Cognitivas Reintermediadoras.

(Reintermediadoras, pois abandonam antigos intermediadores e criam novos mais sofisticados, do ponto de vista do gerenciamento do número de membros.)

Por quê?

Os limites tecno-culturais podem ser dividido em dois:

  • – limites tecno-culturais físicos;
  • – limites tecno-culturais cognitivos.

Vejamos:

  • Um trem mais rápido supera nossos limites físicos de deslocamento, abrindo portas para um conjunto de mudanças de mobilidade.
  • A Internet supera nossos limites cognitivos de pensar, aprender, nos relacionar. No fundo, uma expansão tecno-cognitiva amplia os limites do nosso cérebro.

E é o cérebro o epicentro da espécie e produtor de toda a cultura, incluindo tecnologias.

Assim, antes de tudo, novas Tecnologias Cognitivas Reintermediadoras expandem, antes de qualquer coisa, a capacidade cerebral do ser humano, que passa a ser uma espécie mais sofisticada em termos de potencial.

(Além de mudar a plástica cerebral sem pedir licença para a espécie, conforme já defendia McLuhan, no século passado, com a sua famosa frase: “O meio é a mensagem”.)

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Passa a poder fazer cognitivamente coisas que não podia fazer.

Nestes momentos nossa espécie altera seu status: saímos do Homo Sapiens 2.0, baseado na escrita, que superou o 1.0, Oral, para um Homo Sapiens 3.0, digital.

Muitos avaliam essa evolução como uma questão moral.

Éramos melhores antes, não evoluímos, pioramos, etc.

Falsas questões.

Toda espécie animal, não esqueçam que somos uma, tem apenas um problema fundamental e vários secundários: sobreviver, com quanto mais qualidade, melhor.

E o grande problema da sobrevivência sempre estará ligado à demografia. Dez leões comem uma zebra, 20 comem duas e assim por diante.

Quanto mais leões, mais zebras precisam aparecer no supermercado!

Assim, cada espécie terá um modelo de governança-comunicação compatível com o tamanho dos membros.

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A tecno-espécie humana, a única tecno do planeta, não tem estes limites.

  • Diferente dos outros animais, nossos modelos de governança-comunicação não é fixo.
  • Os outros animais são escravos da sua genética, pois eles vivem na ecologia.
  • Nós, como somos, uma tecno-espécie, criamos uma tecno-governança e uma tecno-comunicação, que nos define como espécie, vivendo em uma tecno-ecologia.

Ao inventarmos e termos massificado a escrita, o Homo Sapiens 2.0, conseguiu criar uma sociedade de 7 bilhões de habitantes, que chegou ao seu limite de melhoria de qualidade.

  • O Homo Sapiens 2.0 era um parente mais próximo dos mamíferos, com seus líderes alfas e manadas;
  • O Homo Sapiens 3.0 será um parente mais próximo dos insetos, com o modelo de rastros organizativos (algoritmos e participação), mais próximo dos formigueiros.

O salto em direção ao Digital é a tentativa da criação de um novo patamar de governança, que possa abrigar, de forma mais adequada, 7 bilhões de pessoas, em direção a previsão de 9 bilhões, em 2050. Precisamos criar uma tecno-sociedade compatível com o novo patamar demográfico que criamos. Nem pior e nem melhor, apenas mais adequada. 

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Implantar o Digital é entrar em um macro-movimento em direção a:

  • – compreensão, aceitação, adequação e convívio com os novos Homo Sapiens 3.0,  já em mutação, gerações que estão vindo;
  • – a implantação de novos modelos de governança, que incorporem a Participação de Massa, via algoritmos.

 

É isso, que dizes?

 

 

O que posso dizer é que somos uma espécie que decidiu ser tecno para ser espécie.

Quando se fala na influência cultural da Internet no mundo, lá vem uma galera defender a ideia da tecnologia neutra.

“O ser humano faz da tecnologia o que ele quiser”.

Sim, individualmente, em alguns casos.

Mas não coletivamente.

Seria falso também dizer que a tecnologia não é neutra, a tecnologia em si, como objeto. O que temos que entender que a tecnologia não é externa ao ser humano, mas é parte integrante da nossa cultura. Vivemos uma tecno-cultura em uma tecno-ecologia.

O que posso dizer é que somos uma espécie que decidiu ser tecno para ser espécie.

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O que nos leva a nos ver como uma tecno-espécie.

Outros animais têm limites ecológicos e nós temos limites tecno-ecológicos.

Quando inventamos uma tecnologia, na verdade, estamos superando uma barreira tecno-ecológica, pois o que o ser humano NÃO podia fazer antes, ele passa a poder fazer.

Nossa cultura expande seus limites, alterando a conjuntura cultural, pois ela pode viver além do que podia antes.

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Nossa cultura, assim, não é uma cultura, mas uma tecno-cultura, que vive em um ambiente tecno-ecológico, com barreiras que nos fazem estabelecer relações entre nós, a partir da quebra sistemáticas destes limites.

  • Um rio que divide duas cidades é uma barreira ecológica;
  • Uma ponte que é construída quebra essa barreira e muda a cultura das duas cidades.

Assim, a tecnologia exerce um papel importante como agente modificador da cultura. Não pela tecnologia em si, mas pela expansão das possibilidades humanas, depois que as tecnologias são introduzidas e, principalmente, quando massificadas.

Quem percebe as novas possibilidades, os inovadores de todos os tipos (econômicos, políticos, sociais, religiosos) se aproveitam da nova brecha para introduzir novos hábitos na sociedade.

Quem promove a mudança, portanto, são pessoas de carne e osso e não as tecnologias, mas elas só poderão propor e obter os resultados propostos POR CAUSA DAS NOVAS TECNOLOGIAS, que são viabilizadoras das mudanças, antes impossíveis.

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O conceito da tecno-espécie é chave para compreensão do século XXI.

  • Muitos dirão que, agora então, somos tecnos.
  • Não, sempre fomos tecnos, mas agora essa percepção está mais evidente;
  • E passou a ser fundamental para os estrategistas que querem entender o novo século.

E não existe nada mais alterador da cultura do que a chegada de Tecnologias Cognitivas Reintermediadoras, que abrem uma nova etapa civilizacional.

Falarei disso mais adiante.

É isso, que dizes?

Dizem que toda pessoa mais equilibrada começa a vida sendo marxista e com mais idade vira liberal. Foi o meu caso, vou explicar por que.

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A brincadeira faz sentido, pois o marxismo de fato trabalha com os fatos mais evidentes das injustiças sociais e com o questionamento da exploração do homem pelo homem, que fazem parte da espécie e sempre fizeram. Isso se junta com o espírito rebelde dos jovens e temos, então, uma adesão quase natural a um sistema que promete, aparentemente, um mundo melhor.

O problema, já agora depois da minha fase marxismo detox, que durou uns bons 20 anos, percebe-se que o problema principal da espécie não é nem a exploração e nem as injustiças sociais.

O principal problema da espécie, como o de todos os outros animais, é sobreviver, se possível, com cada vez mais qualidade. E isso implica, em termos econômicos, que se tenha o melhor sistema econômico possível para que se possa alimentar um mundo cada vez mais povoado (saltamos, graças ao liberalismo, de 1 para 7 bilhões de habitantes no planeta).

O grande problema do pensamento marxista, onde se inclui anarquistas, é querer impor à vida aquilo que ela não consegue ser.

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Ou seja, as injustiças e as diferenças sociais fazem parte de um jogo maior que é a luta da espécie para sobreviver. Todas as tentativas que foram feitas, já ocorreram muitas, de tentar um sistema econômico com foco principal no combate à injustiça e igualdade falharam, pois esbarram na incapacidade de ver a equação completa.

O que seria a equação completa?

Qual o melhor sistema político e econômico que pode garantir a melhoria contínua da sobrevivência da espécie com melhores taxas possíveis de redução de desigualdades e injustiças, sem que para isso se jogue fora a liberdade do indivíduo?

O ser humano não é aquilo que queremos que ele seja, ele responde ao que é e a história já demonstra o que é possível fazer.

O liberalismo parte, assim, diferente do marxismo, de uma aceitação de algumas regras da vida e a aceitação de algumas premissas históricas que são contra-intuitivas para um jovem, de que a melhor sociedade é aquela que a produção esteja garantida e a sobrevivência possa ter melhorias contínuas de qualidade.

Considera, assim, a questão da igualdade e das injustiças não a prioridade principal, mas a questão da sobrevivência e da liberdade, tendo a desigualdade e as injustiças como fazendo parte do pacote e não o pacote de forma isolada.

Muitos dirão que o liberalismo defendem as empresas e não a sobrevivência das pessoas.

  • E aí temos que compreender as bases do liberalismo.
  • Os contextos do pensamento liberais na história.
  • E as variações deste nas diferentes Eras Cognitivas.

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O liberalismo de raiz, clássico, é aquele que luta sempre em defesa do consumidor, da espécie, criando um sistema econômico de livre mercado, no qual a base principal deve ser a livre entrada de concorrentes para que produtos e serviços sejam cada vez melhores e mais baratos para os cidadãos.

O foco, assim, é:

  • – não partir do que o ser humano deve ser, mas do que ele já mostrou o que provavelmente é;
  • – criar um sistema econômico para este ser humano mais viável para que haja uma melhoria contínua na qualidade de sobrevivência;
  • – e que com a competição haja uma melhoria de qualidade, reduzindo, o que for possível, as injustiças e as desigualdades, sem perder o foco na produtividade e principalmente da liberdade.

Digo que o liberalismo é contra-indutivo, pois um jovem que adere aos modelos marxistas e anarquistas não consegue enxergar a invisibilidade da produção. Acreditam que os produtos e serviços continuarão existindo e, ao mesmo tempo, teremos menos injustiça e mais igualdade.

Tira-se, assim, um fator importante da equação da espécie.

O que ocorre é que, em nome de um mundo melhor, caminha-se para um mundo inviável, pois os problemas que já haviam sido superados, voltam, tal como o desabastecimento, o aumento dos custos dos produtos e serviços e, pior, a perda da liberdade.

Um centro se fortalece e começamos um ciclo totalitário.

Uma das grandes vantagens do pensamento liberal é desconfiar do poder dos centros, evitando, assim, que ditaduras ocorram.

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O que acontece geralmente – e isso a história mostra – que com uma intuição não problematizada e as as melhores das intenções, joga-se a água fora com o bebê dentro. E quando se vê, perdeu-se tudo: a liberdade, a capacidade de vencer injustiças e desigualdades e uma sobrevivência com cada vez melhor qualidade.

É isso, que dizes?

 

No meu livro de 2013, Gestão 3.0, defendi um novo modelo de aprovação de textos, dentro de Plataformas Digitais Participativas, criando um novo ambiente de produção acadêmica, mais voltado para a sociedade.

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Hoje, quero questionar não mais, apenas, a forma como os textos são aprovados e publicados, mas a forma, o critério que adotamos para considerar um texto científico.

Um texto científico é considerado científico, se:

  • – faz referências a autores do passado;
  • – coloca citações;
  • – apresenta bibliografias.

Nada contra esse método, pois chegamos até aqui por causa dele.

O problema é que isso virou uma ditadura da forma.

Ou se faz desse jeito, ou não se considera um texto científico.

E tenho percebido que se eu tivesse adotado essas premissas não teria chegado onde cheguei no meu trabalho, que considero científico, pois tem um método para se chegar a uma eficácia maior diante da vida.

Acredito que temos que trabalhar com dois modelos de textos científicos:

  • os incrementais – que o modelo tradicional é adequado, sem restrições;
  • – e os disruptivos – onde ele não serve.

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Vivemos hoje uma guinada civilizacional, uma espécie de iluminismo digital, ou renascença digital, ou se quiserem um Iluminismo 3.0, no qual tivemos os Gregos, liderando o 1.0 e os iluministas europeus, criando o 2.0.

Todos movidos a novas novas Tecnologias Cognitivas Descentralizadoras (Gregos-alfabeto/escrita), Europeus (Papel Impresso) e os atuais (Internet/Digital).

O problema é que hoje a academia precisa ter muito mais insights do que tem hoje, pois vivemos um momento de quebra de paradigmas e não de continuidade.

É preciso estimular pensadores a partirem do zero em várias áreas para recomeçar do zero, muitas vezes, para que aqueles pensamentos soltos, ou insights, possam vir a ser, depois, complementados pelo método tradicional.

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O problema é que pela atual ditadura da forma hoje, esse tipo de texto solto, como um blog desse tipo, não é considerado científico e, portanto, não tem validade para sua produção acadêmica, colocando toda a produção amarrada no incremental, num mundo cada vez maios disruptivo.

É isso, que dizes?

O ego medroso

Gosto da metáfora de um peixe no aquário, que não consegue ver a água como algo parecido com o humano diante da cultura.

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A água para o peixe é invisível.

Nosso cérebro “ganha salário” para tornar o que é conhecido, natural e intuitivo.

O cérebro se preocupa com o que é novo e não com o que é conhecido, pois o novo precisa ser analisados se é uma ameaça ou não para a sobrevivência de cada pessoa.

Assim, o cérebro vai tornando natural o mundo conhecido, as ideias conhecidas, vai naturalizando a água, nos tornando insensíveis para um conjunto de fatos que ocorrem, pois eles passam a ser invisíveis.

Somos peixes que nos habituamos a não ver a água.

A grande dificuldade da inovação, de novas filosofias, teorias é justamente quando fatos vão ocorrendo no mundo e que não temos explicações convincentes para eles.

Olhamos com estranhamento e não conseguimos compreendê-los, pois o nosso cérebro resiste a rever aquilo que já foi analisado e tornado invisível.

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Por isso, que os estudiosos das mudanças dizem que é preciso algumas gerações para que algumas ideias se tornem hegemônicas. Ou seja, é preciso, como os judeus, passar 40 anos no deserto, matar uma geração inteira para que a nova consiga ver a terra prometida de uma nova maneira.

Assim, todas as novas teorias podem ser consideradas contra-intuitivas, pois nos obrigam a rever o que o cérebro já tornou invisível.

Uma nova geração, que não está intoxicada com aquela invisibilidade, já vem e olha para aquilo como algo mais natural, não precisando fazer o processo de tornar visível algo que era invisível.

Por isso, faço um esforço em sala para separar a percepção da realidade.

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A realidade seria algo que está fora de nós, o que chamo de vida e a nossa percepção é a capacidade que vamos desenvolvendo de olhar para a água, tornando-a mais turva.

Perceber é a capacidade que temos de olhar para o funcionamento do nosso próprio cérebro e educá-lo para não ter receio de olhar para aquilo que ele tornou invisível.

O problema que enfrento com meus alunos é que nosso ego, que tem um papel de instinto de sobrevivência, se cola com a vida, com a realidade.

Estamos vivendo uma fase de ego medroso.

E qualquer mudança que é trazida para a percepção é vista como uma ameça pelo ego, que está expandido.

O ego ocupou o espaço que era da percepção.

Assim temos uma percepção com uma taxa de ego muito acima do que deveria ser o razoável. Fomos educados para viver em um mundo estável e não em um mundo instável.

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O ego tomou conta da percepção.

Não existe mais uma separação entre ego – percepção – vida.

Ego-vida se fundiram no mesmo espaço, o cérebro perdeu completamente a capacidade de ver a água.

E isso nos leva ao dogmatismo e a incapacidade de rever aquilo que o cérebro tornou invisível.

Há uma profunda intoxicação do ego na nossa percepção, o que nos impede de rever antigos pensamento, pois o cérebro passa a perceber qualquer mudança como uma ameaça.

Há taxas disso de pessoa para pessoa.

E há momentos históricos em que essa fusão do ego-vida é maior ou menor, conforme a fase de uma Era Cognitiva.

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  • Quando estamos no início de Eras Cognitivas com novas mídias descentralizadoras, começamos um processo de separação e vice-versa.
  • Quando estamos no final, há um processo de fusão.
  • Hoje, vivemos este momento de fusão.

Nós somos peixes habituados a um aquário sem água e, portanto, sem percepção própria, pois saímos de um mundo em que as bases principais da sociedade eram mais sólidas e hoje elas são mais líquidas.

Estamos com uma incapacidade de criar novas teorias, pois elas são contra-intuitivas, são vistas pelo nosso cérebro, o gestor do nosso ego, como ameaças.

Precisamos criar métodos para tornar nossos egos mais corajosos.

É isso, que dizes?

 

Muitos dizem que o futuro é incerto.

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Mais ele pode ser mais ou menos incerto.

Vivemos um momento complexo e as organizações tradicionais estão cometendo alguns equívocos diante do futuro, que tem ficado mais incerto do que deveria ou se gostaria. Depois de 20 anos vivendo de estratégia digital, com mais de 450 projetos executados, cheguei a uma conclusão simples: nosso modelo de estratégia para o atual cenário está equivocado.

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Podemos dizer, assim, que temos duas opções estratégicas:

  • a Estratégia Indutiva – é aquela que partimos dos dados do mercado para construir um cenário;
  • a Estratégia Dedutiva – é aquela que construímos um cenário para depois recolocar os dados nele.

Podem me perguntar.

Qual é a melhor? Você é contra a Estratégia Indutiva? Por quê a Dedutiva?

Por partes.

Não existe um remédio melhor, pois cada doença pede um tratamento.

  • – um xarope é bom para uma dor de garganta;
  • – assim como um anti-biótico é bom para uma pneumonia.

Ninguém pode ser anti-xarope ou anti-antibiótico, se não forem colocados diante do problema a ser debelado.

Estratégia, como medicamentos, são adequados, dependendo do contexto.

  • Quando temos um cenário estável em que os modelos de negócios mudam pouco, sem dúvida, a Estratégia Indutiva tem o melhor custo/benefício, pois o cenário é conhecido. Quanto mais dados tivermos, melhor será o resultado, pois os paradigmas principais não mudaram tanto.
  • Quando temos um cenário instável em que os modelos de negócios mudam muito diante da lógica tradicional, sem dúvida, a Estratégia Dedutiva tem o melhor custo/benefício, pois o cenário passa a ser desconhecido. Quanto mais compreendermos o novo cenário, mais fácil será reordenar os dados, pois os paradigmas principais mudaram bastante e precisam ser repensados.

Sem dúvida, depois da chegada da Internet, há turbulências evidentes nos modelos de negócio, tal como ocorreu na mídia, na indústria da música, no turismo, no setor de software, das telecomunicações, dos hotéis, nas cidades, na forma de consumir, aprender, se relacionar, interagir.

Os jovens de hoje já não se comportam como nós e algo muito profundo está acontecendo com a própria espécie humana. Não existe organizações que vendam produtos para marcianos, por enquanto. Saber o que está acontecendo com a nossa espécie, com mais consistência, é algo fundamental para quem quer estar com a sua organização competitiva mais adiante.

 

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Percebe-se mudanças não tradicionais, que pedem mais aprofundamento e, por causa disso, o melhor remédio neste contexto é adotar como ferramenta de análise a Estratégia Dedutiva.

A Estratégia Dedutiva refaz, antes de ir aos dados, os paradigmas, procura compreender as causas das respectivas mudanças, procurando na história, quebrando antigas certezas para, só então, voltar ao mercado para reanalisar os dados.

É uma espécie de desintoxicação de paradigmas para se olhar de novo o cenário. Como diz um pensador brasileiro, Gil Giardelli, não podemos querer andar por novos caminhos com velhos mapas.

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Nos projetos que tenho desenvolvido usando a Estratégia Dedutiva, chegamos por exemplo a algumas conclusões que soam completamente insólitas para um estrategista tradicional:

  • – Não é a primeira vez que uma Internet surge no mundo, é um fenômeno chamado “Revolução Cognitiva”, que tem o poder de mudar profundamente as organizações sociais;
  • – Que estamos diante de uma mudança da Governança da Espécie (um conceito novo) na qual iremos adotar um modelo de comunicação matemática, baseado em algoritmos, na qual poderemos dialogar com milhares de pessoas ao mesmo tempo para tomada de decisões mais precisas em termos de serviços e produtos;
  • – Que os modelos de governança das atuais organizações estão decadentes, perdendo valor a cada dia, diante das novas e que alguns negócios simplesmente deixarão de existir, ou serão comprados a preço de banana pelos novos players, como já estão sendo.

Aparentemente, tudo isso vai parecer algo absurdo e sem lógica, pois foge do que estamos acostumados a pensar ao longo dos últimos 200 anos, quando inventamos as empresas como as conhecemos hoje.

Mas nossas empresas são filhas da Revolução Cognitiva do Papel Impresso, que se iniciou em 1450 e que agora fecham um ciclo, se abrindo outro.

São conclusões que só uma Estratégia Dedutiva pode oferecer para uma organização que quer enfrentar esse desafio.

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Ou seja.

Organizações que querem estar ou mesmo liderar o futuro precisam ter novas ferramentas para traçar seu destino e isso começa por conhecer e adotar a Estratégia Dedutiva como seu primeiro passo.

Quem tiver a melhor Estratégia Dedutiva, ou as melhores teorias sobre o que está acontecendo, estará na frente dos demais.

É isso, que dizes?

Estive ontem na palestra de Helio Beltrão sobre Mises e Intervencionismo, atividade do Partido Novo, no Rio, de ontem:

Uma pergunta da platéia me chamou a atenção (está mais para o final do áudio).

“Se o liberalismo é tão bom, por que entrou em crise? E por que países como os Estados Unidos reduziram o seu viés liberal?”.

Intervi rapidamente depois da resposta de Beltrão.

E acho que não vamos conseguir entender a crise do liberalismo se não percebermos que o liberamos não cria o movimento de descentralização, ele ajuda, interpreta, sugere, mas os movimentos de centralização e descentralização estão acima da sociedade.

São macro-movimentos de flutuação que têm dois fatores percebidos, até o momento: Complexidade Demográfica e Revoluções Cognitivas.

O liberalismo entrou em crise, por que a sociedade TEVE NECESSIDADE de centralizar o poder por uma incapacidade tecnológica.

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Digo mais.

O liberalismo vive um paradoxo, que é:

  • é o viabilizador intelectual e político uma sociedade mais sofisticada, que permite que possamos crescer em termos de tamanho;
  • Mas é justamente esse crescimento populacional que força a centralização e reduz o espaço do liberalismo no mundo.

Ou seja, quanto mais o liberalismo for eficiente, mais ele tenderá a reduzir seu espaço no mundo, até que surja uma nova Tecnologia Cognitiva Descentralizadora que lhe permita retornar o movimento de descentralização.

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As bases, entretanto, da sofisticação que foi criada serão suficientemente consistentes para passar por todas as intempéries e permitirá que um novo ciclo liberal retome do ponto de onde parou.

O que estou dizendo é que quando consolidamos o modelo liberal no seguinte tripé, pós Idade Média:

  • – Sai feudalismo, entra capitalismo;
  • – Sai monarquia, entra república;
  • – Sai religião, entra ciência.

Criou-se as bases, a partir de 1800, para que se criasse o pico demográfico que veio a seguir, que consegui se manter e se sustentar, com todos os problemas, pelas bases liberais criadas.

Vejam o gráfico:

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Coincidência?

Vejam o Brasil depois da República, em 1889:

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Coincidência?

Vejam a China depois da opção pelo capitalismo, em 1970:

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Ou seja, o liberalismo deixou de ser progressista e passou a ser conservador, pois foi “esgarçado”. Suas bases foram testadas até o limite, pois foram concebidas para um mundo de 1 bilhão de pessoas (1800) e fora funcionais até o momento, que já batemos os 7 bilhões.

O grande mérito dos liberais foi ter conseguido colocar 6 bilhões de novas pessoas no mundo, com uma certa liberdade, com uma qualidade e expectativa de vida bem melhor do que o de 1800, mas os limites chegaram.

É quando surge uma Revolução Cognitiva, que vem chamar de novos os liberais para recriar o novo mundo, diante dos novos desafios demográficos.

O Liberalismo 3.0, como foram os Liberalismo 1.0 (Grécia) e 2.0 (Europa) vêm montada em uma mídia descentralizadora, que permitirá novos modelos de inovação, que será a ponte para o novo século.

É isso, que dizes?

 

Muita gente acha que o liberalismo foi criado, mas, na minha avaliação, ele foi interpretado. Coloco a figura abaixo para provocar, diria que ele foi quase psicografado pelas tecnologias (para deixar muita gente nervosa e provocar).

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A espécie humana vive movimentos que chamei de Pêndulos Cognitivos, que nos levam à concentração e descentralização de poder, em função das Tecnologias Cognitivas disponíveis.

  • Quando temos uma Revolução Cognitiva há um movimento natural de empoderamento de mídia pela sociedade, o que nos leva a ter facilidade da criação de movimentos de descentralização de poder e vice-versa.
  • Quando temos uma Evolução Cognitiva, com mídias centralizadoras, há um movimento natural de desempoderamento de mídia pela sociedade, o que nos leva a ter facilidade da criação de movimentos de centralização de poder e vice-versa.

Muitos dirão que isso é um despropósito, pois acreditam na neutralidade tecnológica e vão me chamar de determinista tecnológico. O grande salto para compreender o século XXI, entretanto, é justamente refazer essa visão filosófica ineficaz do humano.

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Somos uma tecno-espécie, conforme bem percebeu McLuhan, que é fortemente influenciada por mudanças de mídia.

Ele diz:

O meio é a mensagem.

A televisão muda a sua cabeça, independente o canal que você assiste!

Ou seja, a tecnologia é o nosso DNA.

Mudam as tecnologias, principalmente as cognitivas, se alteram as formas de como interagimos, aprendemos, consumimos, pensamos, atuamos, nos mobilizamos, nos representamos e, portanto, muda a sociedade, pois a interação é a base da espécie.

Diferente de outros animais, o ser humano tem o ambiente de comunicação e governança mutantes, o que nos permite crescer em tamanho da espécie sem limitações.

Os outros animais são escravos dos tamanhos dos bandos, pois não conseguem reinventar a sua própria governança.

Vivemos fases de centralização e descentralização de poder em função de dois fatores:

  • – mídia disponível;
  • – complexidade demográfica.

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Nós humanos, por sermos uma tecno-espécie, temos caminhado na direção da reinvenção das nossas Governanças: Oral (1.0), Escrita (2.0) e Digital (3.0).

Assim, o movimento liberal grego, que criou a república, foi possível graças ao surgimento do alfabeto que barateou o custo da escrita e se massificou.

(Leiam mais sobre isso no maravilhoso livro do Havelock, “A Revolução da Escrita na Grécia”, membro da Escola Canadense de Comunicação:)

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E depois os livros de Pierre Lévy, da mesma escola, em especial o “Cibercultura”, que fala da chegada do mundo oral, escrito e agora do digital e as mudanças que tais mudanças provocam na sociedade e da nossas tecno-especificidade.

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O que podemos perceber, então, é que os autores liberais, não inventaram o liberalismo, mas interpretaram um macro movimento da espécie em direção à descentralização, que se tornou possível com o papel impresso e antes tinha sido possível com o alfabeto grego. Como será possível reinventar o liberalismo agora com a chegada da Internet, pois vivemos o mesmo movimento do Pêndulo Cognitivo de descentralização.

Assim, o movimento da espécie é anterior à percepção dos autores, que procuram:

  • – entender o que acontece;
  • – se desintoxicar do passado;
  • – reconceituar o futuro, analisando o que ainda pode ser útil do passado;
  • – criando novas filosofias, teorias, metodologias e tecnologias para construir um novo patamar humano mais sofisticado.

Os movimentos liberais, ou liberalistas, ou descentralizadores têm essa missão conceber um mundo mais descentralizado, com um centro de poder menos poderoso!

Assim, o movimento Liberal 3.0 está acontecendo e vai acontecer, a despeito dos autores liberais, pois é um movimento natural da espécie, que precisa de uma sociedade mais sofisticada, com mais poder nas pontas, para administrar 7 bilhões de pessoas.

Vê-se isso nas manifestações liberais pelo mundo.

Sim, os protestos de 2013, 2015 no Brasil foram liberal até a raiz do cabelo.

  • – Cada individuo, um cartaz;
  • – Sem carro de som;
  • – E tudo que está aí – num centro obsoleto – não os representa.

O que os novos autores liberais terão que fazer – e isso o movimento não faz por si só – é conseguir refazer as bases do liberalismo diante do novo cenário.

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Estamos diante do mesmo momento histórico da espécie, pós-idade média, em direção à descentralização de poder, que precisa ser reinterpretada em um novo cenário.

Este é o salto de qualidade do pensamento da Escola Canadense de Comunicação, que foi tão marginalizado quanto à escola pós-liberal Austríaca de Economia , no século passado.

McLuhan foi visto como um pensador folclórico e Lévy é visto com um utópico. Dá vontade de rir.

A escola canadense, como a austríaca de economia,  são bases fundamentais para criar o Liberalismo 3.0, ou o Liberalismo Digital ou o pós-liberalismo, a gosto.

É isso, que dizes?

 

liberalismo_sonho_impossivel (1) A procura da verdade é um exercício lógico, que deságua numa metodologia.

A lógica constrói metodologias.

E metodologias testam algo que parece mais lógico, na prática.

Assim, nada é lógico, sem ser testado.

Mas testar tem um custo.

Assim,  nada mais lógico, do que um debate lógico, antes de se testar e gastar.

Quanto mais caro for o teste, mais deverá se investir na lógica para reduzir o risco.

O resultado do teste de uma dada metodologia, portanto, é o resultado de uma dada lógica.

Crises de pensamento, ao final de eras cognitivas, nos levam a reduzir o exercício lógico.

A sociedade vive um momento de falsa estabilidade, que gera ações sem lógica.

A lógica foi dominada pelo discurso hegemônico de baixa lógica.

A lógica deu lugar a metodologias ilógicas, que se perpetuam por vir do centro de poder.

E não pela qualidade de sua lógica.

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É uma “ilogicidade” que se perpetua pela incapacidade da sociedade em debater a lógica.

Assim, há verdades mais verdadeiras.

São aquelas que tem uma lógica mais coerente, com metodologias mais precisas.

Que apostam no lado racional e lógico dos envolvidos.

E procura analisar os resultados de seus testes metodológicos, de forma mais transparente.

Revoluções Cognitivas demandam o retorno do estudo da lógica, pois cria-se um movimento de instabilidade (quebrando a falsa lógica) que exige mais e mais mudanças.

E é preciso, diante da multiplicidade de lógicas, discernir as que fazem mais sentido.

E isso nos leva ao investimento no diálogo, como ambiente propício para o debate da lógica.

Vimos aqui que temos dois tipos de cosmovisões: as de sobrevivência (políticas e econômicas) e as de transcendência (religiosas).

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Tais cosmovisões são afetadas por Revoluções Cognitivas.

Como e por quê?

Ambientes Cognitivos não surgem do nada.

Eles são criados, a partir da chegada de novas Tecnologias Cognitivas.

Ou seja, um dado momento histórico trabalha dentro dos limites tecnológicos que temos de nos comunicar.

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A capacidade de nos comunicar define a Governança da Espécie possível.

Assim, as Cosmovisões que teremos na sociedade vão flutuar, conforme a chegada ou o fim de um dado Ambiente Cognitivo.

As Revoluções Cognitivas, portanto, quando ocorrem, farão uma revisão das Cosmovisões atualizando-as.

Cosmovisões, ao final de uma Era Cognitiva, serão cosmovisões decadentes, pois perderam a sua lógica e conseguem sobreviver pela capacidade de se repetir e de ter criado uma “naturalidade cultural”.

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Por quê?

  1. Centros de Poder são Difusores de Cosmovisões;
  2. Centros de poder dominam os canais de difusão e passam a tornar suas cosmovisões hegemônicas;
  3. Os centros de poder perdem força numa Revolução Cognitiva, pois há novos agentes de difusão na praça;
  4. Estes novos Agentes de Difusão questionam a lógica das Cosmovisões, pois elas não tem mais uma narrativa de convencimento, mas apenas um discurso de repetição.

Haverá um renascimento das Cosmovisões, em uma etapa de ascendência, na quais as narrativas serão reatualizadas por uma nova lógica, movida pelos novos Agentes de Difusão.

É isso, que dizes?

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