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Como tenho dito de diferentes maneiras no meu novo LiquidBook, a vida sempre tem razão e o cenarista nem sempre.

O problema para a construção de bons cenários no novo século é:  a chegada da Revolução Digital arrebenta com as teorias das ciências sociais de plantão. Ponto!

A vida escancara de forma clara e objetiva que a forma como pensamos o ser humano, a sociedade, a história estava equivocada.

É preciso ir para o alto da montanha e ter coragem de começar a jogar nossos paradigmas 2.0 ao vento!

A Revolução Digital demonstra que:

  • as tecnologias não são neutras;
  • tecnologias cognitivas mudam o Sapiens;
  • a história humana é fortemente impactada por mudanças de tecnologia cognitiva;
  • o modelo de administração da sociedade é filho dos ambientes cognitivos e não o contrário;
  • há uma influência da demografia nas mudanças de mídia e na história do Sapiens de maneira geral.

Na minha humilde opinião, sem essa revisão filosófica-teórica, os cenaristas de plantão terão sérios problemas de prever o futuro.

É isso, que dizes?

Um cenarista eficaz sempre acredita que a vida tem razão e é ele que tem que aprender com ela e não o contrário.

Não podemos dizer que há estabilidade e nem estabilidades nos cenários estudados.

Há mudanças como regra e há forças que atuam sobre determinado ambiente que são conhecidas ou não conhecidas.

Quando temos mudanças não conhecidas é sinal de que existem forças que estão fora da teoria do cenarista, nada mais.

É a teoria do cenarista que está obsoleta, pois há  força desconhecida que precisa ser incorporada à teoria.

E aí se exige  revisão teórica para que possa incorporar a força desconhecida ao cálculo do futuro para começar a ter cenários mais eficazes.

Não é, assim, a vida que tem que se encaixar na teoria do cenarista, mas é o cenarista que tem que aprender com a vida, com as forças que não estão dentro do seu cálculo de futuro!

É isso, que dizes?

 

Teoria é o estudo das forças em movimento. O cenarista eficaz escolherá sempre o estudo das forças que causam instabilidade.

Podemos dizer que estabilidade é um cenário previsível pela maioria dos cenaristas. E instabilidade é o contrário: quanto a maior parte dos cenaristas perde a mão.

Um cenarista eficaz é aquele que consegue identificar a principal força que causa instabilidade no cenário.

E inicia um processo de desenvolvimento de uma teoria sobre essa força. No fundo, ele refaz o que podemos chamar de “cálculo do futuro”.

Podemos dizer que teorizar sobre uma determinada força é:

  • classificá-la;
  • conseguir procurar sinais dessa força no passado;
  • comparar essa força com outras similares;
  • aprender com a reação do Sapiens, a partir dela;
  • comparar situações similares;
  • e aplicar esse estudo no momento presente;
  • e, só então, iniciar o processo de projetação de novos cenários.

É isso, que dizes?

Sempre digo que há uma diferença entre um cenarista e um profeta: o primeiro é cientista, o segundo curandeiro.

O cenarista é um cientista que se baseia em determinada teoria e entrega para sociedade prognósticos. Ou seja, ele tem uma teoria que define forças em movimento, que estabelecem momentos de equilíbrio e desequilíbrio.

O cenarista aprende com as forças do seu problema-foco e percebe quando haverá estabilidades ou instabilidades, conforme as correlações de forças.

Um cenarista eficaz é, assim, aquele que opta por escolher as melhores teorias.

Alguém que constrói cenários sem teoria não é um cenarista, mas um candidato a profeta!

É isso, que dizes?

Não, não são os jovens milênios que estão se adaptando, mas todos nós, que assistimos mudanças radicais na sociedade em diversas áreas: comportamento geral, consumo, relacionamentos, política, etc.

A atual Revolução Cognitiva Descentralizadora tem grande novidade, se comparada às anteriores: a velocidade. Nossos antepassados tiveram muito mais tempo para se acostumar com os novos ambientes cognitivos.

Nós estamos vivendo tudo de forma muito rápida e isso dá um nó na cabeça de muita gente. É natural.

Podemos falar também de semelhanças.

  • a descentralização – parecida com a chegada da Escrita Impressa há 500 anos;
  • a introdução de nova linguagem – parecida com a chegada da Oralidade há 70 mil anos.

Vejamos:

  • Descentralização de mídia –  mais transparência, mais informação, mais amadurecimento social;
  • A nova linguagem –  dos cliques que permite que possamos criar a Curadoria, novo modelo de administração, que vai superar a Gestão.

A Curadoria  tem como base principal a participação de massa, regulada por Inteligência Artificial. que aponta a solução de diversos impasses civilizacionais com custo/benefício sustentável.

Todas as mudanças relevantes que assistiremos no futuro serão consequências destas duas características:

  • rápida velocidade – que vai acirrar bastante o conflito entre o velho mundo 2.0 e o 3.0;
  • E novo modelo de administração – que vai modificar de forma disruptiva e profunda as organizações no curto, médio e longo prazo.

É isso, que dizes?

 

 

Vídeo relacionado:

Resumo:

1- é falsa a ideia de que a ciência é feita apenas na academia;

2 – o papel da ciência é resolver problemas complexos, que a sociedade não consegue;

3 – a ciência entrega maneiras novas de pensar e agir para a sociedade;

4 – é possível na Ciência cada um ter seu ponto de vista intocável?

5 – o espaço no qual ideias têm valor em si e não são questionadas é a Arte;

6 – Trabalhos científicos são ferramentas de ação que visam trazer conforto;

7 – pontos de vista viram pontos de ação e podem causar danos para a sociedade.

 

Hoje, se tornou comum a ideia do relativismo teórico. Cada um pensa de um jeito e todo mundo respeita o jeito do outro pensar.

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A Ciência, entretanto, tem que entregar algo para a sociedade e ideias e propostas de ação precisam ser questionadas para se aperfeiçoarem. Não podemos confundir, assim, espaços acadêmicos com galerias de arte.

Vejamos:

  • A Arte foi criada para gerar desconforto e ampliar a linguagem e precisa da liberdade criativa. Uma obra de arte tem valor em si, não é uma ferramenta com a melhor lógica que vai nos levar de “a” para “b”;
  • A Ciência. ao contrário, foi criada para gerar conforto e ampliar a nossa capacidade de pensar e agir sobre problemas complexos;
  • Uma teoria não tem valor em si, mas é proposta de mudança da forma de pensar e agir, que vai nos levar de “a” para “b”.

Mas, você pode querer perguntar:

Pode-se ter diferentes avaliações do que consideramos conforto e desconforto?

Sim, podemos ter diferentes maneiras de avaliar o resultado do que foi entregue. Porém, depois que foi entregue e tocou na vida, na sociedade, em que vive determinado problema.

Há dados para analisar e não suposições “artísticas”.

A crise da Ciência hoje está dentro da crise das demais Organizações 2.0. Se deve ao esgotamento da Gestão, baseada no aparato tecnológico cognitivo que tínhamos e nas linguagens existentes.

O aumento do patamar da Complexidade Demográfica Progressiva tornou as atuais organizações obsoletas. E para tentar resolver a crise, elas se concentraram e acabaram sendo reféns delas mesmas.

O rabo passou a balançar o cachorro.

No caso da Ciência tal fenômeno se explicita num ambiente voltado para assuntos.

Na transformação do espaço de soluções de problemas complexos para uma espécie de galeria de arte.

Na galeria de artes científica de hoje cada se expressa do jeito que quiser, algo que não pode ser questionado, como se trabalhos acadêmicos fossem obras de arte.

Obras que são vistas como valor em si e não ferramentas de mudanças sociais na forma de pensar e agir.

Se entrega pouco para a sociedade, pois cada pesquisador é muito mais artistas, produzindo ciência “pura”, baseada em assuntos de interesse subjetivo do pesquisador para ele mesmo.

A Ciência foi transformada em arte.

A mudança que assistiremos com a Revolução Digital e o novo ciclo participativo é a reabertura para o debate de ideias com a sociedade, cada um defendendo a sua certeza provisória em torno de problemas.

A Ciência 3.0 será muito mais líquida, mais participativa, com pressão de fora para dentro. E talvez o dentro seja cada vez menos dentro.

Será baseada na demanda da sociedade para a solução de problemas complexos.

É isso, que dizes?

 

 

O Sapiens vive sempre em  bolhas civilizacionais.

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Lugares, pessoas, tempos.

Porém, as bolhas estão dentro de uma bolha maior.

E a bolha maior é formada pelo aparato de mídia que temos, que definem as fronteiras do que podemos e do que não podemos fazer.

Entre os humanos há tecnologias cognitivas invisíveis que definem falsas paredes, que são derrubadas com a chegada de novo aparato de mídia.

Assim, temos a falsa ilusão de que somos o que somos. De que a sociedade é o que é, pois vivemos numa bolha civilizacional nos limites das tecnologias cognitivas que temos disponível.

Quando se rompe essa tecno bolha cognitiva, percebemos que muito do que não podíamos fazer não era por limitação humana, mas por falta de tecnologias.

A espécie entra em crise entre o que não se podia fazer e o que se pode agora. Os velhos hábitos na maneira de pensar e agir passam a ser a barreira e não mais a possibilidade concreta.

Saímos dos limites técnicos para o filosófico.

Hoje, nosso problema não é mais o que não podemos fazer, mas a capacidade de deixar de fazer do jeito que estávamos acostumados.

Todo o movimento de mudança que teremos pela frente é superar o modelo mental do século passado, com as tecno-limitações que tínhamos.

E avançar no que podemos fazer agora.

É isso, que dizes?

Quanto custa?

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Esta é a pergunta que pouca gente faz, mas deveria fazer sempre sobre novos métodos de educação, principalmente para o Brasil.

Educação é tratada como algo abstrato, como não tivesse custos e fosse regulada pelas leis da economia: abundância e escassez.

Projetos educacionais inovadores devem se perguntar o tempo todo: quanto custa se pensarmos em milhões ao invés de centenas?

O que se faz hoje, sem esse questionamento, na falta de opção, é criar projetos educacionais de qualidade para pouca gente para criar  espécie de semente para ser espalhada. Mas que nunca o é por falta de verba.

Porém, a pergunta que não quer calar, volta: quanto custa?

Apesar da fantasia que criamos no Brasil que educação é gratuita, pergunte a um gestor educacional se ele não tem contas todo mês para pagar.

O educador joga a culpa no descaso das autoridades, como se ele não tivesse que ser também um pouco economista, fazendo cálculos para que qualidade rime com quantidade.

Vejamos:

O problema de pensar o futuro da educação é que não conseguimos superar os limites da Civilização 2.0, que não tinha disponível o aparato digital e as novas filosofias, teorias, metodologias e tecnologias, que vem no vácuo.

 

 

Assim, projetos experimentais para 200 não interessam muito se não puderem ser replicados para 200 mil, pois não se terá dinheiro para tanto.

E este é o impasse civilizacional que vivemos. O atual modelo geral de educação, baseado no aparato tecnológico cognitivo oral e escrito, que nos legou a gestão, não consegue mais ter qualidade na quantidade de um mundo hiperpovoado.

A superação do impasse qualidade-quantidade será feito, através do uso do novo aparato digital, que criará um modelo novo de educação, através de inteligência artificial, cliques, curadoria, horizontalização.

O atual modelo hegemônico de educação, aliás, usou a escrita para aumentar a qualidade na quantidade, mas chegou a um impasse devido ao aumento demográfico dos últimos 200 anos.

A educação de qualidade do novo milênio para ter escala vai ter que abandonar o modelo professor-aluno, oral-escrito para novo paradigma da qualidade para milhões.

Hoje, quando falamos em qualidade de educação pensamos só em dezenas ou no máximo centenas, mas nunca em milhões. E é daí que se deve conduzir o debate.

É isso, que dizes?

A base de toda filosofia, teoria e metodologia depende de como analisamos a natureza humana.

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Muitos dirão que não existe natureza humana, ou que ela é sólida como uma pedra, ou líquida como água.

Porém, o debate sobre natureza humana é o ponto de partida de qualquer conhecimento individual ou coletivo.

Muitos dirão que há temas em que a natureza humana não entra e eu afirmo que não, pois qualquer conhecimento é do humano para o humano.

Do humano que pensa e faz, ou só pensa, para o humano que faz.

Dependendo de como avaliamos a natureza humana, teremos posições filosóficas, teóricas e metodológicas completamente distintas.

Para um cenarista, é fundamental modular bem os limites do que podemos chamar de natureza humana.

Para evitar a arrogância, de definir uma natureza humana da sua própria cabeça (mesmo que diga que não exista) o cenarista recorre à história.

A história é o fio terra para que possamos definir a natureza humana de forma mais consistente e menos arrogante.

Se o ser humano não fez determinadas coisas no passado por que fará agora?

Novos cenários podem permitir novas facetas humanas? Podemo. Mas é preciso analisar se é um novo cenário realmente, ou é algo repetido que o cenarista simplesmente não percebe a repetição?

E se é totalmente novo, algo raro em tantos milhares de anos, como a antiga natureza humana vai reagir?

Na minha opinião, o que pode haver de realmente novo são mudanças tecnológicas que podem afetar a estrutura genética humana, tal como nos alimentarmos de sol, ou termos pessoas que já nascem sem poder se reproduzir, por exemplo.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

 

Resumo:

  1. sempre avaliamos pessoas no trabalho. Quem avaliava era o gerente e agora são os consumidores por uma necessidade da espécie;
  2. não teremos mais um RH central. Coisas que são feitas fora do trabalho pouco importaram no passado. O que importa sempre, ao final de tudo, é o que a pessoa entrega de valor.

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O primeiro episódio da terceira temporada da série Black Mirror imagina que a uberização que se vê nas novas empresas estará fortemente presente nas relações pessoais. E que vamos passar o tempo todo esmolando estrelinhas para poder trabalhar. Diria que preocupados com estrelinhas no trabalho, sim.  Dos amigos, não.

Há duas discussões a partir disso.

  • A filosófica – que nos remete a como pensamos sobre a relação do humano com tecnologias;
  • E o prognóstico do cenário (que é resultado da visão filosófica) – onde afinal a uberização pode nos levar?

Na minha Certeza Provisória atual acredito que o ser humano, como qualquer outra espécie viva, antes de qualquer coisa, é motivado primeiro pela sobrevivência e depois, com ela garantida, se dá ao luxo do vem depois.

Se queremos colocar um fio terra no debate dos cenaristas sobre o novo milênio precisamos recorrer sempre à história.

Não podemos esquecer, e isso é demonstrado pela história, que o que move cada pessoa no mundo é chegar ao final do dia vivo. Para isso, precisa comer, beber, trabalhar e conseguir evitar os riscos de morrer antes de dormir.

Isso vem das cavernas e continua e continuará presente na vida de cada um de forma mais ou menos latente, conforme cada contexto.

De cenários mais adversos, em guerras, terremotos, grandes catástrofes, ao cotidiano.

Na minha Certeza Provisória, diria que tudo que fazemos, todas as ferramentas que criamos e usamos, inventamos, massificamos ontem, hoje e amanhã vem atender a essa demanda principal: sobreviver.

Obviamente, que superados determinados parâmetros de sobrevivência o ser humano começa a se dar ao luxo de ter vícios, prazeres, gostos e iniciamos um conjunto de demandas em torno disso.

Uma orquestra tocando enquanto o Titanic afunda: só em filme.

Gosto da série Walking Dead, bem filosófica, na qual vemos um ser humano tentando sobreviver num mundo sob o ataque de epidemias de zumbis. Ali, está o mesmo ser humano querendo sobreviver em condições muito mais precárias do que a atual, na qual todo o verniz civilizacional vai literalmente para o espaço.

Assim, há uma espécie de “natureza dos seres vivos” – não digo só humana – em que o instinto de sobrevivência em todas as espécies sempre estará presente em alguma medida, conforme a situação limite.

A única mudança radical que alteraria o Sapiens essa máxima, e isso é possível, seria mudanças genéticas, com o domínio dos códigos genéticos, se criarmos uma nova espécie de laboratório que não precise mais comer ou beber.

Aí teríamos  nova espécie com outros paradigmas, abandonando a lógica dos seres vivos.

Enquanto isso não ocorre, a história nos mostra que as tecnologias abriram fronteiras para o ser humano ocupar, com a sua natureza.

E o papel do cenarista é analisar como essa natureza humana – digamos meio líquida, mas dentro de um corpo sólido, vai se adaptar às novas condições de cada época.

(Muita gente vai dizer que não existe natureza humana. É talvez o primeiro equívoco de muitos cenaristas utópicos.)

Podemos dizer que essa natureza humana não é fixa, é mutante, pois uma coisa é um humano mais próximo à natureza, em uma fazenda, e outro um que vive numa megalópole.

Procurar constantemente a natureza humana no tempo e projetar adaptações da mesma para o futuro, mesmo com descobertas de novas facetas, é a atividade principal de um cenarista eficaz.

Assim, imaginar que a espécie vai criar demandas novas, a partir de novas tecnologias, precisaria comprovar algo parecido na história. Ou imaginar que havia algo tão oculto que agora há condições de vir à tona.

E isso tem que ter algum tipo de discurso lógico e não apenas achismo emocional de um cenarista utópico.

Até por que não é primeira vez que alteramos mídias no passado. E podemos analisar que muita coisa mudou. Mas muita coisa TAMBÉM não mudou.

Dito isso, passemos ao que sugere o autor do primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror.

De fato, o aumento demográfico radical dos últimos 200 anos (de 1 para 7 bilhões) tem nos obrigado para sobreviver melhor a criar estrelas para avaliar produtos, serviços, pessoas, textos, vídeos, áudios.

Estamos adotando a comunicação química das formigas, criando um novo modelo administrativo da Curadoria para lidar com problemas complexos, sem solução no atual modelo administrativo da Gestão – filha direta da palavra oral e escrita, que nos acompanha há 70 mil anos.

A uberização significa a passagem do controle administrativo de um gestor do alto para um consumidor, munido de aplicativo, que viabiliza a expansão dos cliques – a terceira linguagem humana.

O prestador de serviços na uberização passa a ter receio do consumidor, que pode, através dos cliques, que são gerenciados por uma Inteligência Artificial, tirá-lo da plataforma ou reduzir o ganho no final do mês, como já ocorre em diversos projetos novos na Internet e até na variável do final do mês das tripulações da Gol.

Isso, entretanto, não é novidade para a espécie.

Avaliações de prestação de serviços sempre ocorreram no tempo e na história.

Quem avaliava, porém, cada prestador era um gestor, que fazia a sua avaliação e tomava as mesmas decisões de demissão, promoção, contratação de forma vertical.

O aumento do patamar de complexidade demográfica, entretanto, tornou o trabalho do antigo gestor obsoleto.

A avaliação do consumidor permite a descentralização da avaliação de baixo para cima, de forma horizontal, com mais meritocracia. É a pulverização do gestor em milhões de micro-gestores.

A uberização é uma saída sistêmica para o aumento da complexidade. Taxistas não eram mais controlados pelo consumidor, que reclamavam em vão. O motorista do Uber é controlado pela dobradinha consumidor – inteligência artificial dentro de uma plataforma administrada por um Curador.

Motoristas do Uber agora temem a avaliação dos passageiros e, por isso, se comportam muito melhor.

O critério de estrelas também se dá para canais de vídeos, áudios, textos e aqui estamos falando de espaços de divulgação de ideias, que podem ser ou não comerciais (no sentido de geração de receita).

A taxa de ética social tende a aumentar na transparência e com o controle da sociedade sobre as organizações e seus parceiros, colaboradores.

Assim, avaliar serviços, produtos  não é algo novo, o que estamos fazendo com a uberização é democratizar a forma de avaliação.

Imaginar que esse sistema de avaliação já existente nas organizações migaria para as relações pessoais é algo a-histórico.

Por que aconteceria agora? Avaliar já ocorre por uma necessidade de ser melhor atendido, por que passaríamos a fazer isso nas relações pessoais?

Só por que podemos?

Já podíamos fazer isso com a fofoca, mas mesmo com toda a fofoca sobre alguém isso não impediu que pessoas sejam amigas ou que tais fofocas impeçam que ela trabalhe em determinado lugar.

O que faz a diferença na hora do trabalho não é com quem você se deita, ou de quem é amigo, mas a capacidade que se tem de gerar valor para quem tem um determinado problema.

Não vejo nada na história que possa demonstrar algo assim. Fornecedores e consumidores, uberizadas ou não, querem pessoas que consigam gerar valor, independente do que fazem, com quem se encontram, de quem são amigos.

O que valeu para o passado e será para o futuro é capacidade que cada um tem de identificar problemas e ajudar a superá-los. É isso que vai sempre ser objeto de avaliações cada vez mais sofisticadas, que serão feitas com as ferramentas cognitivas disponíveis (canal físico e linguagem).

Vejamos.

Pouco importa, por exemplo, se um vendedor de baterias no mercado livre não tem nenhum amigo no Facebook, mas que entrega o produto em dia e todo mundo o elogia. Importa? O mesmo digo de um motorista do Uber ou de alguém que aluga quartos do AirBnb.

Pessoas fazem negócios com outras por motivos mais objetivos e se relacionam com outras por motivos mais subjetivos.

Tais relações passam por diversos critérios de seleção de quem você quer ver todo dia, de vez em quando ou nunca tanto nos negócios quanto na sua vida pessoal.

Porém, nos negócios o que importa mais é a objetividade e na vida pessoal a subjetividade. São critérios diferentes para demandas diferentes.

Acredito que determinadas práticas sociais como galinhagem, grosserias, posições políticas já são mais transparentes e vão evitar relacionamentos pessoais futuros.

Mas isso não vaza para os negócios, pois a ideia de empresas centralizadas, de Recursos Humanos centrais que contratam é algo que não se sustenta num cenário futuro.

Veja o meu debate sobre isso aqui:

Porém, isso não vai importar muito do ponto de vista objetivo, pois as organizações se uberizando, o que vai importar é o karma digital que a pessoa terá ao entregar o produto ou serviço na plataforma.

A ideia de um RH central escolhendo colaboradores tende a ficar cada vez mais obsoleto.

Assim, sim teremos mais transparência nas relações, sim teremos mais informação sobre a prática de cada um na sociedade, sim avaliaremos cada vez mais tudo.

Porém, a ideia de que vou esmolar estrelas do amigo para manter meu emprego, na minha certeza provisória, é pouco provável.

O episódio consegue projetar e radicalizar um futuro sombrio, a partir das tecnologias. A série toda aliás tem esse tom de reativismo melancólico, mas é bem feita e abrem bem o espaço para o debate.

É isso, que dizes?

 

 

 

Vivemos uma crise profunda, pois as organizações científicas vivem o final de uma Era Cognitiva, na qual diagnosticamos um corporativismo tóxico.

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Nestes momentos temos alguns fatos relacionados. O que chamamos de ciência será muito mais parecido com arte ou hobbie.

A ciência que praticamos hoje está muito mais parecida com uma galeria de arte do que um ambiente científico.

O papel da arte é brincar com a subjetividade para alargar as fronteiras da linguagem e dos sentidos.

O papel da ciência é ajudar a sociedade a dar solução para problemas complexos, num ambiente de objetividade, de diálogo e de lógica.

Quando defendemos que cada um tem o seu ponto de vista e que deve ser respeitado, estamos falando de um ambiente artístico.

O papel da ciência é justamente o contrário.

Pontos de vistas devem ser desrespeitados com argumentos, questionados, validados, invalidados. Pontos de vistas estão lá justamente para serem massacrados.

Os que sobreviverem são ferramentas para que tenhamos menos problemas aqui do lado de fora.

Quando alguém me diz que eu tenho um ponto de vista e ele tem o dele, tudo certo, mas o ponto de vista, acaba por virar um ponto de ação.

Ponto de ação é uma prática, uma metodologia, um prognóstico, um diagnóstico, um tratamento que, mais dia menos dia, vai causar mais ou menos conforto ou desconforto para alguém.

O papel da ciência é reduzir desconfortos.

O da verdadeira arte é o contrário: gerar desconforto.

A arte que não gera desconforto, é hobbie, assim como curiosidade sobre conhecimentos que não resultam em solução de problemas.

Mas não ciência!

A visão de futuro de muita gente é de que haverá uma dispersão radical das experiências.

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E de que o mundo hoje é organizado da atual maneira por causa de um centro forte.

Concordo parcialmente.

Haverá de fato mais alternativas, o mundo terá ainda mais camadas de futuro. Porém, não repetimos, imitamos e temos um planeta mais ou menos parecido por imposição.

O ser humano imita os demais por necessidade, pois quer ter sempre o melhor custo/beneficio para resolver problemas.

A ideia de que a Revolução Cognitiva nos levará para um mundo cada vez mais heterogêneo e que será impossível comparar diferentes regiões, me parece um prognóstico não viável.

A diferença entre regiões ou mesmo dentro da mesma região será, como já é hoje, em função da mídia utilizada.

Quanto mais a nova mídia e a linguagem for massificada e eficazmente utilizada, mais e mais aquela região poderá conseguir resolver os antigos problemas de melhor forma.

Quanto mais difundida e eficaz for a mídia utilizada para resolver problemas da espécie, mais no futuro estarão determinadas regiões e vice-versa.

Futuro não quer dizer mais evolução, melhor, bom, correto, apenas é o máximo que conseguimos fazer com o que temos nas mãos, só isso.

É isso, que dizes?

Pode colorir como quiser o projeto educacional, mas…

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…o que importa ao final é o seguinte.

  • Quanto mais homogêneo for o pensamento das crianças no processo educacional mais centralizadora é a proposta de educação;
  • Quanto mais heterogêneo for o pensamento das crianças no processo educacional, mais descentralizadora é a proposta de educação.

Propostas educacionais preparam pessoas para determinada sociedade projetada (vontade de mudar a atual) ou vivida (a que existe).

Há, a meu ver, no mundo dois tipos de sociedade, se puxarmos para os extremos:

  • sociedades que são regidas por um centro, com forte controle do estado sobre a sociedade e os indivíduos. Um modelo mais vertical;
  • sociedades que são regidas pelo a interação das pontas com baixo controle do estado, com o desenvolvimento de uma ordem mais espontânea dos indivíduos. Um modelo mais horizontal.

Digamos, que a primeira é a proposta mais autoritária (e muitas vezes totalitária) de sociedade, do controle de  determinado centro para as pontas e a outra da ordem espontânea, mas aberta e livre.

A filosofia da educação reflete uma ou outra.

Pode não ser no verniz, no discurso, mas no que realmente acaba por entregar homogeneidade ou heterogeneidade?

  • Uma proposta de educação centralizadora/estatizadora fará com que cada pessoa reduza a taxa de diversidade. A individualidade e a subjetividade serão contidas e não estimuladas para a integração no todo. Cada membro se verá incompleto, compondo um todo maior, que contém a completude. As pessoas vão ser preparadas para respeitar à autoridade de plantão e pensar de forma bem próxima dos professores e dos demais membros da escola. É uma escola estatizadora.
  • Uma proposta de educação descentralizadora fará com que cada pessoa aumente a sua taxa de diversidade. A individualidade e a subjetividade individual serão estimuladas para a integração no todo. Cada membro se verá completo para compor o todo maior, que contém a incompletude. As pessoas vão ser preparadas para questionar a autoridade de plantão e pensar de forma bem diferente dos professores e dos demais membros da escola.  É uma escola empreendedora.

Vejamos:

  • A educação estatizadora/centralizadora fortalece sociedades de baixa inovação, forte controle social do centro para as pontas.
  • A educação empreendedora/descentralizadora fortalece sociedades de alta inovação, baixo controle social do centro para as pontas.

Tais propostas são a base de qualquer projeto educacional e de sociedade. Metodologias que serão implantadas refletirão essa realidade.

Antes de defender que o problema do Brasil é educação é bom saber de que tipo de filosofia de educação estamos falando: estatizadora ou empreendedora?

Obviamente, que o debate da Educação 3.0, Curadora, nos leva a uma radicalização da Educação Empreendedora.

É isso, que dizes?

Cenarista é alguém que constrói cenários futuros para que outro alguém tome decisões melhores.

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Cenaristas trabalham com forças em movimento. É preciso entender cada força, novas forças, a relação entre elas e as possíveis modificações e, só então, projetar cenários.

Cenários nada mais são do que a relação das forças em movimentos. E as projeções, a partir de novas configurações.

  • Quando temos forças iguais ou parecidas em ação, a tendência do cenário futuro é de maior taxa de estabilidade;
  • Quando temos novas forças (ou não tão conhecidas) em ação, tendência do cenário futuro é de maior taxa de instabilidade.

Quando temos novas forças, cabe aos cenaristas identificá-las, conhecê-las,  incorporá-las, através do estudo de sua ação no passado e no presente em lugares onde ela está mais atuante há mais tempo.

Novas forças significam que há algo de errado no paradigma do cenarista, que precisa ser refeito.

O cenarista precisa aprender que a vida sempre tem razão e ele sempre está equivocado. A vida ensina e o cenarista aprende.

O ser humano é a principal força a ser estudada pelo cenarista, pois todo o seu trabalho está voltando para que melhores decisões sejam tomadas.

Há cenários, como o clima, terremotos, maremotos, pragas que podem depender mais ou menos das forças humanas, mas o cenarista sempre estará prestando serviço para alguém que precisa tomar uma decisão, a partir do cenário construído.

Quanto mais um cenarista tenha visão mais clara de como reage o ser humano individualmente e coletivamente a determinadas forças, mais terá condições de acertar prognósticos e vice-versa.

O cenarista indica ações no presente para que a pessoa que está sendo orientada possa se adequar melhor ao cenário futuro.

Cenaristas que não estudam o passado, são cenaristas, que tendem a ter maior taxa de arrogância, pois acreditam que apenas o instinto, sua capacidade de percepção, é capaz de prognosticar os cenários futuros.

O passado é uma espécie de âncora de humildade para os cenaristas, pois evita que a taxa de arrogância suba. Que ele comece a projetar o que quer para o futuro e não o que provavelmente vai ocorrer.

Desconfie de cenaristas que não apresentam memória de cálculo passada.

 

Todas as organizações que praticam a gestão estão em crise. A gestão foi o modelo e administração, que conseguiu lidar com um determinado patamar de Complexidade Demográfica.

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A crise que vivemos na sociedade hoje é do modelo de administração, baseada na linguagem oral e escrita, que ficou obsoleto diante do aumento demográfico.

Basicamente, estamos saindo de uma espécie que produzia ruídos, próxima dos mamíferos, que exige líderes-alfas (gestores/palavra oral e escrita) e iniciamos a jornada para espécies de comunicação química (curadoria/cliques).

Isso ocorre em todas as áreas e vai ocorrer também na produção científica.

Existem duas coisas importantes separar neste campo:

O método científico – é estrutural – filosófico. E a
publicação e divulgação é conjuntural – tecnológica.

O método científico, no tempo, exige um problema, uma hipótese para lidar melhor com ele, um teste para validar a hipótese, um comparativo e uma conclusão.

Isso podemos dizer que será algo estruturante de qualquer espécie viva, não só humana, na direção da procura de uma qualidade de vida melhor.

Todos os animais testam melhorias, incluindo os humanos, que fazem isso no geral, e nas questões mais complexas se utilizam de determinadas organizações, que chamamos de academia.

Muita gente confunde método científico que é a eterna busca da certeza provisória, ou da mentira, se quiserem radicalizar com a publicação. Com a publicação.

A publicação, entretanto, não é estruturante, pois dependerá das ferramentais disponíveis a cada período histórico. Como passamos um longo ciclo dentro da Era da Palavra Oral e Escrita criamos a ilusão de que método e publicação é a mesma coisa. Não é!

Antes éramos gestuais, depois passamos às palavras e hoje temos os cliques.

O método científico será praticada na plataforma de publicação disponível e será influenciado por este conjunturalmente.

Hoje, a publicação científica é feita, através da validação das palavras. É o método da gestão, na qual há um gestor, que chamamos de editor ou editores, criam um corpo de pareceristas que avalia o que será publicado.

Filtra-se para publicar.

Segundo o especialista americano de mídias digitais, Clay Shirky, a digitalização do mundo, com suas novas ferramentas, temos o contrário:

Publica-se para filtrar.

A nova linguagem dos cliques permite que pessoas ao lerem determinado artigo, possam, avaliá-lo no processo de leitura. O que podemos chamar de Curadoria Acadêmica.

Tal modelo permite que a Ciência 3.0, possa:

  • ter muito mais interação;
  • ser muito mais líquida;
  • muito mais próxima da sociedade;
  • menos dependente da vontade e interesse dos antigos gestores/editores;
  • mais inovadora;
  • mais descentralizada e distribuída.

A crise da ciência hoje é justamente a mesma de todas as organizações.

Criamos alta taxa de corporativismo tóxico, pois devido à centralização e isolamento da produção científica. A academia ficou cada vez mais voltada parar os próprios interesses do que os da sociedade.

Temos hoje uma ciência conservadora e corporativista, deixando a sociedade sem respostas às questões complexas.

Muitos acadêmicos consideram que qualquer coisa diferente do atual modelo de publicação irá trazer o caos à ciência, pois são reativos às mudanças.

E confundem assim métodos científicos com publicação científica.

A procura da melhor verdade, ou da melhor mentira continuará sempre, o que muda apenas é o método que faremos isso.

Mais gente no mundo, um mundo mais complexo, mais mutante e inovador, exige um novo modelo de produção acadêmico compatível.

O antigo validador oral/escrito dará lugar aos cliques, o uso intenso de inteligência artificial, que permitirá a renascença científica, pois estará muito mais próxima da sociedade do que hoje.

 

´É isso, que dizes?

 

 

 

Existem dois impactos.

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O primeiro é algo mais amplo na base de toda a filosofia, na pergunta mãe:

“Quem somos?”.

Hoje, o principal debate filosófico passa por McLuhan e a ideia de que somos  Tecnoespécie, que se modifica na essência com a chegada de novas tecnologias, principalmente as cognitivas.

Sem este novo paradigma, da Tecnoespécie o novo milênio será um labirinto de minotauro para os filósofos.

Isso, digamos, é algo fundamental que torna consciente algo que já ocorria no passado, tal como as mudanças filosóficas ocorridas na Grécia com a chegada do alfabeto grego ou depois da idade média com a prensa.

Revoluções Cognitivas provocam surtos filosóficos profundos.

A base dos pensamentos filosóficos de plantão ocorrem dentro dos limites Tecnoculturais existentes, que são formados por falsas paredes. Quando elas caem, tudo que estava em cima dela, cai junto.

Porém, temos um impacto em outras camadas da filosofia, no campo moral e epistemológico.

O que antes eram limites humanos não são mais.

Revoluções Cognitivas expandem o “aquário” Tecnocultural, permitindo que o que possamos avançar sobre novas possibilidades.

Um conjunto de pensamentos humanos passa a ser revisto, pois o que achávamos que era sólido, vemos que é líquido.

É isso, que dizes?

 

Marshal McLuhan é conhecido como comunicólogo.

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Mas o novo paradigma que ele defendeu “O meio é a mensagem” é filosofia.

No momento, que sugere que os meios de comunicação são uma extensão do ser humano, entra no campo das perguntas do “Quem somos?”.

McLuhan sugere que o ser humano, por dedução, é uma Tecnoespécie. Introduz um ponto de vista relevante na Filosofia da Tecnologia, que analisa a relação do ser humano com as tecnologias.

Permite o trabalho da Escola Canadense de Comunicação, que passa a estudar as rupturas de mídia no passado para recontar a história humana.

Abre o campo de estudos da Antropologia Cognitiva e permite a obra de Pierre Lévy, que faz um panorama geral sobre as rupturas de mídia.

McLuhan é uma pessoa chave do novo milênio e tem, de certa forma, a importância de Darwin. Temos o mundo antes e depois de McLuhan.

Por quê?

Temos uma visão completamente nova do ser humano, que, na época, pareceu algo exotérico, com baixo impacto de compreensão sobre as mudanças na sociedade.

As mídias eletrônicas trouxeram ou uma Evolução Cognitiva, ou uma Revolução Cognitiva Centralizadora, a gosto, o que reforçou o mundo que já existia.

McLuhan disse algo relevante na década de 60 que só agora se mostra muito mais útil para a compreensão das mudanças humanas, tal como a chegada da Revolução Digital.

Só agora, com a chegada da Revolução Digital, McLuhan passa a ganhar a relevância que merecia.

Não conseguiremos entender o novo milênio sem McLuhan e sua escola.

Não importa tanto o que é dito dentro das mídias, pois as mídias definem a sociedade, pois são uma extensão do ser humano.

Veja ao vivo:

Muito do combate à McLuhan se deve ao questionamento central que essa proposição “o meio é a mensagem” tem e teve sobre o conceito marxista da luta de classes.

McLuhan, ao colocar as tecnologias de comunicação no topo das forças provocadoras das mudanças históricas, elimina o conceito de que a história é filha da luta de classes.

E todo comunicólogo com tendências marxistas baniu McLuhan, ou colocou-o como um pensamento de um excêntrico, digno de figurar num “jardim zoológico” dos pensadores exóticos.

Porém, o novo milênio com as mudanças bruscas que estamos passando, traz McLuhan e sua turma para o centro dos holofotes.

Principalmente, as organizações que querem lideram o mercado precisam de McLuhan para criar cenários mais realistas.

Pela ordem:

  • Da visão filosófica de que somos uma tecnoespécie;
  • De que mudanças de mídia alteram profundamente o ambiente de negócios.

É isso, que dizes?

Vivemos uma profunda crise da ciência. Principalmente das ciências sociais.

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A concentração de mídia nos leva ao corporativismo tóxico, que atinge a todos os setores, incluindo a academia.

Hoje, as organizações criam critérios de produção cientifica de dentro para dentro. Há uma certificação pelos pares, que têm problemas acadêmicos, num círculo vicioso.

Teorias perdem o conceito fundamental, o conceito fica sem consistência.

Teorias são ferramentas humanas para resolver problemas, como detalhei aqui.

Toda boa teoria visa apontar metodologias e, para isso, precisa analisar forças e fazer prognósticos. Teoria que não faz prognósticos não é teoria, é hobbie ou arte.

É na analise dos resultados dos prognósticos e do resultado das metodologias que começamos a saber se uma determinada teoria é eficaz, ou não.

Os resultados demonstram o que pode ser ajustado. Qual é o equívoco que foi feito nas fases preliminares.

As teorias atuais não fazem isso.

Hoje, uma pessoa que se diz cientista é um cientista de assunto, se especializa num tema sem fim, se torna conhecedor de tudo sobre aquele assunto, mas que, de prático, nada ajuda para a sociedade.

Todo estudo tem que ter um problema para nortear o seu caminho, pois é esse o papel da ciência: ajudar a sociedade a viver melhor.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

O grande problema com os cenaristas modernos é que eles passaram a fazer marketing.

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Por uma questão de sobrevivência, os cenaristas passaram a atuar com os princípios do marketing: o cliente tem sempre razão e vou dizer aquilo que ele deseja ouvir.

Isso dá dinheiro, palestra.

E começamos a ter cenaristas marqueteiros dizendo que a Hillary vai ganhar, que a Inglaterra vai ficar na comunidade européia e que o acorde de paz na Colômbia vai ser aprovado. Que a uberização é algo periférico e que no Brasil essa onda de transparência cidadão vai passar.

O papel do cenarista, bem como do calculista de pontes, do oncologista e do terapeuta não é dizer o que o cliente quer ouvir, mas, baseado em teorias eficazes, tentar apresentar um cenário factível para o cliente lidar melhor com ele.

Vivemos hoje guinada civilizacional, na qual as organizações estão em fase de negação. Estão sedentas para escutar pessoas que garantam que futuro não vai mudar tanto assim.

Porém, é preciso entender o papel dos cenaristas para as organizações.

Todo cenarista precisa de uma teoria para fazer seus prognósticos. A diferença entre um cenarista e outro é a teoria que o embasa. E a sua capacidade de criar em cima das forças analisadas.

Um cenarista dever ter apenas compromisso com a sua teoria e do que ele consegue enxergar no futuro a partir dela. Há um diálogo necessário com o cliente, incluindo alunos, mas tem que se dar em bases argumentativa, teórica e lógica.

Quando o cenarista confunde o seu papel de prognosticar o futuro e começa a dizer o que o cliente quer ouvir para aumentar o seu ganho, algo começa a se complicar. A raposa começa a ser chamada para analisar se as galinhas precisam de proteção.

Quando cenaristas deixam de atuar no campo das ciências e da lógica passam ao marketing. Seminários e palestras deixam de ser espaço de reflexão e racionalidade e passam a ambiente de prece para que o futuro não seja tão impiedoso.

Para um cenarista eficaz, quem tem que ter razão é a teoria desenvolvida, que permite prognósticos, e não o cliente!

O cliente contrata um cenarista para conhecer o que ele estudou e não para reforçar aquilo que ele quer ouvir.

Na atual fase de negação, cenaristas eficazes e não marqueteiros assistem os marqueteiros fazendo sucesso.

O futuro, entretanto, que marketing é bom para vender, mas não para fazer estratégica eficaz.

Há dois filmes que recomendo que evidenciam a luta entre cenaristas marqueteiros e cenaristas eficazes:

A caça de Madoff:

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A grande aposta.

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É isso, que dizes?

Vídeo correlato:

Vamos a elas:

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1 – seja um profissional de problemas e não de assuntos;

2 – faça de seu problema uma missão de vida;

3 – procure fontes e não informação;

4 – procure um padrinho/ curador;

5 – tenha o seu espaço de produção de conhecimento;

6 – faça parte de uma comunidade que vive o seu problema;

7 – tenha alunos e clientes e aprenda com eles.

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Problemas estruturam o pensamento e permitem criar metodologias e respostas da vida (e aliança com os sofredores) para saber se estamos indo no caminho menos equivocado.

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Problemas nos mostram que todo o conhecimento tem um propósito: ajudar a sociedade a viver melhor.

Quando as pessoas se dedicam a assuntos e não a problemas, campos de estudo, ciências da rede, de informação, de comunicação, do conhecimento, ou seja lá o que for, entram no labirinto de minotauro, onde não tem wifi e nem tomada para carregar celular.

As pessoas têm problemas e são motivas por resolvê-los. O papel de pensadores ativos é o de ajudar as pessoas a superá-los, quando possível, ou minimizá-los.

Problemas são:

  • integradores;
  • não tem fronteiras, limites, barreiras;
  • não têm autoridade;
  • são mutantes, pois depende sempre do contexto.

Obviamente, uma ciência baseada em problemas só é possível nesse novo ambiente mais descentralizado e distribuído.

O problema é que as ciências atuais são filhas de um mundo 2.0, de pensadores isolados, em torno de assuntos, dentro de labirintos de minotauros eunucos.

A Ciência 3.0 é mais participativa e interativa, pois tem novas ferramentas de validação do que é mais útil à sociedade. Cliques permitem que a sociedade possa participar mais do processo científico.

Tal mudança vai varrer para o canto do quarto a ciências por assuntos.

A Ciência 2.0, além disso, com o tempo de uso, foi gerando, como em outras organizações, uma espécie de corporativismo tóxico.

Viraram muito mais sindicatos do pensamento corporativistas, do que ferramentas de pensar e agir, que possam ser úteis para a sociedade.

Os novos pensadores que serão valorizados pela sociedade não serão especialistas em assuntos, mas em problemas.

Assuntos são aeroportos que só permitem pousar teco-tecos e rejeitam a chegada de aviões maiores.

Pensadores que não têm problema para resolver e atuar na vida acabam por se perder no mar da falta de prioridades. Perdem a noção do que realmente importa e o que deve ser deixado de lado. Saem da Ciência e vão para as Artes ou Hobbies do pensamento.

É isso, que dizes?

 

Problemologia é uma corrente de pensamento educacional voltada para problemas.

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Isso não é novo.

Porém, teremos um surto de mudanças educacionais na direção do estudo, a partir de problemas.

Por quê?

Novas Eras Cognitivas têm uma primeira fase de forte inovação e precisam de pessoas no mundo mais criativas para lidar com antigos e novos problemas.

Há um surto de inovação generalizado.

As antigas formas de resolver os problemas, dentro dos limites Tecnoculturais que tínhamos, passam a ser questionadas e precisamos de novas.

Há uma demanda por pessoas mais inovadoras, que não repitam velhas fórmulas.

Isso é algo conjuntural, mas será estrutural?

Talvez, possamos dizer que quanto mais gente tivermos no mundo, mais complexidade teremos e mais criativos precisamos ser.

Problemas ficam cada vez mais dinâmicos e precisam de respostas novas o tempo todo.

Há um novo patamar de autonomia de cada indivíduo, que é algo necessário para lidar numa sociedade mais complexa.

Esse novo patamar vai nos obrigar a ter educação mais voltada para a mudança do que a anterior.

Há forte tendência por:

  • aprendizado autônomo;
  • por problemas;
  • permanente;
  • mais horizontal do que vertical;
  • por grupos de interesse em torno do mesmo problema.

Haverá um aumento de taxa permanente de inovação, que não volta para trás.

A nova educação vai trabalhar num novo Planeta 3.0, que tem um novo aparato de mídia e a nova linguagem dos cliques.

Organizações não serão mais tão verticais, será algo na direção do Uber, com independência para cada um lidar melhor com o consumidor.

O que fará com que cada um seja um solucionador da melhor forma de lidar com os clientes e ser bem avaliado.

A educação por assuntos e disciplinas dispersas é cara e incompatível com esse novo cenário.

É isso, que dizes?

A grande novidade do novo milênio é a mudança profunda que o Sapiens está passando.

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Cada indivíduo direta ou indiretamente está vivendo as consequências da chegada de novo aparato de tecnologias cognitivas e uma nova linguagem.

Há uma mudança estrutural, em três níveis:

  • genético/biológica;
  • subjetiva;
  • objetiva.

De cada Sapiens, no novo Planeta Sapiens 3.0.

Há mudanças estruturais que são novas e permanentes.

A saber:

  • empoderamento de mídia;
  • conexão global;
  • acesso 24 horas à conexão global.

É isso, que dizes?

A grande questão filosófica do novo milênio é introduzir as tecnologias na pergunta “Quem somos?”.

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Até aqui a resposta foi incapaz de se aproximar mais do que de fato ocorre.

O Sapiens é uma Tecnoespécie e é o que é pelas tecnologias que consegue criar.

O Planeta Sapiens, tecnológico por natureza, quando recebe novos aparatos se alarga. Passamos a fazer o que não era possível antes. Criamos um vácuo entre o Planeta Sapiens antigo e o novo.

As tecnologias expandem nossos limites e no vácuo criado avançam projetos daqueles que percebem que as falsas paredes do antigo planeta já não existem mais.

Há, porém, mudanças diretas de novas tecnologia no Sapiens. Algo no nosso corpo físico ou mental se altera, pois novas órteses fazem com que tenhamos que nos adaptar a elas.

Principalmente, o cérebro que tem certa independência de seus respectivos donos.

Pessoas que gostam de pensar o futuro, devem olhar para os vácuos que se abrem no Planeta Sapiens com a chegada de novas tecnologias e não para as tecnologias em si.

Tecnologias que abrem vácuos são aquelas que vêm atender à demandas que estavam contidas na parede do antigo Planeta Sapiens.

Há latências da sociedade que não conseguem ser atendidas por falta de tecnologias que as viabilize. Tais tecnologias serão mais rapidamente massificadas do que outras.

Quem gosta de pensar o futuro, deve olhar para as latências e o potencial que são atendidas com novas tecnologias.

É isso, que dizes?

O Sapiens não vive no Planeta, mas numa espécie de Tecnoplaneta particular.

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Outras espécies vivas lidam diretamente com a natureza. O Sapiens se relaciona com a natureza, através de aparato tecnológico.

  • As outras espécies podem sofrer com as mudanças da natureza e se adaptar a elas.
  • O Sapiens altera a sua vida se novas tecnologias surgirem, pois a relação possível com a natureza, com outros seres vivos e outros Sapiens se modifica.

Há graus de adaptação necessária, a partir da chegada de novas tecnologias:

  • tecnologias não cognitivas – variável, conforme impacto sobre a sociedade futura;
  • tecnologias cognitivas – sempre impactante, pois altera a forma de relação dos Sapiens entre si;
  • tecnologias genéticas – sempre impactante, pois poderá  alterar a forma como sobrevivemos, nos reproduzimos, morremos.

Quando novas tecnologias surgem o Planeta Sapiens se modifica, principalmente Tecnologias Cognitivas, o que nos faz defender que determina etapas civilizacionais, a saber:

  • Civilização 1.0 – o Sapiens que gesticula;
  • Civilização 2.0 – o Sapiens que também fala, lê e escreve;
  • Civilização 3.0 – o Sapiens que clica.

Toda mudança civilizacional, a partir de Revoluções Cognitivas (chegada de novas tecnologias de comunicação e informação) introduzem grande mudanças no Planeta Sapiens:

  • genética/biológica, alteração no cérebro;
  • subjetiva, mudanças em como lidamos com o mundo;
  • objetiva, novas formas de resolver o problema das demandas e ofertas.

É isso, que dizes?

Galera, se segura, pois começamos a Revolução Administrativa!

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O ser humano caminha na história aumentando o patamar de complexidade demográfica.

É a única espécie social que faz isso, mas precisa de tempos em tempos promover um forte ajuste em como se comunica e se administra para voltar a equilibrar a espécie.

O diagnóstico da crise que estamos passando é simples:  crescemos demais e nossos modelos de comunicação e administração ficaram incompatíveis.

Como procedemos o ajuste?

  • Começamos introduzindo novas tecnologias de comunicação e informação, com ou sem uma nova linguagem;
  • E depois, a partir das possibilidades abertas por essa novidade, criamos um modelo de administração mais sofisticado, nem melhor e nem pior, apenas mais sofisticado.

Assim, podemos dizer que até aqui com a digitalização do mundo estávamos na fase da Revolução Cognitiva, mas que se abre na segunda etapa: da Revolução Administrativa.

Organizações uberizadas nos mostram que é possível administrar, basicamente tomar decisões, de uma nova forma, através da nova linguagem dos cliques.

Daqui para frente, o que vamos assistir são mais e mais organizações ocupando mais e mais espaços na sociedade embaladas pela novo modelo de administração.

A Revolução Administrativa já começou.

E é ela que vai realmente criar a nova Civilização, a partir das novas possibilidades criadas pela Revolução Cognitiva.

É isso, que dizes?

Quando falamos em especialização, pensamos sempre especialização de assuntos e não de problemas.

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O mundo que estamos saindo é um mundo de ideias e inovação controlados pelo limite das tecnologias, da linguagem, que se tornaram incapazes de lidar com o novo patamar da Complexidade Demográfica.

Quando isso ocorre a tendência é massificar, apostar na repetição, na baixa inovação, no controle e caminhamos para o fortalecimento do agir e pensar em torno dos assuntos.

A educação caminha toda nessa direção.

Assuntos, que podemos chamar de dados dispersos, são ferramentas pré-problemas.

Não podemos incentivar o estudo e prática em torno de problemas em sociedades que não podem inovar.

Vamos estudar em torno de dados dispersos, desarticulados, sem coerência entre si e deixar que os problemas sejam resolvidos por uma parcela pequena da sociedade.

Isso não é maligno, mas a resposta que encontramos para momentos em que a taxa de Complexidade Demográfica aumenta sem o respectivo upgrade nas tecnologias de mídia e na linguagem,

Especialistas de assuntos, ou de dados, são apenas pessoas que quanto mais estudam mais se isolam no mundo.

O estudo de assuntos nos leva sempre a becos sem saída.

Quando recomeçamos nova Era Civilizacional, com novas tecnologias de mídia e nova linguagem podemos, de novo, nos dedicar ao estudo de problemas, pois a taxa de inovação volta a crescer.

O estudo de problemas, ao contrário do de assuntos, é integrador.

Todo o estudioso de problemas vai lidar com os mesmos problemas fundamentais:

  • superar sofrimentos latentes de quem sofre com o problema;
  • dificuldade de que as pessoas encarem novas metodologias para antigos problemas;
  • articulação de diferentes campos de assuntos para lidar com o mesmo problemas, quebrando barreiras disciplinares;
  • questões filosóficas, teóricas e metodológicas.

Assim, o estudo dos problemas por especialistas, ao contrário do de assuntos, não leva pessoas a ruas sem saídas, mas para cruzamentos.

É isso, que dizes?

Tenho dito que a Antropologia Cognitiva é o único campo de estudos que pode fazer prognósticos mais consistentes sobre o futuro.

(A partir de um papo numa estação de VLT com Luciana Sodré.)

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Muitos dirão que todo martelo só vê pregos.

E que como abracei este campo de estudos vou priorizá-lo por um capricho do ego.

Vou tentar colocar argumentos para defender a ideia de forma lógica.

O conhecimento humano avança de forma integrada, a partir de alguns fatores:

  • novas tecnologias que nos permitem enxergar melhor, ver melhor, medir melhor, ver  o que não víamos;
  • novos fenômenos que obrigam a repensar alguns paradigmas;
  • novos malucos que chegam para apresentar ideias completamente diferentes;
  • o legado filosófico, teórico, metodológico no tempo, que nos faz amadurecer com o tempo, pois mais e mais gente passou e pensou de forma incremental ou disruptiva sobre problemas.

Vivemos hoje a chegada de  nova Revolução Cognitiva, que provoca mutação no Sapiens e, por sua vez, em toda a sociedade futura.

Assim, é preciso refletir sobre:

  • Quem somos?
  • Como caminhamos na história a partir das rupturas de mídia?
  • Como as tecnologias influenciam na nossa história?
  • Como as tecnologias cognitivas mudam a sociedade humana?

É como se tivéssemos uma epidemia de zumbis no mundo, no qual os especialistas em epidemia de zumbis terão mais facilidade de prever o futuro.

Temos uma crise devido a:

  • novos fenômenos que obrigam a repensar alguns paradigmas;

É hora dos “especialistas de zumbis”, pois a “epidemia” é de “zumbis”.

É preciso compreender como os “zumbis” surgem, qual será a extensão da epidemia sobre a sociedade para depois começar a ver como isso vai impactar as demais abordagens, nos diferentes campos de estudo.

Todos os campos de estudos serão impactados pela mudança de paradigma que tal fenômeno tem sobre a sociedade.

Tal campo não é melhor do que os outros, mas conjunturalmente é chave, pois consegue entender melhor a natureza do fenômeno que acaba por impactar todos os outros.

É como se tivéssemos, diante de uma epidemia de zumbis, discutindo a sociedade, sem incorporar o fato de que há um processo radical de “zumbizamento” rápido de toda a sociedade.

Todos os campos de estudo que procuram projetar o futuro terão visão parcial do fenômeno, pois não se debruçarão sobre o principal fenômeno e as revisões necessárias.

É preciso recomeço, novo paradigma filosófico, nova pedra fundamental estruturante, que permita incorporar no cerne das novas abordagens mudanças como a Internet na sociedade humana em cada um dos campos das ciências sociais.

É preciso recomeçar com a seguinte frase: o Sapiens muda quando mudam as mídias e as linguagens. E cada problema que é estudado tem que levar isso em consideração.

A Antropologia Cognitiva se dedica justamente a entender estas mudanças de mídia na história e, por causa disso, consegue ter mais facilidade e consistência nas projeções.

O papel de campos estudos é de criar teorias e teorias têm como uma das missões prognosticar o futuro.

Campos de estudo, tais como comunicação, conhecimento, redes, informação, ciências sociais, ciência política, economia, sociologia ou antropologia que não seja cognitiva e vários outros perdem o sentido, pois partiram de premissas filosóficas que estão superadas.

A estrutura desses campos partem de uma “pedra fundamental” de que tecnologias são neutras e que o ser humano as controla.

Quando isso é falso.

Tecnologias e Sapiens formam uma moeda de duas faces. Quando mudam determinadas tecnologias, o Sapiens muda com elas.

Todas as tentativas que tais campos de estudo fizerem de forma isolada, sem passar pela Antropologia Cognitiva serão parciais.

Há  grandes sacadas, contribuições, metodologias interessantes que estão por aí nestes campos de estudo, mas se tornam precárias quando querem fazer prognósticos do que virá, pois partem da premissa filosófica equivocada.

Não deram ainda o “cavalo de pau” necessário para incorporar de forma consistente o fenômeno Internet nas suas teorias.

Conseguem ver apenas  parte do elefante e não o todo.

Hoje, é preciso repensar o ser humano e depois começar a repensar suas diferentes atividades. Se começamos a repensar as diferentes atividades sem repensar o ser humano, o caminho se torna nebuloso.

É isso, que dizes?

 

 

Há um esforço das organizações para tentar conversar com o novo consumidor. Isso pode ser visto, desde a escola até as maiores empresa do mercado.

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Há um problema de paradigma grande aí.

As organizações têm a ilusão que é a Internet que vai entrar na organização. Isso é falso. É justamente o contrário. A Internet tem o poder de criar novo modelo de organização que é incompatível com o atual.

Como disse McLuhan o meio é a mensagem.

As linguagens e todo o aparato que construímos para poder usá-las definem o modelo das organizações.

As atuais organizações foram criadas em função de mudanças tecnológicas e de linguagens do passado.

E agora, como vivemos uma nova Revolução Cognitiva (chegada de novas tecnologias de informação e comunicação e uma nova linguagem) estamos criando um novo modelo de organizações.

O que viemos em momentos como estes é a criação de dois mundos em paralelo.

  • Um, do lado de dentro, entrando em obsolescência, que pratica o modelo de administração/comunicação que vai chegar ao fim.
  • E outro do lado de fora, que podemos falar das empresas uberizadas, que já praticam um novo modelo de administração/comunicação.

Vejamos.

  • As atuais organizações, escola inclusive, se estruturam em torno do seguinte aparato de mídia/linguagem: tecnologias de informação e comunicação da palavra escrita e oral, presencial ou a distância.
  • As novas organizações colocam a escrita oral e a distância num segundo plano e passam a se utilizar, como eixo central, do novo aparato de administração/comunicação baseado nos cliques.

As decisões passam a ser tomadas pelos cliques, que nos levam a um novo modelo de topologia administrativa.

Cliques, um modelo de espécies mais numerosas, como as formigas, não precisam de líderes-alfas para tomar decisões.

A nova linguagem dos Cliques permite que consumidores possam participar de forma muito mais ativa nas decisões.

Eles não pedem para que decidam a seu favor, eles decidem naquilo que acham que lhes interessa.

Assim, é preciso criar ambientes de passagem entre o velho e o novo para que a ruptura não seja traumática, pois não se trata de dois modelos incrementais e sequenciais, mas disruptivos, pois são estruturados em duas linguagens diferentes.

Podemos dizer, até, que para dois Sapiens distintos.

É isso, que dizes?

 

Podemos fazer todas as projeções que quisermos para o futuro. Não há limite para sonhar. Mas algo precisa ser dito.

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Por que o Sapiens fará agora o que nunca fez antes?

Projeções sobre o futuro precisam demonstrar, com alguma lógica, de que os nossos antepassados não fizeram, mas agora conseguiremos fazer e vir uma explicação.

A história nos ajuda a ver os nossos limites.

Se em milhares de anos não fizemos determinadas ações é por que elas não eram possíveis por algum motivo.

Se esse motivo está sendo superado, aí temos um bom ponto lógico para a futurologia.

Poderíamos ter dito ante do avião, por exemplo, que o ser humano nunca voou até aqui, mas se aparecer tecnologias que permitam voar, nós voaremos.

Aí podemos dizer que uma tecnologia provocará uma mudança que nunca poderia ter ocorrido antes.

Faz sentido.

Muitas vezes vejo muitos profetas fazendo projeções do futuro, mas ignoram a história, como se tudo começasse a partir de nós. Isso não é um prognóstico baseado em uma teoria, mas uma profecia.

De maneira geral, o Sapiens detesta mudar.

Se deixarmos, nosso lado reativo a mudanças sempre tenderá a prevalecer sobre os demais.

Só latências muito vitais provocam mudanças sociais, políticas e econômicas, acompanhadas por grupos que incitam tais mudanças.

  • As verdadeiras revoluções do Sapiens, entretanto, são as Tecnológicas Cognitivas, pois permitem a expansão radical da Tecnocultura, de forma silenciosa, descentralizada e massificada.
  • Revoluções Cognitivas não têm um líder, alteram individualmente a plástica cerebral das pessoas, alterando a própria tecno-natureza humana.
  • Revoluções Cognitivas são ferramentas do Sapiens para viver melhor e lidar de forma mais eficaz com a complexidade.

Quando olhamos para a história, percebemos o que podemos mudar a partir de Revoluções Cognitivas e o que se manteve, ao longo do tempo imutável.

A única Revolução que pode superar a Cognitiva é uma Revolução Genética, se isso for possível, em larga escala de forma descentralizada.

E por isso precisamos da história, da Antropologia Cognitiva para nos guiar.

É isso, que dizes?

Existe uma fantasia de que todos têm a sua percepção de mundo e não há uma mais eficaz do que outras. Isso é falso.É representativa de uma época que a academia está mais preocupada em publicar do que ajudar a sociedade a viver melhor.

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Teorias, como disse aqui, são hipóteses a serem testadas.

Teorias que não são testadas não são teorias, mas alegorias.

Assim, quando alguém vem dizer que cada um tem a sua percepção de mundo, é fato. Porém, percepções de mundo acabam virando ações no mundo. E as ações no mundo têm consequências.

As consequências de nossas ações no mundo são teorias que estão sendo testadas, de forma consciente ou inconsciente.

O problema é que depois de uma forte concentração de mídia, passamos a ter percepções pouco trabalhadas.

Teorias são incorporadas sem crítica e muito mais repetimos do que criamos.

Só conseguiremos ter um mundo melhor, quando assumirmos que estamos testando teoria o tempo todo, assumindo de onde elas vêm, para onde vão.  E se são eficazes no que elas prometem.

E ainda:

Assim, quanto mais teorias forem explicitadas, quanto mais forem testadas, quanto mais forem descartadas, quanto mais forem revistas de forma transparente e aberta, mais qualidade de vida terá o Sapiens.

Uma das piores formas de opressão que pode existir é quando as teorias se tornam invisíveis, pois foram incorporadas pelas pessoas na sua própria identidade, tornando difícil que pensem e ajam de forma diferente.

Vídeo relacionado:

Existem muitas ciências por aí tentando explicar o presente e projetar o futuro. Uma delas é a Ciência das Redes.

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Porém, rede é solução e não problema.

Você pode me perguntar.

Não se pode estudar partes de um problema, tal como informação, comunicação, redes, de forma isolada?

Sim, se pode, mas depende muito da época. Em fases incrementais da humanidade, é mais fácil ir por este caminho, mas não em momentos de ruptura.

Revoluções Cognitivas são os fenômenos mais disruptivos do Sapiens. Nestes momentos há uma expansão da Tecnocultura que não ocorre em nenhum outro momento da macro-história humana.

Assim, quando temos momentos disruptivos como o atual, precisamos nos voltar para o ser humano e a sua macro história.

É uma exigência fundamental a volta à filosofia, a pergunta básica do “Quem somos?“.

Revoluções Cognitivas provocam crises filosóficas profundas, pois o Sapiens entra em processo radical de mudança.

E quanto tudo parece mudar, é preciso que coloquemos algumas âncoras para que possamos saber o que provavelmente vai se alterar. E o que não vai.

Como saber o que não vai?

Olhando para o passado, para os limites que nossos antepassados tiveram,  que tentaram fazer e não conseguiram e o que conseguiram.

Assim, temos uma visão mais clara do Sapiens e nos permite seguir adiante.

Nestes momentos de ruptura, incluindo filosófica, se sugere o estudo do Sapiens, do humano, sua releitura.

Qualquer tentativa de estudar a parte tenderá a ser estrada com mais nevoeiro e tenderá a projetar algo que não é da tradição histórica humana.

A Ciência das Redes, como várias outras, comete esse pecado teórico. No momento de tão profunda ruptura, opta por não partir do Sapiens.

É preciso recomeçar do alto: da filosofia, voltando a teoria e depois a metodologia, tendo como ponto central os campos que estudam o Sapiens em si.

Por isso, a Antropologia cabe bem nestas horas.

O estudo do humano na história e suas rupturas tecnológicas cognitivas (que é o fenômeno principal da hora), permite ver de forma mais eficaz.

É o meu palpite.

É isso, que dizes?

 

Vídeo relacionado:

Teoria para este blog é conjunto de regras ou leis, mais ou menos sistematizadas, aplicadas a um problema específico.

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O Sapiens tem problemas a resolver, o que lhe obriga a tomar decisões. As teorias, assim, são ferramentas para que o Sapiens decida melhor.

Ninguém atua na vida sem uma teoria, mesmo que não tenha consciência das que pratica.

A percepção humana sempre trabalha com teorias. E uma pessoa com percepção mais “musculada” é aquela que consegue escolher, melhorar e assumir as teorias que a guia.

Teorias são filhas de filosofias e mães de metodologias.

Teorias têm as seguintes saídas:

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  • Análise – as forças que atuam sobre determinado problemas. Forças que continuam, as que se alteram. Quando? Onde? e Por quê?
  • Diagnóstico – os problemas causados pelas forças que precisam ser minimizados e de atuação humana sobre eles;
  • Tratamento – a atuação necessária para lidar com as forças;
  • Prognóstico – o que vai ocorrer se não houver atuação, ou se houver.

Vejamos:

  • Teorias, assim, para este blog, não são eunucas.
  • Teorias eunucas são aquelas que não geram prognósticos, diagnósticos, tratamento ou análise.
  • Teorias cumprem um papel de guiar pessoas a resolver problemas e tomar decisões.

No momento que se faz a análise, o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento pode-se analisar se as hipóteses sugeridas fazem mais ou menos sentido.

Muitos podem perguntar: qual é a referência para saber se uma teoria é eficaz?

Podemos dizer que existem taxas de sofrimento humano que serão reduzidas ou ampliadas depois do tratamento.

E há ainda o prognóstico do que ocorrerá.

Quanto mais os prognósticos se aproximarem dos fatos futuros e quanto mais se reduzir a taxa de sofrimento, com o tratamento proposto, mais a teoria é eficaz e vice-versa.

É isso que dizes?

O ser humano adora fazer sexo. E sexo significa aumento populacional. Assim, a não ser que mudemos geneticamente nossa vontade por transar, a tendência do aumento demográfico é constante.

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Vivemos, assim, sob a égide da Complexidade Demográfica.

Quanto mais gente tivermos no mundo, mais humanos seremos, pois estamos reforçando nossa latência por sexo, reprodução.

Temos que nos basear na história e não na nossa concepção sempre fantasiosa e superficial, do que é Sapiens realmente é.

Assim, quanto mais pessoas tivermos no mundo, mais problemas teremos e mais tecnologias precisaremos.

E isso é extremamente humano.

As pessoas, quando pensam sobre a desumanização humana, imaginam logo nossos antepassados com menos tecnologias, pois sempre tivemos tecnologias, que hoje pelo uso ficaram invisíveis.

A ideia de que mais e novas tecnologias nos desumanizam, parte de uma visão equivocada do humano. Quando não tivermos tecnologias, aí sim, deixaremos de ser humanos.

Tal visão parte de uma visão filosófica equivocada da relação do ser humano com tecnologias. E do ser humano com a demografia.

Tema que está no topo do debate filosófico do novo século: sobre a questão existencial primordial: quem somos?

Somos uma Tecno-Espécie que vive sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva.

Qualquer visão que não coloque estes dois temas em debate tenderão a não conseguir entender o novo século e passar a resistir a ele.

De forma mais ou menos ativa, dependendo do dogmatismo.

É isso, que dizes?

Existe uma forma de pensar sobre novas tecnologias que vou chamar de Reatividade Melancólica.

Vídeo relacionado:

 

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Resistir a mudanças faz parte, inclusive saudável, do ser humano, pois algo está se perdendo uma coisa para se ganhar outra.

Tem perfis de pessoas que têm a tendência de olhar as perdas e esquecer os ganhos com as tecnologias. E há aqueles que só vêem os ganhos e não as perdas. Seria o reativo melancólico versus o empolgado desenfreado.

Existe claro o reativo crítico, que quer ponderar sobre as mudanças e isso é positivo para o processo.

Diria que a diferença entre o reativo crítico e o melancólico está na maneira que se encara o papel da tecnologia na sociedade.

Tecnologias não inventam demandas, mas vêm atender as demandas humanas seculares. Aquelas que procuram criar demandas são justamente as que são deixadas de lado e esquecidas.

Podemos dizer, assim, que toda tecnologia não vem por que se quer, mas por que vêm resolver  problemas, que antes não existiam. Ou que não tínhamos legado para inventá-las.

Assim, novas tecnologias que se massificam vêm resolver problemas, que não podem ser ignorados.

O reativo melancólico é aquele que olha para a tecnologia como se fosse algo opcional para o Sapiens e não obrigatório para resolver determinado problema.

É aquele que ignora o problema como se pudéssemos voltar para um tempo em que não havia necessidade da tecnologia. Porém, nesse tempo o problema talvez não existisse e só não foi criada tecnologia por falta de opção.

Um fator que todo reativo melancólico ignora é o crescimento populacional. Um mundo de 7 bilhões tem problemas que um de um bilhão não tem.

Tecnologias vêm resolver estes NOVOS problemas.

Tentar ignorar seu papel é como aquele doente que não quer assumir que tem câncer, como se ignorar o problema pudesse resolvê-lo.

Reativos melancólicos são pessoas que colaboram negativamente para pensar o futuro, pois querem que as soluções tecnológicas não venham, como se os problemas que estão sendo resolvidos por elas não existissem.

É isso, que dizes?

Quando falamos em uberização do mundo, logo se fala que os motoristas do Uber são também explorados, mas de outra forma.

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Não nego.

Se compararmos o modelo de administração implantado pelo Uber para um antigo motorista de táxi, o que temos de salto é o controle que a sociedade passou a ter de cada um deles.

O modelo de fiscalização ou da prefeitura ou de cooperativas de táxi passou a ser falho. Motoristas demais e fiscais de menos.

O que tínhamos na sociedade, na verdade, era o descontrole da frota, que fazia o que queria quando queria. Isso, na verdade, é o que ocorre com todas as organizações tradicionais.

A sociedade cresceu demais demograficamente e não consegue mais controlar as organizações que precisaram se centralizar.

O Uber é apenas o primeiro passo num macro ajustes que estamos fazendo.

Porém, é normal que todo mundo encare essa grande novidade como o final de linha da inovação nesse campo.

Fotografam o Uber e acham que isso é o final de tudo que faremos. Isso não fato. Gosto de lembrar que temos um filme, ou uma série, de vários capítulos e temporadas. Estamos apenas nos primeiros cinco minutos de vários tempos.

O Uber uberizou a fiscalização dos motoristas, mas não uberizou o lucro.

A lógica do Uber, sob esse ponto de vista, é a mesma das antigas organizações, o modelo da plataforma é centralizado. E quem é o dono da plataforma fica com a maior parte.

Isso será sempre assim?

Acredito que não.

O modelo da Uberização tende a se descentralizar, com a chegada da cultura do Blockchain, que é um misto entre Napster e Torrent.

Redes descentralizada e distribuídas, sem uma plataforma central, organizando todo o processo.

Se ao Blockchain for aplicado numa frota de táxis ou de Ubers, suponhamos, não haveria um Uber, mas milhares, mantendo o conceito de avaliação, mas permitindo uma nova forma de distribuição de lucros.

O Blockchain, na verdade, seria a uberização da uberização.

Isso é válido para o Youtube, Facebook, Twitter, etc.

Se me perguntarem qual é o próximo grande passo da Uberização do mundo, eu diria. É a uberização da uberização.

É isso, que dizes?

Vídeo relacionado:

Muitos alunos assistem a minha aula e saem empolgados em uberizar o mundo.

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Porem, o espaço de uberização do mundo ainda não está tão aberto.

O que me faz pensar bastante sobre quem somos.

Somos aquilo que fazemos. E fazemos aquilo que nos permite sobreviver: aquilo que dá dinheiro. Somos, assim, de alguma forma aquilo que o ambiente produtivo permite ser.

Todo o ambiente produtivo tem uma lógica e uma demanda. E é natural que a nossa forma de pensar e agir seja mais próxima daquilo que o ambiente produtivo quer escutar.

Há uma espécie de imã que faz com que todos pensem e ajam, conforme a lógica do ambiente produtivo.

O que o ambiente produtivo quer escutar é considerado válido e o que não quer, nem tanto.

Porém, a vida não é controlada pelo ambiente produtivo. Na maior parte da história há um forte controle deste sobre a vida.

Em Revoluções Cognitivas – a chegada e massificação de novas tecnologias de troca (informação e comunicação)- o ambiente produtivo de plantão perde o controle sobre as mudanças na vida.

Em Revoluções Cognitivas se abre um vácuo entre o que quer ser ouvido e o que precisa ser ouvido. O que precisa ser mudado e o que se quer mudar. Podemos chamar isso de Reatividade Emocional.

Todo o aparato de aconselhamento do ambiente produtivo tende a dizer aquilo que este quer ouvir, mas a vida caminha em outra direção.

Há um falso aconselhamento, uma espécie de “paparicação sem lógica”.

As organizações tradicionais diante da atual Revolução Digital se abrem para ouvir apenas aquilo que reforça seus valores e não aquilo, que, de fato, está ocorrendo com a vida.

É, por causa disso, talvez, mais do que tudo que torna tão frágil a situação das organizações.

Os antigos conselheiros só sabem pensar e agir, conforme as regras antigas, não conseguem se aventurar em  nova narrativa para não ficar “mal na fita”.

E o círculo vicioso (conselheiros-antigas organizações) vai deixando brechas, que vão sendo ocupadas pelos novos players do mercado, que estão completamente alheios a esse problema.

É preciso, tanto organizações como novos conselheiros, romper esse círculo. Organizações precisam ouvir o que não se quer e conselheiros aprender novos paradigmas e se comprometer com eles.

É isso, que dizes?

 

Vamos a um resumo:

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1 – Revoluções Cognitivas são fenômenos macro-históricos e todo o paradigma estratégico trabalha na micro-história;

2 – Uma mudança dessa dimensão só ocorreu há 70 mil anos, não é à toa o estranhamento;

3 – Organizações foram estruturadas dentro da gestão, que está em estágio terminal;

4 –  Empresas de consultoria que deveriam ajudar estão também  em crise;

5 – As universidades que deveriam ajudar estão também em crise;

6 – A mídia que deveria ajudar está também em crise;

7 – As pessoas estão na fase da negação, que é extremamente perigosa, pois a nova geração não vive a mesma crise.

É isso, que dizes?

Vejamos?

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1) saímos do isolamento da Idade Mídia e estamos mais conectados;
2) saímos das tribos locais para as conceituais, o que nos faz assumir mais a forma que pensamos sobre o mundo;
3) há muito dogmatismo oriundo da Mídia Eletrônica;
4) a Escola Oral e Escrita não nos ensina a dialogar;
5) há a compulsão da novidade cognitiva;
6) vivemos uma crise civilizacional;
7) precisamos sair da crise, mas ainda não sabemos como.

E precisa dizer ainda que:

  1. Qualquer análise que não leve em conta a Revolução Cognitiva terá tudo para não compreender o papel das novas tecnologias no fenômeno;
  2. Que a história pode, assim, nos ajudar a pensar melhor o problema;
  3. Que em termos comparativos vivemos uma fase inicial da Revolução Cognitiva que as forças do passado se degladiam, mas não há ainda uma proposta viável para apontar a saída de médio e longo prazo.

A política é a metodologia encontrada pelo Sapiens para debater, minimizar e/ou resolver problemas coletivos.

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Existem três instância no fazer político:

  • O modelo – como se decide;
  • O conteúdo – o que se faz;
  • O estado – os serviços que são entregues.

A política, entretanto, necessita que as pessoas se comuniquem e se informem para poder existir.

As pessoas, entretanto, não se informam e se comunicam, no vazio. Precisam de ferramentas Tecnoculturais para isso.

  • Se vivemos num mundo oral, a política terá a influência do modelo oral;
  • Se vivemos num mundo escrito, a política terá a influência do modelo escrito;
  • Se vivemos num mundo digital, a política terá a influência do modelo digital.

Assim, o modelo de se fazer política varia no tempo, ao longo de milênios ou séculos, conforme as ferramentas que temos para nos informar e nos comunicar.

E aí temos duas novas instâncias no Modelo Político:

  • o debate político;
  • a decisão política.

Hoje, com as ferramentas que temos optamos por intermediários, que chamamos de “políticos”.

De tempos em tempos, escolhemos os parlamentares para que tomem decisões por nós.

Escolhíamos os parlamentares, através do voto escrito, que depois passou a digital.

Hoje, com a chegada da primeira etapa da Revolução Cognitiva, a digitalização da informação e da comunicação, passamos a ter mais informação, mais trocas e iniciamos um processo de mudança no conteúdo do que se debate.

Porém, começamos a entrar na segunda etapa da discussão do próprio Modelo. A forma como decidimos.

Hoje, através das primeiras experiências bem sucedidas da Terceira Linguagem, dos Cliques, já começamos a poder vislumbrar 07 tendências para a Política 3.0:

  1. a reforma da política e não na política;
  2. a redução da demanda por políticos que decidem tudo por nós;
  3. a uberização dos políticos;
  4. uma (re) federalização reduzindo as decisões a espaços menores, estados, cidades, bairros, ruas;
  5. a migração dos serviços do âmbito estatal para a sociedade, com mais flexibilidade;
  6.  a uberização daquilo que ficar com o Estado;
  7. a wikização das leis.

 

Conversando com meus alunos, um deles me perguntou como posso afirmar que temos uma nova linguagem no mundo, a dos cliques?

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Linguagens são o DNA da nossa espécie.

São utilizadas para que possamos sobreviver.

E para sobreviver precisamos tomar decisões.

A linguagem, assim, tem como função principal nos ajudar a tomar decisões melhores.

Linguagens, entretanto, ficam obsoletas. Isso é uma nova descoberta dos estudos da Antropologia Cognitiva.

O que contribui para a obsolescência das linguagens é a Complexidade Demográfica Progressiva. Uma linguagem que era funcional ontem, pode deixar de ser amanhã.

A palavra foi a ferramenta principal durante os últimos 70 mil anos, desde a oral, a manuscrita e a impressa. Estruturou a gestão e seus respectivos gestores, que interpretavam sons e ruídos, processavam e despachavam novos.

O aumento demográfico tornou a decisão baseada em ruídos/Palavras obsoleta, pois um gestor tem capacidade específica de poder atender  quantidade de sons.

A principal crise hoje no novo milênio é de que a administração da espécie baseada na Palavra não consegue mais resolver os problemas complexos de 7 bilhões de Sapiens.

A Gestão, modelo de administração baseada em ruídos, ou na palavra, é muito demorado parar atender as demandas atuais.

Além disso, acaba por dar poder demais aos antigos gestores, que passaram a exercê-lo para próprio benefício.

A Palavra vai perder a sua hegemonia para a Linguagem dos Cliques, que permite a criação da Curadoria, novo Modelo de Administração da Espécie, mais compatível com a complexidade de 7 bilhões de Sapiens.

Os Cliques permitem  tomada de decisões por mais gente, mais rápida, descentralizada, com muito mais informação relevante. É a saída para conjunto enorme de problemas sociais, políticos e econômicos que temos hoje e não têm saída no atual modelo Palavra/Gestão.

A palavra deixará de ser o epicentro da administração e das trocas a distância e se recolocará como  forte elemento das comunicações presenciais, principalmente voltadas para o diálogo.

Haverá uma perda do poder exercido hoje da Palavra a distância escrita com um aumento do uso da Palavra Oral, através de áudios e vídeos.

Perderá sua importância na administração, pois  exige gestor de carne e osso, que não consegue mais atender as demandas de um mundo tão complexo.

É isso, que dizes?

Um dos resultados mais chocantes da minha pesquisa é este. A influência da Complexidade Demográfica Progressiva na Centralização de Poder.

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Vamos enumerar os motivos:

  1.  mais gente, mais diversidade objetiva e subjetivas, o que implica pressão sobre o sistema produtivo;
  2. o sistema produtivo precisa inovar para poder atender ao aumento de complexidade;
  3. geralmente, a inovação vai na direção da massificação da produção, o que implica em padronização das ofertas;
  4. padronização das ofertas aposta no embotamento da diversidade das pessoas para aceitar as ofertas padronizadas;
  5. organizações para atender a tanta gente, precisam se centralizar;
  6. a centralização das organizações pede controle de ideias e inovação;
  7. e o ciclo na direção da concentração só tem um final quando chegam novas possibilidades de descentralização de mídia, que reiniciam o ciclo.

Aumento demográfico, além disso, exigem que pessoas sejam educadas nos conceitos da autonomia republicana, o que acaba não ocorrendo por falta de capacidade.

Mais gente, com mais demandas urgentes e menos capacidade de autonomia, acabam por pedir um centro forte e solucionador de problemas imediatos.

Isso fortalece um tipo de modelo político e econômico centralizado, mais populistas, ora autoritário, ora totalitário.

Se reinicia o processo de reconstrução dos valores liberais, que só conseguem vir à luz com novas mídias, que permitem novas formas de descentralização espontânea.

Estamos falando aqui de macro-movimentos civilizacionais, cada vez mais evidentes com a atual globalização do Sapiens.

Tais fenômenos ocorriam de forma isolada quando éramos uma espécie compartimentada, que vivia em nichos, sem a interdependência que temos hoje.

É isso, que dizes?

99% das pessoas no Brasil, se perguntadas dirão que tudo se resolve com Educação.

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Vivemos hoje a superficialidade dos conceitos. O fim de uma era emocional, na qual as narrativas deram lugar ao marketing vazio.

Sim, Educação esse conceito aberto e abstrato, no qual cabe qualquer coisa, desde a doutrinação em Cuba e na Coréia do Norte, vistas por muitos como um bom modelo de Educação.

Temos, portanto, que adjetivar Educação. Precisamos falar em Educação Republicana ou Liberal, que tem um tipo de proposta para a sociedade, voltada para a autonomia dos indivíduos.

A base para se pensar na Educação Republicana é a de aumentar a autonomia dos indivíduos para que eles possam tomar decisões melhores.

Decisões melhores têm algumas receitas, tal como a capacidade de pensamento lógico, o que implica domínio maior sobre o idioma quanto dos números.

Uma aprendizagem voltada para problemas, no qual o cidadão/cidadã poderá exercitar constantemente o exercício de hipótese-testes-reavaliação-nova hipótese.

O que tira as pessoas de dogmatismo e as fazem ser mais capazes de lidar com os fatos da vida. Menos dependentes de um centro e mais empreendedoras.

Toda a bagagem cultural dos nossos antepassados devem ir colorindo esse exercício de lidar com problemas.

Não podemos falar de Educação no abstrato, sem uma linha de conduta, pois existem modelos educacionais que nos levam para situações piores do que nos encontramos.

Aquelas que fortalecem o pensamento dogmático e o fortalecimento de um centro, reduzindo a autonomia das pessoas.

É isso, que dizes?

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A grande novidade do novo milênio é a perda do reinado da palavra. A palavra se constituiu nos últimos 70 mil anos como o DNA Tecnocultural estruturante do Sapiens. E agora dá lugar aos cliques.

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A palavra é uma ferramenta de linguagem, baseada em ruídos, que tem uma limitação para lidar com a complexidade.

Espécies que usam o ruído não podem ultrapassar determinado número de membros, pois ruídos exigem que haja a interpretação por um líder-alfa, que consegue interpretar os sons complexos e decidir.

Líderes-alfas limitam a quantidade, a capacidade e a velocidade das decisões.

Quando se aumenta a população, o Sapiens fez isso, foi, aos poucos, esgarçando a capacidade da palavra como o DNA Tecnocultural prioritário do Sapiens.

Toda a civilização 2.0 foi baseada na palavra e chegou ao seu limitem na casa dos 7 bilhões de habitantes.

Todas as crises que temos hoje se devem à limitação da palavra como o DNA Tecnocultural do Sapiens.

Nossa espécie demanda nova linguagem que permita que possamos decidir de forma mais rápida, melhor, com a participação de mais gente.

As organizações tradicionais trabalham em cima do DNA Tecnocultural da palavra. A isso chamamos gestão, que tem o seu modus operandi de decidir.

As novas organizações, a la Uber, introduzem o modelo de decisão dos cliques, que é a Curadoria, que é mais sofisticado do que o da Gestão.

Os cliques permitem o uso intenso de Inteligência Artificial, pois  são mais simples de serem interpretados.

Cliques permitem que mais gente, de forma mais rápida, possam ajudar na decisão.

Os cliques são um novo DNA Tecnocultural, que iniciam o processo de uma nova Civilização, pois podemos agora criar um novo modelo de administração, no qual há uma nova linguagem hegemônica.

Todos os movimentos sociais, políticos e econômicos inovadores serão indutores da implantação da nova linguagem.

Os problemas que não conseguimos superar hoje só são possíveis com a linguagem dos cliques.

Os cliques, assim, tornam a palavra obsoleta, colocando-a da linguagem principal para a secundária.

Há um jogo, conforme avançamos na Complexidade Demográfica Progressiva de passar linguagens principais em secundárias. A palavra fez isso com o gesto e os cliques está fazendo o mesmo com as palavras.

Continuaremos falando, gesticulando e lendo, mas tais linguagens estão entrando num aspecto secundário, não mais preferencial para a tomada de decisões.

É isso, que dizes?

 

 

O Sapiens é uma espécie Tecnocultural. Nós não somos genéticos como as demais. De quando em vez, alteramos nossas linguagens e a partir daí criamos novas civilizações.

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Esta é a grande novidade na maneira de pensar e prever as mudanças do e no Sapiens no novo milênio.

O DNA Tecnocultural do Sapiens é a linguagem.

As  linguagens mudam no tempo. Quando novas tecnologias de informação e comunicação surgem há um rearranjo nas linguagens e alterações civilizacionais.

Novas possibilidades Tecnoculturais se tornam possíveis.

Quando chegaram as mídias eletrônicas houve intensificação da linguagem oral sobre a escrita, de forma vertical. O que acabou influenciando o século passado, mais centralizado, mais emocional, menos lógico.

Hoje, com a chegada das mídias digitais estamos revivendo o que tivemos há 70 mil anos (a chegada da oralidade). Temos hoje a nova linguagem: a dos cliques.

Os cliques são a terceira linguagem: gestual (1.0), palavra (oral e escrita) (2.0), cliques (3.0).

Neste momento, nossa espécie pode passar a tomar decisões sem a palavra, na base da experiência coletiva de cada membro, que se torna  líder conjuntural, conforme a contribuição para os demais.

Os cliques passam a ser a linguagem hegemônica do novo milênio, tornando as outras secundárias.

Todo o movimento Tecnocultural relevante no novo milênio será marcado pela introdução do potencial da nova linguagem.

É isso, que dizes?

O principal problema que vivemos hoje é que nossos gurus de plantão deixaram de ser gurus.

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Muito se fala da crise das organizações tradicionais, mas pouco da crise das empresas dos Gurus 2.o, que estão acentuando a crise e não minimizando.

Guru é mais ou menos aquele cara que consegue enxergar mais longe.

Nossos gurus de plantão não conseguem compreender a atual Revolução Digital. E como é ela a principal responsável pelas mudanças, o futuro fica nublado.

As organizações baseiam sua estratégia na previsão dos gurus. Como os gurus também estão em crise, ficaram sem o farol que as ajudava a andar na neblina.

As empresas responsáveis pela bola de cristal do futuro, que contratam os gurus, estão também em crise.

Por quê?

Eis aqui alguns palpites:

  1.  imediatistas;
  2. não conseguem rever macro-paradigmas;
  3. usam as mesmas ferramentas incrementais do século passado para traçar estratégias num século disruptivo;
  4. orgulhosas;
  5. acreditam que os antigos clientes ainda têm razão, não os enfrentam;
  6. focam muito a análise em tecnologias e não na Tecnocultura;
  7. se agarram ao valor gerado no passado como os próprios clientes.

Vivemos algo como o pajé da aldeia que perdeu a capacidade de diagnosticar e tratar uma nova doença.

O pajé era a esperança da tribo sobreviver, mas este não tem mais ferramentas para curar a gripe trazida pelos “estrangeiros”.

O problema hoje é que gurus-organizações não conseguem romper o seu casamento, enquanto o apartamento pega fogo a olhos vistos.

É isso, que dizes!

 

O fotógrafo é um produtor de imagens incomuns por que ele quer ser um incomum diante do comum.

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A cada novo espaço que você entra, você está se redescobrindo.

Fotografar é procurar algo em você nas imagens que registra.

Você, no fundo, quer ser aquela imagem, pois expressa algo que não se consegue dizer de outra forma.

Quando fotografo pássaros em plena cidade, invisíveis para a maioria das pessoas, estou, no fundo, querendo dizer que minhas qualidades também são invisíveis. Que gostaria de ser mais notado.

Que existe algo em mim que poucos notam.

E aquele pássaro com a sua beleza não relevada sou eu. Que ao mostrar o pássaro está mostrando a mim mesmo, que se sente na sombra.

Fico ali esperando a hora de fazer com que aquela beleza incomum se transforme em imagem.

Talvez, todo fotógrafo procure revelar-se e isso é algo que vai criando a sua identidade: saber que tipo de objeto o representa melhor a cada momento.

Há uma demanda por trazer o belo do comum, transformando o fotógrafo em incomum.

O fotógrafo é um produtor de imagens incomuns por que ele quer ser um incomum diante do comum.

Todos querem chamar a atenção para si de alguma forma, mesmo que se suicidando. Fotografar, no fundo, é um tipo de recusa ao suicídio, ao se valorizar a vida.

E usam as imagens que estão do lado de fora para isso.

É isso, que dizes?

Outro dia encontrei um gaúcho no Jardim Botânico que me disse que acalentava um sonho de fotografar.

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E estava procurando a melhor máquina.

Não disse para ele, mas pensei e digo agora, que só se consegue se chegar na câmera ideal fotografando.

Hoje, é fácil comprar e vender pelos Mercados Livres da vida. o que nos permite comprar e vender para experimentar alguns modelos.

Minha sugestão comprar equipamento mais barato e ir se descobrindo, vendo as demandas para ir sofisticando e gastando mais, conforme os caminhos fiquem mais claros.

Tudo caminha hoje em dia, depois da Revolução Digital nessa filosofia da agilidade e flexibilidade.

Comprei de uma amiga uma Sony HX100-v, usada, pelo valor de R$ 600,00 reais.

Expandi o meu olhar.

A câmera tem um zoom, que me permitiu começar a enxergar os detalhes a longa distância e comecei a experimentar uma nova região de observação.

Comecei a fotografar passarinhos, me interessei no tema e cheguei até a procurar equipamentos complementares.

Depois, surgiu a possibilidade de comprar lentes Cotrim macros, que se adaptaram à câmera e passei a sair do longe para o muito perto.

E uma nova região de observação se abriu.

Se tivesse especulado apenas comigo mesmo, ficaria um bom tempo procurando um equipamento para passarinhos, mas hoje estou mais para insetos.

Não quer dizer que isso não seja uma fase, mas só a experiência pôde me dizer qual é a minha demanda.

Disse aqui que a câmera não é passiva, ela é ativa, pois as limitações da região de observação são quebradas e novas possibilidades surgem.

Quanto mais você se relacionar com a câmera, que vai lhe permitir chegar em novas regiões de observação. E quanto mais entramos em regiões de observações novas, mais podemos ir nos conhecendo.

E vendo que tipo de equipamento vai nos permitir fazer melhor aquilo que queremos.

É isso, que dizes?

 

As tecnologias são próteses que usamos para expandir nossas limitações.

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Se eu ando com um celular no bolso, com um determinado potencial para captar imagens, meu cérebro, eu, meu olho passa a enxergar o que é “fotografável” de uma determinada maneira.

O equipamento no meu bolso permite-me olhar para as coisas de forma diferente como fotógrafo.

Se eu passo a ter uma outra máquina disponível, aos poucos, eu, meu cérebro e meu olho passarão a enxergar o mundo “refotografável” de uma nova maneira.

A câmera, assim, não é algo passivo, mas ativo, pois vai me possibilitando expandir minha capacidade de ver e registrar.

É isso, que dizes?

Podemos dizer que a Civilização 2.0 durou 70 mil anos, do surgimento da Linguagem da Palavra Oral até a chegada dos Cliques.

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Toda a estrutura cultural, social, organizacional da sociedade foi marcada pela Palavra (Oral ou Escrita).

Palavras são baseadas em ruídos, que precisam ser codificados por um Sapiens para que se possa tomar decisões.

As espécies que se utilizam de ruídos como Linguagem Hegemônica precisam de um modelo hierárquicos para se organizar.

Há a demanda por um líder-alfa que entende os ruídos e decide o que é melhor para o grupo.

Podemos dizer, assim, que a Civilização 2.0 foi marcada pela Linguagem Hegemônica da Palavra, que era baseada em ruídos, seja oral ou escrito (manuscrito ou impresso).

E que o Modelo de Administração do Sapiens nesse período era fundamentalmente hierárquico, similar a todas as espécies, principalmente os mamíferos, que precisam de um líder-alfa interpretador de ruídos.

O problema do Sapiens é que, por sermos uma Tecnoespécie, vivemos sob a égide da Complexidade Demográfica Progressiva e o que era funcional ontem deixa de ser funcional amanhã.

As linguagens humanas, isso é incrível, como a própria cultura ficam obsoletas, pois foram concebidas para uma complexidade bem menor.

O ser humano precisa reinventar as tecnologias, as linguagens hegemônicas, todo o modelo de administrativo quando está diante de nova complexidade.

A Civilização 2.0, que tem um ótimo serviço prestado, que nos legou uma espécie de 7 bilhões agora dará lugar a uma nova, mais adaptada para esse novo patamar de complexidade.

Muitos poderão dizer que uma Civilização nunca termina, pois ainda estará presente por milênios. Isso é fato. Porém, o que podemos dizer é que nas ilhas mais inovadoras da sociedade surgirão um novo tipo de Sapiens.

Uma nova forma de pensar e agir diante do mundo, que por conseguir uma relação de custo/benefício melhor diante dos problemas, acabarão, ao longo do tempo, influenciando de alguma forma todo o resto.

Seja por quem vai aderir, seja por quem vai lutar contra a novidade.

É isso, que dizes?

O Sapiens é uma espécie curiosa.

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É a única Tecnoespécie conhecida. E precisamos reanalisar a sua história para compreender o que estamos passando e vamos passar.

A grande descoberta do novo milênio é um novo olhar sobre a relação entre demografia, cultura, tecnologia.

Quanto mais Sapiens no planeta, mais sofisticadas terão que ser as Tecnologias de Trocas (Informação e Comunicação), por sua vez as linguagens, para podermos promover upgrades culturais.

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No tempo, conforme cresce demograficamente, observamos que o Sapiens cria novas Tecnologias das Trocas, que podem permitir o surgimento de novas linguagens e upgrades da nossa civilização.

  • Civilização 1.0 – poucos milhares – Linguagem Gestual;
  • Civilização 2.0 – milhões e poucos bilhões – Linguagem Gestual + Palavras (oral e escrita);
  • Civilização 3.0 – mais de sete bilhões – Linguagem Gestual + Palavras (oral e escrita) + Cliques.

Hoje, a grande novidade é introdução e disseminação dos Cliques, a Terceira Linguagem Humana, que nos permite ampliar tremendamente a cultura.

Podemos resolver com a Linguagem dos Cliques o que não podíamos fazer antes. As opções são tão grandes e largas. E são tão diferentes do que tínhamos antes, que podemos dizer que inauguramos uma terceira etapa civilizacional do Sapiens.

É isso, que dizes?

Veja o vídeo correlato aqui:

Muita gente diz que as mídias sociais são as ferramentas e a rede social são as pessoas.

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Assim, as redes sociais vêm antes da Internet e as mídias sociais seriam aquelas que vêm com a Internet.

Mídias sociais é um conceito esquisito.

Pois, do ponto de vista, não existe nenhuma mídia que não seja social, a não ser os ruídos dos macacos, que são mídias dos macacos.

Toda mídia, por mais centralizada que seja, sempre é e foi social.

O que podemos dizer que temos hoje, para ser preciso, mídias digitais, que são mídias sociais, que se utilizam de novas tecnologias para promover as trocas humanas.

E ainda podemos dizer que as mídias digitais, por suas características, permitem mais produção de forma descentralizada e distribuída.

E que se pode trocar mais horizontalmente.

É uma mídia descentralizadora, diferente das mídias eletrônicas (rádio e televisão) que promoveram a centralização.

Quando falamos de Redes Sociais não podemos falar de redes sociais “puras”, não tecnológicas.

O ser humano não troca com outro ser humano sem uma tecnologia no meio.

Podemos dizer que em muitos raros casos, presenciais, de um abraço, um carinho, no tato, não temos a presença de tecnologias.

Fora isso, quanto mais estamos longe um dos outros, mais e mais precisamos colocar tecnologias para que possamos continuar trocando.

Sem tecnologias de trocas não haveria o avanço que tivemos na civilização para se chegar a casa dos 7 bilhões de habitantes.

Portanto, ao se pensar numa Rede Social não podemos imaginar que existe algo sem tecnologias.

Tivemos, assim:

  • Rede Social Gestual;
  • Rede Social Gestual + Palavra Oral;
  • Rede Social Gestual + Palavra Oral + Palavra Escrita
  • Rede Social Gestual + Palavra Oral + Palavra Escrita + Mídias Eletrônicas;
  • Rede Social Gestual + Palavra Oral + Palavra Escrita + Mídias Eletrônicas + Digital.

Temos, na verdade, uma Rede Tecno-social, marcada pelas limitações e novas potencialidades das Tecnologias de Trocas disponíveis.

As mídias estão nas redes sociais, assim como as redes sociais estão mas mídias.

E a sociedade será definida pela capacidade que a Tecno Rede Social tem, a partir dos limites estabelecidos pelas Tecnologias de Trocas disponíveis.

Tentar separar o Sapiens do Tecno é um processo de desumanização do Sapiens. O Sapiens só é Sapiens por que foi, é e sempre será tecnológico.

 

Um grande erro que se comete ao analisar tecnologias é do considerar que surgem sem uma função.

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Tecnologias são ferramentas humanas para resolver problemas.

Há problemas que não tem solução com as disponíveis e precisam de novas tecnologias para serem minimizados.

Quando alguém olha para uma tecnologia de forma isolada não enxerga que ela está vem atender a uma demanda humana.

Podemos dizer que vem:

  • atenuar ou acabar com um determinado sofrimento;
  • melhorar uma determinada comodidade;
  • ou trazer e ampliar um determinado prazer.

Tecnologias, assim, não tem vida própria. Ninguém usa algo por usar. Tecnologias têm que inserir dentro de demandas humanas.

Se percebe-se a demanda, pode-se ver muito mais longe, pois se verá o quanto a tecnologia atendeu e o quanto ainda falta atender aquela determinada demanda.

Obviamente, que existem diferentes usos para a mesma tecnologia, mas uma certa média de padrão de uso vai definindo determinado caminho.

É isso, que dizes?

Este é o desejo de muita gente para inovar. Mas o problema começa justamente quando imaginamos que existe uma caixa.

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O ser humano vive em três camadas.

  • A primeira é a sua identidade;
  • A segunda é a sua percepção;
  • A terceira é a “realidade”, os fatos da vida.

De maneira geral, ainda mais agora ao fim de um longo período de mídia concentrada, é normal que tenhamos baixa taxa de percepção.

A percepção é uma mediadora entre a identidade e os fatos da vida. Ora, precisamos repensar como pensamos sobre nós mesmos, a partir de fatos. Ora precisamos pensar os fatos, a partir das revisões que fazemos na nossa identidade.

A caixa que todos costumam falar é uma percepção pouco musculada, não alongada, que nos faz estacionar tanto quando olhamos para dentro como para fora.

Quem não faz o alongamento da percepção, acaba por aumentar a taxa de dogmatismo e não consegue enxergar nem para dentro e nem para fora de forma diferente.

Sair da caixa, assim, é perceber que temos percepção.

A caixa que estamos colocados não é consciente.

Sair da caixa é tomar consciência da caixa que fomos colocados.

Muscular a percepção é começar a criar ferramentas internas para escolher a caixa que queremos estar, a partir de critérios que atendam a nossa nova identidade.

Num mundo mais líquido, mais inovador, uma percepção enrijecida faz com que a pessoa se incapacite para o mercado.

É isso, que dizes?

Uma lista dos 7 erros do marxismo:

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  1. O problema principal do ser humano não é a injustiça, mas a sobrevivência;
  2. Não existe luta de classe, mas da sociedade contras as organizações;
  3. Não se consegue acabar com a ganância, apenas administrá-la;
  4. A república não é burguesa, é democrática;
  5. Um sistema sem desigualdades e diversidades gera baixa inovação;
  6. O sistema de livre mercado só leva à concentração quando há aumento demográfico;
  7. O que move a macro-história é uma relação entre demografia e mídias disponíveis.

É isso, que dizes?

 

Cosmovisão é um conjunto de sentimentos e percepções de um determinado grupo da sociedade.

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Existem cosmovisões propositivas, que querem se transformar em cultura. E existem cosmovisões consolidadas que viraram cultura.

Cosmovisão é algo que marca a identidade das pessoas. É uma camada de sentimento e percepção que está muito próxima do ego.

Por isso, muitas vezes as pessoas não conseguem separar o que é a cosmovisão da sua identidade: estão quase coladas.

É algo muitas vezes parecida com a escolha de um time de futebol: fica tatuada na pele.

Podemos dizer que existem cosmovisões fechadas e dogmáticas, que na sua origem não nascem para a interação, mas para a imposição. E as abertas.

As dogmáticas vêm do passado remoto das tribos, nas quais não havia necessidade de diálogo ou negócios com outras tribos sempre consideradas rivais.

São cosmovisões que foram perdendo força no tempo, justamente quando o Sapiens foi cada vez mais se globalizando e ficando interdependente.

Cosmovisões dogmáticas num mundo complexo acabam por ser reativas ao novo. Querem impor  modelo de imposição e não de interação. Não é um somatório, mais um processo de exclusão.

O boliviarianismo e o estado islâmico são exemplos desse tipo de cosmovisão.

As cosmovisões, digamos mais modernas, foram aquelas que se abriram para a interação.

São cosmovisões que estão abertas para a interação, o aprendizado e a mudança.

Hoje, vivemos o renascimento de cosmovisões tribais, em função das crises da atual cosmovisão moderna. A cosmovisão moderna ficou obsoleta devido ao aumento de complexidade.

É preciso reciclá-la, não voltando ao passado tribal, mas indo em direção à nova complexidade.

É isso, que dizes?

Muitos tentam fazer o diagnóstico das crises do novo milênio. Vou arriscar meu palpite: as linguagens humanas ficaram obsoletas!

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Como assim?

Sim, o ser humano inventa linguagens na Macro-História! E inventa quando precisa superar problemas de complexidade demográfica.

Quanto mais a população cresce, mais as linguagens precisam se sofisticar!

As linguagens, diante do aumento da Complexidade Demográfica Progressiva vão ficando obsoletas no tempo.

Toda a cultura é baseada nas linguagens disponíveis. Quando aumentamos a população, podemos dizer também que a cultura fica obsoleta.

Talvez, essa percepção da obsolescência da linguagem e da cultura – diante do aumento da Complexidade Demográfica Progressiva – seja a principal descoberta das ciências sociais no novo milênio.

A teoria da obsolescência das linguagens consegue, com certa lógica, explicar as crises do século passado e as mudanças que ocorrem já no novo século.

E conseguem apontar um norte das mudanças necessárias para que superemos tais problemas.

É isso, que dizes?

 

Muita gente não entendeu as manifestações de 2013 e as dos anos seguintes.

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Falta análise histórica.

Toda Revolução Cognitiva traz ao mundo a possibilidade de  reinventar a civilização, pois as linguagens são atualizadas. 

Muitos movimentos  políticos ocorrerão neste novo milênio, mas os únicos que virarão cultura serão aqueles que tiverem, além do conteúdo, a proposta de implantação da nova linguagem dos cliques.

Vivemos hoje a chegada de uma nova linguagem, que nos permite ampliar os limites da cultura que tínhamos.

Assim, tudo que fizermos de mudança será na direção de aproveitar essa oportunidade para resolver antigos problemas de uma nova maneira.

Foi assim no passado e será assim agora.

O movimento político liberal nada mais foi do que a expansão do uso da escrita impressa, refazendo conceitos, a partir dela, filosóficos, teóricos, metodológicos, que nos permitiu criar a cosmovisão republicana e de livre mercado.

Temos dois movimentos liberais na história:

  • de resistência, quando a mídia está concentrada;
  • de inovação, quando temos novas mídias.

Vivemos hoje o macro movimento liberal que é muito mais de forma (implantação de nova linguagem), no qual se constrói um novo conteúdo e  nova narrativa

 

Nenhuma espécie humana, mesmo as não sociais, precisamo de algum tipo de modelo de administração.

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Entende-se modelo de administração como a metodologia para conseguir sobreviver. Isso implica: gastar energia e repor com alimentos, enfrentando as intempéries do tempo e inimigos naturais.

Não existe espécie viva que não tenha as suas regras de sobrevivência, o que podemos chamar de modelo de administração.

Todas as espécies que vivem neste planeta, tirando o Sapiens, têm um modelo de administração, encapsulado na genética. É, portanto, instintivo com baixa capacidade de inovação no curto ou médio prazo.

Mudanças ocorrem por evolução natural, não programada, sempre de forma incremental e NUNCA de forma disruptiva.

O ser humano é a única espécie animal, social, mamífera, que tem modelo de administração mutante.

O modelo de administração do Sapiens é resultado dos aparatos tecnológico que temos disponíveis (principalmente as tecnologias de comunicação e informação) e nossa capacidade cultural de utilizá-los para melhorar nossas vidas.

Assim, nunca poderemos viver sem administração, porém podemos mudar de modelos de administração, quando temos novos aparatos de mídia.

Sempre teremos administradores que serão responsáveis pelas organizações existentes, que serão as responsáveis pelos produtos e serviços.

Há uma fantasia com a chegada da Administração 3.0 de que tudo será feito de forma espontânea.

Os Ubers da vida criam ambiente que estabelece forma mais livre e com novo modelo de intermediação entre fornecedores e consumidores.

Porém, não é um processo desintermediado.

É um processo em que há uma Plataforma que regula as relações, que exige filosofia, teoria, metodologia, tecnologia e aprendizado constante.

Hoje, um administrador sai formado pelas escolas da administração para ser um gestor e não um curador de Ubers.

As pessoas acreditam que basta colocar uma Plataforma Uber para rodar que tudo está resolvido?

Note que o ser humano não é formiga, apesar de começarmos a imitar o seu modelo de comunicação e administração.

O ser humano tem a sua complexidade, que implica honestidade, desonestidade, esforço, tramoia, sinceridade e fingimento.

Numa Plataforma Uber haverá que haver todo um modelo integrado para que a taxa de honestidade, esforço, sinceridade cresçam e a de que a tramoia, a desonestidade e fingimento decresçam.

Isso se dá, através de ajustes constantes e aprendizados na luta entre os honestos e os desonestos e entre a meritocracia versus o oportunismo.

Um Administrador 3.0 tem o papel de uma espécie de “regulado das causas nobres” em que vai procurar gerenciar todas as variantes da Plataforma para que isso ocorra.

Há muito trabalho a ser feito e isso não é algo que cai do céu, mas exige um estudo, como era antes, para aprender o tempo todo sobre cultura humana. E ajustes tecnológicos para coibir nossos defeitos e ampliar nossas virtudes.

É isso, que dizes?

Friederich Hayek (1899-1992) é alguém que não pode ser esquecido na análise do futuro, pós-digital.

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Ele traz alguns insights muito ricos sobre complexidade e informação.

  • É dele a ideia de que um poder central tomará decisões cada vez piores, com o aumento da complexidade.
  • É dele também a ideia de que o socialismo nunca vai funcionar, pois retira os preços dinâmicos do mercado, impedindo as pessoas de tomar melhores decisões;
  • É dele ainda a ideia de que se combate complexidade com descentralização de decisões.

Preços dinâmicos são informações geradas pelas pontas, através de uma ordem espontânea, que permitem que as pessoas possam decidir melhor e – portanto – viver melhor.

Hayek, entretanto, não estudou Thomas Malthus (1766-1834) mais a fundo. Malthus nos deixou o seguinte legado, se formos adaptar seu pensamento a conceitos atuais.

Quando aumentamos a demografia, aumentamos a complexidade e geramos crises produtivas.

Assim, na fórmula da complexidade de Hayek faltou o fator Complexidade Demográfica Progressiva.

Ou seja, não temos uma complexidade estática no mundo.

Quando aumentamos a população, a complexidade aumenta, o que nos faz pensar que o centro, se não se reinventar, vai ficando obsoleto.

É logica pura.

E aí temos um outro fato importante que nos traz Marshall McLuhan (1911-1980) para o debate.

Ele lembra que as mídias mudam no tempo, incluindo nossos cérebros, e, no meu palpite, mudam por causa da Complexidade Demográfica Progressiva.

Mídias, linguagens, modelos de administração, formas de tomada de decisão ficam obsoletas no tempo, pois a complexidade de ontem não é a de hoje.

O ser humano precisa reinventar a sociedade de tempos em tempos, conforme vai aumentando a complexidade.

E aí modelos centralizados vão começando a entrar em decadências, como as cooperativas de táxi e precisam ser substituídas por Ubers.

Ubers permitem que novas formas de informações geradas pelas pontas sejam criadas (tal como os preços), que permitam aperfeiçoemos as tomadas de decisão diante da complexidade.

Os centros, assim, se tornam obsoletos não só pelo socialismo, ou pelo mercantilismo, mas também pelo avanço da Complexidade Demográfica Progressiva.

Tal visão nos faz imaginar que ciclos liberais na história estão fortemente ligados tanto às variações demográficas como a mudanças de mídia, tal como foi o Liberalismo 1.0 (chegada do alfabeto grego na Grécia antiga) como o 2.o (chegada da prensa, pós-idade média).

Hayek não leu Malthus e nem McLuhan, mas você que é um liberal em pleno século XXI, tem que ler.

É isso, que dizes?

 

 

Não considero.

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Utopia é algo que parte de um grupo de pessoas que não gosta da vida como ela é.

O que fazem?

Retiram algum item da complexidade humana e simplificam.

Com a simplificação, eliminam uma série de parâmetros que os tomadores de decisão não podem ignorar no seu ofício.

E acreditam que nada é feito de melhor, pois basta querer fazer. O problema é que os itens da complexidade na fórmula da tomada de decisões está lá por algum motivo.

Tem história, tem passado, tem crises, tem problemas gerados quando aqueles itens foram esquecidos.

A utopia é uma tentativa de fazer com que a complexidade humana despareça por mágica.

O meu prognóstico do mundo 3.o não se encaixa em um pensamento utópico, pois o que se pretende aqui é justamente o contrário: analisar a complexidade do passado e as demandas por atualizações na tomada de decisões sobre ela e não sem ela.

É isso, que dizes?

 

Quanto mais gente houver no mundo, melhor terão que ser as decisões tomadas.

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Decisões são baseadas em:

  • dados disponíveis;
  • quem decide.

A escrita surgiu há 7 mil anos por dois motivos objetivos:

  • fomos nos espalhando por diferentes regiões e precisávamos de ferramentas de comunicação entre elas;
  • e demanda de produção registros informacionais para que melhores decisões fossem tomadas em um território cada vez maior.

O ciclo, entretanto, é progressivo.

Melhor  comunicação e mais significa que podemos crescer demograficamente ainda mais, ocupar ainda mais espaços e demandar novo ciclo por demandas de novas ferramentas de comunicação e informação.

O que nos leva a  Revoluções Cognitivas na Macro-História, que nos permitam falar ainda com mais gente e gerar mais dados para tomar decisões melhores.

Porém, nessa escalada, temos problemas:

  • muito antes das Revoluções Cognitivas temos crises de decisões cada vez piores e mais absolutistas;
  • e mesmo que se queira melhorar as decisões faltam dados para decidir melhor;
  • depois da Revolução Cognitiva, temos dados demais para que o antigo modelo do tomador de decisões seja eficaz.

Neste momento, surge a demanda por novo modelo social, político e econômico para alterar a tomada de decisões.

E aí promovemos mudanças sociais, políticas e econômicas:

  • descentralizamos as propriedades para que cada vez mais gente cuide de seu próprio micro-território;
  • descentralizamos as organizações para que possam atender cada vez melhor as demandas;
  • descentralizamos a forma de tomada de decisões.

Foi o que vimos com a chegada da Palavra Impressa, que iniciou o ciclo da sociedade moderna.

E reiniciamos o processo em um patamar mais sofisticado, com mais autonomia das pontas em relação a um novo centro mais aberto do que o anterior.

Assim, caminha a tomada de decisões da humanidade.

É isso, que dizes?

O principal problema do Sapiens hoje é com a Complexidade Demográfica Progressiva.

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Mais gente, mais complexidade. Mais complexidade exige decisões melhores.

Precisamos, portanto, melhorar as decisões que tomamos.

Boa parte da crise civilizacional e que vivemos é de que as decisões que são tomadas não são aderentes à sociedade.

Ou seja decide para cima ou para baixo, para o lado ou para o outro, mas não se acerta no alvo.

O problema, já diagnosticou Friedrich Hayek (1899-1992), é de que a complexidade só pode ser combatida com descentralização.

É preciso aumentar o poder das pontas para que decida de forma cada vez mais descentralizada e melhor.

Assim, mais dia ou menos dia, aumentos demográficos vão nos levar à descentralização das decisões.

Pode faltar ferramentas Tecnoculturais durante um período, mas naturalmente aparecerá tecnologias que nos permitirão promover essa descentralização mais dias ou menos dia.

Vamos entender, assim, que, quando passamos das tribos que tinham propriedades comuns e estabelecemos a propriedade privada, por exemplo, foi a forma que conseguimos lidar melhor com a complexidade.

Cada um passou a cuidar de uma parte do todo, do seu próprio espaço, retirando a necessidade de um poder central cuidar de tudo.

Há uma micro-partição gradual dos espaços e das decisões para que possamos lidar melhor com a complexidade.

O mesmo se deu com o fim da escravidão, que, no fundo, foi uma autonomia maior para que cada indivíduo pudesse ter mais liberdade e o feitor não tivesse que cuidar de um exército de escravos.

Há também muito de operacional nesse processo.

As franquias 2.0 (atuais) são um modelo baseado num centro “conhecedor e promotor de marketing”, que permite que pessoas usem a marca de forma descentralizada.

A franquia 2.0 mantém, porém, a manutenção da responsabilidade do produto ou serviço de uma determinada marca.

Na Franquia 3.0, no caso do Uber, Airbnb, etc é diferente.

As organizações não são mais responsáveis pelos produtos e serviços, mas pelas relações entre pessoas que os querem consumir.

O Uber não promove viagens de carros com motoristas particulares, mas a relação entre quem quer se locomover e quem recebe pelo serviço. 

Seria uma hiper franquia.

O Uber, assim, deixa de ser uma organização responsável direta por entregar algo ao consumidor. Ele deixa que outras pessoas façam por ele.

O que ele agrega valor na sociedade é criar  ambiente para que essa relação fornecedor-consumidor possa ser feita, através dos cliques (a terceira linguagem), que permite uma produção descentralizada e um ambiente de controle e fiscalização muito superior ao da gestão.

O Uber agrega valor na introdução de novo modelo de administração (Curadoria), que permite a descentralização radical produtos e serviços.

Na qual, temos uma nova forma de controle e confiança entre as pessoas envolvidas.

O Uber e similares é um modelo típico da grande guinada que estamos dando, através da chegada de uma nova linguagem humana, que nos permite dar mais um passo na direção da descentralização das decisões.

É isso, que dizes?

 

Líder 3.0

Estamos vivendo a passagem do líder sólido para o líder líquido. Você será líder ou estará líder, dependendo da sua capacidade de manter a influência sobre seus liderados.

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A grande novidade da Civilização 3.0 com os cliques (a terceira linguagem) é que uma sombra enorme da sociedade passou a ser iluminada.

As linguagens dos gestos e das palavras (oral e escrita) tinham limitações. Muito do que as pessoas faziam ou pensavam não podia ser registrado e utilizado para se tomar decisões.

Era uma limitação civilizacional.

O aumento demográfico tornou essa sombra extremamente perversa, pois as organizações passaram a ter um determinado espaço de sombra, na qual ampliaram o seu corporativismo, que se tornou tóxico.

Os cliques acompanham as pessoas em todas as suas ações. Diferente de uma conversa da rua ou de um gesto que faço não registrado, ao clicar estou deixando um rastro digital.

Estou deixando uma marca do que realmente faço, gosto, não gosto, do que estou procurando, do que não estou procurando.

A quantidade de informações que passam a ser registradas é uma proporção muito maior do que era antes. Todas estas informações tende a se transformar em decisões.

E isso tem impactos profundos na sociedade.

Hoje, é possível personalizar muito mais a oferta das demandas, pois passa a poder conhecer melhor o que se quer, quando se quer e onde se quer.

Aonde havia o ar sem registros, hoje existe o clique registrado!

O problema que temos é que existe uma quantidade cada vez maior de dados a ser analisado e se torna impossível que a topologia administrativa das atuais organizações possa lidar com essa enxurrada de dados.

Um gestor, modelado pelas linguagens passadas, recebia um número menor de dados a serem processados. E todo o modelo organizacional se baseava nesses parâmetros:

  • organização decide em torno dos dados disponíveis, com baixa participação do real interesse e desejo dos consumidores cidadãos;
  • produtos e serviços são massificados e entregues com atendimento parcial dos interesses.

As novas organizações que surgem criam um novo modelo. que permite lidar com esse novo parâmetro.

É isso, que dizes?

 

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Há um debate filosófico interminável sobre Natureza Humana.

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E acho que podemos analisar que existem dois tipos de definição para o tema:

  • a que é definida a partir de fatos históricos;
  • a que é definida a partir do conceito de pessoas que acreditam ter a fórmula mágica para modificar o que vimos na história.

Podemos dizer que a história reúne a ordem espontânea aprendida de nossos antepassados, que fizeram o melhor possível para viver bem e deixar algum legado para nós.

Os limites do Sapiens existem. Temos que sobreviver todos os dias e precisamos de produtos e serviços. Isso gera determinada complexidade produtiva que não pode ser ignorada.

É bem comum ignorar nossos limites, não multiplicar as demandas pelo tamanho da população e acreditar que tudo que fizemos até aqui poderia ser diferente.

É normal que propostas a-históricas para o futuro procurem ignorar o fator complexidade da equação.

Se eliminarmos as demandas e as ofertas correspondentes, como se o Sapiens não precisasse sobreviver, tudo é possível, dentro da impossibilidade.

A isso podemos chamar de utopia.

“utopia
substantivo feminino
1.
lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos.
2.
qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade.”

O problema é que temos demandas e elas precisam, de alguma forma ser atendidas. E isso gera desafios para a sociedade que precisam ser equilibradas com liberdade, bem estar, qualidade de vida, redução de injustiças.

Se nos concentrarmos apenas nas injustiças, como fazem os utópicos, e apenas nelas, até como uma forma de mobilizar as pessoas, esquecemos que há um sistema produtivo que precisa existir.

Começamos a combater as injustiças, ignoramos as ofertas produtivas e começamos a ter problemas de entrega de produtos e serviços, pois há algo no modelo produtivo que causa injustiças inerentes ao processo.

Assim, mudanças sociais baseados em utopias não aprendem com história as possibilidade de modificar sim, sem perder a produtividade jamais.

A ideia de que existe uma “natureza humana comprovada pelo tempo” parte de algumas premissas:

  • temos que aprender com os limites dos nossos antepassados;
  • não podemos ignorar que se a história impediu determinadas mudanças, houve algum motivo;
  • e que ajustes de um lado, provocam problemas do outro, o que tem que ser feito com cuidado para evitá-los.

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Slides com as frases do livro escolhidas pelo autor: http://tinyurl.com/lib30slides 

 

 

Thomas Malthus (1766-1834) disse algo relevante para nós, se adaptarmos suas conclusões sobre crescimentos demográficos.

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Toda vez que aumentarmos a população teremos que administrar crises produtivas.

Como vemos abaixo:

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Quais ferramentas o Sapiens tem para isso?

Podemos dizer que há algumas saídas emergenciais, conjunturais temporárias:

  • controlar o crescimento demográfico da população (como fez a China);
  • reduzir as demandas subjetivas (massificando corações e mentes, através da concentração de ideias, como fizemos no século passado);
  • concentrar a produção, aumentando monopólios, cada vez mais verticais (através da padronização de produtos e serviços, sem capacidade de diálogo com o cidadão/consumidor).

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Todas estas alternativas, a histórica demonstra, são temporárias, pois geram violência objetiva e subjetiva e vão contra o que podemos chamar de “natureza humana comprovada pelo tempo”.

Veja mais sobre isso aqui.

Há uma relação entre sobrevivência e liberdade, em que se aceita perder liberdade pela sobrevivência em curtos períodos de tempo, mas há um limite para isso.

Latências por mudança surgirão.

Hoje, além da quantidade dos sete bilhões de habitantes, podemos somar a interdependência das regiões, o que faz com que o Sapiens seja cada vez mais uma espécie planetária.

Nossa demanda, diante desse mundo dos 7 bilhões interdependentes, é criar sociedades que permitam resolver o problema da liberdade-sobrevivência da melhor maneira possível. E isso nos OBRIGA a apostar tudo na inovação.

Há a inovação regional, casual, localizada.

E a Macro-Inovação Civilizacional, que, de tempos em tempos, nos faz criar novas Tecnologias de Trocas, a sofisticação das linguagens existentes e, algumas vezes, raramente, o surgimento de nova linguagem – como agora.

Revoluções Cognitivas são, portanto, macro movimentos sistêmicos do Sapiens para ajustar a cultura, a civilização a um novo Patamar Demográfico.

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Vídeo relacionado:

Isso nos remete a uma questão: para que serve a linguagem?

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Linguagens servem para facilitar as trocas. E trocas são ferramentas de decisão. A base da sociedade está nas decisões.

Nos comunicamos para decidir algo.

Sim, nos comunicamos para várias outras coisas.

Porém:

Quanto mais gente houver no mundo, melhor terão que ser as decisões coletivas.

Quanto mais complexo for o mundo, mais a qualidade das decisões vai importar.

Até a chegada do aparato digital, todas as decisões humanas eram feitas, a partir das linguagens disponíveis: gestos e palavra.

A primeira fase do digital ampliou muito o uso dos gestos e das palavras, via digitalização, mas as decisões continuaram sendo feitas, a partir das antigas linguagens.

Quando o Google principalmente lançou seu motor de busca e passou a decidir o que ficava em cima ou embaixo das pesquisas, a partir dos cliques, iniciamos o uso de uma nova linguagem para decisões coletivas.

Os cliques passaram a ser uma linguagem que passou a permitir o Sapiens a decidir.

Cliques permitem que:

  • cliquemos e involuntariamente deixemos os rastros para mais gente;
  • cliquemos e voluntariamente deixemos os rastros para mais gente.

Nesse momento, passamos a poder decidir de nova forma. E isso nos traz algumas novidades importantes:

  • passo a tomar decisões (e confiar) baseado em informação de desconhecidos;
  • muito mais gente participa das decisões;
  • não preciso mais de intermediador de carne e osso, o único capaz de interpretar as antigas linguagens;
  • passo a contar com o apoio de  inteligência artificial.

Esse conjunto de possibilidades que a nova linguagem nos traz, permite que possamos, pela ordem:

  • alterar o epicentro da cultura humana;
  • criar novo ambiente produtivo, recriando organizações;
  • gerar nova cosmovisão.

Estamos aprendendo que o Sapiens criará a sociedade de plantão, a partir das possibilidades das linguagens disponíveis.

Os cliques são uma nova linguagem, pois permitem que tomemos decisões a partir deles, pois são mais participativas e próximas do que realmente as pessoas fazem e pensam, algo que não era possível com as linguagens anteriores.

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Todas as outras espécies tem linguagem genética, encapsulada no corpo.

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O Sapiens é o único que tem Tecnolinguagem.

Nós somos  Tecnoespécie e as trocas humanas são reguladas por tecnologias.

Conforme vamos aumentando a complexidade demográfica, vamos amadurecendo culturalmente, vamos demandando linguagens mais complexas e sofisticadas.

A linguagem de ontem estruturou a civilização de ontem e as novas linguagens que surgem  vão estruturar a civilização do amanhã.

As Tecnologias das Trocas, de comunicação e informação, precisam de códigos, que podemos chamar de linguagens.

As linguagens são resultado das Tecnologias Disponíveis. As Tecnologias de informação e comunicação (das Trocas) são criadas para que o ser humano possa trocar, sobreviver e se reproduzir.

A cultura vive das possibilidades das linguagens disponíveis. É em torno dela que estruturamos a civilização. Quando temos novas linguagens, temos nova civilização.

Assim, não é que a civilização seja escrava da linguagem, mas são as linguagens que nos permitem ser o que somos.

É em torno das linguagens disponíveis que criamos a cultura. E é em torno da cultura que criamos as organizações. Quando temos novas linguagens, teremos nova cultura e novas organizações.

O problema que temos hoje é a chegada da Terceira Linguagem, vejamos:

  • Linguagem 1.0 – Gestos;
  • Linguagem 2.0 – Palavras (Oral e Escrita Manuscrita/Impressa);
  • Linguagem 3.0 – Cliques.

É isso, que dizes?

Civilizações são formadas por Cosmovisões.

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A base de toda Civilização Humana é a capacidade que temos de criar Cosmovisões, que geram metodologias que nos permitem sobreviver e nos reproduzir.

Cosmovisões são criadas para gerar metodologias.

Aquelas que facilitam nossa sobrevivência e garantem que possamos ir melhorando a qualidade de vida, serão aceitas e vice-versa.

As cosmovisões que não se mostrarem eficazes serão rejeitadas.

E mais:

Com o aumento demográfico tenderemos, cada vez mais, a ser cada vez mais interdependentes, e isso nos leva a uma cosmovisão mais homogênea em todo o planeta.

As cosmovisões têm elementos básicos, que as estruturam. A base de tudo são as trocas. Por ser espécie social, precisamos das trocas. E estas serão feitas, ao longo da história, a partir de:

  • Complexidade Demográfica existente;
  • Tecnologias de Trocas disponíveis e as linguagens que elas permitem que sejam criadas;
  • Acúmulo cultural de pensamentos e experiências;
  • Cosmovisão adotada, a partir destas variantes.

O mundo hoje, antes de tudo, está passando por uma guinada civilizacional da passagem da Cosmovisão 2.0 para a 3.0.

Crescemos demais a Complexidade Demográfica, iniciamos a massificação de novas Tecnologias, introduzimos nova linguagem e começamos, por causa disso, os primeiros passos para e refazer nossa Macro Cosmovisão.

Há alguns elementos fundamentais na passagem da Cosmovisão 2.0 para a 3.0.

  • as trocas humanas eram feitas por um modelo de intermediação em função das tecnologias disponíveis e das linguagens existentes (gestos e palavras (oral e escrita));
  • a confiança nas trocas estava baseada neste modelo de intermediação disponível;
  • todo o modelo de controle de processos era feito dentro deste modelo de trocas.

A Cosmovisão 2.0 que determinava o modelo de todas as organizações inicia processo de mudança, pois temos hoje:

  • novas tecnologias que permitem novos modelos de intermediação e a chegada da linguagem dos cliques;
  •  nova confiança baseada no novo modelo de intermediação disponível;
  • nova forma de controlar processos.

Muita gente quer atuar nesse novo mundo, porém são muito poucos que percebem que é preciso sair da atual Cosmovisão e ir para uma nova.

Não é uma mudança de métodos, de tecnologias, de forma nova de agir, com a mesma Cosmovisão.

A Cosmovisão Humana é histórica.

É determinada pela Complexidade Demográfica, as Tecnologias de Trocas disponíveis e o acúmulo cultural.

Estamos num processo disruptivo da Cosmovisão Humana e isso é algo muito difícil de ser alterado no pouco tempo que a atual Revolução Civilizacional tem nos dado.

A crise atual é esta.

É isso, que dizes?

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Vídeo relacionado:

Marx tem uma frase emblemática que marca a passagem do marxismo de uma corrente política para uma religiosa:

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A filosofia é uma área de debate sobre determinados temas humanos, que também é submetida a testes no tempo. Demora, mas são.

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Teses filosóficas, viram teorias e depois metodologias, que são usadas e recebem o retorno da vida e precisam ser repensadas, num ciclo constante.

A tese principal filosófica de Marx parte da ideia do homem bom que precisa de uma sociedade boa para termos uma sociedade mais justa.

Isso não deveria ter virado um dogma, mas uma proposta a ser testada no tempo.

E foi, mas a revisão filosófica não foi feita pela maior parte de seus seguidores. As pessoas procuram explicações metodológicas, mas são poucos os que percebem o equívoco filosófico.

Com o tempo, as sociedades baseadas na tese da natureza boa, não se sustentaram, pois acabaram dando poder a um determinado centro, que deveria ser bom e praticar o bem.

O resultado tem sempre um efeito contrário.

O poder absoluto das pessoas do bem, com baixa fiscalização da sociedade, nos leva à corrupção e à violência sobre as massas.

Por quê?

Quando Marx tira o papel do filósofo de revisor de teses filosóficas sempre abertas e o coloca no papel de praticante de uma metodologia (Filósofos precisam transformar o mundo), está tirando aquele debate da roda.

Quando se elimina o debate filosófico de qualquer tese, parte-se do princípio que determinadas premissas filosóficas não precisam mais ser debatidas.  É questão fechada.

Parte do princípio que esse debate está superado. Se o debate está superado, fechado, não há como se reabrir e a tese que tem que ser testada, deixa de ser tese/hipótese (aberta) e passa à dogma (fechado).

O filósofo não tem mais o papel de debater aquela tese, analisar o que resultou e reavaliar.

Calem-se os filósofos!

O marxismo fecha a revisão dessa hipótese.

Quando se fecha o debate filosófico sobre qualquer tema humana, não estamos mais falando de projetos políticos, mas de religião.

O marxismo nesse momento passa a ser uma metodologia sem direito a debates filosóficos mais amplos. A ideia de que o ser humano é bom, de que a natureza humana tenderá ao bem, independente qualquer circunstância é o dogma de plantão.

Pior que é o mesmo dogma que levou ao totalitarismo católico da idade média, com fogueira, inquisições e cruzadas.

E à tese da monarquia absoluta, na qual o rei ia praticar o bem para seus súditos, pois foi escolhido por Deus, que nos legou séculos de opressão.

As teses marxistas e variantes, tal como a do Estado Islâmico, ou mesmo do nazismo do século passado bebem da mesma fonte: homens bons, movidos por classe, raça ou religião trarão uma sociedade melhor e mais justa.

Mesmo que a história tenha insistido em demonstrar que tal hipótese nunca é aceita pela vida.

É isso, que dizes?

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