Feed on
Posts
Comments
A anatomia do dogmatismo ou a tentativa de entender a cabeça de um bolivariano.
post-cabeca-header-2
 
Um dos grandes mistérios da política brasileira recente é o fenômeno do dogmatismo nocivo messiânico.
 
Um conjunto grande de pessoas socialmente abastada, inteligente, dotada de educação superior, muitos mestres e doutores, não conseguiu criticar o governo bolivariano, apesar da crise política, econômica e ética no país. Por quê?
 
A isso podemos chamar de dogmatismo nocivo messiânico.
 
Um dogmático de maneira geral não tem espaço de percepção necessário para fazer o jogo saudável entre vida-identidade, pois o espaço da percepção foi incorporado pela identidade dogmática.
 
O dogmatismo é oriundo, a meu ver, de um transtorno cognitivo/emocional, no qual há junção da percepção (que deve ser mais líquida e interativa/social) com a identidade (um pouco mais sólida e subjetiva/pessoal).
 
A vida telefona para o dogmático, mas o aparelho está sempre mudo.
 
Podemos dizer que um torcedor de um time de futebol é dogmático do ponto de vista esportivo, pois nada do que houver com o seu time o fará deixar de ser torcedor do mesmo.
 
E aí podemos separar dois tipos de dogmatismos:
 
O dogmatismo inofensivo – no qual há uma junção da percepção com a identidade e NÃO acarreta sofrimento ou dano para a sociedade;
 
O dogmatismo nocivo – no qual há uma junção da percepção com a identidade e SIM acarreta sofrimento ou dano para a sociedade.
 
Um membro de torcida organizada que quer bater em todos os adversários é um dogmático nocivo, mesmo que não estivermos falando de política ou religião.
 
O dogmatismo nocivo é todo aquele em que o dogmático quer impor aos outros os seus dogmas, como se os outros não tivessem direito de pensar ou sentir de forma diferente.
 
Para o dogmático nocivo não haverá revisão ou autocrítica, há uma verdade única que os outros têm que se curvar a ela. A sua identidade dogmática vê uma verdade que o torna um emissário do futuro no presente.
 
E aí entramos na política e nas religiões. E isso nos faz chegar ao dogmatismo messiânico aquele que além de não conseguir separar identidade e percepção tem projeto fechado do futuro, do qual ele sabe ou defende para onde todos devemos ir.
 
Podemos dizer que existem políticos e religiosos que praticam o dogmatismo não messiânico, aquele que NÃO tem um projeto fechado do futuro, do qual não sabe ou defende para onde todos devemos ir.
 
O dogmatismo não messiânico pode ser incluso naqueles inofensivos, pois com o tempo a sociedade irá descartar tais propostas por serem consideradas inválidas.
 
O dogmatismo não messiânico torna a pessoa apenas incompetente, pois vai cometer os mesmos erros.
 
A maior escala nociva, assim, dos dogmatismos são aqueles que têm projeto político para a sociedade e é messiânico. Tais projetos, independentes os fatos, tentará impor verdades fechadas para a sociedade.
 
Um dogmático nocivo messiânico é um emissário do futuro, pois ele já definiu o que virá, já viu para onde todos nós devemos ir e o que ele quer é trazer o quanto antes esse futuro (chamado de utopia) para o presente.
 
O que assistimos no Brasil nos últimos anos, com a derrocada do PT, é a explicitação desse tipo de dogmatismo nocivo e messiânico que explodiu justamente quando a vida brasileira bateu num poste.
 
Há uma incapacidade, transtorno cognitivo/emocional de contorno grave, de conseguir criar espaço saudável de percepção entre a identidade e a vida, que permita que os dogmáticos nocivos messiânicos possam absorver o que aconteceu.
 
Na incapacidade interna para que isso seja possível, recorrem a uma espécie de narrativa repetitiva, fechada, tribal, fantasiosa de ver inimigos por todos os lados, atribuir aos demais todos os erros e demonstrar a total impossibilidade de lidar com a vida.
 
O dogmatismo se converte em uma paranoia coletiva alucinógena.
 
Do ponto de vista racional (e nem afetivo) não há nada que possa ser feito, pois encarar as mensagens que a vida está mandado implica em rompimento com a própria identidade.
 
É como se pedisse para um flamenguista deixar de ser flamengo, por que perdeu-se um campeonato.
 
Talvez, possamos ter experiências similares na queda do muro de Berlim, com os dogmáticos soviéticos. Ou no fim da era nazista, naqueles que acreditavam no Terceiro Reich. Ou ainda mais longe, nos fiéis da Igreja Católica Totalitária Medieval.
 
A queda do PT é muito mais do que apenas um projeto político que ruiu, mas a derrocada de uma base estrutural do ego, da identidade, que não consegue mais ter espaço no mundo dos fatos
 
Há uma crise existencial dos bolivarianos, que é vista apenas pelos outros, de fora para dentro. Será um processo lento e dolorido que apenas poucos conseguirão passar.
 
O que resta para quem está de fora é simplesmente fazer de tudo para reduzir o espaço destes transtornados na esfera da política, deixá-los isolados, lambendo as feridas e esperar que alguém um pouco menos intoxicado comece o processo de reconstrução dos egos.
 
Vai ter que partir da tribo para a tribo.
 
Não vai ser fácil.
 
É isso, que dizes?

Recomendações: 

PPT liberalismo 3.0:
 
PPT frases de 2016:
 
Assine a Newsletter sobre o Mundo 3.0:

receba-as-novidades-do-mundo-3-0-no-seu-e-mail-cadastre-se

Livro recomendado:

lib3

Compre aqui.

Não é o mundo que está mudando, é o Sapiens.

dsc00051

Hoje, temos o Sapiens 3.0, que pode fazer  o que o  2.0 não podia.

Ele tem uma outra plástica cerebral, tem muito mais informação, pode decidir melhor, é mais próximo dos demais, tem mais informação, conta com robôs de todos os tipos para lhe ajudar cada vez mais. E inicia o processo de mutação genética.

O Sapiens 3.0 está reformando a sociedade para viver na complexidade de sete bilhões de habitantes.

Nosso problema é que achamos que o Sapiens será sempre o mesmo, independente o aumento demográfico e o aparato tecnológico que temos pela frente.

Há, como disse aqui, algumas novidades:

  • Nunca fomos tantos;
  • Estamos diante de uma nova linguagem dos cliques e ícones;
  • Contamos, pela primeira vez, com Inteligência Artificiais, fora de nós para nos ajudar a operar e decidir;
  • E podemos alterar geneticamente seres vivos, inclusive nós mesmos.

Esse conjunto de novas possibilidades formam as macrotendências do século XXI.

O principal erro dos achistas (aqueles que pensam o futuro baseado em achismos) é olhar para anéis e não para os dedos.

dsc08256

Tecnologias só se massificam quando ajudam a resolver determinados problemas humanos latentes.

Se olharmos para problemas humanos e não para tecnologias conseguiremos ver muito mais longe.

Porém, se olha para o dedo que aponta à lua e não para o satélite natural da terra.

O principal problema do século XXI é uma profunda dicotomia entre uma nova complexidade demográfica progressiva e uma cada vez maior incapacidade das organizações de plantão decidir adequadamente.

Estamos tomando decisões de forma muito centralizada, baseada nos interesses e incapacidade dos poderes centrais, que não conseguem atender às latências da sociedade.

O que realmente fará diferença no futuro são tecnologias que nos permitam decidir melhor.

Muitos falam em big data, gestão de conhecimento, internet das coisas,que são apenas metodologias e tecnologias que giram em torno de falsos problemas.

O que o ser humano quer é sair do impasse civilizacional que nos metemos quando crescemos demais demograficamente e perdemos a capacidade de decidir de forma mais participativa.

Podemos dizer que a nossa inteligência coletiva hoje está muito burra!

O problema principal é: usar todo o novo aparato para decidir melhor: aumentar a capacidade das pessoas em participar das decisões.

Quando o poder central passa a decidir por cada vez mais gente, o grupo, o país ou mesmo a civilização entra em crise ou colapso.

De maneira geral, todo o aparato tecnológico que estamos construindo vai nessa direção. Essa é a macro-tendência e o resto é penduricalho.

Temos três módulos tecnológicos que vão nos ajudar a superar esse impasse:

  1. novo aparato que podemos chamar de Digitalização da informação e da comunicação;
  2. o surgimento da quarta linguagem (cliques e ícones), que se agrega às já existentes: gestual, oral e escrita;
  3. e o surgimento da primeira onda de inteligência artificial administrativa.

Esse pacote não pode ser visto de forma isolada, pois é o que permitirá que possamos mudar com segurança o modelo de Administração do Sapiens, através de outro modo de tomada de decisões.

O pacote visa permitir que possamos tomar decisões melhores, de forma mais participativa, pois consegue aumentar a capacidade dos administradores em:

  • informação sobre as ações das pessoas de forma muito mais detalhada do que antes, o que amplia a transparência e eficácia;
  • comunicação mais horizontal, o que aumenta a coesão social;
  • pode-se contar com a avaliação delas sobre a experiência que passaram;
  • pode-se pedir para que decidam de forma muito mais massificada do que antes;
  • pode-se inovar de forma muito mais descentralizada;
  • e o uso de inteligência artificial administrativa, que pode não só coletar padrões mais próximos do desejo coletivo para  ajudar administradores de carne e osso a decidir (primeira etapa) e logo depois decidir sozinha (segunda etapa), baseado em critérios dos curadores, os novos administradores.

A Administração 3.0, a Curadoria, vem substituir, assim, a gestão e é nova forma de tomada de decisões mais participativa.

Na Curadoria, vamos gradualmente abandonando gestores e passando aos curadores.

Todo o aparato tecnológico que estamos criando, não se iluda, visa antes de tudo permitir que decidamos melhor.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

Fiz pesquisa para afirmar isso?

geracaoy

Não, é uma afirmação filosófica dedutiva.

Várias manifestações da geração Y no Brasil e no mundo pedem uma explicação tecnológica.

Não é a primeira vez, por exemplo, que tivemos manifestações de rua. Porém, é a primeira em que não se aceitava carro de som, palavras de ordens centralizadas.

Qual a explicação disso?

Segundo McLuhan (numa adaptação), independente o aplicativo que você executa, o celular está mudando o seu cérebro. 

Digamos que o Aparato de Trocas, formado pelas tecnologias de informação e comunicação alteram a plástica cerebral das pessoas.

Nosso cérebro precisa se adaptar às órteses que nos cercam, principalmente as comandadas diretamente pelo cérebro, as cognitivas, ferramentas de comunicação e informação.

O cérebro ajusta a plástica cerebral para que tais aparelhos se tornem naturais, não ameaçadores. Ele precisa descansar para tudo que não é perigoso, para guardar espaço para o que é.

Precisa saber o que é confiável e o que não é.

Todo o Aparato de Trocas formado pela oralidade e escrita era muito mais vertical do que atualmente, com a chegada do digital. Aos poucos, o que vinha horizontalmente foi se tornando confiável.

Há uma horizontalização da plástica cerebral, que passa a tornar confiável informações e conhecimento que não vêm do alto para baixo, mas também o que vem do lado para o lado.

A horizontalização da plástica cerebral é uma explicação plausível e razoável para a negação dos jovens para partidos, sindicatos, hierarquias, carros de som e palavras de ordem.

O cérebro está se adaptando a um novo Aparato de Trocas muito mais horizontalizado, que formará a base da cultura descentralizada do século XXI.

Podemos afirmar que, na verdade, a grande mudança cultural do século XXI, como a que ocorreu em todas as outras Revoluções Cognitivas, começa primeiro na plástica cerebral e depois ganha o mundo.

Quando organizações tradicionais se preocupam em tentar entender e lidar com essa nova geração, devem entender que há uma mudança relevante do próprio cérebro, que nem os jovens têm consciência.

O novo cérebro já está pronto para lidar com um novo modelo cultural e rejeitará tudo aquilo que parecer estranho a essa nova topologia mais horizontal.

Foi o que ocorreu com a chegada da prensa, em 1450, primeiro houve mudança cerebral e depois a cultural, que nos legou à Sociedade Moderna.

Arrisco a dizer que o Sapiens Medieval tinha uma Plástica Cerebral, baseada na oralidade. O Moderno, outra, baseada na massificação da escrita. E o 3.0, Digital, terá outra em função do novo Aparato das Trocas.

Nossa espécie é uma Tecnoespécie e as macro mudanças culturais que ocorrem a partir de Revoluções Cognitivas começam, antes de tudo, dentro das nossas cabeças. E, só então, ganham o mundo.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

geracao-30

Em produção, quando disponível aqui.

Vejamos.

dsc04305

GanânciaEm que há avidez por ganho lucrativo lícitos ou ilícitos. É um sentimento humano que se caracteriza pela vontade de possuir somente para si próprio tudo o que existe. É um egoísmo excessivo direcionada principalmente à riqueza material, nos dias de hoje pelo dinheiro (http://tinyurl.com/zef82zw

Ambição – Desejo intenso de alcançar determinado objetivo, geralmente, material (http://tinyurl.com/h3t3po6)

Muitos defendem que a melhor sociedade seria uma sociedade sem ganância ou ambição.

Vou chocar um pouco, mas vou defender que só podemos baixar a taxa de ganância e ambição se controlarmos fortemente a população.

Aumentos populacionais empurram a sociedade necessariamente para a inovação e a inovação necessita de pessoas gananciosas e ambiciosas.

Se não houver pessoas que queiram sair da mesmice, não haverá inovação e se houver aumento de complexidade, entraremos em crise.

Aumentos demográficos nos empurram a fazer mais com menos e isso necessariamente nos leva à inovação, que nos empurra para uma certa taxa de ganância e ambição.

Mesmo que tenhamos crescimento zero e que não haja necessidade de inovação é preciso pensar que cada ser humano precisa produzir para sobreviver.

Assim, cada ser humano tem algum tipo de interesse particular e pessoal de resolver o seu problema diante da sobrevivência.

Haverá um pensamento individual e focado em resolver esse problema de alguma forma. Seja por emprego, trabalho, lucro, remuneração de qualquer tipo, venda.

Antes de qualquer pensamento social, cada pessoa precisa resolver o seu problema individual para chegar no final do mês e arcar com os custos de sua sobrevivência.

Mesmo que vivamos no regime mais comunista do mundo a pessoa estará pensando aonde vai trabalhar, em que organização, se perto de casa, se longe, com que chefe, fazendo o que?

Podemos dizer que sempre haverá o interesse individual e que esse interesse gera ambições de querer melhorar de vida, o que pode levar a ganância, que seria uma espécie de radicalização da ambição.

As vertentes políticas existentes de alguma forma sugerem como lidar com a questão do interesse, da ambição.

  • Grupos centralizadores e da ordem planificada, que acreditam que o mundo tem um destino específico, sugerem uma mudança no ser humano para banir o interesse, a ambição e a ganância.

Querem, de alguma forma, ou pela religião ou ideologia, extirpar esse tipo de sentimento do ser humano.

  • Grupos descentralizadores, defensores da ordem espontânea, que NÃO acreditam que o mundo tem um destino específico, sugerem é na explicitação do interesse, da ambição e da ganância, através da competição que se pode tornar estes sentimentos benéficos para a sociedade.

A vantagem da segunda abordagem é de que:

  • não se elimina algo que historicamente se demonstrou fazer parte da humanidade;
  • não cria crises de inovação, pois permite que tais sentimentos produzam novidades.

Para que isso seja possível, é preciso ambientes sociais transparentes, de livre concorrência e que se estabeleça uma cultura aberta de interesses.

Há uma certa resistência no Brasil por esse tipo de cultura, pois é um pouco incompatível com nossa religiosidade católica.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

Parece estranho dizer isso, mas vou defender tal visão, pois foi a que cheguei revisitando à Macro-História, a partir das mudanças de mídias.

superpopulacao-1-3

O ser humano sempre vai caminhar na direção da descentralização de poder.

Por quê?

Nossa espécie não tem limites demográficos e, por causa disso, vivemos sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Quanto mais gente houver no planeta, mais seremos obrigados a  aumentar a complexidade do sistema produtivo.

O que nos obriga também a ter que viver o tempo todo a praticar a Inovação Progressiva Permanente.

Se não conseguirmos desenvolver a Inovação Progressiva Permanente esbarraremos em crises produtivas locais, regionais ou mundiais.

A forma conjuntural e imediata de lidar com a Complexidade Demográfica Progressiva é a concentração de poder. Reduzimos a diversidade individual, centralizamos ideias e  inovação, o que viabiliza a massificação da produção e resolve temporariamente o problema produtivo.

A opção pela centralização, entretanto, é passageira, pois vai gerar crises culturais de vários tipos, pois nos levará a alta taxa de empoderamento das organizações sobre a sociedade, que é o que estamos vivendo agora.

Tal poder  concentrado e mais absoluto é gerador de:

  • perda de liderança das autoridades de plantão;
  • aumento da taxa de corrupção;
  • baixa taxa de ética individual e organizacional, em função do d baixa fiscalização da sociedade sobre as organizações;
  • e, por fim, aumento da taxa de valores morais objetivos sobre os subjetivos.

E, se houver a continuidade de crescimento populacional, haverá gradual obsolescência cultural, aumentando a latência por novo Aparato Tecnológico das Trocas (comunicação e informação), com o possível surgimento de nova linguagem, que nos permitirá iniciar a prática de modelo de administração mais sofisticado, que permite a descentralização.

Não existe outra forma de lidar com a complexidade no longo prazo que não seja através da descentralização de poder, aumentando a capacidade de tomada de poder das pontas sobre as organizações. 

E isso só é possível quando temos movimentos de Macro-Inovação cultural, com a chegada de novo Aparato Tecnológico das Trocas, com a sofisticação das linguagens e/ou criação de  nova.

Na Macro-História, principalmente nela, é possível perceber o processo gradual de descentralização, através do aumento gradual de poder do indivíduo.

Processo de centralização, redução de liberdade, imposição de verdade do centro pelas pontas, foram sempre provisórias, pois esbarram na incapacidade do poder concentrado e absoluto em lidar com a Complexidade Demográfica Progressiva.

(O esforço que a China fez, por exemplo, de conter o aumento populacional no último século, na política de filho único, é um exemplo típico na tentativa de manter o poder concentrado, procurando reduzir complexidade demográfica, reduzindo o crescimento populacional.)

Porém, sempre com baixa taxa de sucesso.

A tendência, assim, do Sapiens no longo prazo é a descentralização de poder, que só se torna possível com a chegada de novo Aparato de Trocas, que permite que  seja descentralizado, mas sem prejuízo da capacidade produtiva.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:
politica30

Comprar aqui.

Vídeo relacionado:

“Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.” – Toquinho;

foto-toquinho2-credito-marcos-hermes

O que é a verdade?

Tal pergunta faz parte de um ramo da filosofia, a epistemologia.

Existe uma verdade, várias verdades, cada um tem a sua verdade?

É possível o ser humano conhecer, de fato, a verdade?

Muitas vezes trocamos a palavra verdade por realidade.

Eu prefiro chamar de vida.

Temos nossa identidade, a percepção e a vida, como vemos abaixo:

idpervida

E estas três instâncias estabelecem um jogo da verdade e da mentira.

Podemos imaginar a vida do jeito que quisermos, nos imaginar da forma que quisermos, mas há lá fora a vida, nos baliza até onde o que estamos imaginando é aceito.

As nossas premissas têm que se encaixar na vida de alguma forma. Quando isso não acontece, a vida está mandando você voltar para o laboratório e rever a sua percepção ou até mesmo a sua identidade.

A vida tem sempre razão, pois ela tem as suas regras dinâmicas, que nos permitem analisar o quanto a nossa percepção e identidade podem estar equivocadas.

Obviamente, que não existe  regra da vida absoluta, mas várias regras e é preciso testar nossa percepção de várias maneiras, em vários lugares, com várias pessoas para saber se é algo conjuntural ou estrutural da vida.

A vida tem algumas regras básicas e procura, a saber:

  • sobreviver;
  • melhoria contínua;
  • e se reproduzir.

Todas as ações humanas que nos levarem para esses parâmetros serão mais aceitas e vice-versa.

Isso, entretanto, não pode ser medido no curto prazo.

Várias pessoas, grupos, países ou o próprio Sapiens podem em algum momento irem contra os princípios da vida, o que levará a uma crise existencial.

Uma crise existencial, seja de uma pessoa ou grupo, é de que há uma dicotomia entre a identidade, a percepção e as regras da vida. Há algo que precisa ser reavaliado.

Pode-se sim, viver uma grande mentira temporária, que terá perna curta. Ninguém engana a vida por todo o tempo, o tempo todo.

Na verdade, sempre teremos mentiras, que passarão por um jogo entre estas três instâncias: identidade, percepção e vida.

Atos contrários às regras da vida não serão sustentáveis no tempo, pois o movimento em defesa das regras da básica da vida acabarão se impondo.udo que fizermos na direção das regras mutantes da vida terá mais aceitação e valor.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:
mentira-provisoria

Comprar aqui.

O Século XXI marca a chegada da Quarta Linguagem Humana – a dos cliques e ícones.

Novas linguagens são raras na Macro-História, tivemos os gestos, a oralidade e a escrita e suas variantes.

Novas Linguagens nos permitem resolver problemas objetivos e subjetivos, através da sofisticação da cultura.

Vejamos a figura:

recapacidade

Note que o aumento demográfico pressiona o Aparato de Trocas a se sofisticar. Em alguns momentos, como o atual, há o surgimento de nova linguagem, que nos permite recapacitar a cultura a solucionar de forma nova velhos problemas.

Há uma espécie de rompimento dos limites das linguagens que tínhamos, que impediam a cultura de se expandir.

Houve, por causa disso, um descontrole da sociedade sobre as organizações, gerando crise civilizacional de grandes proporções.

O problema não é da boa vontade de se resolver problemas, mas da impossibilidade de solucioná-los com o atual aparato de trocas, das linguagens existentes e do modelo cultural que temos hoje.

 

Fomos ao limite das possibilidades das atuais linguagens e da cultura, pois elas não permitem lidar com o atual patamar de complexidade.

Batemos numa espécie de parede cultural, na qual a forma como resolvemos problemas se tornou obsoleta.

Tais crises civilizacionais só são resolvidas com a chegada de nova linguagem que permite Macro-Descentralização, pulverizando a tomada de decisões para muito mais gente.

O que assistiremos de inovação no Século XXI é a expansão cada vez mais acelerada da implantação da Quarta Linguagem, que nos permitirá recriar toda a cultura do Sapiens.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

antropologia-cognitiva

Compre aqui.

Quando se fala em Malthus as pessoas ficam nervosas.

images-69

Este pensador (1766 – 1834) defendeu algumas hipóteses filosóficas interessantes e uma metodologia anti-ética, a saber:

  • Que o ser humano faz muito sexo e isso gera aumentos demográficos – que ninguém questiona;
  • De que aumentos demográficos nos levam à crises, pois aumentamos aritmeticamente a produção e geometricamente as demandas – razoável;
  • De que quando aumentamos a população teremos crises – o que não se comprovou, pois temos a inovação para nos salvar;
  • E de que a única forma de resolver o problema era deixar os pobres morrerem – o que é anti-ético e o fez ser colocado no lixo da história.

É preciso reler a filosofia de Malthus, ignorando a metodologia anti-ética.

Malthus nos ajuda a entender a atual Revolução Digital.

O ser humano vive sim sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva, já que saltamos sete vezes de tamanho da população em 200 anos.

Somos os únicos mamíferos sociais do planeta, principalmente entre os mamíferos, que crescem demograficamente sem pedir licença.

Assim, a ideia de que teríamos crises, não se mostrou válida, pois temos também a Inovação Progressiva, que nos permite superar as crises prescritas por Malthus.

E isso nos faz ter que rever o motor das grandes mudanças civilizacionais.

Precisamos rever, de forma disruptiva, como a história realmente avança no tempo.

Podemos dizer que a história se move da seguinte maneira:

  • criamos um modelo cultura que nos permite crescer demograficamente;
  • o que nos leva para demandas de macro-inovação;
  • em determinado ponto precisamos de novo patamar tecnológico de trocas (informação e comunicação);
  • e, em alguns, momentos de nova linguagem, que nos permita dar saltos culturais;
  • tal patamar tecnológico de trocas e nova linguagem nos permite superar as crises demográficas, criando novo patamar cultural humano.

Assim, o que move as rodas da história, antes de qualquer coisa, a é a demografia, que gera demandas objetivas e subjetivas, que pressiona todo o resto para atendê-las.

Há algo em Malthus que precisa ser relido.

Há algo na chegada de uma nova linguagem (dos cliques e ícones) no século XXI, que explica o conjunto de mudanças culturais que estamos passando.

Há algo numa nova maneira de pensar a sociedade que é fundamental para entendermos onde estamos e para onde vamos.

Sem essa revisão de como vemos os mecanismos da história, temos a tempestade, mas não a bússola.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

antropologia-cognitiva

Compre aqui.

Vídeo relacionado:

Muita gente analisa fenômenos juntando fatos e dados.

dsc07749

Têm impressões sobre o fenômeno, mas não  teoria.

Não existe teoria sobre um determinado problema, que não seja baseada em comparativo histórico com outros fenômenos similares.

Assim, podemos comparar teorias e impressões.

Impressões são sentimentos, observações, intuições sobre determinado fenômeno de forma não científica.

Não existe ciência sem base comparativa com fenômenos similares no passado.

E não, não existe nenhum fenômeno que não tenha um registro no passado. Basta procurar.

O que temos hoje nesse início de século são duas abordagens sobre o fenômeno da Revolução Digital:

  • Impressionistas não científicos – que coletam sensações, sem nenhum embasamento histórico;
  • Análises científicas – que coletam dados no passado, com embasamento histórico.

Não quer dizer que impressionistas não tenham grandes sacadas e possam ajudar a enxergar o fenômeno de forma melhor.

Porém, há limitações nesse tipo de abordagem, pois deixa de coletar experiências humanas de fenômenos similares.

A Antropologia Cognitiva é a tentativa de análise científica baseada no passado. É abordagem bem superior a qualquer tentativa impressionista não científica.

Isso não quer dizer que todo o Antropólogo Cognitivo vê e sugere agir com mais clareza. Porém, não vejo condições de alguém entender o que está acontecendo sem a Antropologia Cognitiva.

Organizações que querem pensar e agir de forma mais eficaz diante da Revolução Digital devem contar com a Antropologia Cognitiva como ferramenta.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

antropologia-cognitiva

Compre aqui.

 

Quando os nazistas resolveram criar os campos de morte massificada estavam inovando, pois de forma mais barata conseguiam matar muito mais gente. É um exemplo típico de inovação sem ética.

dsc08077

Ética é uma conduta humana individual e coletiva que pressupõe a defesa da vida. A preservação da vida, de qualquer vida. Quando a inovação reduz sofrimento dos seres vivos diante da vida, podemos falar que temos inovação ética e vice-versa.

Quando uma inovação causa mais sofrimento diante da vida, temos uma inovação anti-ética.

Inovação anti-ética, assim, não pode ser avaliada ou atribuída, a partir de determinados valores de determinados grupos, mas a procura da redução ou aumento de sofrimento diante da vida.

Para este blog, o parâmetro ético ou anti-ético procura balizar a redução ou o aumento de sofrimento que determinada inovação vai causa na sociedade.

O que dá um parâmetro de avaliação.

 

 

Muita gente afirma que ser individualista é se voltar para si mesmo e não se relacionar com os demais.

DSC00256

A pessoa imagina que não é interdependente dos demais. E que pode resolver todos os problemas sozinho. Podemos chamar isso de individualismo individual.

O individualismo, para este blog, é a capacidade que cada um tem de ser individual, desenvolver sua própria identidade de dentro para fora, trazendo diversidade ao mundo.

Tal individualismo só é possível se for coletivo, o que não é uma contradição, pois a percepção que temos de nós e do mundo é sempre limitada pela nossa incapacidade de perceber a nós e o mundo sem os outros.

Precisamos dos outros para ver e enxergar melhor. Não existe, assim, individualidade que não seja balizada pelo coletivo.

Assim, o individualismo coletivo é aquele que pressupõe conjunto de alta taxa de individualidade em relação ora harmoniosa,ora conflituosa com os demais.

O individualismo coletivo é diferente do coletivismo socialista, por exemplo, que pressupõe um conjunto de  baixa taxa de individualidade.

Ou do individualismo individual, que imagina que se pode viver isolado.

O liberalismo de raiz pressupõe alta taxa de individualidade coletiva. É um tipo de individualismo social, pois cada um na sua individualidade tem conjunto de liberdade em que os outros precisam ser o limite e a referência.

Há, portanto, duas margens nesse rio:

  • o individualismo individual – no qual não há limite, mesmo no outro. É algo típico do mercantilismo, capitalismo concentrado, que tivemos no século passado;
  • o coletivismo individual – no qual não há espaço para a individualidade num modelo de superorganismo de todos iguais, com uma ordem planificada condutora.

Nos dois casos acima, temos geração de crise, pois no individualismo individual temos a inovação sem ética, não social.

Ou o coletivismo individual, onde há baixa taxa de individualidade, na qual não se estimula a pensar diferente.

Haverá a mesmice da mesmice, baixa inovação e crises produtivas frequentes.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

 

De maneira geral, temos pouca prática de construir percepções, conceito de felicidade e valores. Importamos mais do que exportamos esses conceitos.

DSC08040

Não desenvolvemos os nossos próprios valores e percepções.

Vivemos na filosofia Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar”. A vida nos leva, pois recebemos desde criança uma série de normas do que deveria ser a melhor conduta e não refletimos sobre elas.

Dialogamos pouco com nossos botões.

Quando há uma taxa de baixa reflexão, não podemos ter  segurança de quando estamos criando valores sobre transtornos ou quando são os transtornos que estão definindo nossos valores.

Muito do que achamos que são nossos valores, no fundo, são transtornos não conhecidos.

Transtornos são neuroses que se repetem sem o nosso controle e das quais acabamos escravos.

No fundo, Matrix é exatamente esta incapacidade de enxergar estes sentimentos importados de fora para dentro que receberam pouca reflexão de dentro para fora.

Valores são sempre individuais e devem ser resultado de reflexão de dentro para fora. Só podem existir valores vivos se estes forem adaptados para a personalidade de cada um.

Podemos dizer, assim, que há valores zumbis, que são aqueles repetidos como um mantra sem a interferência de cada um sobre eles.

Os valores podem até ser parecidos com os que foram recebidos, mas sofreram algum tipo de personalização.

Valores repetidos sem reflexão massificam a sociedade e impede tanto a diversidade quanto à inovação.

Podemos dizer que temos, então, transtornos viram falsos valores e nos levam à infelicidade, pois não conseguimos nos conhecer melhor.

Tal confusão nos leva a diferentes crises conjunturais e estruturais, pois muitas vezes iremos nos deparar com uma falsa identidade, pois perceberemos que quem age está longe de representar o que no fundo sabemos que não somos.

 

O principal problema que temos hoje da passagem do século XX (centralizador) para o XXI (descentralizador) é a capacidade das pessoas aumentarem a taxa de diversidade.

dsc09244

Posso apontar dois importantes passos nesse caminho:

  • ter ferramentas internas para discernir qual é a melhor mentira provisória;
  • ter ferramentas internas para discernir se está feliz e tem sucesso.

Séculos concentradores fazem com que as pessoas não tenham mais ferramentas internas para avaliar o que é verdade/mentira e felicidade/sucesso. Tais conceitos passa a vir mais de fora para dentro do que de dentro para fora.

No caso da dicotomia sucesso/felicidade existem duas medidas fundamentais:

  • a motivação interna;
  • e o retorno do cliente.

A melhor medida da motivação interna vem na segunda de manhã. Se acordamos motivados, é sinal de que estamos no caminho e vice-versa. Se vem o desânimo, algo precisa ser revisto.

Obviamente, que isso não é medido no curto prazo, numa segunda feira, mas na sequência de segundas-feiras, quando vamos nos conhecendo.

Podemos dizer que a motivação é o termômetro que vai medir se estamos aumentando a taxa de felicidade/sucesso.

Porém, o sucesso/felicidade para ser sustentável precisa de terceiros, pois se você atua num determinado problema, está resolvendo o sofrimento/desconforto de alguém.

E esse alguém, de alguma forma, estará disposto a pagar por isso.

É o seu cliente que vai garantir que a felicidade/sucesso sejam sustentáveis, pois não adianta se sentir motivado, mas não gerar receita com isso, pois será uma motivação fake, passageira.

Na qual, o cliente que vê um desconforto ser reduzido quer pagar por ele.

É isso, que dizes?

Nenhum tipo de conceito deixa de ser usado, quando outro não ocupa o seu lugar.

dsc08698

A dicotomia esquerda/direita talvez tenha ajudado bastante o século XXI por causa da guerra fria.

Dizer que pessoas capitalistas eram de direita e comunistas de esquerda representava bem posições divergentes.

Obviamente, que nazismo ficou de fora, até por que no final tanto comunistas quanto capitalistas lutaram contra.

É comum ouvir que a dicotomia não faz mais sentido no século XXI. Sim, concordo.

A queda do muro de Berlim e a centralização do capitalismo embolaram a dicotomia. 

O cenário ficou confuso e é necessário estabelecer nova macro-dicotomia, que existe e talvez sempre existirá, agora, com a experiência, de forma mais precisa.

Arriscaria dizer que colocaria no lugar centralizadores versus descentralizadores.

  • Centralizadores acreditam que a humanidade tem um determinado objetivo seja ele racial, político, religioso. São pessoas que têm um determinado conteúdo, uma proposta que acreditam que deve ser implantada por todos. Assim, querem o poder para levar todos naquela direção. Acreditam numa ordem planejada ou planificada por um centro redentor;
  • Descentralizadores acreditam que a humanidade NÃO tem um determinado objetivo seja ele racial, político, religioso. São pessoas que NÃO têm um determinado conteúdo, uma proposta que acreditam que deve ser implantada por todos. Assim, querem o poder para permitir que ninguém tenha essa proposta redentora e se focam na forma. Da passagem de situação de menos para mais desconforto. Acreditam numa ordem espontânea NÃO planificada por um centro redentor.

Sob este ponto de vista podemos classificar o nazismo, o comunismo, incluindo o bolivarianismo, o socialismo do século XXI, o islamismo radical, ou os políticos religiosos nessa categoria.

E os libertários e liberais na outra, incluindo todo o movimento dos empreendedores digitais, nos quais estão os que defendem o bitcoin, o software livre, os hackers, nessa direção, alguns beirando o anarquismo.

Qual a melhor forma de saber onde cada pessoa se encaixa aonde?

Simples, o que demonstra a eficácia da classificação.

Pergunte.

Você acredita que a humanidade deve ir para alguma direção específica? Ou deve apenas ir caminhando para uma situação de pior para melhor?

Dependendo da resposta, temos centralizadores ou descentralizadores.

O Século XXI, felizmente, propicia, em função da Revolução Digital a visão e prática dos descentralizadores.

É isso, que dizes?

Linguagem é a ferramenta básica do ser humano para as trocas de todos os tipos.

DSC01516

A linguagem humana, diferente dos outros animais, é tecno-evolutiva. Avança e muda no tempo.

Já tivemos nossa fase de linguagem biológica, até a oralidade. E, com a escrita, entramos na era das Tecnolinguagens.

Tecnolinguagens são aquelas que necessitam de órteses para permitir as trocas.

Desde a escrita manuscrita, passando pela escrita impressa, rádio e televisão e depois a Internet, baseamos toda a cultura em uma plataforma Tecnolinguística.

Assim, quando chegam novas tecnologias, que permitem a criação de nova linguagem, toda a cultura da sociedade migra lentamente para que se adapte ao novo ambiente linguístico.

A sociedade terá a cara da linguagem de plantão.

Livro recomendado:

antropologia-cognitiva

Compras aqui.

A principal mudança do século XXI é a chegada da Linguagem dos Ícones, a quarta do ser humano (Gestos, Oralidade, Escrita. Ícones).

DSC07881

É uma mudança rara e marca o fim de uma Era Civilizacional e o início de outra.

Podemos dizer que estamos iniciando jornada em direção a um planeta cada vez mais superpovoado, hiperconectado e interdependente. E para que possamos sobreviver com mais qualidade foi preciso criar linguagem humana mais sofisticada.

A Linguagem dos Ícones permite que possamos tomar decisões mais rápidas, baseada na experiência de muito mais gente.

Há um aprendizado em tudo isso muito importante para entender as mudanças do Século XXI.

Não é a cultura que define a linguagem, mas a linguagem que define a cultura.

Há em toda a linguagem uma topologia de transmissão que vai acabar por influenciar, pela ordem:

  • a plástica cerebral das pessoas;
  • as pessoas;
  • as novas organizações;
  • as organizações de maneira geral;
  • e toda a sociedade.

Não foi assim a cultura que criou a sociedade moderna, mas a linguagem da escrita que se massificou e fez com que passássemos todos a viver à sua imagem e semelhança.

Muitos dirão que existe uma margem para a atuação da cultura e não vou negar que existe. Porém, será como um rio que pode correr, desde que respeite as margens estabelecidas pelas linguagens disponíveis.

“Quando temos a chegada de nova linguagem, já podemos prever que viveremos guinada civilizacional, pois toda a sociedade terá a “cara” da nova “forma linguística”.”

Se me perguntarem ou te perguntarem como será o futuro, pode responder: será filho da influência da Linguagem dos Ícones.

A imagem abaixo define o conceito:

topologia-da-linguagem

É isso que dizes?

Livro recomendado:

antropologia-cognitiva

Compras aqui.

 

 

Vivemos tempos muito interessantes.

dsc01496

É um privilégio poder viver uma guinada civilizacional com a chegada de uma nova linguagem humana.

E vamos aprendendo muito com isso.

Note que o uso das novas tecnologias, que permitem a prática da nova linguagem, por si só já é um processo educativo.

Não é um processo educativo cultural, voluntário, mas é o próprio uso da nova tecnologia, que obriga as pessoas a aprenderem a usar.

Isso no passado foi mais complicado, pois os pais ensinam os filhos a falar, a escola a ler e a escrever.

E o uso dos computadores, aplicativos, etc têm sido feito de forma mais espontânea. E de forma tão rápida que os jovens aprendem antes do que seus pais.

O uso da tecnologia em si já é um grande aprendizado, pois altera a forma de cada um pensar e sentir o mundo, incluindo mudanças na plástica cerebral.

Não é uma educação formal, mas informal, que está dentro do próprio uso da tecnologia.

E isso tem implicações sociais, políticas, econômicas e religiosas.

É isso, que dizes?

Toda linguagem que chega precisa de um conjunto de novas tecnologias que a viabilizem. É um aparato completo que podemos chamar de ambiente cognitivo.

dsc08772-01

Linguagens são tecnologias.

E novas linguagens precisam de um novo aparato tecnológico para que seja criadas.

As duas primeiras linguagens do Sapiens foram a gestual e oral. Eram linguagens biológicas, que demandaram mudanças no nosso corpo para que pudessem ser criadas e difundidas.

Há estudos das mudanças nos músculos e ossos para que pudéssemos começar a falar.

A escrita foi a primeira linguagem não-biológica, através da criação de órteses que permitiram:

  • produzir;
  • registrar;
  • armazenar;
  • transportar.

Assim, novas linguagens vêm com um aparato de novas tecnologias.

Novas linguagens incorporam as anteriores, se mesclam, as alteram, para que tenhamos uma cultura mais sofisticada para que possamos enfrentar desafios mais complexos.

Novas linguagens surgem, pois o ser humano é a única espécie social e viva que vivi sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Linguagens e, por sua vez, a cultura que praticamos ficam obsoletas, pois se tornam incapazes de lidar com patamar de complexidade demográfica mais elevado.

Quando atingimos determinado patamar de complexidade demográfica a cultura e as linguagens disponíveis vão chegando ao seu limite.

Toda vez que uma civilização em particular ou o Sapiens de maneira geral aumentar em muito a sua população haverá demanda para a chegada de novas linguagens.

Quando aumentamos a população e não conseguimos criar novas linguagens, a civilização entra em colapso, ou em crises profundas.

A grande novidade do século XXI é a chegada de nova linguagem humana.

dsc08919

Toda a cultura é produzida a partir dos limites das linguagens que temos disponíveis.

Quando surgem novas linguagem há readequação das anteriores e o espaço para a recriação cultural, a partir da nova.

O que é uma linguagem afinal?

  • A linguagem humana é uma ferramenta que permite que possamos nos comunicar, aprender, trocar, imaginar. Linguagens formam a base da cultura do Sapiens.

Qual seria exatamente a nova linguagem?

  • A quarta linguagem é a linguagem dos cliques. Cliques em links, em ícones, em estrelas, em produtos, em serviços. Cliques são linguagem, pois permitem que haja trocas, decisões sejam tomadas.

Qual o impacto da chegada de novas linguagens na sociedade?

  • Toda a cultura de uma sociedade é feita nos limites das linguagens disponíveis. Somos aquilo que as linguagens nos deixan ser. Quando mudamos a linguagem, começamos a alterar a estrutura básica da humanidade,

Na prática, o que significa a chegada de nova linguagem?

  • Que o modelo de organização da sociedade entra em processo de mutação. O modelo de administração, da tomada de decisão individual e coletiva e tudo que gira em torno disso começa entrar em processo de mutação.

Não existe nada mais impactante para a vida do Sapiens do que a chegada de novas linguagens, pois tudo que existe na sociedade será readequado a esta.

Até o dia de hoje, pudemos registrar três momentos similares:

  • a incorporação da oralidade sobre a linguagem dos gestos – há 70 mil anos;
  • a incorporação da escrita sobre a linguagem dos gestos e da oralidade  – há 7 mil anos;
  • a incorporação dos cliques sobre a linguagem dos gestos, da oralidade e da escrita – há 50 anos.

Chegada de nova linguagem é prenúncio de mudanças radiciais na sociedade, pois o epicentro da cultura entra em mutação.

E tudo que era estruturado sobre uma determinada linguagem passará a ser revisto com as novas possibilidades da nova.

Sem essa visão geral e macro da Antropologia Cognitiva, que estuda a chegada de novas linguagens no mundo, fica mais difícil compreender as mudanças que temos pela frente no novo século.

A grande mudança da Sociedade Digital é um conjunto de tecnologias estruturantes que muda as bases da sociedade humana.

dsc07015

Passamos da escassez para a abundância da informação e precisamos criar novas formas de pensar a educação.

No mundo, sempre haverá educação, mas com formas diferentes de transmissão da cultura passada.

Ora, será conjunturalmente importante termos mais transmissão de informação, ora será necessário traçar mapas, quando a informação estiver disponível.

Já tivemos a educação oral, a escrita, a escrita impressa e agora a base é o digital, com a chegada da quarta linguagem e da inteligência artificial, que nunca tivemos antes.

Hoje, temos duas mudanças:

  • Conjuntural –  da escassez para a abundância;
  • Estrutural – da oralidade e escrita para o digital (leia-se ícones participativos e inteligência artificial).

Hoje, a escola é baseada em assuntos, típica de uma fase conjuntural da escassez da informação e do distanciamento dos jovens dos problemas.

São educados para que alguém defina quais são os problemas, como resolvê-los, aprendam metodologias para que sejam seguidas à risca. A educação não visa criar metodologias, mas seguir as existentes.

O modelo de educação atual, no início deste novo século, ainda é formatador para metodologias existentes.

Não está em contato com os problemas diretamente, mas indiretamente, através de alguém que cuida dele.

Na escola é o professor, na empresa o chefe, o gerente.

A principal mudança da Sociedade Digital, com a explosão da abundância de ideias e, por sua vez, com um surto de inovação, é a reintermediação dos problemas.

Há uma descentralização de ideias e da inovação.

Hoje, está cada vez mais fácil de um jovem criar seu próprio negócio novo no mundo e desbancar os antigos líderes, com mais chance de ver prosperar.

Estamos saindo de um modelo de educação que visava repetir o mundo para outro que vai recriar o mundo.

E o problema que temos não é o digital na escola, mas a escola na Sociedade Digital.

 

Numa fase do mundo com informação abundante e com um surto de inovação se iniciando precisam de mentores e não de professores.

 

O Educador do Século XXI será um cartógrafo que precisa ajudar os jovens a traçar mapas para que as pessoas possam navegar de forma mais rápida e segura entre as várias opções de aprendizado.

Temos um novo aliado – e isso é fundamental compreender – que é o surgimento da Inteligência Artificial, que vai nos permitir criar essa cartografia autônoma cada vez mais sofisticada.

É o modelo do Waze aplicado na Educação.

Haverá pessoas que geram conteúdo, soltas pelo mundo, que ganharão destaque, a partir da colaboração que cada um dos navegantes de um dado problema deixar um rastro que ela é útil.

Há hoje uma gradual perda de valor na transmissão de conteúdo e na certificação e uma forte demanda por roteiros e mapas.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

Disse aqui que o Mundo 3.0 vai nos permitir refazer o conceito de sucesso.

dsc06400

O conceito de sucesso hoje tem alta taxa de massificado, com alta taxa de massificação, que vem de fora para dentro.

Ter sucesso é ter dinheiro. Quem tem dinheiro TEM que ser feliz.

Num mundo com ideias e inovação centralizadas esse conceito de sucesso se massifica. Até por que se restringem as opções de se criar novos negócios, que não sejam das organizações centralizadas.

Num mundo em que temos o aumento radical da taxa da inovação e da descentralização dos negócios, a questão do sucesso se recoloca.

Passamos também aumentar a taxa de sucesso personalizado (que vem de dentro para fora) e reduzir a do sucesso massificado (que vem de fora para dentro).

O sucesso personalizado ganha mais sustentabilidade, pois as pessoas passam a poder viver dele num mundo mais inovador.

O problema quando falamos em sucesso personalizado é justamente a capacidade da pessoa definir o seu personal conceito de felicidade, pois acabou a sopa de alguém definir por ela.

E aí temos um nó geral, pois não fomos educados para ser personal e profundamente felizes, mas social e superficialmente felizes.

Gosto de um Felicitrometrômetro que mede a minha motivação para a vida nas segundas feiras pela manhã. Uma boa medida da felicidade é estar motivado para a semana que começa.

Tivemos o fim de semana para curtir e agora voltamos à produção.

Temos agora um novo mundo de oportunidades com o aumento da taxa de inovação e empreendedorismo descentralizado,  mas existe os transtornos que temos conjunturais e estruturais.

Diria que o sucesso e a felicidade é conseguir se alimentar de motivação ao invés de transtornos.

Transtornos são difíceis de serem superados.

Muitas vezes precisamos de ajuda. Mas quanto mais tivermos uma vida desmotivadora, mais os transtornos serão uma espécie de bengala para que não os abandonemos.

Faremos dos transtornos uma espécie de amigo perverso e conhecido, que entra no lugar da nossa capacidade de praticar aquilo que nos motiva.

Aquela frase de transformar limão em limonada se encaixa bem aqui.

Não adianta apostar em terapias que não nos leve ao aumento da taxa de felicidade-sucesso-motivação.

O sucesso 3.0 é o personal sucesso e isso implica uma mudança radical em como vamos lidar com os velhos transtornos.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

sucesso-30

Compre aqui.

Vídeo complementar:

Estive ontem numa palestra com a candidata à Prefeito Carmem Migueles do Partido Novo para o Rio de Janeiro.

14344761_10154599441783631_3610930479714050408_n

Professora da FGV, super competente, é, com certeza, o melhor currículo entre os candidatos a prefeito.

Porém, o Partido Novo tem problemas. E passa justamente por querer ser pragmático e incremental, num mundo que exige visão clara do futuro e da disrupção Tecnocultural que estamos passando.

Vamos ao problema central que nos trouxe à atual crise da representação política.

poprio

Dados: https://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia_do_Rio_de_Janeiro_(cidade)

Podemos observar que a cidade do Rio de Janeiro cresceu, pelo menos, seis vezes o tamanho da população nos últimos cem anos.

Cada vez mais, os vereadores têm que atender a mais gente. E, cada vez mais, cada vereador e prefeito é menos controlado por quem o elege.

Se abriu um fosso cada vez maior ao longo do tempo entre representante – representado. Podemos, assim, diagnosticar que:

O principal motivo da crise da representação política atual é da incapacidade de quem elege controlar quem foi eleito. 

O que vivemos hoje – e isso se estende para todas as organizações da sociedade – é uma crise do modelo de controle sociedade – organizações, que faz com que as organizações defendam mais o seu interesse do que o da sociedade por gozar de falta adequada de fiscalização social.

Vivemos hoje momento similar ao que nossos antepassados viveram diante da monarquia, quando inventamos a república.

O rei deixou de ser capaz de ser controlado, pois houve aumento das cidades, da complexidade, e cada vez mais as crises fizeram com que a monarquia fosse ficando obsoleta.

Sim, o que motiva as grandes inovações sociais é o aumento da Complexidade Demográfica Progressiva.

Note que a superação da monarquia só foi possível com a chegada da Prensa, que, como a Internet hoje, permitiu a descentralização de ideias, o aumento de autonomia de decisões de cada indivíduo, o que nos levou a recriar o modelo de controle, nos permitindo passar a eleger os “novos reis e os novos nobres”.

Passamos com a chegada da república do Controle 1.0, oral, para o 2.0, Escrito. Mas isso foi bom para uma determinada complexidade e não para a atual, com muito mais gente no planeta, países e cidades.

Vivemos hoje, igual ao fim da Idade Média, a obsolescência de um modelo de Controle , O controle 2.0, oral e escrito, tem limitações na sua capacidade de controlar as organizações, incluindo os partidos políticos e seus representantes.

A saída já parece clara.

Uma nova linguagem como a que vem sendo praticada pelo Uber, AirBnb, Mercado Livre, que permite que muito mais gente possa controlar pessoas e processos, através de aplicativos, resolvendo o problema da fiscalização na nova complexidade.

Um motorista do Uber não é mais bem intencionado do que um de uma cooperativa, mas é controlado de outra forma pelo consumidor, que tem o poder de decisão se ele continua ali trabalhando.

Assim, não está se resolvendo o problema do transporte coletivo com uma elevação espiritual dos motoristas de táxi, que passarão agora, depois de uma “purificação interna ou seleção apurada” a serem mais respeitosos com os passageiros.

Os motoristas de táxi passaram a ser desrespeitosos pela incapacidade da sociedade de poder controlá-los.

Os motoristas de táxi são bem parecido com os políticos: estavam ( e ainda estão) incontroláveis na forma de se servir da sociedade e não a servir.

O que existe de novo hoje não é colocar o nome Novo em um partido, mas procurar outras formas de controle em que vai se aumentar a participação do cidadão, via novas tecnologias sobre todos os antigos intermediadores, incluindo os políticos.

O Partido Novo me lembra os movimentos monarquistas que queriam resolver o problema do rei, sem acabar com o trono, através de uma transfusão de sangue azul para um sangue ainda mais azul.

Há muito boa vontade, mas pecam pelo excesso de pragmatismo num mundo disruptivo, que exige inteligência estratégica.

Isso se reflete na forma que escolheram candidatos, através de seleção que lembra de grandes corporações. O problema não é o currículo dos políticos, mas a forma como iremos controlá-los antes, durante e depois.

É preciso uberizar os políticos, colocando atrás dele eleitores com aplicativos, dando estrelinha o tempo todo!

 

No Controle 2.0 só se obtém pureza (e controle) limitando a quantidade, tornando lento o processo. É o que tem tentado o Partido Novo, reduzindo os candidatos, fazendo seleção apurada, ou dizendo que não são políticos profissionais ou que não terão mais que duas reeleições.

Isso é incompatível com uma cidade de quase 7 milhões de habitantes ou um país de quase 210.

É a tentativa de purificar o Controle 2.0, que já não dá mais conta do atual processo de complexidade.

O cidadão não está de saco cheio da política, mas percebe que se esgotou a forma de controlar os políticos. O que é verdadeiramente Novo é apresentar uma nova forma em que se saiba que isso será possível.

É preciso que o Novo faça uma reavaliação e estude profundamente o futuro, entenda que não é o político que está em crise, mas o modelo partidário do Controle 2.0.

E que o que é realmente Novo é começar a inovar para procurar novas formas de Controle, tanto internamente, quanto nas propostas para a sociedade.

Não foi à toa que a proposta de Uberização da cidade partiu de um candidato de um partido não tão novo, deixando o Novo para trás. Ver aqui o vídeo que fiz sobre isso.

O Partido Novo tem que entender que Partido é algo que está completamente velho.

 

Vimos que o liberalismo não é uma ideologia, mas uma topologia.

dsc08919

A topologia de poder de uma sociedade é fortemente influenciada pelas Tecnologias Cognitivas disponíveis.

Mídias centralizadoras tornam a sociedade mais centralizada.

E o contrário.

Mídias descentralizadoras tornam a sociedade mais descentralizada.

Uma Revolução Cognitiva, assim, faz em décadas o que o movimento liberal faria em séculos.

Há, pela ordem:

  • descentralização de ideias;
  • que provoca descentralização de produtos e serviços;
  • que aumenta a autonomia de decisão.

Antigos intermediadores perdem espaço para os novos reintermediadores liberais, que vão adotar o discurso e/ou a prática liberal para se expandir.

Podemos dizer, assim, que o liberalismo tem duas fases.

  • a cultural, quando defende mudanças na cultura, dentro de eras cognitivas;
  • e a tecnológica, quando estamos diante da chegada de novas tecnologias cognitivas descentralizadoras.

E mais:

  • No movimento cultural, temos o micro-movimento liberal;
  • E na tecnológica, o macro movimento liberal.

É o que estamos vivendo agora.

As pessoas comparam liberalismo com comunismo, socialismo, ou outros ismos.

Complicado.

O liberalismo, a meu ver, é uma topologia de poder, uma forma de se preocupar com a forma e não com o conteúdo social.

Um liberal de raiz é aquele que acredita que é no somatório da ideia de cada pessoa que se chega na melhor sociedade possível.

Assim, a defesa de uma sociedade liberal não é de conteúdo, mas de forma. De estruturar modelo em que seja possível que cada um possa contribuir para que a Inteligência Coletiva se viabilize.

O problema é que o liberalismo não se faz de fora para dentro, mas de dentro para fora, por isso é algo mais demorado e de longo prazo.

Uma sociedade mais autônoma exige que cada pessoa tenha mais autonomia de decisão, E isso implica situações de melhoria de vida, de escolaridade e oportunidades econômicas.

Quanto maior for autonomia de decisão de cada cidadão em uma dada sociedade, mais as ideias liberais serão defendidas e terão repercussão.

E vice-versa.

Quanto menor for autonomia de decisão de cada cidadão em uma dada sociedade, menos as ideias liberais serão defendidas e terão repercussão.

Quando há dependência para a tomada de decisões, se tenderá a seguir o conteúdo de algo maior, vindo de fora, como um pacote fechado.

Ideologias conteudistas, em que se define o futuro de uma determinada maneira, ganharão espaço na sociedade.

Se reduzirá a taxa de produção de Inteligência Coletiva, tanto em termos de ideias, como de produtos e serviços.

Há dois fatores que devem ser contabilizados como variante desse aumento ou redução da adesão de ideias liberais no mundo e em determinada sociedade:

  • o aumento demográfico;
  • as tecnologias cognitivas disponíveis.

Se há aumento radical, como tivemos no mundo nos últimos 200 anos, obviamente que conjunto enorme de habitantes não terão escolaridade.

Terão baixa autonomia e precisará de um centro forte para poder tomar decisões, o que vai reduzir a taxa de inteligência coletiva descentralizada.

E teremos, por tendência, o aumento de ideologias conteudistas e centralizadoras, como temos visto tanto na América Latina, como no Oriente Médio e, de certa forma, em todos os países.

O liberalismo, assim, é como se fosse uma sanfona.

Quando aumentamos a autonomia de pensamento, teremos mais liberalismo e vice-versa.

Falta ainda a percepção do papel das Revoluções Cognitivas no movimento liberal.

Que detalho mais aqui.

Livro recomendado.

lib3

Comprar aqui.

 

Video relacionado:

Um caçador de mentiras, na verdade, não tem a verdade, mas é apenas um mentiroso mais sofisticado.

dsc00071

É importante que o caçador de mentiras saiba que ele não traz a verdade, mas é alguém que percebe que é um mentiroso e está também analisando suas próprias mentiras.

Há no processo de caça de mentiras, duas fases:

  • a de planejar a mentira;
  • e de executar a mentira.

No planejamento da mentira, é importante ir cortando os cabelos para tornar a mentira menos cabeluda.

E aí temos duas etapas ao planejar a mentira:

  • a narrativa do mentiroso;
  • e a interação do mentiroso com outros mentirosos.

A narrativa do mentiroso exige coerência interna.

Não pode dizer que um casaco é vermelho no início e ao final falar que é azul. A mentira fica evidente para os menos ingênuos.

A primeira é uma caçada de contradições internas da narrativa do mentiroso, pois é preciso contar uma mentira coerente.

Depois, é o momento de contar a mentira para outros.

Cada pessoa que ouve a mentira pela sua subjetividade única é capaz de enxergar os buracos. E, por isso, quanto mais o mentiroso contar sua mentira, ouvir os furos e corrigir a narrativa, melhor ela vai ficando.

(Hoje em dia, principalmente no Brasil, a maior parte das pesquisas acadêmicas – ainda mais na área de humanas – são mentiras que ficam nessa primeira parte: narrativa de mentiroso.)

Porém, é preciso depois de aprimorar muito bem a mentira, colocá-la diante do teste principal: a vida.

A vida é a melhor caçadora de mentiras que temos.

O mentiroso ético é aquele que quer a melhorar a sua mentira enquanto está vivo.

Sabe que a mentira é provisória.

É igual a um nadador que quer bater todos os recordes, enquanto estiver competindo nas piscinas.

A vida adora cortar cabelo de mentiras cabeludas.

Mentiras, assim, precisam criar metodologias para serem testadas.

É só no momento que estão sendo testadas diante da vida que uma camada mais profunda das mentiras emerge.

Uma coisa é convencer pessoas, facilmente iludidas, de que a mentira faz sentido. Outra bem diferente é ver se a vida aceita aquele papo furado.

A vida é a verdadeira prova definitiva de todos os mentirosos.

A vida é o Mentirotômetro final e definitivo.

Obviamente, que podemos durante um período conseguir esconder os resultados que mostrem os furos da mentira. Ou a mentira é a melhor mentira que temos por enquanto.

Mais dias, menos dias, contudo, a mentira começa a criar problemas e demanda uma mentira melhor.

Mentiras como sabemos, têm pernas curtas.

Os grandes mentirosos são aqueles que conseguem criar mentiras e fazer com que as metodologias em cima destas mentiras durem mais tempo.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

capa_cp

Compre aqui.

Video relacionado:

Muita coisa sobre o futuro, inovação, estratégia depende do conceito entre verdade-mentira.

dsc00051

A maior parte dos alunos que entra na minha sala de aula acredita que existe uma verdade lá fora. Procuro demonstrar que pode até existir, mas o ser humano sempre está mentindo sobre ela.

Mentindo por que quer?

Não, mentindo, pois o que temos são mentiras provisórias. Procuramos ter mentiras que nos permitam decidir sobre determinados problemas num determinado tempo e lugar.

Temos a fantasia de que há ali uma verdade, mas é melhor pensar de forma inversa, pois sempre estaremos trabalhando com desconfiança diante dos fatos e percepção, que podem mudar no dia seguinte, a partir de novas interações com a vida.

Quando defendemos a procura da verdade, no fundo, o que estamos dizendo é que devemos aperfeiçoar as nossas mentiras.

E podemos aí começar a pensar de uma forma mais objetiva sobre as mentiras que nos alimentam.

Como uma mentira é desmascarada?

O dito popular de que “mentiras têm pernas curtas” é maravilhoso.

Mentiras ignoram as regras da vida. E, por isso, mentiras cabeludas serão mais cabeludas, quando forem se afastando destas regras. 

Cada espécie viva, e isso podemos observar a todo o momento, quer antes de tudo se manter viva e viver da melhor forma possível.

Tudo que vai na direção da sobrevivência tem mais verdade e tudo que vai contra tem mais mentira.

A economia é, por exemplo, um jogo de trocas e de energias entre pessoas, natureza, materiais, outros animais. O mesmo podemos dizer da política e de cada uma das metodologias no mercado.

No longo prazo, o que gera valor, de fato, são todas as ações que apontam em direção à melhoria de vida de um conjunto maior de pessoas.

Uma startup, por exemplo, é uma caçadora das piores mentiras do mercado, para trazer mentiras renovadas.

Nem sempre as práticas que temos respeitam as “regras da vida” e, mais dia menos, dia a vida acaba por mostrar que estamos diante de mentiras mais ou menos cabeludas.

Já disse que existem alguns “postes” nos quais o “carro da verdade” costuma bater:

  • fenômenos novos;
  • malucos novos;
  • tecnologias novas.

Assim, podemos dizer que quem procura a verdade, no fundo, é alguém que quer trazer uma mentira melhor, que esteja fazendo uma releitura das regras da vida.

Muitos dirão que se existem regras da vida, a procura da verdade é a procura das regras da vida. Sim, podemos pensar assim, mas nossa vontade de nos iludir é grande.

Mudanças ocorrem nas regras da vida, principalmente, quando aumentamos a população e inventamos novas filosofias, teorias, metodologias ou tecnologias.

Que as regras da vida se tornam mais difíceis de serem entendidas. Coloque aí a capacidade de um ou outro iludir um ou mais gente. E temos essa eterna busca pela mentira melhor.

Detalho aqui como aplicar o Mentirotômetro, uma forma de melhorar a qualidade das suas mentiras provisórias.

Livro recomendado:

capa_cp

Compre aqui.

Vídeo relacionado:

Hoje, o candidato a prefeito Índio da Costa disse o seguinte no jornal:

indio-da-costa2

‘Vou usar o modelo do Uber para a saúde’

http://extra.globo.com/noticias/brasil/indio-da-costa-vou-usar-modelo-do-uber-para-saude-20135601.html

Diz ele:

“Sou favorável à legalização. Vou usar, inclusive, o modelo do Uber para a saúde, a habitação, a segurança, o transporte. O usuário vai me dizer qual é a dificuldade que ele tem. Eu vou poder redesenhar com liberdade e autonomia, sem depender do empresário de ônibus. Eu vou redesenhar o modelo a partir da necessidade do usuário. Hoje a gente tem oportunidade de fazer, e eu vou fazer, o que as esquerdas sonharam para o Brasil e não conseguiram, que é um governo verdadeiramente participativo. Naquela época, a participação era de pequenos grupos e só quem era ligado à política participava.”

Nos encontros que tivemos nos últimos três anos no Laboratório de Inovação Participativa da IplanRio, empresa de tecnologia da Prefeitura do Rio, isso não é novidade.

Chegamos juntos à conclusão de que algo assim iria ocorrer, pois a uberização é a única saída para diversos problemas da cidade.

Há claramente uma incapacidade do modelo de gestão conseguir lidar com a atual complexidade.

O exemplo mais evidente é a dicotomia entre 9 mil ônibus para 40 fiscais, algo que é impossível de ser resolvido pelo modelo tradicional.

Porém, a uberização implica necessariamente em rever a relação fixa patrão-empregado e de empresas concessionárias-prefeitura.

A gestão é um pacote administrativo composto de um conjunto de tecnologias de comunicação e informação,  sob as quais um gestor toma decisões.

A Curadoria Digital, representada pelo modelo Uber, é um pacote administrativo composto de um NOVO conjunto de tecnologias de comunicação e informação,  sob as quais um gestor ARTIFICIAL toma decisões.

A grande diferença entre os dois é de que na gestão a capacidade de participação da sociedade é uma, limitada.

Na Curadoria, você aumenta radicalmente a possibilidade de participação, mas participar implica necessariamente compartilhar a decisão.

Quando se abre para que se dê estrelas, curtições, notas para qualquer serviço ou produto NECESSARIAMENTE se é obrigado a descartar aquilo que não está funcionando e promover o que está.

Quem avalia, não quer participar de uma pesquisa, mas quer decidir.

O Cidadão 3.0 não quer mais conversar com o gerente, mas quer ser o gerente!

Um projeto de abrir à colaboração, através dos algoritmos participativos, podemos chamar de projeto de Big Data participativo, no qual um gestor vai tomar as decisões, com as limitações que a gestão permite.

Porém, a Cultura da Participação que se está estabelecendo reduz o tempo e a demanda entre clicar num ícone e ver a decisão tomada.

Se depois do clique de avaliação não se tem decisão tomada, não se clica mais.

Chamo esse tipo de projeto de Gestoria, já não é gestão, mas também não é curadoria, fica no meio do caminho, abrindo para crises.

Não é possível fazer isso?

Sim, se pode, sem problemas, desde que se faça da seguinte forma:

  1. um projeto experimental de longo tempo e não como defende Índio da Costa de forma massificada em um ano;
  2. de tal forma que se vá gradualmente passando o poder de decisão do gestor para o cidadão, através de processos que permitam afastar pessoas e criar processos autônomos de decisão, via inteligência artificial.

Que tais projetos sejam visto como sementes, que vão virar muda, que vão virar árvore e depois de um DNA bem consolidado, floresta.

É uma mudança cultural profunda, pois está se implantando um novo modelo de administração do Sapiens, na qual o gestor vira curador e passa gradualmente as decisões para o cidadão, através de critérios definidos em algoritmos.

Livros recomendados:

adm30avancados

E ainda:

cidades-30

 

Há uma certa febre no mercado de que o grande cliente é o Consumidor 3.0.

É bom lembrar, entretanto, que em toda a corrida do ouro, quem ganhou mais dinheiro é também o cara que vendeu pás, picaretas, lampiões para os mineradores.

Startups que vão oferecer serviços para novas startups precisam ser estimuladas. É um bom negócio.

Livro recomendado:

starutp30

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

Existe um certo engano no mercado entre empreendedor de sucesso e milionário.

dsc02793

Sucesso é algo subjetivo.

Há empreendedores que traçaram uma reta de fazer o que gostam e isso não passou por se tornarem milionários.

Assim, há mentores que não são milionários, mas podem ser ricos, no sentido de conseguir ganhar uma grana e fazer o que gostam.

E pode haver também empreendedores milionários, que não estão ricos, pois não fazem o que gostam.

Quem mede mentor pelo extrato de banco, pode cair do cavalo.

Livro recomendado:

starutp30

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

Minha visão macro sobre o cenário me diz o seguinte: estamos hoje praticando a caça livre aos antigos intermediadores.

dsc03947

 

Todos os projetos de Startups 3.0 que aparecem vão na direção da morte do antigo intermediador.

Quando se mata um antigo intermediador, se chama isso de Inovação Disruptiva. E quando se mantém ele vivo e se faz uma aliança com ele, de incremental.

Não gosto de projetos incrementais, pois não estão muito coerentes com o futuro.

Se estamos vivendo uma guinda disruptivas, a tendência de projetos incrementais é não gerar muito valor.

Mais ainda.

Os antigos intermediadores estão nervosos e querem sobreviver. Nada mais natural que se apossem da ideia dos inovadores incrementais para ganhar fôlego.

O que vejo com oportunidade é o crescimento da Inovação Disruptiva. Matar intermediadores para tornar os intermediados mais felizes, através da redução de custos e melhoria dos serviços.

Para isso, é preciso de tecnologias matadoras, que permita que isso possa acontecer.

O sucesso está justamente em conseguir resolver o problema que está embolado com uma tecnologia que vai desembolar.

Tenho muita aversão a que empreendedores formigas sentem à mesa com intermediadores tamanduás. Sempre acho que um acidente fatal está para acontecer.

Livro recomendado:

starutp30

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

Muitos têm várias teorias e práticas sobre o assunto, mas vamos refletir sobre o tema.

dsc09244

A primeira constatação é que não podemos falar de mentoria, mas de mentorias.

Existem duas a princípio:

  • estratégica – que vai procurar ajudar a base do negócio, problema versus solução, que podemos chamar de estratégica estrutural;
  • pontual – que vai procurar ajudar em partes do negócio, a partir do momento que a parte estratégica está amadurecida, que podemos chamar de mentoria pontual.

Cada mentor pode ajudar, a partir de sua vivência em cada uma destas etapas.

É bom, para a sequência do projeto, que os mentores estratégicos esgotem fortemente uma etapa, depois se passe por uma fase pontual e depois, no caso, de buracos, se volte ao estratégico.

Bons Mentores Estratégicos são os que se dedicam ao futurismo, que estão o tempo todo construindo cenários.

Num círculo.

Outro ponto que me chama a atenção é a do Mentor passivo ou mentor ativo.

Muitos dizem que o papel da mentoria não é se meter, mas ajudar o mentorado a chegar sozinho às suas conclusões.

Será?

Não acredito em mentoria passiva, pois acaba sendo uma falsa mentoria.

Temos um problema diante do mentor e mentorado que precisa ser solucionado e quanto mais cada um puder realmente dizer o que pensa, melhor será o projeto.

A história de qualquer projeto empreendedor é um jogo entre pergunta-reposta sobre um problema-solução, quando mais isso for musculado, desde cedo, melhor.

Um mentor ativo, entretanto, não é um mentor impositivo ou autoritário. Quem está no fogo e vai se queimar é o mentorado, que tem que ganhar maturidade para poder ouvir, filtrar e decidir.

O mentor não vai impor nada. Ele opina. Em caso de discordância, de não aceitação, ele fez o seu papel, cabe ao mentorado procurar um mentor estratégico que concorde com seu ponto de vista.

Quanto mais ele fizer isso com os mentores, melhor, pois estará praticando para algo que virá depois em cada rodada de negociação, nais quais haverá sempre alguém querendo dar palpite e mudar o foco do negócio.

E aí entramos no debate sobre a capacidade de cada mentorado para decidir.

O que está sendo dito faz sentido e o que não faz?

Talvez aí esteja um dos pontos de sucesso de projetos empreendedores.

Ser capaz de ouvir, julgar e decidir o que faz sentido e o que não faz sentido diante das várias alternativas apresentadas.

Livro recomendado:

starutp30

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

No trabalho que tenho feito de mentoria para novas startups, me esforço para apontar o que é óbvio, mas nem sempre evidente.

dsc06536

Seres humanos têm necessidades permanentes e demandas variáveis.

Não podemos, sem que tenhamos mutações genéticas, alterar as necessidades humanas. O que ocorre é que estas necessidades, no tempo, geram diferentes demandas, que vão sendo resolvidas pelo antigo e atual mercado.

O novo empreendedor vem atuar nesse mercado para desembaraçar um nó existente.

Exemplo?

Se hoje existem jogos de computador é por que o ser humano gosta de jogar e não é de hoje.

A necessidade de jogar não surgiu agora, mas novas formas de jogo.

Quem investe em gameficação, por exemplo, atua sobre a necessidade humana de gostar de jogar que ganha nova demanda, a partir das novas possibilidades tecnológicas.

Assim, um empreendedor de games está suprindo a necessidade humana de jogar com outras ofertas.

Não está inventando a necessidade, que já existia, mas está oferecendo novas ofertas para velhas necessidades.

Um desenvolvedor de jogos é um fornecedor de serviços e produtos para a necessidade humana do jogo.

Quem vende jogos de tabuleiro, não eletrônico, vai perder fatias do mercado.

E aí vamos ao ponto.

Não existe na inovação, principalmente na disruptiva, alguém que não fique triste e perca o mercado.

Você quer que seu cliente aumente a taxa de felicidade, o que já não era mais possível com o antigo fornecedor.

Por isso, quando circulo nas mesas de mentoria, pergunto logo de cara:

“Quem você quer matar?”.

E aí vamos analisar o antigo fornecedor, suas falhas, seus problemas, seus custos, a infelicidade que está causando e que você vai resolver.

Um empreendedor é um caçador de infelicidades alheias e para isso terá que matar aqueles que estão causando infelicidade, oferecendo, assim, algo melhor.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

starutp30

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

Somos uma Tecnoespécie.

dsc03947

E somos regulados pelas Tecnologias de Linguagem.

  • Quando aumentamos a complexidade e criamos Tecnologias de Linguagens que permitem a descentralização, temos surtos liberais.
  •  Quando aumentamos a complexidade e não conseguimos criar Tecnologias de Linguagens que permitem a descentralização, temos surtos centralizadores.

Podemos dizer, assim, que grosso modo, não temos liberalismo e sim Tecnoliberalismo, pois procuramos ampliar, ao máximo, a capacidade descentralizadora de cada era tecnológica.

E mais:

E que o projeto, digamos ideológico dos liberais, é tirar o máximo possível de descentralização dentro dos limites tecnológicos possível.

Sob este ponto de vista, podemos dizer que existem dois grupos ou pensamentos fundamentais, que formam a verdadeira divisão ao longo da história, que superam a falsa dicotomia esquerda e direita: centralizadores e descentralizadores.

  • Os centralizadores – que defendem ordem centralizada, a partir de um determinado destino traçado para a sociedade. Para eles, a humanidade caminha inapelavelmente do ponto “A” para B” e determinado grupo sabe qual é este caminho e vai nos conduzir até lá. E aí variam os tipos de “profetas”, sejam eles religiosos, ideológicos, raciais, sanguíneos;
  • Os descentralizadores – que defendem ordem descentralizada, espontânea, a partir de destino em aberto, em que a humanidade NÃO caminha de ponto para outro e há uma inteligência coletiva que, na interação, acaba nos levando para o caminho menos ruim, a partir das interações.

E isso nos leva a:

  • Podemos dizer que os centralizadores são conteudistas, pois querem que as pessoas “tomem consciência” daquela determinada verdade e passem a seguir determinado rumo, rota, caminho, líder, tribo, etc.
  •  Podemos dizer que os liberais são topológicos, pois NÃO querem levar à sociedade para  determinado ponto e, por causa disso, querem garantir que haja a interação entre as partes. Não há líderes que sabem, mas curadores que queremos promover a Inteligência Coletiva.

Tal divisão, no fundo, é muito mais próxima do que hoje definimos como esquerda e direita, pois há centralizadores no que chamamos de direita. E descentralizadores, como é o caso de alguns grupos anarquista, que chamamos de esquerda.

O liberalismo, que podemos chamar de forma muito mais adequada de descentralismo, visa a descentralização de poder, através do empoderamento dos indivíduos.

E ainda:

Para um liberal não existe objetivo central da humanidade, a não ser sobreviver da melhor maneira possível. E para que isso seja feito é necessário que haja interações para resolver os problemas cada vez mais complexos que vamos nos metendo.

O descentralismo (que chamamos de liberalismo), na verdade, defende não uma ideologia, mas um tipo de topologia de modelo de poder, em que o centro não exerce uma função reguladora ou condutora.

Um liberal tem uma ideologia de forma e não de conteúdo.

O centro liberal existe para permitir que as pontas possam interagir, tendo a função, para falar uma palavra da moda, de curadoria.

Se existe uma ideologia liberal é uma ideologia topológica, de procurar o tempo todo garantir que a sociedade seja a mais descentralizada possível.

Quanto mais ela interagir, menos erros, teoricamente, vai cometer. 

O liberalismo consegue vingar no tempo, pois o Sapiens é escravo da inovação e qualquer sociedade que opte pela centralização acabará em crise, pois esbarrará na realidade da complexidade progressiva.

A prática liberal isso implica e exige:

  • a aprendizagem para a autonomia de pensamento das pontas para permitir a descentralização cada vez mais ampla e sustentável;
  • as tecnologias de linguagem mais modernas descentralizadoras, que permitam o aumento cada vez maior da inteligência coletiva;
  • e valores, leis, normas e regras de conduta e coletiva que levem à descentralização, bem como a mesma postura de seus dirigentes.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

lib3

Compre aqui.

Temos um problema filosófico sérios a ser superado na relação ser humano com tecnologias.

dsc06662

  • O problema é que temos uma visão de tecnologia = máquinas.
  • E normalmente tecnologia é coisa nova.
  • Tecnologia velha é relíquia que lembra nossos avós.

Podemos definir tecnologia como tudo aquilo que não nasce em árvore, o que, na verdade, que caberia na mesma definição de cultura.

Podemos dizer, assim, que conceito bom é conceito vivo.  Conceitos formatam nossa forma de pensar e agir.

E quando imaginamos cultura e tecnologias separadas, não imaginamos que as linguagens, aquilo que usamos para promover as trocas, são tecnologias em processo de mutação.

E, como toda boa tecnologia, se alteram com o tempo.

E mudam toda a sociedade.

O grande problema para entender o século XXI passa justamente por essa falsa visão que temos de nós mesmos: achamos que somos uma espécie “natural”, que de vez em quando precisa da impureza tecnológica. 

Mudanças provocadas por alteração das tecnologias das linguagens não entram no nosso radar de rupturas culturais.

E, como cupins no armário, as tecnologias das linguagens vão provocando mudanças no mundo que não conseguem ser compreendidas pelas teorias de plantão.

Prefiro, assim, o termo Tecnocultura. É bem mais preciso.

É bem mais preciso .

 

 

A ideia de que a realidade é sempre inventada. É muito boa.

É de Popper e aparece aqui e ali.

Quando se fala isso, imagina-se que temos que duvidar que a escova de dente é e escova de dente.

Não é bem isso.

É uma atitude de desconfiança perante nossa percepção.

Popper defende que tudo são hipóteses à procura de hipóteses melhores.

Assim, você tem que acreditar na sua escova de dente até que ela não vire algo diferente ou alguém lhe chame a atenção para que ela não é uma escova de dente.

No fundo, à procura da verdade é uma procura de uma lógica melhor que a nossa. Não é individual, mas coletiva.

É justamente  a certeza de que temos dúvidas ou a certeza provisória, que vai nos permitir ter certezas provisórias mutantes e cadas vez melhores.

Porém, quando debato isso com meus alunos, fica algo no ar, existe algum elemento que nos permite ter certezas provisórias melhores?

Eu arriscaria que devemos sempre nos agarrar a certezas provisórias que levem em conta à sobrevivência da vida.

Se existe algo básico dos básicos que deve ancorar todas as certezas provisórias é nunca perder de vista, no caso de estudos de fenômenos sociais, é de que a vida é sempre perseguida, defendida, protegida.

Assim, qualquer filosofia, teoria ou metodologia deve se preocupar com essa base: todos precisam comer, beber, se vestir, habitar, etc.

É sempre bom se perguntar se essa preocupação básica de todo o ser vivo está sendo levada em conta, bem com as suas variações.

Diria que a boa certeza provisória é aquela que não deixa de lado a complexidade humana. E faz parte básica dessa complexidade a demanda de sobrevivência.

Maduro, na Venezuela, por exemplo, resolveu inventar na economia e está faltando papel higiênico. É um caso típico de alguém que não levou a complexidade à sério.

É isso, que dizes?

Vídeo correlato:

Liberalismo aqui para este blog é uma forma de pensar e agir que defende o fortalecimento das pontas em relação ao centro.

dsc07133

Muitos dizem que a palavra de ordem que une liberais é a liberdade, leia-se liberdade individual. Eu diria que é a descentralização, pois fica mais fácil encontrar falsos liberais na defesa da liberdade (que é algo abstrato) do que na descentralização (que é mais concreto).

A defesa da descentralização é algo que pode unir pessoas o tempo todo, em qualquer hora ou lugar.

Porém, só teremos ciclos liberais mais amplos (entenda-se em várias regiões do planeta ao mesmo tempo) em determinadas circunstâncias.

Há um conjunto de forças importantes para viabilizar o liberalismo, em qualquer lugar:

  • os indivíduos de determinada sociedade precisam de algum tipo de autonomia de pensamento para poder assumir os direitos e deveres da descentralização e isso implica que os problemas básicos mais imediatos tenham sido resolvidos para reduzir a dependência em relação ao centro;
  • é preciso tecnologias que permitam a fiscalização das pontas para o centro, da sociedade para as organizações.

Um fator importante para reduzir o liberalismo na sociedade e aumentar a centralização é o aumento demográfico. Quando aumentamos a população muito rapidamente não há:

  • espaço/tempo/recursos para se criar a aprendizagem para a autonomia, há problemas emergenciais que começam a demandar respostas mais urgentes e demanda por um centro solucionador;
  • e acaba se centralizando os canais de mídia para resolver problemas objetivos e subjetivos, pois a produção precisa de uma massificação de demanda e oferta.

Assim, depois de picos demográficos é bem provável que tenhamos o aumento da centralização e a redução do espaço do pensamento e prática liberal descentralizadora.

Populistas de todos os tipos defenderão medidas paliativas e emergenciais, que visam aumentar o seu poder central, tentando eternizar a baixa autonomia.

É o que tem ocorrido neste início do século XXI e em outros momentos do passado.

Revoluções Cognitivas Descentralizadoras, entretanto, são as maiores aliadas para a descentralização e o liberalismo, pois elas, de forma rápida, conseguem:

  • criar autonomia de pensamento com bastante velocidade;
  • ajudam a denunciar os desvios do centro;
  • aumentam a possibilidade do empreendedorismo, tornando cada novo micro empreendedor um liberal por natureza, pois precisa do mercado livre e aberto para sobreviver.

Há que se ter uma revisão profunda no pensamento liberal da relação entre demografia e revoluções de mídia, chave para os projetos estratégicos que vão surgir no novo século.

É isso, que dizes?

lib3

Compre aqui.

 

Vídeo relacionado:

A cultura humana pode ficar obsoleta?

dsc07156

Pode.

O Sapiens é a única espécie viva e social do planeta que cresce demograficamente, pois pode dar upgrades Tecnoculturais.

As outras espécies têm cultura fixa, pois são genéticas.

Esta é a mudança de percepção necessária para entender o século XXI.Estamos pagando o preço de termos saltado de um para sete bilhões, gerando demandas objetivas e subjetivas, que tornaram a Cultura 2.0 obsoleta.

Todas as crises que vemos e assistiremos é a incapacidade com a atual Cultura 2.0 poder lidar com a Complexidade 3.0.

O que está em crise atualmente não é o capitalismo, a república, o humano, a falta de religião.

A Macrocrise da Cultura 2.0 na virada do século saiu da sua fase latente e se tornou explícita por dois motivos:

  • a descentralização de mídia, que permite que se saiba mais, se articule mais, se questione mais, se informe mais;
  • o surgimento da nova Cultura 3.0 emergente, que apresenta nova forma de pensar e agir diante de velhos problemas.

De um lado, denunciamos o velho e, por outro, começamos a perceber e experimentar o novo. É preciso, assim, saber o que ficou obsoleto na forma de pensar e agir da Cultura 2.0.

  • Poderia apontar como o principal motivo da crise, a certeza arraigada de que apenas administradores centrais de carne e osso são os únicos que podem controlar e coordenar processos, através de comunicação oral e escrita.
  • Poderia apontar como a principal novidade para sair da crise, a criação de uma nova cultura de administradores artificiais, que passam a controlar e coordenar processos, permitindo a participação de massa, através de novos modelos de comunicação de ícones participativos.

A chegada da Cultura 3.0 é a saída para procurar novas formas de pensar e agir para resolver problemas, através de novo modelo de conversa entre sociedade-organizações, intermediados por gestores artificiais.

A Cultura 3.0 se baseia na difusão de gestores artificiais que têm como missão decidir não a partir do centro, mas permitir que as decisões sejam tomadas de forma a promover cada vez mais a Inteligência Coletiva Digital.

Um conjunto enorme de Tecnologias Descentralizadoras estão sendo implantadas na sociedade, todas na mesma direção: aumentar a capacidade de decisão individual em todas as áreas para lidar melhor com a nova Complexidade Demográfica.

É para lá que o mundo caminha, de forma inapelável.

Quem não subir no bonde, vai ficar no ponto

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

politica30

Compre aqui.

dsc08834

Muita gente joga pedra no século passado. Sim, foi um dos mais violentos da história. Não por causa das guerras, que sempre tivemos, mas pelas tecnologias das guerras, que permitiram matar muito mais gente.

Precisamos, na verdade, rever como pensamos a Macro-História.

A história não é linear e se move, a partir de algumas variantes fundamentais:

  • aumento demográfico progressivo;
  • capacidade que temos de inovar a Tecnocultura;
  • e ciclos de centralização e descentralização.

Quando aumentamos a população, a tendência é centralizar canais de ideias e distribuição, pois demandas objetivas precisam ser atendidas primeiro em detrimento das subjetivas.

Só podemos sair desse sufoco quando a Tecnocultura consegue criar nova linguagem, que permite trocas mais horizontais e descentralizadas e um novo ciclo de descentralização.

O século passado foi de centralização o atual será de descentralização. O século passado foi da força e o atual será o do convencimento.

Assim, não devemos encarar o século passado do ponto de vista moral. E nem achar que os conceitos fundamentais da república e do capitalismo precisam ser revistos.

A crise que tivemos, temos e teremos que superar é Tecnocultural.

O aumento demográfico radical que nos tirou de um e nos colocou no patamar de complexidade de sete bilhões tornou a nossa Tecnocultura obsoleta.

Queremos resolver problemas complexos com uma Tecnocultura de baixa sofisticação. Tudo que veremos neste século é o upgrade Tecnocultural em direção a lidar melhor com mais complexidade.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

politica30

Compre por aqui.

 

Estamos saindo de uma era de centralização de ideias.

dsc04318

Isso foi resultado da química complicada entre aumento demográfico, concentração  dos canais de trocas, que nos levou à baixa diversidade de pensamento.

De maneira geral, o saldo de tudo isso é que temos concepções de mundo muito mais vindo de fora para dentro do que de dentro para fora.

Leiam mais no texto “A concentração obrigatória: por quê o mundo teve que concentrar as ideias no século passado?“.

Um destes conceitos construídos de fora para dentro é o do sucesso.

Podemos dizer que hoje temos o Sucesso 2.0.

Sucesso 2.0 é sinônimo de subir.

E subir é ter dinheiro. E todos que querem ter sucesso devem seguir esse roteiro.

O sucesso se tornou algo objetivo, material, tangível, muito ligado ao dinheiro, que permite que tudo isso seja possível.Não é algo medido de dentro para dentro, mas de fora para dentro, do olhar da sociedade para o sucesso de cada um.

Quem define quem tem sucesso é o outro e não ele mesmo.

O sucesso  passou a ser algo objetivo e não subjetivo de cada um.

O sucesso está ligado ao conceito de felicidade, um tema que abrange o ramo moral e ético da filosofia, que procura responder: “O que afinal estamos fazendo aqui e como podemos viver melhor e viver uma vida com significado?”

As pessoas, na verdade, imaginam que ao se chegar ao sucesso está se comprando felicidade. E que felicidade é alto também medido de forma para dentro.

Se todos acham que estou feliz, estou feliz.

(Entendo felicidade como uma taxa de satisfação pessoal ao longo do tempo.)

O que nos leva também a perceber que a felicidade (como o sucesso) passou também a ser um conceito objetivo, geral e não algo subjetivo de cada um.

A guinada que estamos dando com a chegada da Revolução Digital altera os conceitos de sucesso e felicidade.

Estamos começando a construir o Sucesso 3.0.Hoje, com as novas Tecnologias das Trocas estamos saltando os limites produtivos do século passado e podendo casar individualidade com produtividade.

A diversidade do Mundo 3.0 permite que possamos começar a tirar o Sucesso subjetivo do armário!

Há espaço para que se possa personalizar produtos e serviços, sem que isso signifique o caos social. E mais e mais gente começa a se interessar pelo não padronizado.

Isso é um movimento de mão dupla, que gera oferta e demanda, descentralizando as antigas organizações e podendo tornar o Sucesso Subjetivo sustentável, pois num mundo centralizado só poderá sobreviver quem aderir ao Sucesso de plantão.

Assim, se inicia processo de estímulo à diversidade individual e isso se torna viável economicamente.

E o aumento da taxa de diversidade significa trabalho de reflexão sobre os nossos conceitos, os objetivos.

Aumenta-se a demanda e a oferta pelo Sucesso 3.0.

 

Tal fato, abre possibilidade de que mais e mais empresas possam oferecer produtos e serviços para nichos, num círculo virtuoso.

Aumenta-se radicalmente a taxa de conceitos construídos de dentro para fora, onde se inclui o do sucesso e o da felicidade.

Assim, ter sucesso deixará de ser medido mais de dentro para fora do que de fora para dentro.

Ser feliz com o que se faz é algo que importará muito mais do que apenas ter dinheiro, que é apenas uma das medidas relevantes a ser considerada.

E isso tem que ser a base filosófica para o pensamento das novas startups, que ainda estão muito intoxicada pelo conceito do Sucesso 2.0, do século passado.

É isso, que dizes?

Livro recomendado:

sucesso-30

Veja como acessar aqui:
http://nepo.com.br/servicos

 

(Aviso: peço aos religiosos para não confundir o conceito de Deus com Deus da sua crença pessoal ou do seu grupo. Não estou promovendo aqui debate religioso, mas de Ciências Humanas e o papel da religião na Macro-História.)

dsc06497

Antes de qualquer filosofia, a placa-mãe da placa-mãe de qualquer sociedade é como se responde as antigas e permanentes frases, sempre sem resposta, de onde viemos, para onde vamos, por que estamos aqui?

Como tudo isso não tem explicação, aparece o conceito de Deus, Deuses ou Não-Deus.

É algo que constitui a identidade dos povos e das pessoas.

O que há de novo nesse debate é alguns links que podemos fazer da influência no conceito de Deus da Demografia e das Tecnologias das Trocas.

Por se algo estruturante socialmente, o conceito de Deus será mais próximos de nossas demandas civilizacionais.

Deus, a cada fase da história, será aquilo que precisamos que ele seja.

Quando vivíamos em pequenas aldeias ou em civilizações de baixa complexidade, a tendência eram vários deuses, o politeísmo, muito ligado à oralidade.

Cada tribo tinha o seu conceito de Deus, não unificado.

O aumento demográfico e a demanda de conexão cada vez maior entre as diferentes tribos, demandou o surgimento da escrita manuscrita, nova linguagem de trocas (a primeira a distância), que permitiu o surgimento do monoteísmo.

O monoteísmo só foi possível com a chegada da escrita, pois Deus psicografa para alguém (Moisés, Jesus, Maomé) e se tem um “livro sagrado”, que serve de base para a difusão daqueles ensinamentos.

Sem escrita não haveria o velho ou o novo testamento e nem o alcorão.

O monoteísmo escrito permitiu que tribos desconhecidas acreditassem no mesmo Deus, o que viabiliza civilizações maiores, pois você é diferente de mim, porém segue a filosofia do mesmo Deus.

Podemos dizer que haverá, assim, impacto com a chegada de novas linguagem, como temos agora na Revolução Digital, no conceito de Deus.

Há uma demanda hoje por um novo ciclo de descentralização política, social, religiosa, similar à chegada da prensa, quando o monoteísmo foi questionado.

Podemos defender que a chegada do Papel Impresso, em 1450, com as reformas que se seguiram, questionou pela ordem:

  • o totalitarismo violento e centralizador da Igreja Católica;
  • o papel da religião na política;
  • e a negação de várias crenças em paralelo.

De certa forma, Deus deixou de ser o elo aglutinador das tribos e isso ficou a cargo da República, com seus conceitos de liberdade de pensamento, incluindo credos.

Colocamos Deus em uma esfera mais etérea e muito menos prática e cotidiana.

Do ponto de vista de pensamento, o pai da Sociedade Moderna foi Darwin quando defendeu que o ser humano não teria vindo de Adão e Eva, mas era um processo natural de evolução.

Ou seja, não foi a criação de um centro, mas das pontas em processo descentralizado de trocas.

Essa é a base conceitual que permitiu a fusão das ideias primeiro de Adam Smith e depois de Darwin, que deu alguma validade religiosa ao capitalismo, um sistema de produção mais descentralizado.

Mais Darwinista.

Isso retirava, do ponto de vista subjetivo, o conceito de centro produtor de norma e leis e, de certa forma, admitia que a sociedade poderia se organizar de forma mais aleatória, a partir das trocas e interações.

Um conceito de Deus precisou ser superado para que o novo sistema econômico da sociedade moderna avançasse.

Sem a Prensa, não haveria Adam Smith ou Darwin e sem Darwin e Smith não haveria o liberalismo e nem república e nem capitalismo.

Houve uma descentralização do conceito de Deus para que tudo isso fosse possível!

Porém, se admitia de que, apesar de que deveria haver mais descentralização, tal processo ainda era feito por gestores de carne e osso.

Passamos para um monoteísmo organizacional, repetindo o modelo tribal do chefe, sub-chefe, curandeiro, etc nas atuais organizações modernas, que são ainda filhas da topologia da escrita.

Gestores laicos, entretanto, e não mais papas e reis escolhidos por Deus, mas pelos próprios homens e com ferramentais cada vez mais científicas.

O século XXI, entretanto, marca o final da Era Cognitiva Oral e Escrita e do que podemos chamar de Monoteísmo Escrito.

Há o o surgimento da linguagem dos ícones, que introduz na sociedade o uso intenso na área administrativa da Inteligência Artificial terá impactos profundos no conceito de Deus.

O atual Deus vai atrapalhar o avançar de tudo isso.

Haverá um novo ciclo de descentralização ainda mais radical, pois os processos terão que ganhar muito mais autonomia para as trocas. Teremos que acreditar em robôs e isso vai contra o conceito atual de Deus para muita gente.

Como o Uber, milhares de pessoas terão que ser coordenados por milhares de consumidores, gerenciadas por robôs.

Tudo isso nos faz pensar que haverá uma profunda revisão do atual conceito de Deus. A fé naquele gestor de carne e osso, que substituiu os papas e reis entra em processo de nova revisão.

Uma nova ordem artificial que não vem mais do centro e nem é apenas humana (apesar de ser feita por humanos), que ordena e organiza a sociedade precisa encontrar respaldo nas crenças.

O Deus 3.0 precisará dar lugar a algo muito mais etéreo, terá que ser muito mais artificial, descentralizado.

Ou um Não-Deus, ou multi-Deuses espalhados em diversas tribos, reduzindo bastante o espaço das religiões atuais.

Muitos dirão que vêm justamente o contrário. E têm razão.

Vemos religiões monoteístas crescendo em todos os lugares. Porém, elas não expressam o futuro. Ao contrário, querem justamente pela força impedir que este se estabeleça.

O que me deixa otimista, como demonstra a Macro-História, é de que o futuro sempre se impõem pelo convencimento e não pela força.

A força atrapalha, adia, mas não impede as  mudanças, pois as demandas obrigatórias sempre falam mais alto.

Temos 7 bilhões de almas para atender com demandas objetivas e subjetivas e isso não se resolve com reza.

O futuro para se estabelecer vai precisar rever o atual e primitivo conceito de Deus. Um Deus 3.0 será colocado no lugar.

É isso, que dizes?

 

 

 

Vídeo correlato:

Um debate quente em minhas palestras e em sala de aula é até onde vai a uberização da sociedade.

dsc06402

Hoje, tenho afirmado e coloco isso dentro das minhas certezas provisórias o seguinte:

  • o Uber não é um novo modelo de negócios, mas de administração, no qual o controle de pessoas passa de gerentes aos consumidores, através de aplicativos;
  • hoje, parece evidente, que terá grande aceitação em setores de serviços que tenham profissionais isolados, que não têm grande coordenação entre eles: motoristas, entregadores, manicures, encanadores, eletricistas, médicos familiares (já há várias iniciativas nessa direção).

Isso eu acredito que não é algo que desperte grande polêmica, pois é um exercício mais simples de futurologia.

Porém, até onde vai a uberização da sociedade, o que nos leva para uma futurologia mais complexa?

Muitos argumentam que quanto mais complexo for o empreendimento e isso quer dizer coordenação de pessoas e processos – será necessária a presença de gerentes de carne e osso.

E aí é bom separar o que é estrutural do conjuntural. Ou que pedras se pode colocar o pé e quais podem te derrubar.

Digamos que todos podemos concordar que ser humano sempre terá necessidade em processos mais complexos de coordenação da atividades e pessoas. Ponto. Isso é indiscutível e quem disser algo diferente disso, pode internar.

A questão da futurologia que se coloca é a seguinte.

Poderemos ter mais adiante uma nova forma de coordenação de atividades e pessoas que não seja um gerente de carne e osso?

Vejamos que no Uber já temos o início do uso intenso de Inteligência Artificial voltada aos negócios.

Hoje, a coordenação de que pessoas devem ser afastadas e promovidas é feita pelos aplicativos, através da avaliação mútua entre passageiros e motoristas, que vai depurando a qualidade da comunidade de negócios.

Quem não tem Credibilidade 3.0, não se estabelece!

Temos também o surgimento do Uber Pool, que coordena já de forma tímida, ainda primitiva, mas já o faz, diferentes rotas para que pessoas possam dividir a corrida.

O Uber Pool orienta o motorista da rota que deve ser seguida, através de sofisticado – para o nosso tempo – processo de diferentes demandas e oferta.

O motorista não precisa fazer nada, apenas seguir a orientação da moça que fala com voz metálica.

Assim, o que acontece ali é a substituição do papel do gerente de carne e osso não só para coordenar pessoas, mas processos.

Um gerente artificial, que é a base da curadoria, orienta o motorista para que faça a melhor rota para integrar diferentes passageiros.

O Waze não é diferente disso.

Estamos, na verdade, criando a Cultura da Inteligência Artificial, na qual, aos poucos, a sociedade não mais estranha tanto se um determinado processo define o roteiro do processo sofisticado do que tem que ser feito.

O próximo passo, me parece ter lógica, é passar esse tipo de atividades de processos mais simples da divisão de corrida para outros mais complexos, tais como equipes que serão coordenados por um Gerente Artificial.

Isso vai ser um processo gradual, mas podemos prever que o futuro dos negócios caminha para uma robotização da administração dos processos e pessoas.

E isso se coloca como a grande macrotendência, que levará à geração de valor pelas organizações;

Um aprendizado que tenho tido com a prática da Futurologia é aprender que temos que nos agarrar SEMPRE às estruturas e não às conjunturas.

Aqui, no caso, é preciso pisar na pedra que haverá sempre “coordenação em processos administrativos”.

Isso é uma pedra sólida.

O que temos que projetar é se essa “coordenação em processos administrativos” não está sendo feito da uma maneira hoje e pode ser de outra, a partir de novas possibilidades tecnológicas, que nos entreguem relação de custo/benefício melhor.

É isso, que dizes?

Livro sugerido:

adm30avancados

Compre aqui:
http://nepo.com.br/servicos

 

Veja vídeo correlato:

Um dos meus alunos me perguntou na última aula se essa modalidade de controle do Uber, via passageiros, não ia dar problemas.

dsc08256

É uma pergunta recorrente em sala de aula.

Natural, pois toda a sociedade se estruturou nos limites dos modelos de controle que tínhamos, até então, e agora temos algo novo e melhor.

E causa estranheza e desconfiança.

Porém, o que há, na verdade, é que a sociedade perdeu – faz tempo – o controle sobre as organizações. Perdeu o controle da fiscalização da produção de dinheiro (o Bitcoin vem tentar resgatar), dos táxis (Uber), do trânsito (Waze), das ideias (Youtube, SoundCloud, Twitter, Facebook), etc.

A maior novidade da Revolução Digital é justamente essa: a criação do Controle 3.0, nova forma mais descentralizada da sociedade fiscalizar as organizações.

É algo parecido com o que ocorreu depois da Idade Média com o surgimento da república, quando precisávamos controlar o papa, os reis, os nobres e os senhores feudais.

Na época, isso só foi possível com a massificação da prensa, a partir de 1450, e agora só será com a Revolução Digital.

O Controle 3.0 só se viabiliza em função da chegada dos ícones participativos (que chamo de Quarta Linguagem), que permite agilidade, descentralização, transparência, sem perda de produtividade.

Tal linguagem permite a criação da nova modalidade de controle.

Quando vejo novos partidos políticos e seus integrantes jurarem que agora chegaram, finalmente, os honestos na política. E consultores organizacionais concentrarem o discurso em Propósito, Liderança Consciente, Experiência de Clientes, Inovação, Agilidade, Aprendizado, Mentalidade Exponencial e Desenvolvimento sustentável, me preocupo.

As pessoas acreditam, no fundo, que o principal remédio para o século XXI é uma massiva terapia civilizacional em que todos vão jurar que não vão repetir os erros do século passado.

Não é assim que a banda toca na Macro-História.

Só teremos mudança nas organizações se passarmos do Controle 2.0, feito por gestores para o Controle 3.0, que passa a ser feito pelos Curadores.

É a Curadoria Digital que vai resultar em organizações melhores e mais próximas da sociedade. E isso exige nova forma de controle, através de aplicativas, plataformas, participação de massa, estrelinhas, Karma Digital, como temos visto no Mercado Livre, Estante Virtual, Uber, Airbnb, etc.

É o que tem demonstrado todas as novas Organizações 3.0 que já praticam essa nova forma.

Organizações mais focadas no cliente – e não dando facada nos clientes –  é resultado do Controle 3.0, que impede que os antigos vícios continuem a ser praticados.

Muitos me perguntam como é possível?

E a explicação é a seguinte depois de 20 anos debruçado sobre o tema:

  • aumentamos a população, como sempre fazemos em escala nunca dentes imaginada;
  • o que gerou aumento de demandas obrigatórias e de complexidade;
  • precisamos lidar com esse aumento das demandas, aumentando o Controle 2.0 feito por gerentes, o que fez com que cada vez mais as organizações se afastassem da fiscalização social;
  • o que nos levou à crise do Corporativismo Tóxico e do relacionamento organizações-sociedade que vemos hoje.

Quando se coloca o Uber para rodar, ou o Bitcoin, ou o Waze, ou o Youtube, ou o Twitter o que temos é que há nova forma de controlar as organizações.

Uma forma mais adequada e coerente com a nova Complexidade Demográfica.

Há uma mudança disruptiva no antigo controle feito por gestores e o surgimento de um novo modelo, que permite aumentar a fiscalização social sem perda de produtividade.

Só o Controle 3.0 fará com que as organizações (todas elas em todos os campos) consigam chegar a tudo que os consultores prometem, pois haverá fiscalização constante do cidadão/consumidor.

O Controle 3.0 permite organizações melhores, pois consegue resgatar, através de novo ferramental administrativo, a fiscalização de fora para dentro e de baixo para cima.

Sem ela, todas as promessas serão apenas promessas.

E vão gerar frustração e o que é pior para os empreendedores, perda de valor e fechamento de negócios.

O Brasil é um país que pratica a primotocracia.

dsc08698

É algo que vem das tribos e das aldeias.

Abro espaço, converso, aceito novas pessoas, desde que saiba de quem “é primo”.

Organizações de maneira geral não têm um espaço para novos contatos. As portas de entrada precisa de senha e login para que se avance.

É um ambiente organizacional típico de continuidade e repetição, de baixa inovação.

Pessoas de fora, como nas aldeias, são vistos com desconfiança, somos meio caipiras na arte de trazer novidade.

Desde que estou no mercado, não encontrei organizações brasileiras abertas a novos talentos.

As estatais, que ocupam grande parte dos postos de trabalho, trabalham por concursos, nos quais se define um modelo daqueles que devem entrar.

Isso vale também para as universidades estatais que estão preocupadas em colocar para dentro pessoas que reforçam o status quo e não que venham questioná-lo.

Isso, infelizmente, também é fato nas organizações privadas, a maior parte delas voltada para a continuidade e baixa inovação.

O problema é que se isso veio dando resultado até aqui, temos um grande problema a partir de agora.

O mundo digital com sua velocidade e demanda de inovação constante precisa de novos modelos. A primotocracia entra em profunda crise.

Isso vem ocorrendo nas novas Organizações 3.0.

Não existem primos no Youtube, no Uber, no Facebook, no Twitter.

Você é aceito sem nenhum grau de parentesco e vai, a partir de seus méritos, ocupar seu espaço.

É uma meritocracia renovada.

Quanto mais Organizações 3.0 ocuparem o mercado, menos primotocracia teremos.

É isso, que dizes?

 

 

O que é uma religião?

dsc08888

É um conjunto misturado de filosofia e dogmas.

Parte-se do princípio que alguém se re-ligou a um ser superior e trouxe uma verdade para os homens.

Parte dessa verdade é filosofia, lógica. Parte é dogma, ilógica, em que se tem que acreditar, ter fé em algo ilógico, tal como Deus psicografou para Moisés os dez mandamentos.

Jesus é filho de Deus. E Maomé fez os poemas do Alcorão em contato direto com Alá.

Tais dogmas são inquestionáveis, pois fazem parte daquilo que não se discute na religião, os dogmas.

A diferença de uma religião para a filosofia é de que na filosofia não se admite dogmas, pois tudo pode ser questionado. A filosofia é uma espécie de espaço de dúvida, que oxigena a sociedade nos momentos de crise de todos os tipos, maiores ou menores.

O que seria uma Religião Abusiva?

O exemplo melhor é o passado da Igreja Católica que quis impor a sua verdade na base da força para o mundo, através de cruzadas, inquisições, combate à heresias.

A Igreja Católica só deixou de ser abusiva depois da chegada da sociedade moderna, em que transformou os estados religiosos em laicos e colocou Deus longe da política e da briga de poder.

Uma religião abusiva, assim, é aquela que não quer convencer pelos seus argumentos, mas impor, atuar na disputa de poder.

O exemplo atual é o do califado e da imposição da religião muçulmana como uma verdade social, impondo às pessoas uma forma de vida.

O marxismo é uma religião e é abusiva?

Sim, pois Marx em um dado momento defendeu que já era hora dos filósofos deixarem de pensar o mundo, mas deveriam mudar o mundo.

Ou seja, mudar o mundo, conforme os dogmas e verdades estabelecidas por uma ideologia.

No momento, em que não há filosofia, temos religião.

Há uma verdade de que o futuro da humanidade será socialista/comunista, é uma questão apenas de tempo. Tudo que aconteceu de equívocos e mortes até aqui na tentativa de impor essa verdade não é questionado.

Há inimigos a serem combatidos, pois vão contra os dogmas.

Assim, não temos um projeto de poder negociado e inclusivo. Mas uma religião fechada que quer impor a sua verdade, pela força ou convencimento, pouco importa, aos países.

O problema das religiões abusivas é que aqueles que as abraçam tornam os dogmas parte integrante da sua identidade.

Não havendo mais separação entre fatos-reflexão-identidade.

É  tudo a mesma coisa.

Qualquer fato é automaticamente reforço da identidade, sem espaço para a reflexão.

Religiosos abusivos não são passíveis de diálogo e convencimento, pois perderam a capacidade de reflexão e de diálogo. A única forma de combatê-los é o esforço permanente da sociedade de conscientização, com fatos históricos, de quanto esse tipo de prática é nociva.

É isso, que dizes?

Pós-escrito do livro:

lib3

Compre aqui.

 

 

 

Vídeo complementar:

Do ponto de vista filosófico, não.

O ser humano é incapaz de conhecer a realidade, pois entre nós e os fatos, existe alguns fatores:

  • tecnologias que nos permitem a ver cada vez mais e perceber o quanto ainda falta a conhecer;
  • fenômenos que aparecem que demonstram que nossas certezas eram falsas;
  • malucos que olham tudo que já foi pensado e pensam algo completamente diferente (Darwin, Galileu, Freud, Einstein, McLuhan.)

Assim, só podemos ter certezas provisórias.

E aí uma aluna me provoca e pergunta.

“Ah, tá, então, só podemos dizer que sei que nada sei”.

Não, o sei que nada sei é apenas algo abstrato e tornaria o mundo um caos.

É preciso ter desconfianças permanentes, porém certezas provisórias.

E como se chega a medida de que certezas são provisórias e o que não pode o tempo todo ser dúvida permanente.

Temos duas armas.

A lógica e a experiência.

A filosofia e as teorias se baseiam em lógica, que constroem metodologias para se atuar na prática.

A única forma de se medir se temos boas filosofias e teorias é analisar:

  • a coerência interna, se o que está sendo dito na primeira página não renega o que aparece na décima quinta;
  • a coerência histórica, se o que está sendo dito se repete alguma vez na história.

E isso pode ser aperfeiçoado, através de constante debate em sala de aula, com clientes, com pessoas na Internet, diante do discurso de outros pensadores.

A única forma se tais teorias e filosofias criaram metodologias eficazes, depois do “corredor polonês” da lógica é partir para a prática.

Metodologias devem ser eficazes e gerar valor para a sociedade. Se geram valor, confirmam as filosofias e teorias e vice-versa.

Assim, só podemos ter certezas provisórias se conseguimos ir aos poucos reduzindo a taxa de dúvidas permanentes. E isso vai se consolidando com a consistência da lógica interna e histórica.

E depois com a prática da metodologia.

E vamos ajustando ao longo do tempo, num exercício permanente de constante diálogo e prática.

É isso, que dizes?

Pós-escrito do livro:

CAPA_CP

Compre aqui.

 

 

Vídeo sobre este tema:

Não resta dúvida que temos um problema de “bigdata”.

dsc08765

O motivo é simples e matemático, vejam os dois gráficos abaixo:

popmundi

popbra

O mundo cresceu sete vezes em 200 anos e o Brasil quase o mesmo em 100.

A medida exata do problema pode ser feita, através da quantidade de pratos de comida, uma demanda obrigatória para o Sapiens.

O mundo precisava produzir em 1800 3 bilhões de pratos de comida e hoje saltou para 21 bilhões, TODOS OS DIAS.

E o Brasil necessitava, nos tempos dos nossos avós, algo em torno de 90 milhões, em 1900, e hoje precisamos de 600 milhões, TODOS OS DIAS.

Isso é Bigdata, pois os pratos de comida são apenas o elemento básico, somado a água, mas some tudo que precisamos para viver, tanto objetiva e subjetivamente.

Assim, não resta dúvida que temos hoje muito mais data a ser processado do que antes. Tudo ficou big!

O problema da metodologia Bigdata, entretanto, é considerar que as organizações continuarão as mesmas e terão, apenas, que lidar melhor a maior quantidade de dados.

Não é assim que a história demonstra.

Quando aumentamos a população (sempre fazemos isso)  começamos a ter que enfrentar problemas de aumento de dados a serem processados.

Crises de bigdata foram os motivos de colapso de muitas civilizações!

Para superar a crise, temos duas alternativas. Ou entramos em crises profundas ou descentralizamos a administração!

Sim, o ser humano faz isso constantemente: descentraliza a tomada de decisões para poder lidar melhor com a quantidade de dados.

Não é, assim, um problema de lidar com mais quantidade na mesma administração.

Mas criar novo modelo de administração para lidar com tal quantidade, de tal forma que o novo modelo de administração permita a descentralização das decisões.

Porém, a história demonstra que só podemos proceder tais mudanças quando temos novas Tecnologias de Trocas que tornam possível a descentralização sustentável, aquela que permite que os processos continuem funcionais, com nova forma de controle.

Podemos ver isso claramente no fim da Idade Média, quando as cidades cresceram, o rei, os padres e o senhor feudal se tornaram obsoletos em lidar com o Bigdata da época.

A Prensa surgiu e permitiu um novo modelo político, econômico e religioso, com a criação da república, do capitalismo e dos estados laicos.

O pai do bigdata, aliás, é Galileu (1564-1642)!

Galileu há mais de 350 anos,  formulou seu princípio da similitude afirmando que nenhum organismo biológico ou instituição humana que sofra uma mudança de tamanho (entende-se aqui volume), e uma consequente mudança na escala de proporções, passa por isso sem modificar sua forma ou conformação.

Falo mais sobre Galileu e o princípio da similitude na minha tese de doutorado.

Ou seja, não vamos resolver o problema do bigdata com mais capacidade de processamento, mas alterando o modelo da administração das organizações, já que temos disponíveis novas Tecnologias de Trocas, com  celulares, ícones participativos, plataformas, etc.

E isso já vem sendo demonstrando na última década.

  • A indústria da música não perdeu mercado para um projeto de bigdata melhor, mas para o Napster que criou uma nova forma disruptiva e inovadora de distribuir música;
  • As cooperativas de táxi não perderam mercado para um projeto de bigdata melhor, mas para o Uber que criou uma nova forma disruptiva e inovadora de transporte de passageiro;
  • A Indústria da mídia, do turismo, os bolivarianos da América Latina não perderam espaço para um bigdata melhor, mas com um novo modelo de troca entre os consumidores e cidadãos.

Assim, a solução para continuar gerar valor passa sim por lidar melhor com o volume de informação, mas não se resolve o problema mantendo-se as organizações do mesmo jeito.

O atual administrador na gestão não consegue mais gerar valor, pois o consumidor amadureceu e novas organizações, com novo modelo de administração mais ágil, surgiram.

É uma questão de tempo para que cada setor perda valor e entre em crise.

Bigdata é sim o problema a ser combatido, mas a solução é criar novos modelos de administração,nos quais os atuais administradores viram curadores digitais e deixam o consumidor e as plataformas participativas se entenderem.

Como vem sendo feito no Uber, AirBnb, Waze, Mercado Livre, Amazon, Youtube, Google, etc….

É isso, que dizes?

Vídeo que abordo este tema:

 

Existe um problema filosófico sofisticado que nos impede de enxergar com mais clareza o novo século.

dsc07015

E isso começa com uma frase de McLuhan, um teórico da comunicação canadense do século passado, que disse:

“O meio é a mensagem”.

E explicou:

“Independente do canal de televisão que você assiste, a tevê está fazendo a sua cabeça”.

McLuhan, a meu ver, é o pensador chave para entender o novo século, pois ele nos disse o seguinte, traduzindo:

  • as mídias mudam a a sociedade, muito mais do que imaginamos;
  • o ser humano é tecno e vive dentro de uma bolha tecnológica;
  • quando mudamos as mídias, mudamos a sociedade.

Diria mais eu com meus estudos.

Quando mudamos as mídias, podemos ter novas formas de administração mais sofisticadas.

Quando vejo os consultores de maneira geral defender mudanças organizacionais, como também nos novos partidos políticos, há milhares de promessas de mudanças para um consumidor/cidadão mais exigente.

“Juro que agora farei tudo diferente daqui por diante!”

No caso dos partidos.

“Juro que não vou roubar, que não vou esquecer as promessas”.

No caso das empresas.

“Juro que vou respeitar muito mais o consumidor e o meio ambiente”.

São juramentos de que agora tudo será diferente.

O pessoal quer apostar tudo na mudança de consciência e não na mudança do modelo de administração, que é a única forma de realmente mudar.

McLuhan treme na cova.

Note que o consumidor agora é outro, mas por que ele é outro?

Mudança de mídia.

Note que existem novas organizações no mercado que estão tirando a liderança das antigas. Por quê?

Mudança de mídia.

Novas mídias permitem que haja mudanças na sociedade tanto na oferta quanto na demanda.

Consumidores mais exigentes e empresas inovadoras que criam novas formas de resolver problemas.

Não são apenas novos modelos de negócio como no passado, mas novos modelos de administração.

Vejamos o caso do Uber e similares, na comparação entre o antigo modelo da gestão e o novo da Curadoria Digital:

gestao-versus-curadoria

  • O modelo de administração da gestão (à esquerda) prevê que o gerente cuide do colaborador interno. Qualquer processo de contratação ou demissão passa por ele;
  • São colaboradores com carteira assinada, que são treinados com a supervisão do gerente. Qualquer problema é o gerente que se responsabiliza pela equipe.

No caso da Curadoria Digital (à direita), como no Uber, no AirBnb, é diferente.

  • Não há gerente para realizar esse controle e nem colaborador de carteira assinada;
  • O consumidor avalia diretamente o colaborador interno e vice-versa, há um algoritmo que calcula o Karma Digital de ambos e toma decisões, rebaixando, subindo, descendo, tirando da plataforma.

É um novo modelo de administração.

Quando falo isso aos meus clientes e alunos, muitos ponderam que é algo que não vai vingar em vários setores. Talvez no serviço, mas e no resto?

Tudo certo, isso tudo é especulação futura, mas vamos por partes, começando pelo presente.

O passo inicial é entender que há muitas organizações tradicionais que estão concorrendo não com outra organização, ou com novo modelo de negócio. Mas com um novo modelo de administração provocado, como disse McLuhan, pela chegada de uma nova mídia.

Isso permite que possamos passar pela primeira etapa do que seria a grande novidade para as organizações: o surgimento de um novo modelo de administração diferente da gestão na sociedade.

Isso é a grande novidade do século, seguida de outras secundárias.

Ponto pacífico!

A segunda questão é saber qual o futuro desse novo modelo nas outras áreas?

Vai ser hegemônica na sociedade? Vai influenciar tudo? Incluindo a política, a cultura, a economia? E entrar em todas as áreas, incluindo as que não imaginamos hoje?

Na sua área?

Muitos são céticos sobre a extensão, outros se arriscam mais, como eu, em afirmar que uma série de fatores culturais, sociais, políticas e econômicos apontam para a hegemonia da Curadoria Digital em algumas décadas.

E a aposta é simples: toda vez que um novo modelo de negócio com melhor relação de custo/benefício aparece, tende a se espalhar rapidamente. Talvez a regra também possa valer para um novo modelo de administração.

Porém, um empresário que se preze deve se perguntar seriamente e ao consultor de Business Digital Transformation:

  • O que é esse novo modelo de administração?
  • Vai chegar no MEU mercado?
  • Se não, por que não?
  • Se sim, por que sim?
  • Se sim, em quanto tempo?
  • E o que eu posso fazer para saber se estou certo nas minhas respostas e reduzir o risco de perda radical de valor ou fechamento da empresa?

É isso, que dizes?

Sempre falo para meus clientes e alunos que é preciso não esquecer das cooperativas de táxi.

dsc01496

Imagina que você contrata um consultor estratégico antes dos aplicativos. Ia se falar de muita coisa, mas também do risco de surgir aplicativos e o Uber?

Muitos dirão que era impossível.

Será?

Podemos também nos colocar na posição da indústria da música.

Se coloque no lugar deles e imagine o que eles poderiam ter feito para não ter perdido espaço no mercado de uma hora para outra.

A indústria da música não percebeu que era uma empresas de intermediação de música distribuída em Cds e não uma Indústria de Música.

A cooperativa de táxis achava que era uma central de táxis e não um intermediador de taxistas dentro da plataforma do telefone.

O problema é que a grande mudança que estamos vivendo é a chegada de uma nova plataforma de trocas que tira o chão dos antigos negócios.

E cria um novo modelo de distribuição e também da administração.

O Uber, por exemplo, tem milhares de motoristas e quase nenhum gerente, pois consegue, através da Qualificação de Massa poder saber quem deve ou não ficar na plataforma.

Ao se pensar o futuro, não adianta uma série de palavras bonitas, tais como Propósito, Liderança consciente, Mentalidade exponencial, Desenvolvimento sustentável.

Isso tudo não é ponto de partida, mas de chegada. É resultado de um ambiente novo que é criado que permite que isso aconteça.

ISSO NÃO VAI ACONTECER NA GESTÃO!

Parece que as organizações chegarão lá, mantendo o atual modelo de administração e que a mudança será cultural.

Não será, o consumidor hoje está mais exigente por causa das mudanças TECNO-culturais.

Ou seja, há um novo cenário tecnológico que provoca mudanças culturais. Não adianta ter força de vontade para promover as mudanças, pois elas serão resultados de um novo modelo de administração, que só é permitindo em um novo ambiente Tecnocultural.

Tais demandas e mudanças são consequências da descentralização das mídias e só se conseguirá fazer a Transformation do momento atual para outro com alterações Tecno e culturais, uma vem com a outra e não separadamente.

Não adianta a empresas querer mudar, mas continuar praticando o velho modelo da gestão, que está ficando obsoleto.

É preciso criar laboratórios da nova cultura para monitorar e iniciar projetos já na Curadoria Digital, que é a nova forma de administração.

Se a indústria da música tivesse feito isso ou a cooperativa de táxi a chance de ter levado a surra que levaram teria sido bem menor, ou talvez nem tivessem levado.

Deixo a frase para refletir:

fracasso

Pense sempre na experiência dos fracassos recentes nos eu projeto de Business Digital Transformation.

Dá uma pista do que você realmente precisa.

Veja os vídeos em que debato o tema (vídeo 1):

Vídeo 02:

De maneira geral, ainda mais em fins de Eras Cognitivas, há uma espécie de doença filosófica que podemos chamar de “Matrixismo Agudo”.

Tal transtorno afetivo-cognitiva se reflete numa baixa taxa de autonomia de pensamento. Podemos dizer que a taxa da percepção de cada indivíduo é mais construída de forma para dentro do que de dentro para fora.

Isso é fruto de um longo período de concentração de mídia que provoca tal pandemia em todos os Sapiens, independente da região em que vive, mas com impactos distintos em cada uma delas.

matrix-pilula-azul-e-vermelha

As pessoas perdem a capacidade de refletir sobre os fatos, pois são incentivadas a reduzir a diversidade em função do aumento da Complexidade Demográfica Progressiva, aliada a falta de mídias descentralizadoras.

Primeira, vamos tentar apresentar como percebemos os fatos, ou a realidade se preferirem e depois podemos falar da Pandemia existente. Vejamos um diagrama de como percebemos o mundo:

mapa-da-percepcao

Note que há um espaço intermediário entre os fatos e a identidade, que é uma espécie de “sala intermediária”, na qual refletimos sobre o que vimos e sentimos e que pode alterar a nossa identidade, de como nos vemos e pensamos o mundo.

Quando temos longos períodos de concentração de ideias, produtos e serviços na sociedade há uma redução desta sala intermediária e “colamos” nossa identidade aos fatos, como vemos abaixo:

mapa-da-percepcao2

Note que deve haver um jogo constante entre os fatos e a identidade, sofisticando a percepção. Melhor: admitindo que não temos capacidade de enxergar os fatos diretamente, mas filtramos, a partir da nossa identidade.

Nossa percepção é algo volátil, temporário, fluido e que é fortemente influenciada pelo conjunto de fatores, que compõem nossa identidade, a saber:

mapa-da-percepcao3

 

Deve-se criar espaço individual em que cada um reflete sobre fatos e questiona como pensava sobre eles, alterando algo na percepção, num jogo constante entre certeza e dúvida, como vemos abaixo:

mapa-da-percepcao4

Há um processo de aprendizagem, que se baseia em observação dos fatos, reflexão e mudança.

Esta é a base da Certeza Provisória e do Trabalho Significativo, que nos permite avançar num determinado conhecimento sobre determinado problema sempre num processo de certeza e dúvida.

Vejamos agora, de novo, como é a radiografia de alguém que sofre de Matrixismo Agudo:

mapa-da-percepcao2

Note que não há mais espaço de reflexão individual.

Há a junção entre identidade e fatos.

A pessoa vai olhar para os fatos, independente do que ocorra, da mesma maneira. Há um acoplamento da identidade com os fatos de forma que não se consegue mais olhar para os fatos com filtros perceptivos.

Tal quadro nos leva ao diagnóstico do Matrixismo Agudo, que pode ser crônico, ou não.

Os casos crônicos são aliados a um Matrixismo de viés religioso, político, ideológico em que a percepção cristalizou uma identidade da pessoa. A “sua tribo” pensa daquele jeito. Ou por transtornos psicológicos particulares.

O que não quer dizer que uma coisa seja excludente da outra.

O Matrixismo agudo conjuntural, que atinge a maioria, é apenas a incapacidade ou a falta de “musculação” da área de reflexão/percepção.

Que pode ser feito, através da prática constante de reflexão, a partir de um dado problema. E isso exige outro aspecto do problema: o auto-compromisso com um legado.

Vejamos a origem da palavra:

Comptomisso vem do Latim COMPROMISSUS, particípio passado de COMPROMITTERE, “fazer uma promessa mútua”, formado por COM, “junto”, mais PROMITTERE, “prometer, garantir”. Mitterre vem de missão, de pró-missão. Se comprometer é assumir antes que vai cumprir uma dada missão depois.

Antes de se comprometer com os outros, a pessoa precisa se comprometer com ela mesma com sua vida, dar um sentido que a permita ser alguém diferente dos demais.

Auto-compromisso com a sua missão individual.

Algo como.

Tenho uma  vida e vou dar a ela algum significado que faça sentido para mim e que reduza de alguma forma o sofrimento geral. E aí temos também uma divisão entre o que vem de fora e o que vem de dentro.

 

mapa-etico

A moral é a circulante na sociedade, incluindo as leis, que são resultados de morais passadas registadas.

Temos a nossa percepção do que é bom e mau para nós e os demais e podemos desenvolver uma ética individual.

A ética individual é a capacidade de reflexão entre a percepção e a moral, que nos permite ter um espaço para dizer sim e não, apesar da moral vigente.

Eu crio uma ética que me guia, apesar dos acontecimento da vida. No Matrixismo Agudo temos o seguinte quadro:

mapa-etico2

A moral da sociedade passa a ser a minha moral.

Ou a moral da minha tibo, no caso do Matrixismo crônico passa a ser a minha moral.

Não há espaço para que seja construída uma ética individual de auto-compromisso da pessoa com ela mesma e dela com a sociedade.

No fundo, o que ocorre em ambos os casos é a vida em Matrix.

A pessoa, como sugere o Zeca Pagodinho, deixa a vida te levar.

Isso é algo que ocorre na sociedade de maneira geral, mas há uma pandemia de Matrixismo Agudo ao final de Eras Cognitivas, por alguns motivos:

  • aumento demográfico, que gera aumento de demandas obrigatórias;
  • demandas obrigatórias aumentam a complexidade;
  • aumento de complexidade exige aumento de oferta;
  • que precisa, para atender as demandas obrigatórias, reduzir as secundárias;
  • há tendência de centralização e incentivo à baixa de diversidade;
  • concentra-se a circulação de ideias, produtos e serviços;
  • o ensino passa a ser incentivador do Matrixismo.

Ao final de Eras Cognitivas, quando finalmente temos ferramentas para alterar a sociedade, criando espaços de reflexão e éticas individuais, não estamos preparados para isso.

O processo de tratamento é o de prática reflexiva tanto de aprendizagem quanto ética.

Compromisso individual e coletivo com a reflexão e a ética, fugindo da moral estabelecida. É a inovação filosófica de cada um consigo mesmo e com os outros.

Os dois temas discuto nos meus dois livros:

capa_cp capatrab

O acesso aos livros pode ser feito participando do Clube 3.0.

Peça para entrar aqui.

A compra dos livros aqui.

http://tinyurl.com/nepolivros

 

Veja o vídeo em que debato o tema:

Minhas pesquisas apontam para o seguinte.

DSC09575

Quanto mais gente houver no planeta, mais haverá demanda pelo liberalismo.

E liberalismo aqui se entende por movimentos cíclicos da humanidade em direção a sociedades mais descentralizadas.

No mundo ocidental, tivemos na Grécia, o Liberalismo 1.0, motivado pelo alfabeto grego. O 2.0, pela Prensa, a partir de 1450. E agora o 3.0, sob as asas do Digital.

Nossa espécie é a única, entre as que se organizam socialmente, que ousa não ter limites demográficos.

A única forma de lidar no longo prazo com a complexidade, sem que haja repressão individual é a descentralização das decisões.

Isso não é mais visível na Macro-História, principalmente por quem estuda, como eu, rupturas de Tecnologias de Trocas, desde o passado.

O novo surto liberal, que prefiro chamar de Descentralismo 3.0, será fortemente baseado em ações tecnológicas de descentralização, como já temos visto nos casos do Uber, Waze e Bitcoin.

As manifestações no mundo e principalmente no Brasil e o surgimento de cada vez mais organizações vindos de fora do sistema para dentro são sintomas do movimento de mudança liberal latente.

Já comparei revoluções cognitivas com ondas, mas a metáfora mais adequadas são a de cupins no armário, que corroem o sistema – silenciosamente – por dentro. E quando vai se abrir o armário, não há mais armário.

Os pensadores liberais do século XXI precisam incorporar as novas possibilidades tecnológicas, que permitem superar os limites impostos pelo ambiente Tecnocultural do século passado.

Hoje, temos dicotomia herdada do século passado entre mercantilistas (que defendem a centralização do atual modelo) e os monoteístas (que são contra e querem outro modelo de centralização ainda mais fechado, onde se incluem os bolivarianos e os fundamentalistas religiosos, principalmente os muçulmanos).

É preciso apontar, como a grande novidade do novo século o Liberalismo 3.0, a chegada de um Liberalismo renovado, uma renascença cultural, em que é preciso resgatar e reavivar os conceitos dos clássicos (onde se inclui os Austríacos) e mixá-los com as novas possibilidades tecnológicas.

É preciso revisões filosóficas, teóricas e metodológicas, nas quais iremos propor inovação para melhor em todos os grandes problemas hoje emparedados.

Estamos no início do início, mas é preciso pegar a estrada mais eficaz e acelerar.

Pós-escrito do livro:

lib3

Baixe aqui.

É isso, que dizes?

 

Pode ser a sociedade humana que for, o regime que for, o modelo que for, mas aonde tiver um Sapiens haverá demandas obrigatórias.

DSC07979

Haverá a necessidade de banheiros, pratos de comida, água, sem falar no resto com o tempo.

Assim, se quisermos entender o ser humano sem mi-mi-mi é preciso colocá-lo com um animal antes de tudo, que depois de alimentado pode pensar em outras coisas.

Dito isso, podemos pensar o seguinte.

Quanto menos complexas forem as demandas obrigatórias, ou tivermos menos gente para alimentar, menos haverá a necessidade de organizações e vice-versa.

Quando éramos nômades e nem falávamos, o modelo organizacional era primitivo e foi se sofisticando no tempo, conforme fomos aumentando as demandas obrigatórias.

Com a complexidade, vem a necessidade de criar organizações produtivas para resolver os problemas das demandas obrigatórias e depois as secundárias.

E estas organizações serão mais ou menos eficientes, conforme a capacidade que a sociedade tem de controlá-las para que possam atuar para servir a mais gente da melhor forma possível.

Na minha opinião, do ponto de vista da história, é falsa a oposição que Marx fez entre classes sociais.

Em qualquer sociedade haverá uma tensão muito maior entre organizações e sociedade.

Organizações são formadas por pessoas e seus administradores, que têm interesses distintos da sociedade. Qualquer ser humano quer preservar o lugar que lhe dá recursos para sobreviver.

Assim, haverá sempre a tensão entre o interesse de quem está dentro de uma determinada organização e quem está fora, que precisa dela para receber algum tipo de serviço ou produto.

Quanto menos trabalhar quem estiver dentro e mais aumentar o preço do produto e serviço, mais quem precisa deles vai ter que arcar com o custo.

Sim, a maior parte deste valor pode ir para o administrador da empresa, mas não importa, o valor será repassado para a sociedade de alguma maneira.

A tensão permanente que existirá em qualquer sociedade humana é justamente entre os membros interno das organizações e a sociedade.

O que não elimina tensões internas não só de cima para baixo, mas do lado para o lado, mas principalmente de dentro para fora para dentro.

Assim, quando grupos políticos se arvoram em defender o interesse dos trabalhadores, na verdade, estão defendendo o interesse, querendo ou não, das organizações aonde estão os trabalhadores.

Mesmo que se faça uma revolução socialista, anarquista, ou qualquer ista, e se crie um país de trabalhadores, logo se terá a necessidade de criar organizações com seus administradores e trabalhadores, com seus interesses corporativos, se voltará o conflito entre o dentro e fora.

A única forma de se gerenciar o conflito, pois nunca vai terminar, e isso é o pensamento dos liberais mais maduros: é a da defesa intransigente dos interesses dos consumidores de maneira geral.

É preciso ver as organizações como grandes blocos, que podem se voltar contra os consumidores.

E isso só é feito quando aumentamos a transparência da disputa entre organizações, através da livre concorrência.

A concorrência joga organização contra outras organizações, na disputa do que é melhor para o consumidor, que sempre é a maioria da sociedade.

Quando se defende o trabalhador, acaba-se indo, mais dia menos dia, para o corporativismo seja ele privado ou estatal.

O interesse do trabalhador acabará se confundindo com o do administrador, que irão de alguma forma fazer uma aliança para garantir um determinado privilégio para se servir de alguma forma do consumidor.

Que é quem vai pagar o pato ao final.

No Brasil, é bom reparar que se fala muito em defesa dos trabalhadores e de seus interesses, principalmente os estatais, e mais ainda os que têm carteira assinada que são minoria na população.

A outra parte, que não tem nenhum tipo de direito, que poderia pagar menos por todos os produtos e serviços e ter uma qualidade melhor de vida, fazem um esforço danado para manter esse corporativismo “do bem” ativo.

Conseguiram criar essa falácia de que a defesa do trabalhador de maneira geral interessa a todos.

É falso.

Os trabalhadores sobrevivem dentro de determinada organização e seus interesses serão, antes de qualquer coisa destas organizações, que defenderá privilégios contra a grande maioria da sociedade que pagará por eles.

Seja nesse regime ou em qualquer outro.

Não existe nada melhor do que a frase do Clay Shirky para marcar o impasse informacional do século XXI:

“Não temos problemas de excesso de informação, mas de filtros”.

DSC09194

Na verdade, o que temos é a obsolescência dos antigos filtros, que foram feitos para um volume e uma velocidade de informação muito menor.

Os filtros da Era Analógica eram pessoas de carne e osso, que editavam, organizavam o acervo e definiam por nós o que era e não era para ser acessado.

Já tinha problemas, mas o volume era muito menor se comparado com a explosão pós-internet, principalmente depois da banda larga, quando explodiu o uso e barateou os custos de publicação.

O mundo digital trouxe a abundância da informação e tornou os antigos filtros obsoletos.

A principal crise da informação do século XXI é de filtragem.

Como é também a mesma crise dos gerentes, do bilheteiro do cinema, do caixa do banco. Antigos intermediadores se tornaram incapazes de lidar com a inovação galopante.

Temos complexidade a galope do século XXI e filtros a trotes do século passado.

As novas tecnologias criaram novo modelo de filtragem coletiva, através da quarta linguagem da comunicação, que permite que, via ícones, possamos gerar a Qualificação de Massa.

Ao invés do antigo centro filtrar, temos rede de filtradores, que podem apontar o que é mais ou menos relevante para desconhecidos, via agentes inteligentes, baseados em algorítimos, que  gerenciam todo o processo.

Isso é feito coletivamente, de forma massiva. E é para lá que as organizações informacionais caminham.

Porém, há mudanças individuais necessárias.

Mesmo com os agentes inteligentes, é preciso que cada um tenha nova forma de relação com a informação.

Precisamos muito mais das caixas dos quebra-cabeças do que de das peças sem lógica.

Podemos dizer, assim, que mamãe e papai filtros se separaram, foram cada um para um lado e deixaram-nos órfãos informacionais.

Temos cabeça intermediada do século passado e precisamos enfrentar a abundância da informação do novo século.

O que percebo é que as pessoas procuram ainda se informar sem refletir.

Imagina que informação nasce em árvore e não vem de uma fonte específica. O que é preciso é encontrar as fontes eficientes para os nossos propósitos, que possam nos trazer, pela ordem, dados, informação, conhecimento e sabedoria.

Pode-se analisar cada fonte e perceber o que cada uma agrega e o que, de fato, mais precisamos e nos alimenta melhor.

Fontes eficientes significam organizações e pessoas que nos ajudam a pensar e agir melhor.

Muitos se iludem que agora com a Internet todo mundo é fonte de informação, pois o “mercado das fontes” se abriu.

Isso não ocorre assim pois se fosse um fato todo mundo teria o mesmo número de seguidores no Twitter. O que temos hoje é:

  • muito mais fontes;
  • reguladas pela qualificação coletiva;
  • que ganham ou perdem status pelo desempenho, com meritocracia digital muito maior.

Antes da Internet, praticamente só eram fontes válidas as oficiais, organizacionais e institucionais.

Hoje, não. Ao contrário, as fontes organizacionais se mostram incapazes de competir num mercado aberto e muito mais inovador.

As fontes oficiais lembram aqueles gato gordos que não caçam mais ratos.

Assim, temos hoje muito mais fontes alternativas do que antes, fontes descentralizadas que são qualificadas coletivamente.

Iremos avançar no mundo digital para conseguir qualificar ainda melhor as fontes pelo peso e perfil de seus seguidores versus nossos propósitos.

Algo que o Google já faz ao classificar a ordem de resultados de busca e procura nos conhecer para aproximar maria de joão.

Não podemos comparar, por exemplo, uma fonte com muitos seguidores no Twitter apenas pela quantidade, mas pelo perfil e capacidade de multiplicação de seus seguidores.

Uma pessoa pode ter menos gente e ser muito mais influente daqueles que tem muito mais, dependendo do propósito de quem procura.

Boas fontes são aquelas que trazem muito mais com menos.

Por fim, ainda estamos muito intoxicados pelas mídias passadas, o que faz com que pessoas conhecidas por lá atraiam seguidores não pelo que dizem, mas pelo ibope que têm (ou tinham).

O processo é gradual.

Por isso, te pergunto para te responder depois:

Me diga quem são suas fontes de informação e te direi quem és!

info30

Baixe aqui:
http://tinyurl.com/cadcertipdfs

 

Se quisermos entender o século XXI, temos que compreender o fato mais importante para o Sapiens nos dois séculos anteriores: o crescimento populacional.

populacao

Outras espécies grupais não crescem demograficamente. Ou se separam em universos diferentes ou eliminam as pontas: mais jovens, mais fracos, mais idosos.

Toda espécie viva e social tem modelo de Administração da Espécie, que consegue administrar determinado Patamar de Complexidade Demográfica.

O Sapiens vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva, o que nos obriga a inovação permanente em todas as áreas, incluindo nas tecnologias de troca responsáveis pela informação, comunicação e administração.

Nada explica melhor as mudanças tão disruptivas no século XXI do que o gráfico acima.

O aumento de complexidade demanda que, mais dia ou menos dia, a espécie precisará, para não entrar em crises profundas, descentralizar decisões.

A descentralização das decisões é a única forma que temos de tomar decisões melhores diante da complexidade galopante.

Descentralizar significa criar sistemas econômicos, sociais e políticos, que permitam a maior participação das pontas em relação ao centro. Mas para isso é preciso além da vontade cultural, a capacidade tecnológica.

Sim, há intervalos centralizadores, mas a macro-história demonstra que a forma mais duradoura e sustentável para resolver as crises demográficas é a descentralização.

Não é uma bandeira política, mas um dado da espécie.

A atual Revolução Cognitiva é um fenômeno cíclico e recorrente que dá início a um macro-ciclo de descentralização comunicacional, da informação, das trocas e da administração.

Dependendo das tecnologias que chegam e do tamanho da complexidade, isso será mais ou menos disruptivo.

A palavra de ordem do século XXI é, assim, descentralização.

Vejamos:

  • Na comunicação, tivemos a descentralização das fontes, que permite o surgimento dos blogs, dos canais de vídeo e áudio;
  • Na administração e nas trocas, estamos vendo a descentralização da avaliação de ideias, processos, produtos e serviços, que permite o Waze e o Uber;
  • Na informação, o surgimento do movimento Peer-to-Peer, que elimina a necessidade de um centro armazenador, que viabilizou o Napster, o PopCorn Time e agora o Bitcoin.

No Peer-to-Peer não há um centro armazenador, pois cada usuário guarda um pouco dos dados gerais e uma rede descentralizada consegue organizar tudo, no que se chama Blockchain (corrente de blocos, ou simplesmente um registro público de transações).

Tal Tecnocultura permite que mudanças profundas ocorram na sociedade, pois é impossível controlar as trocas entre os membros da rede, pois não há um centro a ser eliminado, fiscalizado ou perseguido.

Da mesma forma que cada consumidor passa a ser um comunicador, um gerente, mas também, numa rede Peer-to-Peer um armazenador descentralizado.

Nossa sociedade, estamos aprendendo isso agora, se estrutura sob uma Plataforma informacional, comunicacional e administrativa baseada nos limites das tecnologias existentes.

A nova sociedade será feita entre os limites atuais e os limites – ainda muito distantes – das novas tecnologias.

O Bitcoin, moeda descentralizada, permite o enfraquecimento de todo o modelo financeiro e governamental montado até aqui e a possibilidade de surgimento de uma nova ordem mundial.

O Bitcoin é o Napster do dinheiro e será, ao longo do tempo, tão disruptivo como aquele.

Pós-Escrito do livro:

info30

Baixe aqui.

Curadoria é uma palavra que entrou na moda.

O tema surgiu aqui:

Já classifiquei aqui dois tipos.

O curador coletivo que será um administrador de grandes plataformas, como a do Uber, Waze, Mercado Livre, que ajudará que as trocas baseadas na quarta linguagem sejam possíveis.

Hoje, temos isso no Uber, mas amanhã imagino que toda as instituições de ensino serão muito parecidas com o Waze.

É o papel do Curador Digital, que opera em grandes plataformas com milhares ou milhões de pessoas.

Há ainda o Curador Individual.

O curador individual será aquele que vai ajudar as pessoas nos seus roteiros particulares, como se fossem os personal trainers, os “curadores particulares”.

Há aí alguns perfis.

  • O Curador motivacional/conteudista;
  • O Curador conteudista/motivacional.

Coloco assim, pois todo conteúdo bacana motiva e toda motivação vem de algum conteúdo.

Porém, o foco é diferente.

  • O primeiro trabalha com algo horizontal, a pessoa, a sua vida, sua existência diante das coisas.
  • O segundo trabalha de forma vertical diante de um determinado problema.

Ambos acabam por ativar a parte reflexiva do cérebro que é o que mais motiva as pessoas a querer algo desse tipo.

Não acredito, como sugere Luciano Pires no Podcast, de que o papel do curador é encontrar o caminho para os outros, pois tenderemos à personalização cada vez maior.

Assim, grandes roteiros serão tarefa dos Curadores Coletivos e os pequenos dos Curadores Individuais, que não terão, a meu ver, o papel de criar roteiros, mas muito mais de manter a área de reflexão do cérebro ativa.

É isso, que dizes?

 

Hoje é normal ir à academia ou fazer exercícios físicos, mas não mentais.

DSC03240

O cérebro é um órgão como qualquer outro e precisa ser musculado o tempo todo para se manter ativo e mais inovador.

A rotina faz com que deixemos de usar a parte reflexiva. Usamos apenas a memória e operacional.

Muitos dos meus alunos saem das minhas aulas subindo pelas paredes e depois eu os encontro e eles sentem saudades do que sentiram em sala de aula. O que eles gostam não é do conteúdo, mas da sensação boa de estar musculando a reflexão.

 

Tem muita gente que não precisa de um personal trainer cerebral, pois já faz os exercícios necessários. É digamos um atleta nato.

Porém, nem sempre é o caso.

Depois de várias tentativas de criar  espaço para meus ex-alunos, imaginei o do Clube 3.0. Pensei que o Clube serviria para várias coisas e fui descartando.

  • Ler os meus textos, todos acessam, pois são abertos;
  • Colocar informações exclusivas também não funciona, pois limitaria as minhas reflexões e iria contra o que acredito.

Hoje, percebo que a demanda fundamental das pessoas é por um espaço, meio como na terapia, para falar de outra caixa, já que nunca sairemos das caixas.

Conhecer é uma sequência de caixas, que saímos e entramos. O problema é que a maior parte de nós não faz a opção por nenhuma delas, justamente por não estar musculando a reflexão.

Ontem (05/09/16), fizemos um bate papo pelo Skype e tiramos algumas horas do mês para muscular o cérebro. Eu apresento as novidades sobre o mundo digital, cada um traz a sua.

Ouçam o papo:

 

Mas o importante, mais do que tudo, não é o que está sendo dito ou você escutar depois. É a dedicação que as pessoas tiveram de sair da rotina, abrir aquele espaço e permitir que aquela área do cérebro que está ali sem atividade pudesse de novo ser ativada.

Estamos falando de algo que não se obtém apenas com a leitura, mas com a dedicação de um tempo para parar para muscular a área reflexiva.

É essa mexida naquela área que permite a oxigenação, que diz para aquela pessoa que está viva e não está na turma do Zeca Pagodinho, “que deixa a vida me levar”.

Se deixarmos, o senso comum ocupa aquele espaço e, aos poucos, mais e mais ele deixa de ser visitado.

O Clube 3.0, como várias outras atividades similares na Internet, é um espaço para musculação da área reflexiva do cérebro, com foco no futuro, a partir do digital.

Parece-me que esse tipo de terapia reflexiva grupal começa a fazer sentido para cada vez mais gente.

Peça para entrar na ante-sala – gratuita.

E conversaremos para ver se é possível ser um sócio pagante.

É isso, que dizes?

Muito se fala e almeja o mercado de palestras.

DSC03370

Mas é necessário criar  certa classificação.

Vejamos:

Motivadores:

Que mexem com os indivíduos:

  • Motivadores superficiais – os que animam e/ou mudam as pessoas conjunturalmente;
  • Motivadores estruturais – os que animam e/ou mudam as pessoas estruturalmente.

Cenaristas:

Que mexem com as organizações:

  • Cenaristas de curto prazo – que arriscam na apresentação de cenários de curto prazo;
  • Cenaristas de longo prazo – que arriscam na apresentação de cenários de médio e longo prazo.

Especialistas:

Que mexem com especialidades dentro das organizações:

  • Especialistas metodológicos – que são mais pragmáticos, mas ligados às metodologias;
  • Especialistas filosóficos/teóricos – que procuram situar o problema em determinado contexto mais geral, mais filosóficos e teóricos.

Cada um destes palestrantes segue  determinada linha, que tem um propósito e é bem ou mal sucedido, conforme a demanda do cliente.

Nas mudanças ou crises incrementais os primeiros ajudam mais. Nas mudanças e crises disruptivas os segundos são mais adequados.

É isso, que dizes?

O cliente tem sempre razão?

DSC03133

Se o médico diz que tem que operar e o paciente renega e morre.

Ele tinha razão?

Digo sempre para meus alunos que vivemos tempos difíceis.

O cenário de negócios atual não é para amadores.

Todos percebem que mudanças estão ocorrendo, mas não sabem exatamente de onde, quando começam e onde terminam.

Meu lema hoje é: o pessoal sente, mas não entende.

Muita gente já começa a duvidar que vai conseguir passar os negócios para os netos.

De fato, fazem 10 anos que eu estudo a Revolução Digital e aprendo sobre ela a cada dia, mas já tem uma estradinha para trás.

Posso sintetizar que vivenciamos hoje a chegada de:

Tais mudanças são muito raras na Macro-história.

E é justamente agora que estão ocorrendo – não adianta se esconder delas – e é preciso além de sentir a mudança, entender e agir.

Porém, percebo que há uma incapacidade no mercado de construir cenários disruptivos, ainda mais agir de forma disruptiva.

O mercado se acostumou em ter razão e a exigir dos consultores (incluindo as grandes firmas) de atender os seus desejos.

Definia que tipo de metodologia bacana era comprador e todos inventavam uma forma de dar uma consistência nelas.


O mercado, de certa forma tinha certeza que o futuro estava controlado. O grande problema que existe no mercado hoje é que se perdeu o controle do futuro .


Não adianta, como muitos afirmam, que vão estudar a melhor hora para pensar no assunto, pois não se sabe a hora que um Uber da Federal vai bater à sua porta.

Toda vez que eu achei que tinha compreendido a atual Revolução Digital ela me deu uma rasteira.

De tombo em tombo, cheguei a esse cenário tão disruptivo.

Hoje, finalmente e felizmente, o mercado começa a aceitar o termo Business Digital Transformation, pois muitas empresas já perderam muito valor e outras fecharam.

Já tem muita gente que quer interpretar o termo e dizer o que isso significa, no fundo, colocar um airbag entre o presente e o futuro.

Leiam o meu texto em que falo sobre isso “O que é e o que não é BDT?

No BDT, cada consultor terá um cenário próprio e será justamente a consistência deste cenário que fará a diferença na geração de valor.

É da capacidade do médico conhecer a “doença” que virá a Transformation eficaz.


Não, é preciso dizer claramente: os clientes hoje não têm razão, pois querem se agarrar a um navio passado que bateu num iceberg e está afundando.


Alguém precisa repetir isso e mostrar os motivos. O mercado está mudando como há séculos não mudava.

E é preciso entrar em outra caixa, muito mais ampla e sofisticada, para entender tudo isso.

Texto que fará parte do livro em produção:

Business Digital Transformation:
entenda e aja rápido diante da atual Revolução Administrativa

É isso, que dizes?

 

 

Hoje, temos um espaço para publicação aberta.

DSC07881

É bem barato.

Há dez anos publico algo todos os dias.

É um exercício diário, como se fosse um salva-vida que precisa nadar ou um personal trainer que precisa correr.

Um consultor de BDT (Business Digital Transformation) que não pensa e não estuda, não é um consultor de BDT.

O mundo atual não é para amadores.

Tem muita coisa mudando e é preciso ficar ligado.

Publicar tem duas coisas importantes:

  • a prática individual de diálogo responsável, pois se poderia escrever e colocar na gaveta;
  • e a crítica de quem lê e comenta.

Sim, as pessoas estão sem tempo para ler e comentar, mas sempre tem alguém que ajuda.

Se comparar a prática de quem escreve todo o dia com quem não escreve ou apenas esporadicamente, verás que muita coisa muda.

Arrisco a dizer que se for feita uma tomografia a área de reflexão (que um dia será possível medir) será aumentada.

Publicar obriga o cérebro a trabalhar e ele fica “musculado”.

Publica-se não para ensinar, mas para aprender consigo mesmo e com os demais.

 

Não vejo futuro no termo Economia Compartilhada.

DSC08040

Parte-se do princípio que nunca foi e agora é.

Isso é falso.

Vejamos a origem:

“Ela se forma do Latim COM-, “junto, com”, mais  PARTICULA, “parte pequena”, diminutivo de PARS, “parte”.”

São partículas que trabalham juntas.

Vejamos, por exemplo, um pão de forma.

Trigo + moagem + transporte + empacotamento + venda

Quantas partículas são necessárias para você comer um sanduíche com pão de forma?

Como sempre partilhamos desse jeito, já achamos que é natural esse tipo de partilha.

O que ocorre hoje na Internet é outro tipo de partilha, que incorpora a quarta linguagem dos ícones a distância. 

E que nos permite, através dos rastros dessa nova linguagem, confiar em pessoas que não conhecemos, pois temos hoje a possibilidade de criar um Karma Digital.

Eu posso compartilhar o que não podia antes, pois eu passo a confiar em quem não era possível antes. É isso que constrói o novo modelo de administração usado pelo Uber, AirBnb, Waze, etc.

O que temos hoje é a Economia 3.0, que permite o compartilhamento e trocas com desconhecidos e muito mais gente, graças à nova linguagem que surge e permite aumento radical na taxa de confiança entres desconhecidos a distância.

O ser humano não está mais bonzinho, ou mais participativo ou colaborativo, apenas hoje pode, com confiança maior, faz o que a linguagem anterior não permitia.

Assim, chamar a atual Economia de Compartilhada é chover no molhado.

Para ser preciso, podemos dizer que é uma Economia Digital, ou Economia dos Ícones a distância. Mas com certeza a novidade não é O compartilhamento, mas a nova forma que temos agora de compartilhar.

Estamos vivendo agora os impactos da quarta linguagem de comunicação humana: a comunicação por ícones a distância pode ser considerada um salto na nossa Macro-História.

DSC01468

Tal linguagem vai nos permitir criar novo modelo de Administração e começar a descartar a gestão, como já vem sendo feito nas novas organizações, tais como no Uber e similares.

A primeira linguagem foi a dos gestos, a segunda a oral, a terceira a escrita e agora a por ícones, que só é possível no mundo digital.

A linguagem dos ícones, permite que de forma mais rápida e fácil qualquer um possa comunicar algo e viabilizar que muito mais gente (incluindo desconhecidos) tome decisões mais qualificadas.

Podemos com ela, aumentar a velocidade das decisões e contar com a experiência de muito mais pessoas.

O Waze é outro bom exemplo do seu potencial.

Podemos dizer que novas linguagens sempre ampliaram a qualidade das decisões coletivas. Um povo que passou a falar e depois a escrever conseguiu no tempo tomar decisões melhores.

E evoluiu seu modelo administrativo.

A passagem dos gestos para a oralidade foi salto gigantesco para a espécie, que nos legou as aldeias fixas e a agricultura. Foi a possibilidade do fim de nomadismo para várias tribos.

A escrita possibilitou as civilizações, as grandes religiões e iniciou o processo que ia culminar no boom da escrita impressa, que formou a sociedade moderna.

A linguagem dos ícones a distância permite que muito mais gente possa, de forma muito rápida e simples, qualificar pessoas, produtos, serviços e ideias.

Abre novo ciclo civilizacional, pois até então o processamento das antigas linguagens (oral e escrita) demandava uma pessoa de carne e osso para receber demandas, processar e despachar, o principal papel de muitos gerentes.

As linguagens disponíveis definem a estrutura administrativa do Sapiens, que precisa, com o aumento da complexidade, ter novas formas de decisão mais qualificada.

A linguagem dos ícones nos permite processar demandas e avaliações, que antes não eram possíveis, que são feitas via participação e a qualificação de massa.

O Uber e similares só são possíveis com o uso intenso da quarta linguagem, que viabiliza que decisões sejam tomadas por muito mais gente sem a necessidade de processamento central.

Tal linguagem só foi possível  com todo o aparato que criamos, desde as redes de comunicação e informação, os equipamentos fixos e móveis e a cultura gradual que fomos criando em torno disso.

Podemos dizer que a quarta linguagem nos possibilita praticar a Curadoria Digital, novo modelo de administração em que muito mais gente pode participar das decisões, sem trazer prejuízo para os processo como antes.

Na linguagem por ícones temos novo tipo de rastros digitais deixados para que muito mais gente (que nunca se conheceu )ajude aos demais a tomar decisões, desde a compra de uma bateria no Mercado Livre como alugar um quarto no AirBnb.

É essa a grande novidade, a maior de todas, do mundo digital, que nos permitirá alterar as organizações de todos os tipos, incluindo a política.

Existem várias outras mudanças agregadas?

Sim, mas nada se comparará no futuro a chegada de uma nova linguagem humana, que permite novo modelo de administração mais descentralizado e participativo.

O novo modelo social, político e econômico vai girar em torno dessa nova possibilidade.

Pós-escrito do livro:

info30

Baixar aqui.

você-vai-capturar-um-pikachu-na-natureza

No domingo, vi uns garotos caçando Pokemon Go no Jardim Botânico. Era uma galera que nunca ia aparecer por lá.

Assim, o Jardim Botânico com os pássaros, insetos, árvores e plantas nunca tirariam aquela garotada de casa, mas o Pokemon Go, sim.

Não, nenhuma nostalgia ou melancolia. Goste de ver tendências.

Temos o início de uma nova cultura, que vai moldando a nova geração. A criação de algo que está sendo criado, em cima do que já existe: a terceira dimensão inventada, via celular ou mesmo óculos de realidade aumentada:

oculos-google-de-realidade-aumentada-145011-MLB20471109501_112015-F

E muitas outras alternativas que prometem complementar o que vemos com criações. Isso seria finalmente o mundo virtual no real?

O que me chama a atenção é a cultura que vai se criando, pois há uma nova geração que não estranha que a realidade seja complementada por alguém, a partir de um determinado aparelho.

Já imagino um jogo em que você pode andar pela cidade e conhecê-la no passado. Um século, dois séculos, três séculos atrás?

Ou mesmo andar no Jardim Botânico e encontrar todas as espécies que um dia desapareceram.

Ou jogos, como já tenho visto, em que as pessoas jogam já na rua e não mais no computador.

Um simples jogo é uma preparação para algo que vem depois e não vai causar mais tanto estranhamento.

Uma brincadeira tecnológica acaba por virar algo para resolver problemas mais adiante. É uma preparação.

Imagine que se possa agregar a terceira dimensão a produtos, serviços, pessoas.

Uma menina vai encontrar alguém e já vê no seu óculos de terceira dimensão que ele é o maior galinha, segundo duas melhores amigas.

Ou que um restaurante tem um prato interessante, segundo dois amigos.

A ideia de um óculos que nos dá algo além do real abre uma nova possibilidade informativa que complementa a realidade de forma rápida.

Ou cria outra completamente diferente, tal como um jardim de dinossauros na praia de Copacabana.

A pensar mais sobre isso.

Ouvindo este Podcast:

O pessoal quer debater a filosofia.

Se ela está morta ou não está morta.

Diria que temos aqui um caso clássico de problema conceitual.

A filosofia não é um lugar, mas um conjunto de dúvidas que surge para uma pessoa ou uma sociedade.

Quando há algo que não está funcionando, o ser humano se torna mais filosófico. Diante de crises, de problemas, em que teorias e metodologias fracassam.

A filosofia, assim, não pode ser vista como uma escola, um conjunto de autores. É da mesma maneira que a poesia, o teatro.

Uma demanda humana que surgirá de tempos em tempos com mais ou menos intensidade, conforme o contexto.

DSC06059

Podemos, entretanto, dizer que haverá surtos filosóficos em momentos de crise e de descentralização de ideias.

Crises abrem espaço para questionamento maiores.

Mas é preciso, além da crise, haver descentralização de ideias para que o surto filosófico recorrente se complete.

(Ou podemos chamar de macro-surto, tendo micro-surtos, com debates filosóficos menores.)

Posso dizer que o século XXI viverá um surto filosófico por dois motivos:

  • vivemos macrocrise civilizacional em função do aumento da complexidade demográfica, que tornou obsoleta a atual forma da gestão;
  • E a descentralização de mídia, que permite a oxigenação de novas ideias e o surgimento de uma nova leva de filósofos, como tivemos depois na Grécia e Renascença/Iluminismo, em função da chegada, pela ordem, do alfabeto grego e da prensa, em 1450.

A filosofia, essa demanda humana, jamais vai morrer.

Ela pode não ter muito espaço, mas ressurgirá com toda força, como agora, depois de Revoluções Cognitivas.

Pós-Escrito do livro:

filosofia30

Baixe aqui:
http://tinyurl.com/cadcertipdfs

É isso, que dizes?

Todo o conhecimento humano é motivado por algum tipo de desconforto, mesmo que seja o desconforto da curiosidade.

DSC07979

Assim, tudo acaba ou começa a partir de problemas.

Porém, ao estudar as rupturas de mídia no passado, podemos jogar luz de novo nesta questão.

Posso começar a desconfiar que o ensino por problemas é algo que precisa de um tipo de taxa alta de inovação na sociedade.

Se a sociedade é muito controlada, seja pela incapacidade da chegada novas mídias descentralizadoras ou por uma ditadura, a tendência é que a taxa da prática do ensino por problemas tenda a diminuir.

Tem lógica nessa afirmação, pois não adianta incentivar debates sobre problemas se há um centro que define como eles devem ser resolvidos.

O ensino por problemas vai acabar incentivando que se pense outras soluções para antigos problemas. E isso cria problema para um centro dominador.

Macro-crises informacionais e administrativas, como a atual,  são provocadas pelo uso continuado de mídias centralizadoras, aliada ao gradual aumento demográfico.

Ambos os casos, demandam que haja naturalmente e voluntariamente um aumento de poder do centro sobre a sociedade.

Os problemas precisam de uma centralização, pois vai se aumentando a complexidade e é preciso padronizar as soluções.

O centro tende a definir como os problemas deveriam ser melhor resolvidos e se aumentará a tendência do ensino voltado para assuntos.

Os assuntos permitem que se mascare os problemas.

Só podemos passar do ensino de assuntos para problemas quando há o aumento da taxa de inovação da sociedade, em que as organizações querem novas soluções para velhos problemas.

É preciso que estejamos vivendo a passagem da centralização para a descentralização, o que ocorre por motivos Tecnoculturais.

O ensino por problemas é aberto, pois não se pode ter solução única para determinado problema, que muda conforme cada contexto.

Isso implica em modelo de aprendizagem diferente, em que professores e alunos tomam outro lugar no espaço de aprendizagem.

Todos aprendem com todos e todos aprendem com os resultados das hipóteses e tentativas diante da realidade.

A tendência, assim, do século XXI, devido ao movimento de descentralização e aumento da taxa de inovação social, é de ampliar o ensino por problemas.

Mas isso só é possível por causa das novas tecnologias de trocas descentralizadoras, que permitem o aumento da taxa de inovação.

Há, assim, relação entre:

  • demografia;
  • tecnologias de trocas;
  • ensino por problema ou assuno;
  • taxa de inovação social.

Novas organizações que querem inovar incrementalmente e disruptivamente demandam profissionais que consigam pensar e agir diante de velhos problemas de nova maneira.

Isso é cíclico e dependerá sempre da capacidade que teremos de lidar com a Complexidade Demográfica.

Quando houver centralização, se verá movimentos do ensino focados em assuntos e vice-versa. Quando houver descentralização, se falará em ensino por problemas.

O ensino por assuntos gera crises, pois reforçará a solução dos velhos problemas da mesma maneira, uma forma pouco sustentável de lidar com o aumento da complexidade progressiva, uma característica do ser humano.

Se houver Tecnologias ou movimento sociais que permitam a descentralização, haverá incentivo ao ensino por problemas. Caso contrário, caminharemos lentamente para a volta do ensino por assuntos.

É um pêndulo.

Por fim, o ensino por problemas pede o incentivo à criatividade e o de assuntos da memória. O primeiro é inovador e o segundo conservador (no sentido de preservação da solução de problemas por um centro).

Pós-escrito do livro:

capa_escola2

Baixe aqui:
http://tinyurl.com/cadcertipdfs

É isso, que dizes?

 

Agora temos uma nova palavra da moda no mercado: Business Transformation ou Business Digital Transformation. Que tem a sigla BDT ou BT.

DSC08107

O mercado sente problemas e precisa de metodologias salvadoras.

Podemos dizer que Qualidade Total, Gestão do Conhecimento e Big Data são algumas delas.

Ou seja, o mercado quer ouvir e procura profissionais que digam que são especialistas numa determinada metodologia da moda, que os concorrentes estão usando.

Ninguém quer ficar para trás.

Não quer dizer que todo especialista da metodologia da moda não vai gerar valor na organização, pois sempre há o que arrumar e melhorar.

Porém, a metodologia da moda precisa de narrativa para sustentar os conceitos, preparar os slides e fazer a capacitação.

Assim, toda a metodologia da moda precisa ter embaixo dela, uma narrativa que justifique a implantação daquele método diante de determinada crise.

E aí começam os problemas, pois muitas vezes o nome da moda induz à  narrativa equivocada. O mercado que comprar algo que não faz muito sentido.

E aí se precisa arrumar o martelo para bater no prego. Não se tem um bom cenário, apenas um sentimento que precisa de um bom cenário. E se coloca um band-aid, antes de um exame mais detalhado da “doença”.

E o papel dos consultores, que precisam fazer uma “gambiarra” entre o que o mercado quer comprar e o que se pode vender com certa coerência.

Peguemos o caso da Gestão do Conhecimento, que desenvolve a narrativa de que vivemos na sociedade de conhecimento, as empresas precisas ser empresas de conhecimento e, por causa disso, é preciso fazer a gestão de tudo isso.

Tenho dito aos meus alunos que essa narrativa não se sustenta à luz da lógica. A sociedade do conhecimento é um conceito que não condiz com a realidade Macro-Histórica.

Nada me diz que a sociedade grega, os egípcios ou o iluminismo não foram sociedades do conhecimento. A narrativa é tênue e se sustenta dentro da “ilogicidade” do mercado.

Business Digital Transformation é a metodologia da moda, porém, finalmente, tem algumas vantagens sobre as demais do passado:

  1. fala em transformação, o que mostra que algo profundo precisa ser feito;
  2. MAS não diz que tipo de transformação precisa ser feita, é uma metodologia aberta, na qual cada consultor vai colocar a sua narrativa e visão da mudança que se faz necessária.

BT ou BDT não podemos dizer assim que é uma metodologia fechada como a Gestão de Conhecimento, mas é um sentimento que o mercado sente e diz que precisa mudar, mas não sabe para onde.

Não se pode ter um sindicato dos consultores de BT, pois cada um vai apontar para um caminho diferente. Cada um falará de uma Transformation do que considerar que é o Digital e o impacto que terá no Business.

O Administrador diz que quer alguém que o ajude a cruzar  determinada ponte de “A” para “B”. Qual ponte deve ser construída de “A” para “B” não se sabe. Ele quer ouvir do consultor.

Assim, se compararmos BDT com Gestão de Conhecimento podemos dizer que a primeira não induz a uma narrativa apenas aponta a necessidade. É um sentimento à procura de uma lógica.

A segunda induz a uma narrativa, pois diz que é preciso gerir o conhecimento, o que precisa de uma explicação lógica, que unifique consultores. É uma lógica à procura de um sentimento.

Business Digital Transformation, por ser aberta, não precisa inventar uma narrativa para defender o conceito.

É evidente que hoje (vendo-se gradativamente a uberização dos negócios e o empoderamento do consumidor) que é preciso algum tipo de  “Transformation” de que a antiga forma de se fazer “Business” está perdendo valor e que tem que se abraçar de alguma forma o “Digital”.

O mercado apenas sente que é preciso “Transformation”, mas fica esperando saber para onde e quer pagar a alguém para lhe ajudar.

Tudo vai depender do “taco” do consultor.

Como não se pode prever os resultados, pois não há “cases a serem apresentados”, no momento é preciso ver a coerência e lógica na capacidade de cada um de criar um cenário consistente.

E isso permite, finalmente, com a metodologia da moda, que se possa colocar “nessa empada” o que eu e meus alunos temos pesquisado, debatendo e testando nos últimos 20 anos. A nossa BDT se baseia nos seguintes conceitos:

  •  Filosofia da Tecnologia (que implica  revisão de como nos vemos como humanos);
  • Da Antropologia Cognitiva (que aponta o impacto das revoluções cognitivas na macro-história e as alterações que provocam na administração);
  • Laboratórios de Migração ( única saída é criar empresas novas, fora do atual modelo já no modelo da Administração 3.0 que surge).

Em linguagem do mercado isso quer dizer.

Está chegando um novo modelo de administração, baseado na qualificação de massa do consumidor, tipo Uber e Waze, que vai matar a antiga gestão, migrar para a curadora e é preciso se preparar para ela de forma urgente, com laboratórios criados fora dos atuais muros.

Não é uma passagem incremental, mas disruptiva NA ADMINISTRAÇÃO.

Agora, é ver quem tem garrafa velha para vender e gerar resultado.

Ao jogo, senhores.

Texto que fará parte do livro em produção:

Business Digital Transformation:
entenda e aja rápido diante da atual Revolução Administrativa

É isso, que dizes?

 

Murilo Gun, que tem um criativo Canal de Podcast no SoundCloud, fez um programa “Podcast salva”, que pode ser ouvido abaixo:

Ele diz que vai fazer campanha na sociedade para as pessoas ouvirem mais Podcasts. O que me chama a atenção no conteúdo é  uma confusão conceitual recorrente entre linguagem e canal de linguagem.

São duas coisas diferentes, mas tratadas como igual.

Já vivi isso também num debate na Rádio MEC, faz tempo, em que me perguntaram qual seria o futuro do rádio.

Eu perguntei: querem saber o futuro do rádio ou do áudio a distância? O áudio a distância está bombando, mas o rádio tem que se reinventar!

  • Note bem que a oralidade é uma linguagem;
  • O rádio e o podcast são canais em que aquela linguagem circula.

A linguagem é permanente, mas os canais mudam.

São tecnologias temporais, mas nos agarramos a elas e não a própria linguagem.

O ser humano continua e continuará falando enquanto existir no planeta ou fora dele, porém os canais de linguagens serão aperfeiçoados e irão se alterar com o tempo.

Respondi no debate da Rádio MEC que teríamos que pensar no futuro da linguagem oral a distância, que tem duas possibilidades:

  •   presencial – quando estamos todos no mesmo ambiente;
  •  distância – quando os emissores e ouvintes estão distantes.

Murilo Gun diz que quer fazer campanha nos ônibus para mais gente ouvir Podcasts. Deveria fazer campanha para mais gente ouvir a linguagem oral a distância, pouco importa o canal.

E existem vários canais de circulação, incluindo os Youtubes, que podem ter áudio sem imagem, basta colocar uma imagem fixa, como, aliás, é o modelo dos Podcasts.

Áudios a distância permitem que sejam ouvidos quando estamos andando, pedalando, em trânsito. Facilita a vida num mundo cada vez mais agitado.

É uma forte tendência de ser cada vez mais difundido.

Vivemos hoje a descentralização de todas as linguagens, seja a da imagem, da escrita e dos áudios a distância, uma das características de uma Revolução Cognitiva.

O esforço dos Podcasts e similares é justamente o de caprichar no áudio e abrir mão da imagem. Um vídeo com mais qualidade exige perfil, câmera, programa de editor de vídeo, cenário, o que envolve custos.

A pessoa pode gravar um Podcast pelado, mas não um vídeo.

Porém, o Youtube pode circular áudios sem imagem, como tenho feito com a gravação há anos das minhas aulas, com um pequeno gravador de bolso.

(Todo professor do século XXI deveria ter um desses para disponibilizar suas aulas.)

E posso, como tenho feito quando quero estudar, baixar vídeos – principalmente palestras e aulas – por aplicativos de celular (como o Tubemate), transformando-os em arquivos de áudio e ouvir o conteúdo aonde quiser.

Ou seja, transformando os vídeos em áudios.

De fato, estamos vivendo o boom e o resgate tanto da escrita como da oralidade como ou sem imagem, que ganham novos canais de linguagem a distância.

Porém, não podemos nos agarrar aos canais de linguagem, que variam no tempo.

O ideal é transmitir o áudio a distância e publicar aonde tiver público, seja nos SoundClouds e TAMBÉM nos Youtubes.

Como diz Milton Nascimento.

“O artista tem que estar aonde o povo está.”

Uma Revolução Cognitiva permite a expansão da antiga linguagem em novos canais que aparecem e mudam. O negócio é estar aonde o público alvo escolhe.

É isso, que dizes?

Pós-escrito do e-book:

Baixar aqui:
http://tinyurl.com/cadcertipdfs

(Parte I aquiparte II  – aqui.)

DSC00256

Se a Curadoria Digital aponta para a Wazerização do Ensino no novo século, podemos especular que tipo de conteúdo e conteudistas ajudarão a esse novo mundo.

Sim, pois o fato de termos a Wazerização, que é basicamente criar roteiros e o aprendizado em grandes Plataformas Digitais Participativas, não elimina a demanda por conteudistas e conteúdos.

A grande tendência será:

  • não haverá distância entre aprendizes e professores, todos aprendem e ensinam, conforme o seu grau de contribuição para ajudar em um dado problema;
  • O conteudista, diferente, do que é hoje não será autoridade pela posição que ocupa, será autoridade pelo Karma Digital, que a Participação de Massa lhe dará, com critérios objetivos e subjetivos e dentro de determinado nicho;
  • tudo girará em torno de problemas, mutantes, adaptáveis, líquidos, o que tira o valor dos conteudistas dogmáticos, fechados ao diálogo;
  • a ideia de disciplinas, conteúdos, turmas, horários caminhará na direção de reunião em torno de interesses e problemas;
  • espaços presenciais, que ainda existirão, serão mais dedicados às trocas do que à transmissão de conhecimento, já com a tendência mundial da escola invertida.

Por incrível que pareça, haverá demanda cada vez maior por filosofia e estudo de correntes de pensamento, que vão ajudar a organizar cenários. Os conteudistas mais cenaristas terão mais valor.

Há forte tendência ao autodidatismo, ao aprendizado voluntário e na formação por diferentes caminhos.

Uma procura de mais conhecimento e menos informação. E uma procura de trabalhos mais próximos da subjetividade, que será incentivado pelo boom inovador, que permitirá a disseminação de mais alternativas de trabalhos descentralizados.

Haverá aumento radical e incentivo da diversidade e do trabalho em grupo.

Haverá sim uma perda de conhecimento global. As pessoas serão mais superficiais do ponto de vista individual, mas com mais capacidade do trabalho coletivo.

Haverá um perde e ganha, pois precisaremos aprender a viver melhor num mundo de 7 bilhões de pessoas.

(Quem achar que tudo isso é excesso de otimismo, sugiro acompanhar na história o que ocorreu com a chegada da Prensa, a partir de 1450.)

É isso, que dizes?

(Parte I aquiparte II  – aqui.)

Pós escrito do livro:

capa_escola2

Baixe aqui.

Parte I aqui –  Parte III aqui.

DSC01843

Se percebemos que a sociedade está mudando e o ensino seguirá o mesmo rumo o debate sobre o Ensino do novo Século, na verdade, é casado ao da Sociedade do novo século.

Para onde a sociedade for, o ensino irá atrás.

Dito isso vamos entender para onde vai a sociedade.

A grande mudança que estamos passando não é apenas a descentralização de mídia, a oxigenação das ideias e a passagem de um ambiente informacional que sai da escassez e vai para a abundância.

Isso também ocorreu no Grécia e na Europa com as chegadas do Alfabeto Grego e Prensa, respectivamente.

É algo que os Antropólogos Cognitivos (que estudam rupturas de mídia no passado já observaram.

A Revolução Digital é muito mais disruptiva, pois:

  • introduz uma nova forma de comunicação, através dos Rastros Digitais, um misto de ícones, cliques, comentários;
  • O novo modelo de comunicação permite que um conjunto de práticas administrativas possam ser alteradas, pois viabilizamos que muito mais gente possa tomar decisões sem que isso signifique aumento do custo dos processos;
  • Estas mudanças permitem que possamos sair do modelo administrativo, que chamamos de Gestão, e passamos a algo mais sofisticado que batizei de Curadoria Digital.

Curadoria Digital, que o Uber e o Waze são exemplos mais conhecidos, permite, pela ordem:

  • reduzir ou acabar com a necessidade dos antigos e ainda atuais intermediadores, que tinham a função de organizar informação, processos e pessoas, isso inclui gerentes, políticos, professores, editores;
  • e iniciar uma nova etapa para o Sapiens 3.0 que muda de forma disruptiva o modelo administrativo da sociedade.

Esta é a grande mudança em curso, pois altera as bases religiosas, filosóficas, teóricas e metodológicas de como pensamos a sociedade e  e resolvemos problemas.

A Curadoria Digital será a base para pensarmos o Ensino 3.0 para o século XXI.

(O Ensino 1.0 foi o gestual. O 2.0 o oral e escrito. E agora temos o 3.0, o digital.)

Há duas vertentes aí para pensarmos:

  • o coletivo – que determina como o que chamamos de escola será alterado – a forma, a topologia da nova escola;
  • o individual – as demandas que o cidadão do século XXI terá – o conteúdo.

Temos que entender o processo de ensino coletivo em três camadas:

ensino30

Se analisarmos as mudanças que tivemos até aqui podemos observar que:

  • Tivemos mudanças com a massificação da educação a distância digital (pois educação a distância sempre existiu);
  • E novos projetos, na última década, como o Veduca, que dá o conteúdo de graça a distância, mas cobra a certificação.

Prevejo, entretanto, que:

  • cada vez mais a produção de conteúdo perderá valor, pois mais e mais alternativas estarão disponíveis, forçando a queda do custo;
  • a certificação idem, pois mais e mais se valorizará o que se sabe, com fontes alternativas de certificação, e não aonde aprendeu, tirando o valor dos antigos centros.

O problema principal que teremos nos remete ao item menos badalado que é o roteiro.

Mais do que nunca o que precisamos hoje, mais do que produção de conteúdo ou certificados, são “roteiristas eficazes” que possam nos ajudar a saber o que é importante e o que não é para nossa jornada.

O problema é que estamos falando do encontro de bilhões de pessoas com bilhões de conteúdos e isso não pode ser feito por pessoas de carne e osso.

Não que não se possa ter em pequena escala, mas quando falamos do futuro de ensino, temos que pensar na formação de bilhões de jovens que precisam aprender algo para sobreviver melhor.

E bilhões de adultos que precisarão estar o tempo todo se reciclando, numa sociedade cada vez mais veloz, mutante e inovadora.

Assim, percebo como grande tendência para geração de valor um modelo de ensino que será fortemente baseado na Wazerização do Ensino.

Wazerização significa a chegada da Inteligência Artificial que será capaz de criar roteiros individuais dentro da massa gigantesca de opções.

Os Wazes educacionais terão como missão:

  • ajudar na escolha de problemas;
  • definir melhores roteiros, a partir da experiência de quem já passou por aquilo;
  • retirando o que não é necessário e dando destaque no que é fundamental, sempre através da Participação de Massa, como já ocorre no Waze.

Ao defender essa ideia, muitos já me disseram que o Waze é algo simplório e não podemos pensar o ensino tendo como base esse modelo.

Se pensarmos tudo como uma foto, chapada e parada, realmente é difícil projetar, mas se imaginarmos um filme e o gradual aculturamento social para esse tipo de Inteligência Artificial amiga.

E se pensarmos na complexidade, demanda, e na projeção do que virá, não é tão difícil, com um pouco de criatividade e lógica, perceber que esse caminho não é opcional,  mas obrigatório.

Na parte 3, falarei da demanda da formação individual.

Parte I aqui. Parte III aqui.

É isso, que dizes?

 

DSC01516

(parte II  – aqui.)

É preciso entender algumas coisas básicas sobre esse tema.

  1. a escola forma pessoas para viver numa determinada sociedade;
  2. o modelo desta sociedade formatará a escola, pois não adianta formar um jovem para viver numa sociedade que não existe, na qual ele não terá ferramentas para sobreviver e prosperar.

Muitos verão nestes dois itens acima o aspecto cultural, religioso e ideológico da relação escola-sociedade e isso já foi tema de milhares de livros.

O papo aqui é outro muito menos explorado.

A sociedade de maneira geral vive sob uma plataforma tecnológica-informacional.

Muito do que se faz não tem nenhuma relação com esta plataforma, mas muito tem.

Não percebemos isso, pois as plataformas tecno-informacionais se tornam invisíveis com o tempo. Nosso cérebro, que é mais esperto do que nós, precisa tornar neutro tudo aquilo que não lhe ameaça.

Revoluções Cognitivas são fenômenos sociais cíclicos que modificam estas plataformas tecno-informacionais, que sustentam o modelo da sociedade.

Tecnologias de Trocas como a linguagem oral, a escrita, o rádio, a televisão e agora as opções digitais são os canais que o Sapiens se utiliza para sobreviver.

Estamos fazendo uma espécie de transplante das veias humanas com todo mundo vivo.

Quando mudamos esta plataforma tecno-informacional, a sociedade muda de alguma forma, mais ou menos, dependendo de alguns fatores:

  • a taxa de aumento demográfico passada que gera complexidade e demanda por plataformas tecno-informacionais cada vez mais sofisticadas;
  • e o tipo das Tecnologias de Trocas que são introduzidas., principalmente a sua topologia mais ou menos centralizadora ou descentralizadora.

Assim, quando temos  Revoluções Cognitivas – o principal fenômeno na Macro-História do Sapiens – temos mudanças sociais profundas que vão gradualmente mudando a sociedade de forma, muitas vezes, imperceptível das suas verdadeiras causas.

Muitos enxergam tais mudanças e procuram entendê-las. Tenho me dedicado a essa tarefa nos últimos 20 anos.

Posso dizer que há algo mais visível que é a mudança radical da forma de circulação da informação na sociedade. Porém, outra mais oculta que é o início da alteração do modelo de administração da própria espécie.

Quando temos Revoluções Cognitivas podemos observar na sequência, Revoluções de Ideias e depois da Administração, como foi a chegada da prensa, em 1450, que viabilizou a atual sociedade moderna.

Ou a chegada do alfabeto grego, que deu partida ao mundo ocidental como conhecemos hoje.

Na verdade, procuramos criar modelos administrativos mais sofisticados para lidar melhor com a Complexidade Demográfica Progressiva, já que somos a única espécie viva do planeta (que vive em grupos), que cresce indefinidamente.

Não podemos analisar a mudança no ensino de forma isolada, sem entender que este será espelho da sociedade futura.

E que a sociedade é uma tecno-sociedade, que muda o modelo de administração de forma incremental ou disruptiva, conforme a demanda demográfica e oferta tecnológica-informacional disponível.

Não estamos mudando a escola, mas a sociedade que começará, como já iniciou, a pedir um novo modelo de ensino.

A Revolução Digital, assim, está alterando a administração da sociedade e o ensino terá que se moldar ao novo modelo que está surgindo.

Não se trata de mudança informacional apenas, mas administrativa, que mudará o modelo social e de ensino para sempre.

Detalho mais na Parte II.

Pós escrito do livro:

 

capa_escola2

Baixe aqui.

A inovação incremental é baseada em sentimentos. Você analisa algo pela sensação, resolve melhorar.

A inovação disruptiva é baseada em conceitos. Você analisa algo pela reflexão e resolver criar.

Nem todo mundo tem cabeça disruptiva.

Não há uma escala de valor. Quem é disruptivo NÃO é melhor do que quem é incremental.

Porém, a cabeça disruptiva é mais rara, pois precisa de espaço cognitivo-afetivo MAIOR entre a realidade e o ego – tal espaço permite criar de forma mais abstrata.

Projetos incrementais têm menor risco, mas também retornos compatíveis. Os disruptivos são de maior risco, mas com retornos maiores.

Não de seve vender projetos disruptivos para cabeças incrementais, pois um trabalha com sensações e detalhes mais práticos. E a disrupção exige mais abstração.

Obviamente, que projetos disruptivos precisam de pé no chão, mas dificilmente no começo.

Mais adiante.

Pós escrito deste livro:

capa inovadisr

Older Posts »